A defasagem nos preços do diesel praticados pela Petrobras já ultrapassa R$ 3 por litro e começa a gerar sinais de alerta no mercado de combustíveis, com risco de desabastecimento em diferentes regiões do país, informou o presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), Sergio Araújo.
De acordo com ele, sem ajuste nos valores, importadores tendem a reduzir operações, o que pode comprometer a oferta nas próximas semanas e gerar desabastecimento do combustível.
O Brasil depende da importação para suprir a demanda interna, já que as refinarias nacionais não têm capacidade suficiente para atender ao consumo doméstico, especialmente no caso do diesel, principal combustível utilizado no transporte de cargas e na produção agrícola.
Segundo o presidente, a diferença entre o preço interno e o valor de paridade internacional já supera R$ 3,89 por litro, o que torna economicamente inviável a importação por agentes privados. Ele avaliou que no mês de setembro houve redução na importação de diesel, o que deve se repetir em outubro, com tendência de agravamento da situação nas importações.
O preço do petróleo está sendo impactado pela crise no Oriente Médio, que se arrasta desde o começo do ano. O preço do brent voltou a passar de US$ 100 por barril, o que encarece não só a produção como toda a cadeia de refino.
Entenda a paridade aplicada pela Petrobras
A paridade de preços segue o conceito de Preço de Paridade de Importação (PPI), que considera quanto custaria trazer o combustível do exterior até o Brasil;
Esse cálculo leva em conta fatores como o preço do petróleo no mercado internacional, a cotação do dólar e os custos logísticos de importação, como transporte e taxas;
A lógica do modelo é garantir competitividade no mercado interno, permitindo que importadores privados consigam atuar sem prejuízo e complementar a oferta nacional;
Quando os preços internos ficam abaixo da paridade internacional, importar deixa de ser viável economicamente, o que pode reduzir a oferta e pressionar o abastecimento.
Período eleitoral
A situação acontece em um momento sensível do calendário político, pouco dias antes da eleição. Para representantes do setor, há percepção de que o governo pode estar influenciando a política de preços da Petrobras diante da proximidade das eleições, com o objetivo de evitar impactos inflacionários.
A leitura ganha força após episódios recentes em que a estatal indicou a possibilidade de reajuste, mas recuou posteriormente.
Na semana passada, a Petrobras chegou a sinalizar uma possível alta nos preços da gasolina, acompanhando a valorização do petróleo no mercado internacional. No entanto, a decisão foi revertida, mantendo os valores abaixo da paridade global.
Com preços mais baixos no mercado interno, importadores perdem competitividade frente à Petrobras, que detém maior capacidade de absorver perdas no curto prazo.
Na avaliação do presidente da Abicom, a combinação entre as desonerações feitas pelo governo e a defasagem no preço cria um ambiente de incerteza que compromete a previsibilidade do abastecimento.
O risco de desabastecimento, portanto, não decorre apenas da defasagem atual, mas de um conjunto de fatores estruturais. A dependência de importações, aliada à falta de previsibilidade na política de preços, reduz o incentivo para que agentes privados atuem no mercado, segundo a Abicom.
A Petrobras, por sua vez, afirmou que adota uma política comercial que busca equilibrar competitividade e rentabilidade, considerando não apenas o mercado internacional, mas também condições internas. Ainda assim, a pressão por ajustes tende a crescer à medida que a defasagem se amplia e os efeitos começam a aparecer na ponta.
Apesar isso, o Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) disse acompanhar de perto a situação do abastecimento de combustíveis e, até o momento, não há indícios de desabastecimento de diesel no mercado nacional.
“A atenção agora volta-se para o período que se inicia diante da expectativa de intensificação da demanda por diesel, resultante da sazonalidade associada aos períodos de plantio e colheita do agronegócio. Nessa visão prospectiva, alguns fatores serão importantes para a regularidade do abastecimento, entre eles a viabilidade de complementação da oferta nacional a partir de importações, incluindo a disponibilidade e as cotações de preços dos volumes provenientes do mercado externo, bem como as condições logísticas para sua internalização”, disse em nota.
Subsídios
Na semana passada, o governo editou uma Medida Provisória (MP) com a possibilidade de um incentivo de R$ 1 por litro. A regulamentação foi publicada na quarta-feira (16/9) no Diário Oficial da União (DOU).
Após a publicação da portaria, a Petrobras ajustou os preços do diesel em R$ 1 por litro, no entanto, o subsídio oferecido pelo governo deve segurar os preços, logo, o aumento não deve impactar o consumidor final.
Antes, já estava em vigência uma subvenção de R$ 1,12 por litro, válida até o dia 26 de setembro. Com a portaria editada pelo Ministério da Fazenda, a subvenção ao diesel deve chegar a R$ 2,12 por litro.
Fonte e Foto: Metrópoles









