A conta de luz voltou a pesar no bolso dos brasileiros em setembro e se tornou o principal fator individual de pressão sobre a inflação medida pelo IPCA-15. Segundo dados divulgados nesta sexta-feira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a energia elétrica residencial ficou 7,42% mais cara no mês e foi responsável por um impacto de 0,29 ponto percentual no índice.
O movimento ocorreu depois de uma queda de 6,25% registrada em agosto, quando as contas de energia foram beneficiadas pelo chamado Bônus de Itaipu. Com o encerramento desse efeito, os preços voltaram a subir e tiveram peso significativo no resultado da inflação de setembro.
O IPCA-15 avançou 0,70% neste mês, revertendo a queda de 0,40% registrada em agosto.
Fim do bônus eleva conta de energia
A forte variação da energia elétrica está diretamente relacionada à retirada do efeito do Bônus de Itaipu, que havia reduzido as tarifas no mês anterior.
Além disso, a bandeira tarifária amarela permaneceu em vigor em setembro. O sistema acrescenta R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos, aumentando o valor final das faturas.
Com a combinação desses fatores, o grupo Habitação registrou alta de 2,07%, a maior entre os nove grupos de produtos e serviços analisados pelo IBGE.
A energia elétrica, isoladamente, teve peso suficiente para se tornar o item de maior contribuição para o resultado do IPCA-15 no período.
Passagens aéreas também sobem
Outro componente que chamou atenção no levantamento foi o setor de transportes.
O grupo Transportes apresentou alta de 0,60%, impulsionado principalmente pelo aumento das passagens aéreas. Os bilhetes ficaram 9,82% mais caros em setembro.
O comportamento dos combustíveis também foi misto.
A gasolina teve alta de 0,30%, enquanto o gás veicular registrou avanço de 1,56%. Na direção contrária, o diesel apresentou queda de 0,78% e o etanol recuou 0,22%.
Mesmo com a redução de alguns combustíveis, a alta das passagens aéreas contribuiu para manter o grupo de Transportes em território positivo.
Inflação volta a acelerar
O resultado de setembro representa uma mudança importante em relação ao mês anterior.
Em agosto, o IPCA-15 havia registrado deflação de 0,40%. Agora, o índice passou para uma alta de 0,70%, uma diferença de 1,10 ponto percentual entre os dois períodos.
A energia elétrica teve papel central nessa mudança, principalmente por causa da comparação com agosto, quando o Bônus de Itaipu havia provocado redução nas tarifas.
A leitura do índice mostra, portanto, que parte relevante da aceleração registrada em setembro veio de componentes específicos, especialmente a energia residencial e as passagens aéreas.
Habitação lidera as altas entre os grupos
Com a elevação da conta de luz, o grupo Habitação passou a apresentar a maior variação entre os nove segmentos avaliados pelo IBGE.
O resultado demonstra como mudanças tarifárias podem provocar efeitos significativos sobre os indicadores de inflação, mesmo quando outros componentes apresentam comportamento mais moderado.
Para o consumidor, o impacto é percebido diretamente no orçamento doméstico, principalmente entre as famílias cujo consumo de energia representa uma parcela relevante das despesas mensais.
O resultado de setembro reforça, assim, a influência dos preços administrados e dos serviços de transporte sobre a inflação no período, enquanto o comportamento dos combustíveis apresentou variações diferentes entre os produtos.









