O segundo turno das eleições de 2026, marcado para este domingo (25), exige atenção não apenas à participação nas urnas, mas também aos cuidados com a saúde. A combinação de calor intenso, ansiedade e longas filas pode provocar mal-estar e agravar problemas em pessoas com doenças cardiovasculares, especialmente idosos e eleitores que apresentam fatores de risco.
No primeiro turno, ao menos quatro pessoas morreram após passarem mal durante o processo eleitoral no Brasil. Entre os casos relatados está o de um homem de 62 anos que sofreu uma parada cardíaca enquanto se dirigia à seção eleitoral, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Segundo o Corpo de Bombeiros, ele recebeu atendimento, mas não resistiu.
As ocorrências reforçam a importância de reconhecer os sinais de uma emergência e procurar ajuda sem demora. Embora nem todo episódio de mal-estar esteja relacionado ao coração, a perda de consciência, a falta de ar repentina e outros sintomas intensos precisam ser tratados com seriedade.
Calor e ansiedade exigem cuidados
Durante a votação, permanecer muito tempo em pé, enfrentar ambientes quentes e passar por situações de tensão pode contribuir para tonturas, fraqueza e desidratação. Em pessoas com doenças cardíacas ou outros problemas de saúde, esses fatores merecem atenção redobrada.
O cardiologista Louis Nakayama Ohe, chefe da Hemodinâmica do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia (IDPC), destaca que pessoas com hipertensão, diabetes, colesterol elevado, histórico de tabagismo ou doença cardiovascular diagnosticada devem estar especialmente atentas a mudanças repentinas no estado de saúde.
Entre os sinais de alerta estão falta de ar súbita, tontura intensa, suor frio, mal-estar importante e sensação de desmaio iminente. Dor ou pressão no peito também pode indicar uma emergência cardíaca.
Diante desses sintomas, a recomendação é interromper a atividade, procurar ajuda e evitar continuar na fila ou caminhar sozinho até a seção eleitoral. Se houver perda de consciência, a situação exige atendimento imediato.
Infarto e parada cardíaca não são a mesma coisa
Apesar de serem frequentemente confundidos, infarto e parada cardíaca são condições diferentes. O infarto ocorre quando o fluxo de sangue para uma parte do músculo cardíaco é reduzido ou interrompido, geralmente por uma obstrução em uma artéria coronária. A pessoa pode apresentar dor ou pressão no peito, falta de ar e suor frio, embora os sintomas variem.
Já a parada cardíaca acontece quando o coração deixa de bombear sangue de maneira eficaz, provocando o colapso da circulação. A pessoa geralmente perde a consciência e deixa de respirar normalmente. Um infarto pode desencadear uma parada cardíaca, mas nem toda parada tem essa origem.
A distinção é importante porque a parada cardíaca exige uma resposta imediata. Quanto mais rápido o atendimento, maiores são as chances de sobrevivência.
O que fazer diante de uma emergência
Se alguém desmaiar e não responder, é necessário verificar se respira normalmente e acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo telefone 192. Se a pessoa não estiver respirando normalmente, deve-se iniciar a reanimação cardiopulmonar, seguindo as orientações do atendente. Caso exista um desfibrilador externo automático disponível, ele deve ser utilizado conforme as instruções do aparelho.
As compressões torácicas podem ser realizadas por pessoas sem formação na área da saúde, desde que sigam as orientações de emergência. Não se deve esperar que a pessoa se recupere sozinha nem atrasar o pedido de socorro.
Como se preparar para votar
Para reduzir o risco de mal-estar durante a votação, o cardiologista recomenda que eleitores com doenças cardiovasculares mantenham os medicamentos nos horários habituais, façam uma refeição leve antes de sair de casa e bebam água regularmente. Sempre que possível, também é indicado evitar os períodos de maior calor e planejar o deslocamento para reduzir o tempo de espera.
Pessoas que apresentam limitações de saúde devem respeitar seus próprios limites e buscar ajuda caso sintam qualquer sintoma preocupante. Se o mal-estar começar durante a fila, a prioridade deve ser a segurança, e não permanecer no local a qualquer custo.
A votação é um compromisso democrático, mas a saúde precisa vir em primeiro lugar. Reconhecer os sinais de uma emergência, acionar o socorro rapidamente e saber como agir até a chegada dos profissionais pode ser decisivo para salvar vidas.








