Manaus voltou a amanhecer encoberta por fumaça nesta quarta-feira (23), com a qualidade do ar atingindo níveis críticos em diferentes regiões da capital. Dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (App Selva), desenvolvido pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), apontaram concentrações elevadas de partículas finas em bairros das zonas Sul, Centro-Sul, Oeste e Leste.
O maior índice informado no monitoramento chegou a 437,4 µg/m³ no Morro da Liberdade, na região do Distrito Industrial, classificação considerada “Péssima”. Também foram registrados índices elevados na Chapada/Parque Dez de Novembro (259,8), região do Aeroporto (228,9), Compensa (219,9), Aparecida/Centro (184,0) e Cachoeirinha/Educandos (173,0).

Fumaça se espalhou por diferentes áreas
Além dos pontos classificados como “Péssimos”, o monitoramento registrou condições “Muito Ruins” no Coroado, com 153,2 µg/m³, e em áreas do Aleixo e Flores, com índices de 117,6 e 116,3 µg/m³.
Em alguns pontos isolados, a situação era considerada “Boa”, como em trechos de Nossa Senhora das Graças, com 14,1 µg/m³, e Praça 14/Cachoeirinha, com 22,6 µg/m³. Os números, portanto, variavam significativamente de acordo com a região e o momento da medição.
O episódio desta quarta-feira é o quarto registrado em menos de 30 dias com Manaus amanhecendo encoberta por fumaça. Situações semelhantes foram relatadas nos dias 9, 13 e 17 de setembro.
Queimadas estão entre os fatores associados
O cenário ocorre durante um período de forte calor e aumento dos focos de queimadas no Amazonas. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontaram 2.384 focos de calor no estado entre 1º e 19 de setembro, contra 624 no mesmo período de 2025, uma alta de 282,1%. O registro de focos de calor por satélite, no entanto, não corresponde necessariamente ao número de incêndios individuais.
Pesquisadores do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) também relacionaram a presença de material particulado na capital à fumaça proveniente de queimadas. Segundo os pesquisadores, condições associadas ao El Niño podem contribuir para a menor dispersão da fumaça na região.
População deve reduzir exposição à fumaça
A concentração elevada de partículas finas pode agravar sintomas e problemas respiratórios, especialmente entre pessoas mais vulneráveis. Durante períodos de piora da qualidade do ar, a orientação é reduzir a exposição à fumaça e evitar atividades físicas ao ar livre enquanto as condições permanecerem desfavoráveis.
A população também deve ficar atenta ao surgimento ou agravamento de sintomas respiratórios e procurar atendimento de saúde quando necessário.
O cenário de fumaça ocorre após Manaus registrar, na terça-feira (22), 38,6°C, segundo dados divulgados com base no Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), marcando a maior temperatura registrada na capital em 2026 até aquele momento.









