O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passou a ser formalmente investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em uma apuração que envolve o financiamento do filme “Dark Horse”, produção cinematográfica baseada na trajetória política de Jair Bolsonaro. O inquérito está sob a relatoria do ministro André Mendonça e busca esclarecer a origem e a movimentação de recursos destinados ao projeto.
A Polícia Federal investiga, entre outros pontos, a participação de Flávio Bolsonaro na articulação para levantar recursos para a produção. O senador reconhece ter procurado apoiadores interessados em viabilizar o longa, mas nega que tenha cometido qualquer irregularidade.
Banco Master aparece no centro da apuração
Um dos principais pontos analisados pelos investigadores envolve Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Segundo as informações que integram a investigação, o banqueiro teria sido responsável por aproximadamente 92% do orçamento do filme, estimado pela produtora em cerca de US$ 13 milhões.
A PF procura esclarecer como os recursos foram captados, por quais estruturas financeiras passaram e qual foi a destinação final dos valores. Entre as suspeitas investigadas estão lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção.
As hipóteses são objeto de investigação e, até o momento, não representam conclusão sobre a existência dos crimes ou eventual responsabilidade dos envolvidos.
Transferências para os Estados Unidos são analisadas
Parte da movimentação financeira investigada teria passado pelo Havengate Development Fund, estrutura sediada no Texas, nos Estados Unidos.
A Polícia Federal também verifica se parte dos valores relacionados ao projeto cinematográfico teria sido utilizada para financiar despesas do deputado federal Eduardo Bolsonaro durante sua permanência nos Estados Unidos.
A análise busca estabelecer uma eventual conexão entre os recursos destinados ao filme e outras despesas ou operações realizadas no exterior.
Dois inquéritos analisam frentes diferentes
A investigação relatada por André Mendonça não deve ser confundida com outro procedimento conduzido no STF, sob responsabilidade do ministro Flávio Dino, que também envolve o filme “Dark Horse”.
Nesse segundo caso, a apuração está relacionada a possíveis desvios envolvendo emendas parlamentares destinadas a projetos ligados à produtora responsável pela obra.
Embora os dois procedimentos tenham o mesmo filme como ponto de conexão, eles investigam fontes de recursos e possíveis irregularidades diferentes.
Flávio Bolsonaro nega irregularidades
Flávio Bolsonaro afirma que sua atuação se limitou à busca de apoiadores para tornar o projeto possível e sustenta que o financiamento da produção ocorreu por meio de recursos privados.
O senador também contesta a condução das investigações e acusa setores do Supremo de utilizarem o caso com finalidade política e eleitoral.
A investigação deverá avançar sobre documentos financeiros, transferências internacionais e relações entre os envolvidos para determinar a origem dos valores e a eventual existência de irregularidades. Até que as apurações sejam concluídas, os investigados permanecem sob presunção de inocência.









