O relato de Ana Maria Braga durante o Mais Você, na quarta-feira (16), chamou atenção para um problema que pode passar despercebido na rotina: o impacto de ambientes muito secos sobre a superfície dos olhos. A apresentadora contou que dormiu com o ar-condicionado quente ligado e, ao acordar, percebeu um problema na córnea, acompanhado de dor e lágrimas.
Durante o programa, Ana Maria também recomendou atenção à umidade do ambiente e mencionou o uso de umidificador. O episódio abriu espaço para uma orientação importante de especialistas: a exposição prolongada ao ar-condicionado pode favorecer o ressecamento ocular, principalmente quando o ambiente apresenta baixa umidade.
Por que o ar-condicionado pode ressecar os olhos?
A córnea possui uma proteção natural formada pelo chamado filme lacrimal, uma fina camada de lágrimas que ajuda a manter a superfície ocular hidratada e protegida.
Em ambientes com pouca umidade, essa camada pode evaporar mais rapidamente. De acordo com o oftalmologista Bryan Morais, da Rede Mater Dei de Saúde, o processo pode deixar a superfície dos olhos mais vulnerável a irritações e pequenas lesões.
O problema tende a ser percebido inicialmente por sintomas como sensação de areia nos olhos, ardência, vermelhidão, desconforto e visão alterada.
Em situações de ressecamento mais intenso, podem surgir lesões na superfície da córnea, o que exige avaliação médica.
Dormir com o ar ligado exige atenção
O risco de desconforto ocular pode ser maior durante o sono. Isso ocorre porque algumas pessoas dormem com as pálpebras parcialmente abertas, deixando a superfície dos olhos mais exposta ao ambiente.
A combinação entre exposição prolongada ao ar-condicionado, baixa umidade e esse tipo de alteração no fechamento das pálpebras pode favorecer uma evaporação maior do filme lacrimal.
Isso não significa que dormir com ar-condicionado necessariamente provocará uma lesão na córnea. O efeito varia conforme as condições do ambiente e as características de cada pessoa.
Telas também podem contribuir para o problema
Outro fator que merece atenção é o uso prolongado de celulares, computadores e outros dispositivos eletrônicos.
Ao permanecer concentrada em uma tela, a pessoa tende a piscar menos. Como o piscar ajuda a espalhar a lágrima sobre a superfície ocular, a redução dessa frequência pode aumentar o desconforto em quem já apresenta tendência ao olho seco.
Por isso, especialistas recomendam fazer pausas durante períodos prolongados diante das telas e evitar ambientes excessivamente secos.
Umidificador pode ajudar?
Manter uma umidade adequada no ambiente pode reduzir o ressecamento causado pelo ar seco. O uso de umidificadores pode ser uma alternativa em determinadas situações, mas o aparelho também precisa ser utilizado e higienizado corretamente.
Além disso, pessoas que apresentam sintomas frequentes de olho seco podem precisar de uma avaliação para identificar a causa do problema. Em alguns casos, o oftalmologista pode recomendar colírios lubrificantes, de acordo com a necessidade de cada paciente.
A automedicação, especialmente com colírios que possuem outros princípios ativos, não é recomendada sem orientação profissional.
Quando é necessário procurar um oftalmologista?
Desconforto ocasional pode ocorrer em ambientes secos, mas alguns sinais merecem atenção.
Dor nos olhos, vermelhidão intensa, sensibilidade à luz ou qualquer alteração na visão devem ser avaliados por um oftalmologista, principalmente quando os sintomas surgem de maneira repentina ou persistem.
No caso relatado por Ana Maria Braga, o episódio serve como alerta para os cuidados com a superfície ocular. Mais do que simplesmente evitar o ar-condicionado, a recomendação é manter o ambiente confortável, reduzir a exposição prolongada ao ar diretamente sobre o rosto e procurar avaliação médica diante de sintomas importantes.
A saúde dos olhos depende de diversos fatores, e o ressecamento provocado pelo ambiente é apenas uma das possíveis causas de desconforto ou alterações na superfície ocular.









