Uma campanha publicitária protagonizada pela atriz americana Sydney Sweeney provocou forte reação entre atletas de elite e abriu um novo debate sobre a forma como as mulheres são representadas no universo esportivo.
O comercial foi produzido para a Novig, plataforma de apostas da qual Sweeney também é acionista. Na peça, a atriz aparece associada a diferentes modalidades esportivas enquanto a empresa promove sua proposta de apostas com uma mensagem que busca apresentar o esporte como algo distante de temas como guerra, morte e política.
Veja
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A escolha estética da campanha, porém, gerou críticas nas redes sociais. Atletas afirmaram que a publicidade reforça uma representação sexualizada das mulheres justamente em um ambiente no qual elas ainda lutam por maior reconhecimento, respeito e igualdade.
Atletas contestam mensagem da campanha
Uma das manifestações de maior repercussão veio da ex-nadadora australiana Ariarne Titmus, tetracampeã olímpica. Para ela, a campanha desvia a atenção dos valores associados ao esporte feminino, como dedicação, trabalho em equipe, amizade e excelência.
A atleta também chamou atenção para a permanência da exploração da imagem feminina como ferramenta de publicidade e monetização.
Outra crítica partiu da triatleta francesa Mathilde Tily, que classificou a campanha como inadequada. Em seu posicionamento, ela questionou a utilização da imagem de uma mulher para transmitir esse tipo de mensagem comercial em um momento em que atletas seguem buscando mais espaço e equidade no esporte.
Nadadora responde com imagens de competições
A australiana Brianna Throssell, campeã olímpica no revezamento 4 x 100 metros em Tóquio, também entrou na discussão.
A nadadora publicou registros de suas próprias competições para destacar a rotina de preparação e dedicação que existe por trás do esporte de alto rendimento. A manifestação foi acompanhada de uma mensagem direcionada à atriz, contrapondo a campanha à realidade vivida pelas competidoras.
A velocista americana Gabby Thomas, campeã olímpica dos 200 metros, também se posicionou sobre a controvérsia.
Já a britânica Amy Hunt, tetracampeã europeia, comentou o assunto durante uma entrevista coletiva realizada em Budapeste. A atleta reforçou a ideia de que a realidade do esporte feminino envolve treinamento, competição e desempenho, e não a representação apresentada pela publicidade.
Comercial amplia discussão sobre sexualização
A repercussão da campanha reacendeu uma discussão que acompanha o esporte feminino há anos: a diferença entre valorizar a imagem de uma atleta e reduzir sua presença pública à aparência.
Para as críticas, campanhas publicitárias têm influência na maneira como o público enxerga as mulheres no esporte e, por isso, deveriam considerar o histórico de luta das atletas por reconhecimento profissional e igualdade.
A controvérsia também evidencia o choque entre duas estratégias de comunicação: enquanto a publicidade aposta no impacto visual para chamar atenção para uma plataforma de apostas, atletas defendem que a visibilidade feminina no esporte deve estar relacionada principalmente ao talento, desempenho e trajetória profissional.
Até o momento, a repercussão se concentra nas manifestações das atletas e nos comentários do público nas redes sociais. A campanha, por sua vez, segue no centro do debate sobre os limites da publicidade e a representação das mulheres no esporte.









