Uma fotografia de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) sorrindo após uma sessão da Corte ganhou ampla repercussão nas redes sociais nesta semana, em meio à divulgação de informações da Polícia Federal sobre mensagens atribuídas ao ministro Alexandre de Moraes e ao ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
O registro foi feito pelo fotojornalista Brenno Carvalho, do jornal O Globo. Na imagem aparecem, além de Moraes, os ministros Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e Edson Fachin. A fotografia passou a circular nas redes justamente quando o STF enfrenta novos questionamentos relacionados ao caso envolvendo o Banco Master.
A repercussão da imagem ocorre em um momento de forte debate institucional. O relatório da PF, produzido a partir de dados extraídos do celular de Vorcaro, apresentou referências a conversas entre o ex-banqueiro e um contato identificado como sendo de Moraes. O conteúdo foi tornado público após decisão do ministro André Mendonça, relator do caso.
PGR questiona investigação
Na terça-feira (1º), o procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu a nulidade da investigação que levou à identificação das mensagens envolvendo Moraes.
Segundo Gonet, Mendonça teria ultrapassado os limites de sua atuação ao determinar que a Polícia Federal aprofundasse a apuração especificamente sobre as conversas envolvendo o ministro. Na avaliação do procurador, uma investigação dessa natureza deveria ter sido submetida previamente ao plenário do Supremo.
A manifestação da PGR passou a integrar o debate sobre a validade dos elementos reunidos pela PF. Gonet sustenta que a determinação para investigar pessoas específicas, sem provocação do Ministério Público ou da própria polícia, não poderia ter sido tomada individualmente pelo relator na fase pré-processual.
Mendonça, por sua vez, decidiu retirar o sigilo de parte das informações e indicou que os novos diálogos atribuídos a Vorcaro e Moraes deverão ser analisados pelo plenário do STF.
O que aparece nas mensagens
Segundo informações divulgadas a partir do relatório policial, Vorcaro manteve contato com um número atribuído a Moraes nos dias anteriores à sua prisão.
Em 15 de novembro de 2025, dois dias antes de ser detido, o então banqueiro teria perguntado ao contato se deveria deixar o Brasil. A PF também identificou outras mensagens enviadas por Vorcaro em 17 de novembro, data em que ele acabou preso no Aeroporto Internacional de São Paulo enquanto tentava embarcar em um jato particular.
O relatório também aponta referências a encontros entre Vorcaro e Moraes e a outros contatos mantidos pelo empresário com autoridades. As informações estão sendo analisadas dentro das investigações relacionadas ao caso Banco Master.
É importante ressaltar que a existência das mensagens, por si só, não comprova a prática de crime por parte de Moraes. O conteúdo e a legalidade da forma como essas informações foram obtidas e incorporadas à investigação estão justamente entre os pontos em discussão.
Caso provoca novo embate no STF
A divulgação dos documentos colocou novamente o funcionamento do STF no centro do debate político e jurídico.
De um lado, a manifestação da PGR questiona a forma como a investigação foi conduzida. De outro, o relatório da PF trouxe elementos que levaram Mendonça a determinar o aprofundamento da análise do material apreendido no celular de Vorcaro.
Enquanto isso, a fotografia dos ministros sorrindo passou a ser utilizada nas redes sociais por usuários que relacionaram o momento descontraído ao ambiente de tensão provocado pelo caso.
A imagem, contudo, não permite concluir o motivo pelo qual os ministros estavam sorrindo nem que a reação estivesse relacionada ao caso Banco Master. O registro apenas mostra o momento posterior à sessão e ganhou repercussão por causa do contexto político e institucional em que foi divulgado.
O caso agora depende dos próximos passos do Supremo, que deverá analisar as controvérsias envolvendo a investigação e os elementos reunidos pela Polícia Federal.









