Na Maternidade Azilda Marreiro, no bairro Nova Cidade, zona Norte de Manaus, a média é de 300 partos por mês. Um deles, na semana do aniversário de 357 anos da capital do Amazonas, foi o de Aquiles Monteiro. Nascido na quinta-feira (22/10) com cerca de 3,9 quilos, é o primeiro filho de Flávio Alessandro. O pai de primeira viagem ainda segura o recém-nascido com nervosismo, mas o amor dele é visto no olhar.
Com o filho nos braços, ele já pensa no futuro. Imagina como será a vida de Aquiles em 2046, aqui em Manaus. Preocupa-se com a falta de estrutura que a cidade ainda possui em alguns bairros. Também com a falta de segurança. Agora que é pai, diz que a vida mudou, que a responsabilidade pesa e a criança vem em primeiro lugar; por isso deseja o melhor para a capital.
Dados divulgados pelo site Crime Brasil mostram que a capital do Amazonas ocupa o 36º lugar no ranking nacional de cidades mais perigosas do país. O levantamento foi realizado com base na taxa de homicídio por 100 mil habitantes, calculada como média anual do quinquênio 2020-2024 a partir dos registros de óbito do DataSUS (SIM).
“Quero uma cidade com boa educação, sem assaltos e sequestros. Quero que as escolas sejam boas, com ensino de qualidade, e hospitais públicos; tem muita gente para poucos hospitais.”Flávio Alessandro
Preparados para novos desafios
Bernardo da Silva nasceu um dia antes, na quarta-feira (21). É o caçula de três filhos do casal Joilton da Silva e Jaqueline da Silva. Depois das duas experiências anteriores, os pais se sentem mais preparados para o desafio da paternidade e da maternidade. Joilton veio de Parintins, mora há 10 anos em Manaus e afirma que a cidade melhorou ao longo da última década.
Por outro lado, reconhece que ainda existem mudanças necessárias para que a qualidade de vida melhore. A segurança também é uma preocupação do casal, mas, além disso, eles sonham com uma cidade com mais oportunidades para o futuro dos filhos.
“A Manaus ideal é ter mais oportunidades. Nem todo mundo tem condições de pagar uma boa escola, por exemplo”, comentou o pai.
Mudança que começa em casa
Quem também teve o terceiro filho foi Bruna Luana. Ela é mãe de Pedro Henrique, que nasceu no dia 13 de outubro. Mãe solo, preocupa-se muito com a responsabilidade de manter e de prover tudo o que for necessário para a criação das crianças, especialmente da mais nova entre elas.
Ela tem o sonho de ser enfermeira e comprar a casa própria. Também tem o sonho de educar Pedro Henrique para fazer de Manaus uma cidade melhor.
Que seja um homem trabalhador, honesto e digno. Que ele possa respeitar as pessoas e as mulheres”, comentou.
Todos os pais e mães reconhecem que a cidade precisa de melhorias. Dividem ainda a opinião de que os filhos devem fazer parte dessa mudança. Contam que não basta cobrar: é importante ensinar que a educação vem de casa e é a chave para um futuro melhor e coletivo.
Jaqueline diz que tudo começa com o afeto pelos filhos. Um amor que tem como característica ser responsável em todos os quesitos, na hora de educar e de corrigir. O exemplo é o melhor professor; por isso, ela acredita que os pais devem agir da forma como esperam que os filhos ajam.
“É uma responsabilidade em dobro; tem toda uma criação fixa com a educação. O mundo de hoje não está mais tranquilo como antigamente. Precisamos saber educar para eles não se perderem nesse mundo agressivo e perigoso“, disse.
Entender a realidade do cuidado de um pai ou de uma mãe é algo visto como uma experiência que apenas quem tem filho pode compreender com exatidão. Uma estrada recheada de dificuldades e abdicações, mas que retribui o esforço no sorriso da criança, no bem-estar e nas pequenas conquistas, como a primeira palavra e os primeiros passos.
Nos 357 anos de Manaus, é esse amor que pode mudar estatísticas negativas. Que pode resgatar a dignidade de muita gente. Que pode basear uma realidade melhor para milhões de habitantes no futuro. Os responsáveis por isso — ou melhor, os operários que vão contribuir com essa gigantesca obra — nascem todos os dias. É neles que se deposita a esperança de uma vida melhor.
“Os pais e as mães estão ali para nunca desistir dos filhos. Os mandamentos de Deus dizem para os pais não irarem seus filhos; tem que ter sempre muito amor. Eu espero que meu filho esteja fazendo algo de que goste daqui a 20 anos. Que ele realize o sonho dele“, comentou Flávio, pai de Aquiles.
Maternidade Azilda Marreiro
A Maternidade Azilda Marreiro tem uma média de 1.800 atendimentos gerais todos os meses. É uma unidade considerada pequena em relação a outras no estado: são 36 leitos de alojamento conjunto (mães e filhos). Apesar da estrutura delimitada, a gerente de enfermagem Virgínia Lopes diz que mães de outras zonas da capital buscam os serviços na Azilda. Ela acredita que o bom atendimento é o que justifica a procura.









