“Eu não estou pedindo para manter a Filó presa. Estou pedindo para que ela fique onde está, onde é melhor pra ela e que não seja entregue à própria sorte”, defendeu Agenor Bruce Tupinambá, influenciador digital e tutor da capivara Filó, acerca da decisão judicial que determinou que o animal seja entregue ao Centro de Triagem de Animais Silvestres do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Cetas/Ibama-AM) no prazo de 30 dias.
Em entrevista para a reportagem de A CRÍTICA, nesta segunda-feira (19), o influenciador digital de 26 anos revelou que tomou conhecimento por meio de sua equipe jurídica, que informou sobre a rejeição do pedido de guarda definitiva apresentado pela defesa. Tupinambá também questionou a imparcialidade do laudo técnico e da perícia utilizada no processo.
“A juíza não deixou um biólogo ou um veterinário imparcial fazer a perícia. É ela que iria dizer quem está certo. Se nós ou o Ibama. Porque o Ibama diz que o animal pode ser jogado em um bando qualquer, os veterinários e biólogos dizem que ela (Filó) não tem condições, que se for jogada em um bando, provavelmente vai morrer, podem bater nela ou não aceitá-la”, argumentou Tupinambá.
De acordo com o tutor de Filó, a entrega da capivara para o Cetas/Ibama e sua reintrodução na natureza podem colocar em risco o bem-estar, saúde e segurança do animal.
“A Filó já está ambientada no lugar dela. Ela vive solta, já conhece o rio, a casa, o terreno, sabe onde tem comida e, principalmente, ela não tem medo de humanos. Então se soltar ela de qualquer jeito, ela pode facilmente se aproximar de um caçador e ser morta”, explicou.
Tupinambá ressaltou que a decisão da 7ª Vara Federal Ambiental e Agrária da Seção Judiciária do Amazonas (SJAM), que negou a guarda definitiva do animal, não garante um plano de monitoramento e proteção para a capivara.
“O Ibama até hoje não apresentou no processo um plano de reintrodução do animal ao seu habitat natural. Desde o começo eles só queriam soltar ela (Filó) de qualquer jeito, sem monitoramento, sem nenhum programa como eles fazem com todos os outros animais. Soltar animais de qualquer jeito é condenar a uma morte cruel, é sujar as mãos com o sangue deles, é um ato de quem só se importa com o que tá escrito no papel e não com a vida”, concluiu Agenor Bruce Tupinambá.
A reportagem entrou em contato com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para apurar as afirmações feitas pelo tutor da capivara Filó, Agenor Tupinambá, sobre a suposta utilização de laudo e perícia inadequados no processo e a ausência de um plano de reintrodução e monitoramento do animal. Até a publicação desta matéria, o órgão não havia se manifestado. O espaço permanece aberto para que o Ibama apresente sua versão e esclarecimentos sobre o caso.
Entenda o caso
No dia 13 de outubro, a Justiça Federal determinou que a capivara Filó seja entregue ao Cetas/Ibama-AM em até 30 dias. A decisão rejeitou o pedido de guarda definitiva apresentado pela defesa de Agenor Tupinambá.
Na sentença, a juíza Maria Elisa Andrade destacou que a humanização de animais silvestres pode comprometer o bem-estar das espécies. “A guarda doméstica definitiva de animal silvestre não constitui proteção, mas a perpetuação de uma violação”, afirmou.
Fonte: Acrítica.com









