Mais de 100 mil famílias já foram afetadas pela estiagem no Amazonas, segundo boletim divulgado pelo Governo do Estado no domingo (18). O levantamento da Defesa Civil aponta que 101.084 famílias enfrentam os impactos do desastre, enquanto 40 dos 62 municípios amazonenses estão em situação de emergência.
O cenário também exige atenção nas demais cidades. De acordo com o monitoramento estadual, 17 municípios estão em alerta e outros cinco permanecem em nível de atenção. Nenhum município está classificado em situação de normalidade.
Entre as cidades em emergência estão Manaquiri, Manacapuru, Coari, Tefé, Parintins, Maués, Lábrea, Eirunepé e Benjamin Constant, além de outros municípios do interior. Manaus aparece na lista das localidades em situação de alerta.
COMBATE ÀS QUEIMADAS É REFORÇADO
Diante dos efeitos da estiagem e do avanço dos incêndios, o Governo do Amazonas intensificou as operações de prevenção e combate às queimadas, em parceria com órgãos federais.
O Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) mantém atuação reforçada em 36 municípios, com aproximadamente 1,5 mil profissionais, entre bombeiros militares, brigadistas municipais e agentes federais. As equipes dispõem de 96 viaturas para atender às ocorrências.
Entre 1º de junho e 17 de outubro, os bombeiros contabilizaram 3.748 ocorrências relacionadas a incêndios urbanos e florestais e combateram 22.974 focos de incêndio. Desse total, 4.668 foram registrados em Manaus e 18.306 no interior do estado.
O Governo Federal também prevê ampliar o apoio às operações, com o envio de integrantes das Forças Armadas e da Força Nacional, além de 153 brigadistas do programa Floresta em Pé. A estrutura aérea mobilizada deverá passar de 11 para 16 aeronaves, incluindo aviões e helicópteros.
A Polícia Militar do Amazonas participa das ações em regiões com maior incidência de queimadas, com cerca de 100 policiais do Comando de Policiamento Especializado e 25 viaturas. No sábado (17), 11 pessoas foram presas em Autazes, suspeitas de envolvimento em crimes ambientais, conforme as informações divulgadas pelo governo estadual.
FISCALIZAÇÃO E MONITORAMENTO
As ações ambientais também envolvem diferentes operações de fiscalização. A Operação Tamoiotatá atua em 13 municípios, enquanto a Amazonas+Verde desenvolve atividades de combate aos incêndios em 33 cidades. Já a Operação Alerta Fogo utiliza drones e viaturas equipadas com conexão via Starlink para fiscalizar o uso irregular do fogo.
Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Amazonas acumulou 8.165 focos de calor até 18 de outubro. Os registros são utilizados para orientar o monitoramento e direcionar as equipes às áreas que exigem maior atenção.
O estado também conta com tecnologias como o Veículo Aéreo Não Tripulado (Vant Harpia), drones com câmeras térmicas e imagens de satélite. Além disso, o Corpo de Bombeiros ampliou de 11 para 25 o número de bases permanentes no interior.
Na fiscalização ambiental, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) aplicou mais de R$ 167 milhões em multas e realizou 421 embargos até meados de outubro. As medidas atingiram áreas que, somadas, ultrapassam 65 mil hectares. Em setembro, a Polícia Civil registrou 66 boletins de ocorrência por incêndio e 151 por desmatamento.
MEDIDAS PARA REDUZIR OS IMPACTOS
Como parte da estratégia preventiva, o governo estadual estabeleceu um período de 120 dias de proibição do uso do fogo em todo o Amazonas, conforme o Decreto Estadual nº 55.339, de 9 de setembro, respeitadas as exceções previstas na legislação.
Outro decreto instituiu o Plano Estadual de Prevenção e Controle do Desmatamento e Queimadas, com medidas voltadas à redução dos incêndios, do desmatamento e da degradação florestal.
O estado também declarou situação de emergência por 180 dias em razão dos efeitos da estiagem e dos incêndios florestais. As medidas permitem ampliar as ações de resposta e recuperação nas áreas atingidas.
Além das operações de campo, iniciativas de educação ambiental alcançaram mais de 43 mil pessoas entre junho e agosto de 2026. O trabalho é desenvolvido em conjunto com órgãos estaduais, que utilizam dados de monitoramento para identificar áreas críticas e orientar as ações de prevenção.
O quadro permanece sob acompanhamento das autoridades, diante da extensão dos impactos da estiagem e da necessidade de conter os incêndios e reduzir os prejuízos à população e ao meio ambiente.









