O governo do Amazonas retomou a elaboração do Plano Estadual de Mudanças Climáticas após meses de atraso, período marcado pela mudança de gestão na Secretaria de Meio Ambiente (Sema) e pelo processo eleitoral. A retomada ocorre em meio ao aumento das queimadas, que comprometem a qualidade do ar em Manaus e em cidades do interior.
Nesta quinta-feira, a Sema realizou uma oficina preparatória para a construção da matriz de ações estratégicas de mitigação e adaptação climática. O encontro ocorreu virtualmente, pela manhã. O público-alvo incluiu mulheres representantes de povos indígenas, comunidades quilombolas, populações ribeirinhas e outros segmentos considerados vulneráveis. Uma segunda rodada de conversas está prevista para esta sexta-feira (23).
Em entrevista para A CRÍTICA, o novo titular da Sema, Miqueias Santos, negou que o plano estivesse travado. No entanto, a pasta havia previsto a realização dessas oficinas ainda para agosto, mês em que ele assumiu a secretaria, mas isso não se concretizou. Também não houve atividades em setembro, segundo apurou a reportagem.
“Assumi a secretaria recentemente, então estou resgatando todas essas ações. O nosso foco total é o enfrentamento às queimadas, mas o plano de adaptação está também no nosso radar”, destacou.
Cronograma
A elaboração do plano estadual começou com o Diagnóstico Climático e de Riscos Ambientais do Amazonas, em agosto de 2025. Em maio, o governo realizou a 1ª Oficina Estratégica para a Construção do Plano, com a participação de cerca de 30 instituições, entre órgãos estaduais e federais, setor de pesquisa, entidades de cooperação técnica e demais parceiros.
Antes dos atrasos, a previsão era de que uma primeira versão fosse concluída em setembro, o que não ocorreu. Após essa etapa, ainda pendente, o documento será submetido à consulta pública e, posteriormente, apresentado ao Fórum Amazonense de Mudanças Climáticas, Biodiversidade e Serviços Ambientais (FAMC) para apreciação e aprovação.
O Plano de Mudanças Climáticas estabelece diretrizes e ações para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e preparar o estado para os impactos das mudanças climáticas. No Amazonas, o documento é importante para orientar políticas públicas de prevenção e resposta a eventos extremos, como ondas de calor, queimadas e secas severas, que afetam a saúde da população, a qualidade do ar, os rios e a biodiversidade.
Fórum está desativado
O Fórum Amazonense de Mudanças Climáticas (FAMC), espaço que poderia contar com a contribuição da sociedade civil na discussão de ações relacionadas ao tema, continua desativado. Havia previsão de que o colegiado fosse retomado em abril, mas isso não se concretizou.
Questionado sobre quando o governo vai reativar o Fórum, Miqueias Santos afirmou que a retomada depende do avanço da elaboração do plano. “Faz parte de toda a construção, então, a partir da oficina, da integração dos setores da sociedade civil e do poder público, vamos nos voltar a esse trabalho”, disse.
Plano de Manejo do Fogo
Miqueias ressaltou que a gestão estadual também trabalha na elaboração do Plano de Manejo Integrado do Fogo, que será essencial para dar respostas coordenadas a episódios como a atual crise dos incêndios no estado.
“Esse é outro plano que traz muitas respostas que precisamos e reúne bombeiros, Ipaam e outros. Mas como é uma ação que vem de instrução do governo federal, com contrapartida de participação dos municípios, está em fase de audiência, recebemos as contribuições e agora vamos fazer o compilado para que a gente possa lançar em breve”, explicou.
Fonte: Acrítica.com









