O Congresso da Nicaráguaanunciou nesta quarta-feira (22) um plano de trabalho para acabar com o processo eleitoral do país. Anunciada pelo presidente da Casa, Daniel Porras, a medida atende a uma ordem do presidente Daniel Ortega.
Na prática, o movimento elimina a possibilidade de uma disputa eleitoral em 2027 e formaliza o regime ditatorial no país.
Ortega, que governa a Nicarágua desde 2007 e tem controle sobre o parlamento, declarou o fim das eleições no último fim de semana, durante as comemorações dos 47 anos da Revolução Sandinista, da qual ele fez parte. O mandatário disse na ocasião que pretende aprovar novas leis para criar um “muro” contra a oposição
O anúncio do Congresso
O documento divulgado nesta quarta pelo Congresso da Nicarágua afirma que iniciou as análises necessárias para elaborar um plano de trabalho, atendendo às ordens de Ortega.
O documento não diz o que deve acontecer com os representantes do Legislativo nem com seus mandatos.
Ditadura familiar escancarada
O governo de Ortega já vinha sendo acusado de enfraquecer a democracia após reprimir protestos, prender opositores e forçar o exílio de centenas de milhares de nicaraguenses. A última eleição no país, em 2021, foi amplamente contestada pela oposição e por observadores internacionais devido às denúncias de fraude e de aprisionamento de concorrentes.
Ortega e sua esposa controlam praticamente todos os aspectos do governo, incluindo as Forças Armadas e o Judiciário.
A decisão de acabar com as eleições gerou reação e repúdio em exilados e na comunidade internacional. Nesta quarta (22), o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, pediu que o governo restabeleça o Estado de Direito e garanta eleições livres.
Na terça (21), o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que os nicaraguenses têm o direito de escolher seus líderes por meio do voto.









