Quando o corpo está lutando contra infecções ou inflamações, é comum que surjam ínguas — um inchaço nos gânglios. Porém, quando o quadro persiste por semanas e não melhora, pode indicar o desenvolvimento de um linfoma.
O câncer se origina nas células do sistema linfático e pode afetar linfonodos, baço, medula óssea e outros órgãos. Crescimento progressivo das ínguas que acontece por mais de três semanas e linfonodos com mais de dois centímetros no pescoço, axilas ou virilhas devem ser investigados. Inchaços em locais inusitados (na parte de cima da clavícula, entre os pulmões ou na cavidade abdominal) também são sinais de alerta.
Nem todas as ínguas podem ser observadas a olho nu, e algumas só são identificadas com exames de imagem. Outros sintomas de linfoma são febre sem causa aparente, suor noturno intenso, perda de peso não intencional, cansaço persistente e coceira pelo corpo. Algumas pessoas apresentam também falta de ar, tosse ou sensação de pressão no peito.
Se o gânglio estiver endurecido ou parecer estar preso aos tecidos ao redor, é importante procurar um médico para investigar.
“A investigação começa pela análise do histórico do paciente e pelo exame físico. Dependendo do caso, podem ser solicitados exames laboratoriais e de imagem. A confirmação do diagnóstico geralmente depende da biópsia, procedimento que permite analisar o tecido do linfonodo e identificar o tipo da doença”, explica a hematologista Andresa Melo, do Hospital Brasília (Rede Américas).
Ela explica que linfomas podem atingir pessoas de diferentes idades. O linfoma de Hodgkin, por exemplo, é mais frequente entre adultos jovens e tem se tornado mais comum em idosos. Já o Não Hodgkin é mais comum com o envelhecimento.
Tratamento do linfoma
O tratamento de linfomas depende das características específicas da doença e do paciente. Hoje, é essencial descobrir detalhes sobre o câncer para direcionar o tratamento.
“Os avanços na classificação dos diferentes subtipos e no desenvolvimento de tratamentos mais direcionados têm permitido estratégias cada vez mais individualizadas. Por isso, a definição precisa do tipo de linfoma é uma etapa essencial para a escolha da abordagem terapêutica”, afirma Andresa.
Depois de definido o tipo específico de linfoma, o tratamento pode seguir diversos caminhos.
“Pode envolver quimioterapia, imunoterapia, medicamentos direcionados às células do câncer e, em situações específicas, radioterapia. Tratamentos mais modernos, como a terapia com células CAR-T, também podem ser utilizados em determinados casos”, explica o hematologista Sandro Melim, do Hospital Santa Lúcia (HSL), em Brasília.
O médico conta que o transplante de medula óssea, mais precisamente de células-tronco hematopoéticas, pode ser indicado em situações específicas, especialmente quando a doença não responde ao tratamento ou retorna.
“Muitos linfomas podem ser curados ou mantidos sob controle por longos períodos, especialmente quando são diagnosticados e tratados adequadamente. Por isso, a presença de uma íngua persistente não deve ser motivo para pânico, mas merece avaliação médica quando não desaparece ou apresenta características suspeitas“, reforça Melim.
Fonte e Foto: Metrópoles









