O Amazonas, estado mais indígena do Brasil, somou em 2025 pelo menos 39 casos de invasão possessória, exploração ilegal de recursos naturais ou danos diversos em territórios de populações originárias. O dado consta em nova edição do relatório Violência Contra os Povos Indígenas do Brasil, produzido pelo Conselho Indigenista Missionário (CIMI), divulgado nesta quinta-feira (13).
Entre as motivações para os conflitos, lideram a extração ilegal de madeira (11 casos), caça ilegal (9), garimpo ilegal (8), desmatamento (7) e poluição de cursos d’água (6). Também há criação de búfalos e gado, pesca ilegal, presença de piratas, mineração e grilagem, entre outros.
Regularização de terras
De acordo com o CIMI, o Amazonas é o estado brasileiro com o maior número de territórios pendentes de medidas administrativas para regularização, somando 225, a frente do Mato Grosso do Sul (153) e Rio Grande do Sul (91). O total em todo o país é de 897 territórios com pendências.
No Amazonas, há 168 territórios indígenas sem qualquer providência. Além disso, o relatório aponta outras 57 áreas em diferentes etapas do processo demarcatório: 31 ainda pendentes de identificação, 12 já identificadas, 11 declaradas, uma homologada e duas com portaria de restrição.
Essas categorias representam fases distintas da demarcação, um processo que, na prática, costuma se arrastar por anos, mantendo diversos territórios em situação de indefinição. O relatório também apresenta o número de homologações (fase final) de terras indígenas por presidentes desde a redemocratização.
O presidente Fernando Collor de Melo, com 112 registros em um curto intervalo entre 1991 e 1992, foi o que mais fez homologações. Em números absolutos, também se destacam as gestões de Fernando Henrique Cardoso, com 145 homologações ao longo de dois mandatos, e de José Sarney, com 67.
Na outra ponta, o menor desempenho foi registrado no governo de Jair Bolsonaro, que não homologou nenhuma terra indígena entre 2019 e 2022. Em seguida aparece a gestão de Michel Temer, com apenas uma homologação.
Já os governos de Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva apresentam números intermediários. Enquanto Lula homologou 79 terras nos dois primeiros mandatos, o número chegou a 20 nesta terceira gestão. Dilma, em dois mandatos, homologou 21 terras.
Fonte: acrítica.com









