O mercado brasileiro de juros iniciou a terça-feira (15) com pouca oscilação e leve viés de baixa, em um pregão marcado pela cautela antes de dois acontecimentos considerados relevantes pelos investidores: a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a taxa Selic e o julgamento envolvendo o ministro Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal (STF).
A movimentação das taxas ocorre também após a divulgação de números mais fracos do comércio e de novas pesquisas eleitorais. Apesar de influenciarem as expectativas para a economia e para o cenário político, os resultados tiveram impacto limitado sobre os contratos de juros no início da sessão.
Às 9h17, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 era negociado a 13,580% ao ano, ante 13,585% no ajuste anterior. Para janeiro de 2029, a taxa estava em 13,840%, abaixo dos 13,867% registrados na segunda-feira (14).
Na parte mais longa da curva, o DI para janeiro de 2031 marcava 14,085%, contra 14,108% no fechamento anterior.
Copom concentra atenção dos investidores
A principal referência econômica do dia é a reunião do Copom, que deverá definir os próximos passos da política monetária brasileira.
Com a Selic atualmente em patamar elevado, os investidores acompanham principalmente os sinais que o Banco Central poderá oferecer sobre a trajetória dos juros nas próximas reuniões. Qualquer mudança na percepção sobre o ritmo de cortes ou sobre o comportamento futuro da inflação pode provocar ajustes nos contratos de juros.
O mercado também observa a atividade econômica, já que uma eventual perda de força do consumo pode contribuir para reduzir pressões inflacionárias e ampliar o espaço para uma política monetária menos restritiva.
Varejo abaixo das expectativas
Nesse contexto, os números mais recentes das vendas do varejo vieram abaixo do que era esperado e ajudaram a sustentar o leve viés de baixa observado nas taxas futuras.
O desempenho mais fraco do comércio reforça a percepção de desaceleração da atividade econômica. Para o mercado, entretanto, o dado não foi suficiente para provocar uma mudança expressiva nas posições antes da decisão do Copom.
Isso explica parte da estabilidade observada nesta manhã: investidores preferem aguardar novos sinais do Banco Central antes de ampliar apostas sobre a direção dos juros.
Pesquisas eleitorais têm efeito limitado
O ambiente político também entrou no radar com a divulgação de pesquisas eleitorais CNT/MDA e Idexa/Broadcast.
Os levantamentos foram acompanhados pelos agentes financeiros por seus possíveis efeitos sobre as expectativas para a economia, especialmente em relação às eleições e às futuras políticas fiscais e econômicas.
Até o início do pregão, porém, o impacto sobre a curva de juros era considerado reduzido. O mercado permanece mais concentrado nos eventos que podem produzir efeitos imediatos sobre os preços dos ativos.
Julgamento de Moraes aumenta cautela
Além do Copom, outro ponto de atenção nesta terça-feira é o julgamento envolvendo o ministro Alexandre de Moraes no STF, previsto para começar às 10h.
A expectativa em torno da sessão contribui para manter os investidores mais cautelosos, principalmente porque eventuais decisões ou desdobramentos políticos podem repercutir sobre outros ativos financeiros, incluindo dólar e juros futuros.
Com isso, o comportamento da curva ao longo do dia dependerá da combinação entre os acontecimentos em Brasília, os indicadores econômicos e a reação dos mercados às informações que forem divulgadas.
Por enquanto, os contratos apresentam pequenas variações, indicando que os investidores adotam uma postura de espera diante de uma agenda considerada decisiva para as próximas semanas.
Mercado em compasso de espera
A sessão reúne, portanto, fatores de naturezas diferentes: dados econômicos que apontam para uma possível perda de ritmo da atividade, pesquisas que movimentam as expectativas eleitorais e decisões institucionais capazes de elevar a volatilidade.
Nesse cenário, a estabilidade dos juros futuros reflete mais uma posição de cautela do que ausência de riscos. O mercado aguarda os próximos acontecimentos para definir se haverá espaço para uma queda mais consistente das taxas ou se as incertezas políticas e econômicas voltarão a pressionar os contratos.









