O que começa como uma partida para relaxar, competir ou se divertir pode, em alguns casos, fazer a pessoa perder o controle do próprio tempo e da rotina. A dependência em jogos eletrônicos pode comprometer relações sociais, estudos, trabalho e cuidados pessoais e exige atenção aos sinais. A orientação é da psicóloga e especialista em saúde mental, Maria do Carmo Lopes.
O consumo de jogos digitais é uma realidade no país, segundo aponta a 13ª edição da Pesquisa Game Brasil (PGB) 2026. O levantamento mostra que três em cada quatro brasileiros têm o hábito de jogar. Segundo a pesquisa, o público assíduo não se restringe apenas aos adolescentes, pois a geração Z e os Millennials lideram o consumo, enquanto quase metade dos Baby Boomers também jogam.
Para Maria do Carmo Lopes, um dos principais critérios para identificar a dependência é observar o impacto dos jogos na rotina diária. Mudanças de comportamento, humor e saúde física podem indicar que a relação com os games deixou de ser equilibrada. Entre os sinais estão o afastamento de amigos e familiares, dificuldades na escola e queda de produtividade no trabalho.
“A negligência pessoal também é um sinal importante. Deixar de cuidar da higiene, trocar o dia pela noite para jogar e relaxar nos cuidados com a alimentação são comportamentos que devem chamar a atenção”, comenta.
A especialista também destaca a mudança de humor quando a pessoa precisa interromper a atividade. Irritabilidade, ansiedade e até agressividade podem aparecer diante da necessidade de se afastar das telas.
Embora os jogos eletrônicos sejam frequentemente associados ao público mais jovem, a dependência também pode atingir adultos. De acordo com Maria do Carmo Lopes, a manifestação do problema pode assumir características diferentes a partir dos 40 ou 50 anos. Nessa faixa etária, os jogos podem ser utilizados principalmente como uma forma de fuga de situações como conflitos pessoais, estresse profissional crônico, burnout e solidão.
“É certo que o impacto na saúde mental dessa geração de 40 ou 50 mais é diferente do impacto na geração Z, uma vez que a dependência se dá de forma mais silenciosa”, afirma.
Já para a geração Z, período marcado por mudanças sociais e de neurodesenvolvimento, a extrema ligação com os jogos pode trazer consequências para diferentes áreas da formação.
“A busca por gratificação imediata pode dificultar a tolerância às frustrações e a persistência em objetivos de longo prazo, como a preparação para o vestibular e a construção da carreira profissional. Embora os jogos proporcionem relações online, o excesso pode reduzir as oportunidades de vivenciar situações de interação no mundo real”, afirma.
A psicóloga Maria do Carmo reforça que, em casos de grande dependência, a psicoterapia é fundamental. “A terapia é fundamental. Além de focar na redução do tempo do uso de telas, também vai trabalhar as questões da problemática que leva esse adolescente ou adulto a ter esse comportamento”, explica.
Maria do Carmo Lopes é psicóloga com vasta experiência em atendimento clínico. Ela realiza atendimentos individuais e em grupo em seu consultório, localizado na rua Nicolau da Silva, nº 25, bairro São Francisco.
Fonte: acredita.com









