Os irmãos gêmeos siameses José Luis e José Armando Cevallos morreram aos 27 anos na última quinta-feira (15), em um hospital de Zipaquirá, cidade próxima a Bogotá, na Colômbia. Naturais de Milagro, no Equador, os dois enfrentaram uma rápida piora no estado de saúde e morreram com poucas horas de diferença, causando comoção entre familiares e seguidores nas redes sociais.
Os irmãos eram unidos pelo abdômen e pela região pélvica, compartilhando órgãos como o fígado e parte do intestino, além de um único par de pernas. Apesar da ligação física, cada um tinha o próprio coração e personalidades e interesses individuais. Ao longo dos anos, eles conquistaram notoriedade internacional ao compartilhar experiências e momentos da rotina com mais de 60 mil seguidores.
Nascidos em 8 de setembro de 1999, na província equatoriana de Guayas, José Luis e José Armando tiveram a possibilidade de passar por uma cirurgia de separação descartada ainda na infância, devido aos riscos elevados do procedimento. Na época, médicos estimaram que os dois poderiam viver até aproximadamente dez anos. No entanto, os irmãos ultrapassaram essa previsão em 17 anos.
Desde pequenos, utilizavam uma plataforma adaptada com rodas para se locomover. O equipamento permitia que frequentassem a escola, realizassem atividades cotidianas e viajassem, contribuindo para a autonomia dos dois.
Em 2021, os irmãos ingressaram no curso de Serviço Social da Universidade Estatal de Milagro (UNEMI). A formação fazia parte dos planos de defender os direitos das pessoas com deficiência e, futuramente, criar uma fundação voltada ao apoio de famílias em situações semelhantes.
Em abril de 2026, eles se mudaram para a Colômbia para iniciar um programa intensivo de fisioterapia. O objetivo era fortalecer a musculatura, melhorar o equilíbrio e conquistar a capacidade de ficar de pé e caminhar sem depender da plataforma adaptada.
Em outubro, os dois chegaram a compartilhar nas redes sociais avanços nos exercícios, mostrando que conseguiam sustentar o próprio peso e permanecer em pé durante as atividades de fortalecimento e equilíbrio.
A piora na saúde começou na quarta-feira (14), quando José Luis apresentou mal-estar e vômitos. Pouco depois, José Armando também passou a sentir dores abdominais intensas e desconforto em uma das pernas.
Os dois foram encaminhados para atendimento hospitalar, mas o quadro clínico se agravou rapidamente. José Luis sofreu uma parada cardíaca e foi reanimado inicialmente pela equipe médica. Horas depois, apresentou uma segunda parada. José Armando também sofreu uma emergência cardíaca no mesmo intervalo. Os dois morreram com poucas horas de diferença.
A notícia provocou comoção no Equador e entre os seguidores dos irmãos, que acompanhavam suas conquistas e os desafios enfrentados ao longo da vida.
Um mês antes das mortes, em setembro, José Luis e José Armando participaram do programa espanhol “Y Ahora Sonsoles”, no qual reafirmaram a decisão de não se submeterem à separação cirúrgica. Durante a entrevista, disseram uma frase que passou a ser compartilhada como homenagem após a notícia: “Nascemos juntos, morremos juntos”.
Agora, a família busca apoio financeiro para transportar os corpos da Colômbia até Milagro, no Equador, onde os irmãos deverão receber as últimas homenagens.









