A cirurgia robótica está ampliando sua presença no sistema hospitalar brasileiro. A plataforma Toumai, tecnologia que permite a realização de procedimentos cirúrgicos a distância, deve estar instalada em 22 hospitais do país até dezembro. Atualmente, o equipamento opera em 13 instituições, e outras nove instalações estão previstas até o fim do ano.
A expansão é conduzida pela Hospcom, distribuidora exclusiva do sistema no Brasil, e deve alcançar hospitais de diferentes estados, incluindo São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Minas Gerais, Bahia, Paraíba, Goiás, Mato Grosso do Sul e Rondônia. A expectativa é ampliar a presença da tecnologia nas cinco regiões brasileiras.
O equipamento é destinado a cirurgias minimamente invasivas e permite que o cirurgião controle instrumentos robóticos com movimentos precisos, visão tridimensional em alta definição e recursos que auxiliam na execução dos procedimentos.
A tecnologia também possibilita que o profissional opere um paciente que está em outra cidade, desde que exista uma estrutura adequada nos dois locais e uma conexão de comunicação estável e segura.
Como funciona a cirurgia robótica?
O sistema Toumai utiliza instrumentos controlados pelo cirurgião por meio de uma estação de comando. A visão ampliada da área operada e os recursos de filtragem de tremores ajudam na realização de movimentos delicados.
Segundo Eder Mattos, gerente nacional de Educação em Cirurgia Robótica da Hospcom, a técnica pode permitir incisões menores e contribuir para uma recuperação mais rápida, dependendo do procedimento e das condições clínicas do paciente.
Entre os recursos oferecidos estão a visualização tridimensional, a precisão dos movimentos e uma estrutura ergonômica que pode facilitar o trabalho médico em cirurgias prolongadas. A plataforma também pode ser utilizada em atividades de treinamento e acompanhamento de especialistas a distância.
Os resultados, entretanto, variam conforme o tipo de cirurgia, a experiência da equipe e o quadro clínico de cada paciente.
Quais hospitais já utilizam a plataforma?
De acordo com as informações divulgadas pela empresa, o Toumai já está instalado nas seguintes instituições:
Hospital Nove de Julho, em São Paulo; Hospital Mãe de Deus, no Rio Grande do Sul; IMAS Tubarão, em Santa Catarina; Unimed Foz do Iguaçu, no Paraná; Hospital Samar e Hospital de Amor da Amazônia, em Rondônia; Hospital do Rim, em Goiás; CASSEMS, em Mato Grosso do Sul; IRCAD América Latina, em São Paulo; Mater Dei Santo Agostinho e Santa Casa de Montes Claros, em Minas Gerais; Unimed João Pessoa, na Paraíba; e Iart, na Bahia.
A relação apresentada pela empresa reúne hospitais e instituições de diferentes perfis, incluindo unidades assistenciais e centros voltados à formação e ao treinamento médico.
Onde o robô deve ser instalado até dezembro?
A previsão de expansão inclui a Unimed Jaú, a Unimed Araçatuba e outra unidade da Unimed em São Paulo; a Unimed Ponta Grossa, no Paraná; o Instituto Mário Penna e o Hospital das Clínicas de Montes Claros, em Minas Gerais; as unidades do IMAS em Florianópolis e Joaçaba, em Santa Catarina; e o Hospital São Paulo/Santa Casa de Cacoal, em Rondônia.
Também está prevista uma instalação no Hospital de Amor/Fundação Pio XII, em São Paulo.
Com essas novas unidades, a empresa pretende ampliar a distribuição da tecnologia e alcançar diferentes regiões do país.
Telecirurgias já conectaram cidades e países
A plataforma ganhou destaque em procedimentos que conectaram equipes médicas localizadas a milhares de quilômetros de distância.
Em agosto, uma prostatectomia radical, cirurgia para retirada da próstata, foi realizada com o paciente em Goiânia, em Goiás, e o cirurgião conectado a partir de Santiago, no Chile. A distância entre os dois locais era de aproximadamente 3 mil quilômetros.
Em julho, o equipamento também foi utilizado na primeira telecirurgia robótica realizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O procedimento conectou o Hospital de Amor da Amazônia, em Porto Velho, ao Hospital de Amor, em Barretos, no interior de São Paulo. A operação envolveu a retirada de um tumor intestinal por meio da plataforma robótica.
Outro procedimento ocorreu em março, quando uma cirurgia de hérnia de hiato conectou Foz do Iguaçu, no Paraná, a um cirurgião localizado na China, a cerca de 19 mil quilômetros de distância.
Esses casos demonstram as possibilidades da telecirurgia, mas também evidenciam a necessidade de planejamento técnico rigoroso e de equipes preparadas para lidar com eventuais intercorrências.
Conexão segura é essencial para o procedimento
A realização de cirurgias a distância depende de uma infraestrutura capaz de manter a comunicação entre o cirurgião e os instrumentos robóticos durante toda a operação.
Segundo as informações divulgadas sobre a plataforma, a estrutura utilizada inclui duas conexões independentes de fibra óptica, rede 5G e uma rede privada virtual (VPN), recursos destinados a reforçar a estabilidade e a segurança da comunicação.
A latência, ou seja, o tempo que os comandos levam para chegar ao equipamento, é outro fator decisivo. Atrasos ou interrupções podem comprometer a execução dos movimentos e exigem protocolos de segurança específicos.
Por isso, além da tecnologia, a realização desse tipo de procedimento depende de profissionais capacitados, infraestrutura hospitalar adequada e planos de contingência para situações de falha de comunicação.
Perspectivas para a cirurgia robótica no Brasil
Criado em 2014, o sistema Toumai realizou sua primeira cirurgia robótica em 2019, em Xangai, na China. A tecnologia chegou ao mercado brasileiro em 2025, por meio da distribuição feita pela Hospcom.
A ampliação da presença da plataforma ocorre em um cenário de expansão das técnicas minimamente invasivas e de desenvolvimento de procedimentos que permitem a participação de especialistas a distância.
A chegada do equipamento a novos hospitais pode ampliar a capacidade de treinamento e criar possibilidades de colaboração entre equipes médicas. O impacto sobre o acesso da população, porém, dependerá de fatores como disponibilidade dos procedimentos, custos, capacitação profissional e integração com os serviços de saúde.
A previsão de alcançar 22 instituições até dezembro representa mais uma etapa da expansão da cirurgia robótica no país, enquanto a consolidação da telecirurgia dependerá da segurança dos procedimentos e da capacidade de transformar o avanço tecnológico em benefícios concretos para os pacientes.








