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Coreia do Norte amplia execuções por consumo de cultura estrangeira, como filmes e K-pop, diz ONG

acesso by acesso
5 de maio de 2026
in Mundo
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Filhos de membros da elite norte-coreana são ‘viciados em cultura pop sul-coreana e filmes de ação americanos’, diz especialista à DW. No regime de Kim Jong-un, assistir a esse conteúdo pode colocar a vida em risco.

Mundo – Um relatório de um grupo de direitos humanos com sede em Seul, capital da Coreia do Sul, denunciou um aumento acentuado nas execuções por acesso e divulgação de cultura estrangeira, religião e “superstição” na Coreia do Norte.

A ONG Transnational Justice Working Group (TJWG) investigou as execuções no país diplomaticamente isolado antes e depois do fechamento das fronteiras, em janeiro de 2020, ordenado pelo líder norte-coreano, Kim Jong-un, como forma de proteger o país da pandemia de covid-19.

Como parte da pesquisa, o TJWG entrevistou 880 desertores norte-coreanos.

Segundo o relatório, 153 pessoas foram condenadas à morte na Coreia do Norte entre janeiro de 2020 e meados de dezembro de 2024 por diversas acusações, o que representa um aumento de quase 250% em comparação com o período equivalente anterior ao fechamento das fronteiras

No entanto, o aumento é ainda mais pronunciado quando se trata de sentenças de morte relacionadas à cultura, religião (incluindo possuir uma Bíblia) e “superstição”. Os dados revelam que 38 pessoas foram condenadas à morte por esses crimes em menos de cinco anos após janeiro de 2020, em comparação com um total de sete pessoas no período anterior.

Filhos da elite norte-coreana ‘viciados’ em conteúdo estrangeiro

De acordo com os especialistas, a mudança mostra uma predisposição cada vez maior por parte do regime de Kim Jong-un em usar força letal para garantir lealdade e reprimir qualquer sinal de descontentamento. Ainda assim, apesar da repressão, uma grande quantidade de conteúdo de mídia estrangeira já circula dentro da Coreia do Norte.

Na Coreia do Norte, a repressão sempre se torna mais severa”, sublinhou. “O número de pessoas que verdadeiramente acreditam no regime está diminuindo drasticamente. Em vez de doutrinação ideológica, a violência está se tornando a opção preferida do governo.”

Scarlatoiu avalia que as estatísticas do TJWG são consistentes com as conclusões de análises realizadas por sua organização.

Em um dado momento, até mesmo Kim Jong-un pareceu demonstrar simpatia pela cultura do país vizinho comparecendo a um show de estrelas sul-coreanas em 2018. A era da diplomacia do K-pop, no entanto, parece ter chegado definitivamente ao fim.

Medo” de videoclipes e programas de televisão

Em janeiro de 2022, por exemplo, uma mulher de 20 e poucos anos e seu namorado foram executados publicamente na província de Pyongan do Sul por assistirem e compartilharem filmes, novelas e outros programas de televisão sul-coreanos, segundo o portal de notícias Daily NK, com sede em Seul.

A mulher executada era filha de um membro sênior do Ministério da Segurança do Estado da Coreia do Norte. Isso, porém, não foi suficiente para salvar sua vida, disse o Daily NK, citando fontes dentro da Coreia do Norte. O restante da família foi enviado para um campo de prisioneiros políticos.

Em torno de de 300 moradores locais foram obrigados a comparecer à execução. Segundo o portal, cerca de 20 pessoas acusadas de pegar emprestado ou compartilhar as músicas e filmes da mulher não identificada foram forçadas a assistir sentadas na primeira fila enquanto a sentença era cumprida. Todos foram presos em seguida.

“É terrível, mas, devo dizer, não é realmente uma surpresa”, disse Song Young-Chae, acadêmico e ativista sul-coreano da Coalizão Mundial para Acabar com o Genocídio na Coreia do Norte.

O regime de Kim Jong-un teme videoclipes e programas de televisão porque sabe que isso dá ao seu povo um vislumbre do mundo além das fronteiras do Norte e expõe a mentira de que eles vivem em um paraíso”, disse Song.

“A última coisa que ele quer é que imagens do exterior incitem o livre pensamento e a busca pela liberdade e felicidade.”

Ativistas criticam proibição a balões através da fronteira

Grande parte desse conteúdo estrangeiro entrou no país graças a ativistas que armazenavam o material em pen drives e os enviavam além da fronteira através de balões. No ano passado, o governo da Coreia do Sul aprovou uma lei proibindo a prática, em meio aos esforços do presidente Lee Jae-myung para melhorar as relações com Pyongyang.

Song critica a proibição como um “grande erro”. “Essa era uma das principais exigências do governo de Pyongyang, então é claro que dar acesso à informação para a população de lá alarma o regime”, afirmou. “Se realmente queremos ajudar o povo da Coreia do Norte, precisamos dar a eles acesso a mais informação.”

À DW, Scarlatiou também descreveu a decisão sul-coreana como um “erro de proporções épicas”.

“Nasci e cresci na Romênia comunista”, afirmou.

“Eu entendo o poder da informação vinda do mundo exterior. Até 80% dos romenos não confiavam na propaganda do regime e recebíamos nossas notícias da Deutsche Welle, da BBC, da Voz da América e da Rádio Europa Livre. Todas essas emissoras de rádio desempenharam um papel crucial durante a queda do regime de Nicolae Ceausescu [ditador romeno, líder do regime comunista] em dezembro de 1989.”

“Os norte-coreanos precisam ouvir a história da Coreia do Sul próspera, livre e democrática”, disse Scarlatiou. “Isso só pode acontecer por meio de panfletos lançados em balões e outros meios já bastante limitados de levar informações ao país deles.”

Fonte: G1

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