A Petrobras revisou, poucas horas depois, o reajuste anunciado para a gasolina e cancelou a alta de R$ 0,19 por litro que havia sido comunicada na noite de quarta-feira (9). A estatal esclareceu, na madrugada desta quinta-feira (10), que o impacto para as distribuidoras será, na realidade, uma redução no preço com tributos.
A primeira informação divulgada pela companhia apontava que o fim de um desconto de R$ 0,44 por litro provocaria um aumento de R$ 0,19 no preço da gasolina A vendida às distribuidoras. Com isso, o valor médio passaria de R$ 3,05 para R$ 3,24 por litro.
Horas depois, a Petrobras corrigiu o comunicado e explicou que a mudança precisa ser analisada em conjunto com a redução da carga tributária anunciada pelo governo federal.
Segundo a nova informação, a suspensão do desconto de R$ 0,44 por litro será aplicada, mas a redução de R$ 0,63 por litro nas alíquotas de PIS/Pasep e Cofins sobre a gasolina mais do que compensa esse efeito.
Com isso, o preço médio da gasolina A da Petrobras para as distribuidoras permanecerá em R$ 3,05 por litro.
Governo anuncia mudanças na tributação
A revisão ocorre em meio à pressão provocada pela alta do petróleo no mercado internacional. Na quarta-feira, o preço do barril ultrapassou a marca de US$ 100, aumentando a preocupação com possíveis impactos sobre os combustíveis comercializados no Brasil.
Diante desse cenário, o governo federal anunciou novas medidas para tentar conter a pressão sobre os preços.
Entre as ações está a redução de R$ 0,63 por litro na cobrança de PIS/Pasep e Cofins incidente sobre a gasolina. Também foi anunciada uma redução de R$ 0,19 por litro na tributação do etanol, levando a carga tributária do biocombustível a zero.
Na prática, a combinação dessas medidas altera o efeito inicialmente calculado pela Petrobras e impede que a suspensão do desconto resulte em aumento no preço médio cobrado às distribuidoras.
Diesel também entra no pacote
O governo também anunciou medidas para tentar evitar uma alta do diesel nas bombas.
Uma medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva prevê uma nova subvenção de R$ 1 por litro de diesel. O objetivo é ajudar a preservar os preços do combustível diante da escalada das cotações internacionais do petróleo.
A Petrobras, entretanto, informou que ainda aguarda a publicação dos atos legais necessários para avaliar como a nova subvenção será implementada.
Petrobras diz manter política comercial
Após a correção do comunicado, a estatal afirmou que sua atuação continuará seguindo critérios relacionados à sua estratégia comercial e às condições do mercado.
A companhia também destacou que pretende manter uma postura considerada responsável e transparente na definição dos preços praticados para as distribuidoras.
A mudança de posição em poucas horas ocorreu justamente em um momento de forte volatilidade no mercado internacional de petróleo e de preocupação com os efeitos dos combustíveis sobre a inflação e o orçamento dos consumidores.
Apesar da correção, o preço efetivamente pago pelos consumidores nos postos não depende exclusivamente do valor cobrado pela Petrobras. Distribuidoras, revendedores, tributos e outros componentes da cadeia de comercialização também influenciam o preço final da gasolina.









