O ambiente escolar pode ser um dos primeiros lugares onde são percebidas dificuldades relacionadas ao Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). Desatenção, inquietude, impulsividade e dificuldade de organização podem interferir na aprendizagem e na convivência, mas a presença desses comportamentos, isoladamente, não significa que a criança ou o adolescente tenha o transtorno.
A campanha Outubro Laranja busca ampliar a conscientização sobre o TDAH e reforçar a importância de uma abordagem mais informada e inclusiva nas escolas. Segundo estimativa citada pelo Ministério da Saúde, 7,6% das crianças e adolescentes brasileiros entre 6 e 17 anos apresentam sintomas do transtorno.
O TDAH é uma condição do neurodesenvolvimento caracterizada por níveis persistentes de desatenção e/ou hiperatividade e impulsividade incompatíveis com a fase de desenvolvimento. Para a avaliação, é necessário considerar a duração dos sintomas, os diferentes ambientes em que aparecem e os impactos na rotina da criança ou do adolescente.
Sinais não significam diagnóstico
A identificação de possíveis sinais na escola não permite, por si só, diagnosticar o TDAH. O diagnóstico é clínico e depende de avaliação especializada, que considera o histórico do paciente, a persistência dos sintomas e os impactos nas atividades escolares, sociais e familiares.
Nesse processo, informações observadas por professores e outros profissionais da educação podem ajudar a equipe de saúde a compreender o comportamento do estudante.
A orientação também busca evitar que dificuldades relacionadas ao transtorno sejam interpretadas simplesmente como falta de interesse, disciplina ou esforço.
Formação gratuita para educadores
Como parte da campanha, a trilha “TDAH Levado a Sério na Escola” oferece formação on-line e gratuita para profissionais da educação de todo o país.
O curso é destinado a professores, coordenadores pedagógicos, diretores, orientadores educacionais e outros profissionais. São dez módulos com informações sobre TDAH, algumas de suas principais comorbidades, como a dislexia, e estratégias para lidar com os desafios relacionados ao transtorno em sala de aula.
A iniciativa é promovida pela Apsen, com aval científico do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) e apoio institucional da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).
Ao concluir os módulos e atingir o aproveitamento mínimo exigido nas avaliações, o participante recebe certificado. Escolas que tiverem pelo menos 50% do corpo docente capacitado também podem receber o reconhecimento “Esta escola leva o TDAH a sério”.
A formação pode ser acessada gratuitamente pelo portal TDAH Levado a Sério na Escola.
Tratamento é individualizado
O tratamento do TDAH varia de acordo com as características e necessidades de cada paciente e pode envolver orientação familiar, intervenções psicossociais, acompanhamento psicológico e medicamentos.
Além do acompanhamento de saúde, o ambiente escolar tem papel importante no suporte aos estudantes. O conhecimento sobre o transtorno pode ajudar educadores a compreender as necessidades individuais e contribuir para uma trajetória escolar mais inclusiva.
Fonte: Acrítica.com









