Feijão com arroz, lentilha, grão-de-bico, tofu e sementes. Para quem não consome alimentos de origem animal, esses ingredientes podem ir muito além dos acompanhamentos e ocupar um lugar importante na alimentação diária. Mas será que é possível obter todos os nutrientes que o corpo precisa sem comer carne, ovos ou leite?
A dúvida ainda acompanha quem pensa em adotar o veganismo. Há quem associe a dieta à falta de proteínas, à anemia e até ao emagrecimento inevitável. Outras pessoas acreditam que basta retirar os alimentos de origem animal do prato para ter uma alimentação mais saudável. Na prática, o que faz diferença é o planejamento.
Celebrado em 1º de novembro, o Dia Mundial do Veganismo é uma oportunidade para olhar além das escolhas alimentares e entender como elas repercutem na saúde. Enquanto o vegetarianismo admite diferentes graus de restrição, incluindo modalidades que permitem ovos e laticínios, a alimentação vegana exclui todos os alimentos de origem animal. O veganismo, por sua vez, também envolve escolhas de consumo que buscam evitar a exploração animal, isso se aplica também a produtos não alimentícios.
Segundo a nutricionista Laíta Babio, do Espaço Hi, em São Paulo, uma dieta vegana pode atender às necessidades nutricionais, desde que seja bem planejada. A especialista esclarece sete mitos e verdades comuns sobre o assunto.
e das necessidades individuais.
O cálcio pode ser obtido, por exemplo, de bebidas vegetais fortificadas e tofu preparado com cálcio. Já chia, linhaça e nozes fornecem ômega-3, embora a conversão do tipo presente nesses alimentos para as formas EPA e DHA seja limitada.
Isso não significa que toda pessoa vegana precise tomar uma lista de suplementos. A prioridade é avaliar a alimentação, identificar possíveis lacunas e definir como corrigi-las. Em alguns casos, ajustes nas refeições são suficientes, em outros, a suplementação pode ser necessária.
- Virar vegano faz emagrecer?
MITO. A ideia de que abandonar os alimentos de origem animal leva automaticamente à perda de peso ignora um detalhe importante: nem todo alimento vegano é sinônimo de comida nutritiva.
Batatas fritas, biscoitos, doces e refrigerantes e outros produtos alimentícios ultraprocessados podem fazer parte de uma alimentação vegana, mas não necessariamente contribuem para uma rotina equilibrada. O peso corporal depende de diversos fatores, entre eles o consumo total de energia, a atividade física, o sono e as condições metabólicas.
Uma alimentação rica em vegetais, frutas, leguminosas e fibras pode favorecer a saciedade e ajudar na organização das refeições. Ainda assim, emagrecer não é uma consequência obrigatória do veganismo, nem deve ser seu único objetivo.
- Crianças, gestantes e idosos precisam de atenção redobrada?
VERDADE. Se o planejamento alimentar já é importante em qualquer fase da vida, ele ganha ainda mais relevância durante períodos de crescimento, gestação e envelhecimento.
Crianças precisam de energia e nutrientes suficientes para crescer e se desenvolver. Durante a gestação, é necessário observar com cuidado nutrientes como ferro, vitamina B12 e iodo. Já entre os idosos, a ingestão adequada de proteínas, cálcio e vitamina D merece atenção, especialmente diante do risco de perda de massa muscular e de deficiências nutricionais.
Isso não significa que uma alimentação vegana seja automaticamente inviável nessas fases, mas que não deve ser improvisada. O acompanhamento profissional ajuda a adequar quantidades, escolhas alimentares e eventual suplementação às necessidades de cada pessoa.
Mais do que retirar alimentos, é preciso reorganizar o prato Adotar o veganismo exige mais do que excluir carne, leite e ovos da lista de compras. É preciso aprender a substituir esses alimentos, diversificar as fontes de nutrientes e reconhecer quando a alimentação, sozinha, não é suficiente para atender a determinadas necessidades.
Arroz, feijão, legumes, verduras, frutas, sementes e preparações à base de soja podem formar a base de refeições variadas, sem depender exclusivamente de produtos industrializados que imitam carnes e queijos.
Para Laíta Babio, o planejamento deve considerar a realidade e as necessidades de cada pessoa. O objetivo não é apenas retirar alimentos de origem animal, mas construir uma rotina alimentar equilibrada e sustentável a longo prazo.
No fim das contas, a pergunta não é simplesmente o que sai do prato, mas o que entra no lugar.
Fonte: Acrítica.com









