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Fim da escala 6×1 pode elevar custos e pressionar inflação, alerta presidente da construção civil

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22 de junho de 2026
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Renato Correia, da CBIC, afirma que proposta não resolve o problema da produtividade no Brasil e pode agravar a falta de mão de obra em diversos setores.

Economia – A proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 voltou ao centro das discussões econômicas e trabalhistas do país. Para o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Renato Correia, a medida, da forma como vem sendo debatida no Congresso Nacional, não representa uma solução para os desafios de produtividade enfrentados pelo Brasil e pode gerar efeitos negativos para empresas, trabalhadores e consumidores.

O tema ganhou força após a divulgação de um levantamento internacional que apontou queda do Brasil no ranking global de competitividade. Na avaliação de Correia, o principal problema da economia brasileira não está na carga horária dos trabalhadores, mas na baixa produtividade, que ainda permanece muito distante dos índices observados em países mais desenvolvidos.

Segundo o dirigente, a produtividade nacional corresponde a cerca de 20% da registrada nos Estados Unidos, fator que reduz a capacidade de competição da indústria brasileira no mercado internacional. Para ele, reduzir a jornada sem um aumento proporcional da eficiência produtiva pode provocar aumento dos custos de produção e pressionar ainda mais os preços ao consumidor.

Correia argumenta que a implementação acelerada da proposta tende a elevar despesas operacionais das empresas, refletindo diretamente na inflação e dificultando o processo de redução das taxas de juros. Na prática, o setor produtivo precisaria produzir o mesmo volume em menos tempo, o que exigiria contratações adicionais ou ampliação do pagamento de horas extras.

No caso específico da construção civil, o cenário é ainda mais desafiador. O setor enfrenta dificuldades para preencher vagas e já convive com escassez de profissionais qualificados. De acordo com a CBIC, a redução imediata da jornada exigiria a contratação de centenas de milhares de novos trabalhadores, número considerado inviável diante da atual oferta de mão de obra.

O presidente da entidade também destacou que muitos trabalhadores da construção recebem parte da remuneração vinculada à produtividade e à execução de tarefas. Com menos horas disponíveis para trabalhar, esses profissionais poderiam até mesmo registrar queda nos rendimentos, dependendo da forma como a mudança fosse implementada.

Como alternativa, Correia defende uma transição gradual para qualquer eventual redução da jornada de trabalho. A proposta apresentada pela CBIC prevê uma diminuição progressiva das horas trabalhadas ao longo de quatro anos, permitindo que empresas invistam em tecnologia, equipamentos e processos capazes de elevar a produtividade sem repassar custos adicionais ao consumidor.

Além da questão trabalhista, o dirigente aponta a burocracia como um dos principais entraves para o crescimento da produtividade nacional. Segundo ele, processos de licenciamento, aprovações de projetos e autorizações para obras ainda representam uma parcela significativa dos custos do setor e poderiam ser simplificados para gerar ganhos mais efetivos de eficiência.

Para Correia, qualquer mudança estrutural nas regras trabalhistas precisa estar acompanhada de medidas que fortaleçam a competitividade da economia brasileira. Caso contrário, a redução da jornada pode acabar elevando custos, pressionando a inflação e reduzindo a capacidade de investimento das empresas em um cenário já marcado por juros elevados e desafios econômicos.

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Tags: #Fim da escala 6×1
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