A densa camada de fumaça que encobre Manaus voltou a acender o alerta sobre os impactos da poluição atmosférica na saúde da população. Nesta sexta-feira (9), a capital amazonense registrou níveis preocupantes de poluentes no ar, situação associada principalmente às queimadas na região e que levou autoridades a adotarem medidas preventivas.
De acordo com informações divulgadas pela Prefeitura de Manaus, a concentração média de partículas finas PM2,5 chegou a 196,4 microgramas por metro cúbico na manhã desta sexta-feira. O índice foi classificado como péssimo, indicando uma condição que exige atenção redobrada da população.
Diante desse cenário, saber como se proteger é fundamental para diminuir os riscos de problemas respiratórios e cardiovasculares, especialmente durante os períodos em que a fumaça está mais intensa.
Quais são os riscos da fumaça para a saúde?
A fumaça proveniente das queimadas contém partículas finas e gases que podem penetrar profundamente no sistema respiratório. Essas substâncias provocam irritações e podem agravar doenças preexistentes, mesmo em pessoas que não apresentam problemas de saúde conhecidos.
Entre os sintomas mais comuns estão:
Tosse persistente;
Irritação e ardência nos olhos;
Dor ou irritação na garganta;
Coriza e congestão nasal;
Dor de cabeça;
Chiado no peito;
Cansaço e dificuldade para respirar.
A exposição intensa ou prolongada à poluição também pode agravar doenças respiratórias e cardiovasculares, aumentando os riscos para pessoas mais vulneráveis.
7 medidas para se proteger da fumaça em Manaus
1. Evite atividades físicas ao ar livre
Enquanto a qualidade do ar estiver comprometida, evite caminhadas, corridas, pedaladas e outras atividades que aumentem a frequência respiratória.
Durante o exercício, a pessoa tende a respirar mais profundamente, o que pode aumentar a quantidade de poluentes inalados.
Se possível, permaneça em casa ou em ambientes fechados e protegidos da fumaça.
2. Utilize máscaras adequadas
Se precisar sair de casa, prefira máscaras do tipo PFF2 ou N95, que ajudam a reduzir a inalação de partículas finas quando estão corretamente ajustadas ao rosto.
Máscaras de tecido e máscaras cirúrgicas comuns não oferecem o mesmo nível de proteção contra essas partículas.
A máscara não elimina todos os riscos, por isso a principal recomendação continua sendo reduzir o tempo de exposição à fumaça.
3. Mantenha portas e janelas fechadas nos períodos críticos
Quando a fumaça estiver intensa, mantenha portas e janelas fechadas para dificultar a entrada dos poluentes.
Se tiver ar-condicionado, verifique se a entrada de ar externo pode ser fechada e mantenha os filtros limpos. Purificadores de ar com filtragem adequada também podem ajudar a melhorar a qualidade do ambiente interno.
Evite utilizar ventiladores posicionados de forma que tragam o ar contaminado do exterior para dentro de casa.
4. Beba água regularmente
A hidratação é importante para o funcionamento do organismo e ajuda a manter as mucosas hidratadas.
Beba água ao longo do dia, mesmo que não esteja sentindo muita sede, especialmente durante os períodos de calor intenso.
A hidratação, entretanto, não neutraliza os efeitos dos poluentes nem substitui as medidas de proteção.
5. Redobre os cuidados com crianças e idosos
Crianças pequenas, idosos, gestantes e pessoas com asma, bronquite, doenças cardíacas ou outros problemas respiratórios precisam de atenção especial.
Evite levar crianças para parques, praças e locais abertos quando houver muita fumaça. Também é importante acompanhar possíveis sintomas e manter disponíveis os medicamentos prescritos para doenças preexistentes.
Bebês e crianças pequenas não devem utilizar máscaras sem orientação apropriada, pois o uso pode representar riscos dependendo da idade e das condições individuais.
6. Evite aumentar a poluição dentro de casa
Durante os períodos de fumaça intensa, não fume dentro de casa e evite acender fogueiras, queimar lixo ou utilizar equipamentos que produzam fumaça.
Se houver acúmulo de cinzas, prefira a limpeza com pano úmido, evitando levantar partículas que possam ser inaladas.
Para aliviar o ressecamento nasal, o soro fisiológico pode ser utilizado conforme as orientações do produto. Em caso de irritação ocular, evite esfregar os olhos e procure orientação de saúde se os sintomas persistirem.
7. Acompanhe os alertas oficiais
A qualidade do ar pode mudar ao longo do dia e variar entre os bairros de Manaus.
Por isso, acompanhe as informações divulgadas pela Defesa Civil, pela Prefeitura de Manaus e pelos órgãos de saúde.
Quando houver recomendação para permanecer em casa ou suspender atividades externas, siga as orientações.
Quando procurar atendimento médico?
É importante não ignorar os sintomas provocados pela exposição à fumaça.
Se houver tosse persistente, irritação intensa, chiado no peito ou piora de uma doença respiratória, procure uma unidade de saúde para avaliação.
Em caso de falta de ar intensa, dor no peito, confusão mental, desmaio ou outros sinais graves, procure atendimento de emergência imediatamente ou ligue para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo número 192.
Pessoas que já utilizam medicamentos para asma ou outras doenças respiratórias devem seguir o tratamento prescrito e não alterar as doses por conta própria.
A população precisa de atenção e medidas efetivas
Além dos cuidados individuais, a situação exige fiscalização e ações contínuas para combater as queimadas e identificar os responsáveis pelos incêndios ilegais.
A fumaça não respeita limites entre bairros ou municípios. Mesmo quando os focos de incêndio estão distantes das áreas residenciais, as condições meteorológicas podem transportar os poluentes e comprometer a qualidade do ar em regiões urbanas.
Em Manaus, onde o calor e os períodos de estiagem podem agravar o desconforto causado pela fumaça, proteger a saúde da população deve ser uma prioridade.
Enquanto persistirem as condições desfavoráveis, reduzir a exposição, proteger os grupos mais vulneráveis e acompanhar as orientações das autoridades são medidas essenciais para diminuir os riscos.
Fontes: Prefeitura de Manaus, Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) e Ministério da Saúde.
Por : Débora Alcântara









