Entre julho e dezembro de 2025, o Brasil foi responsável por 34,3 milhões de downloads de aplicações de apostas desportivas, quase 30% de todo o volume mundial no mesmo período, segundo o relatório State of Mobile 2026, da Sensor Tower. Nenhum outro país chegou perto. Nem os Estados Unidos. Nem a Índia, com mais de mil milhões de habitantes.
E quem está por trás desses números?
Homem, jovem, urbano… mas não só
internacional disputado com o setor já regulado, e os operadores sentiram o efeito.
A Betano, aplicação líder em downloads no Brasil em 2025, viu as transferências semanais quase duplicarem nas três primeiras semanas do torneio. A Bet365, por sua vez, registou o maior crescimento proporcional na aquisição de novos utilizadores entre os principais operadores durante o mesmo período.
O dado mais interessante vem de uma pesquisa da OKTO Payments. Entre os entrevistados, 43,8% disseram ter apostado durante a Copa pela primeira vez. Entre as mulheres, a percentagem subiu para 57%.
É um público diferente de quem já acompanha apostas há anos. Tem menos experiência, é mais ocasional e parece ter pouca paciência para processos demorados de registo ou pagamento.
Isso aparece nos dados sobre depósitos. Segundo a OKTO, 41,4% dos utilizadores abandonam a operação quando uma transação demora mais de 30 segundos. Outros 40,4% não querem esperar mais de um minuto.
O brasileiro habituou-se ao Pix, às transferências instantâneas e a fazer praticamente tudo pelo telemóvel. Quando uma aplicação pede tempo demais para concluir uma operação, a tolerância acaba rapidamente.
O Brasil está a viver uma fase diferente
Nos Estados Unidos, o mercado de apostas já está numa fase mais madura. O tempo passado nas aplicações aumentou 7% em 2025, mas a entrada de novos utilizadores não acompanha o mesmo ritmo. É um mercado que cresce de forma mais previsível.
No Brasil, a história é outra. O mercado regulado ainda está a ganhar forma e milhões de pessoas estão a experimentar apostas pela primeira vez. Isso ajuda a explicar por que razão o país aparece tão destacado nos números globais de downloads.
E talvez seja esse o ponto mais importante. O apostador brasileiro não cabe num único perfil. Pode ter 22 ou 38 anos. Pode ser homem ou mulher. Pode acompanhar futebol todos os fins de semana ou ter decidido fazer a primeira aposta apenas porque era Copa do Mundo.
O que muitos têm em comum é o telemóvel, o acesso fácil e o baixo custo para começar.
Fonte: acrítica.com









