Manaus amanheceu novamente coberta por uma camada de fumaça nesta quinta-feira (24), em mais um episódio de piora da qualidade do ar na capital amazonense. O cenário, que vem se mantendo há cerca de duas semanas, é associado à combinação entre estiagem, altas temperaturas e aumento das queimadas na Amazônia.
O quadro levou a Prefeitura de Manaus a colocar a capital em estado de atenção. Na quarta-feira (23), a cidade chegou a figurar entre os municípios brasileiros com os piores índices de qualidade do ar.
Partículas finas atingem níveis extremos
Dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (SELVA), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), mostram concentrações elevadas de partículas finas, conhecidas como MP2,5.
Na escala utilizada pelo sistema, níveis acima de 125 µg/m³ são classificados como “Péssimos”. Na quarta-feira (23), a concentração média registrada em Manaus chegou a 188,5 µg/m³, enquanto diferentes pontos apresentaram picos de 147,9, 165,4, 132, 144, 131,7 e 150,2 µg/m³.
Sensores espalhados pela capital chegaram a registrar, de forma isolada, marcas de até 291 µg/m³.
Distrito Industrial teve maior pico
A situação foi ainda mais intensa em determinados pontos da cidade. O Distrito Industrial I registrou um pico de 587,9 µg/m³, enquanto o Morro da Liberdade chegou a 437,4 µg/m³.
Outras áreas, como Parque Dez, Compensa e Tarumã, também apresentaram concentrações superiores a 200 µg/m³, mostrando que a fumaça atingiu diferentes regiões da capital.
A variação entre os bairros ocorre devido às condições locais de vento, dispersão dos poluentes e concentração das partículas em determinados períodos.
Queimadas estão entre as principais fontes
Segundo informações da Prefeitura de Manaus, a fumaça que encobre a capital é proveniente de queimadas registradas em diferentes áreas da Amazônia, incluindo municípios da Região Metropolitana de Manaus e regiões localizadas na porção leste do Amazonas.
O aumento dos focos de calor também acompanha o agravamento da qualidade do ar. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontam que o Amazonas acumulou 3.240 focos entre 1º e 22 de setembro, número que representa alta de 244% em relação ao mesmo período de 2025.
Com a permanência do tempo seco e a continuidade dos focos de queimadas, a tendência é de manutenção das condições desfavoráveis enquanto não houver mudança significativa nas condições meteorológicas. Para a população, a recomendação é reduzir a exposição à fumaça, especialmente durante os períodos em que a concentração de poluentes estiver mais elevada.









