Os juros futuros começaram a semana em queda no Brasil, acompanhando o movimento mais favorável dos mercados internacionais. A redução das taxas ocorreu ao mesmo tempo em que o dólar recuava diante do real, enquanto os preços do petróleo e os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, os Treasuries, também apresentavam baixa.
O movimento ocorre em uma sessão de menor aversão ao risco no exterior, permitindo aos investidores ajustar suas posições nos contratos de juros brasileiros antes de uma agenda doméstica mais carregada de indicadores e eventos políticos.
Às 9h15, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 era negociado a 13,545% ao ano, contra 13,554% no ajuste anterior.
Na parte intermediária da curva, o DI para janeiro de 2029 recuava para 13,760%, ante 13,831% na sexta-feira (18). Já o contrato para janeiro de 2031 registrava uma queda mais acentuada, atingindo 13,920%, contra 14,035% no fechamento anterior.
Exterior dá suporte aos ativos brasileiros
O desempenho dos juros nesta manhã está diretamente relacionado ao comportamento dos mercados globais.
A queda dos rendimentos dos Treasuries reduz a pressão sobre os ativos de países emergentes e ajuda a melhorar as condições para aplicações em mercados como o brasileiro. O recuo do dólar também contribui para esse ambiente, ao reduzir parte das preocupações relacionadas aos efeitos cambiais sobre a inflação doméstica.
O petróleo, por sua vez, também opera em baixa, fator acompanhado de perto pelos investidores devido aos seus efeitos sobre inflação, combustíveis e atividade econômica.
Com esses elementos combinados, os contratos futuros de juros encontram espaço para uma correção para baixo depois das movimentações registradas na semana anterior.
Pesquisa Quaest entra no radar
No cenário doméstico, os investidores aguardam a divulgação da pesquisa Quaest, prevista para as 10h desta segunda-feira.
O levantamento será acompanhado pelo mercado devido ao potencial impacto das expectativas eleitorais sobre as projeções econômicas, principalmente em relação à política fiscal e às perspectivas para as contas públicas.
A reação dos ativos, no entanto, dependerá da leitura que os participantes do mercado fizerem dos números e de sua possível influência sobre as expectativas para o cenário econômico dos próximos meses.
Agenda ganha força a partir de terça-feira
A semana deve ficar ainda mais movimentada a partir de terça-feira (22).
Entre os principais eventos está a divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). O documento poderá oferecer detalhes adicionais sobre os argumentos utilizados pelos diretores do Banco Central na definição da política monetária e ajudar a esclarecer a avaliação da autoridade sobre inflação, atividade econômica e riscos futuros.
Outro evento acompanhado pelos investidores será o discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Assembleia Geral das Nações Unidas.
A participação do presidente ocorre em um momento no qual o mercado acompanha atentamente as discussões sobre política econômica, cenário fiscal e eleições.
Curva de juros reflete expectativa dos investidores
A diferença entre os movimentos dos contratos mostra que os investidores continuam ajustando suas posições conforme o horizonte de vencimento.
Enquanto o DI mais curto apresentou uma redução pequena, os contratos para 2029 e 2031 registraram quedas mais expressivas nesta manhã. Isso indica uma mudança mais relevante nas taxas projetadas para períodos mais distantes.
Ao longo da sessão, entretanto, novos dados e declarações podem alterar o comportamento da curva.
Por enquanto, a combinação de um ambiente externo mais favorável, dólar em queda e recuo dos rendimentos dos títulos americanos sustenta a baixa dos juros futuros.
A atenção agora se concentra na pesquisa Quaest e, principalmente, nos eventos previstos para os próximos dias, que podem trazer novos elementos para as expectativas do mercado sobre inflação, política monetária e cenário fiscal brasileiro.









