Um jovem influenciador chamou atenção nas redes sociais após publicar um vídeo em que aparece utilizando óculos inteligentes para registrar o momento em que votava em uma seção eleitoral de Praia Grande, no litoral de São Paulo. A gravação, publicada no domingo (4), mostra o eleitor diante da urna eletrônica enquanto fazia críticas e xingamentos direcionados aos políticos.
Além de expor a própria escolha na urna, o episódio levantou uma questão prevista expressamente nas regras eleitorais: o eleitor não pode levar para a cabine qualquer equipamento capaz de registrar, transmitir ou divulgar o voto.
Para as Eleições 2026, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estabeleceu que a proibição inclui celulares, câmeras, filmadoras, relógios inteligentes e também óculos inteligentes capazes de gravar imagens.
Equipamentos devem ficar com os mesários
Segundo as normas da Justiça Eleitoral, antes de entrar na cabine, o eleitor deve desligar equipamentos que possam comprometer o sigilo e deixá-los no local indicado pela mesa receptora.
A regra não se limita a celulares. O TSE considera proibido qualquer instrumento que possibilite, direta ou indiretamente, registrar, transmitir ou divulgar a escolha feita na urna.
Caso o eleitor se recuse a entregar o aparelho, ele não pode ser autorizado a votar naquele momento. A ocorrência deve ser registrada em ata e, se necessário, a força policial pode ser acionada.
Por que o voto precisa ser secreto?
O sigilo é uma garantia fundamental do processo eleitoral brasileiro. A proteção impede que o eleitor seja obrigado a apresentar uma prova sobre sua escolha, situação que poderia favorecer práticas como compra de votos, ameaças ou outras formas de pressão.
Por esse motivo, a Justiça Eleitoral proíbe fotografias e gravações da tela da urna. A orientação oficial para 2026 também deixa claro que a regra alcança novas tecnologias, como óculos inteligentes equipados com câmeras.
Vídeo publicado nas redes sociais
https://www.instagram.com/reel/DeJ7i9ahquF/?stkn=d25qMTJ0ZjZ0aDk2
No caso registrado em Praia Grande, o próprio eleitor divulgou as imagens na internet. O vídeo ganhou repercussão ao mostrar o momento da votação e os comentários feitos por ele enquanto anulava os votos para os cargos disputados.
A publicação também pode servir como elemento para eventual apuração pelas autoridades competentes, caso seja instaurado procedimento para investigar a conduta.
A Justiça Eleitoral reforça que o avanço tecnológico não altera a obrigação de preservar o sigilo da votação. Mesmo dispositivos que se parecem com acessórios comuns estão sujeitos às mesmas restrições quando possuem recursos de gravação ou comunicação.
Assim, o episódio chama atenção para uma regra que permanece válida independentemente do equipamento utilizado: a escolha feita diante da urna deve permanecer em sigilo.









