O Ministério da Saúde anunciou nesta quarta-feira (16) a implantação de uma base regional da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (FN-SUS) em Manaus, como parte da estratégia de preparação do SUS para os impactos da seca, da estiagem prolongada e de outros eventos climáticos extremos na Amazônia.
A medida foi apresentada durante uma coletiva sobre saúde, clima e os efeitos do fenômeno El Niño. A proposta é descentralizar a estrutura de resposta do governo federal e permitir que equipes, equipamentos, medicamentos e unidades móveis sejam deslocados com maior rapidez para áreas atingidas.
A expectativa é que as estruturas regionais da FN-SUS possam iniciar o deslocamento para localidades afetadas em até 12 horas, de acordo com a necessidade e a avaliação técnica de cada ocorrência. As bases contam com recursos como veículos, posto médico avançado, comunicação via satélite, drones e equipamentos para apoiar profissionais em regiões de difícil acesso.
Seca dificulta acesso aos serviços de saúde
A redução do nível dos rios representa um desafio adicional para o atendimento de comunidades ribeirinhas, indígenas e outras populações que dependem do transporte fluvial para chegar a unidades de saúde.
Segundo o Serviço Geológico do Brasil (SGB), a vazante segue em grande parte da Região Amazônica dentro do comportamento esperado para esta época do ano. Em Manaus, o rio Negro registrou 21,76 metros em 15 de setembro, mantendo trajetória de descida gradual.
O cenário, entretanto, exige monitoramento constante, principalmente porque a redução do nível dos rios pode aumentar o tempo necessário para o deslocamento de pacientes, profissionais e insumos médicos até comunidades mais isoladas.
O próprio Ministério da Saúde aponta que eventos climáticos extremos podem provocar interrupções ou dificuldades temporárias no funcionamento dos serviços de saúde e no acesso das populações às unidades assistenciais.
Riscos à saúde aumentam durante a estiagem
Além das dificuldades logísticas, a seca pode ampliar problemas relacionados à segurança hídrica e alimentar, qualidade da água, calor intenso e fumaça provocada por queimadas.
Entre os riscos monitorados pelas autoridades estão doenças relacionadas à água contaminada, desidratação, agravamento de problemas respiratórios e cardiovasculares e impactos sobre a alimentação de comunidades que enfrentam dificuldades para obter produtos e insumos durante períodos de baixa dos rios.
A fumaça das queimadas também é uma preocupação durante períodos de estiagem, especialmente para crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias.
Manaus como ponto estratégico
A escolha de Manaus como local para uma base regional está relacionada à posição estratégica da capital amazonense como principal centro de logística e serviços de saúde do estado.
A partir da capital, equipes especializadas poderão ser mobilizadas para diferentes municípios e comunidades da região conforme a gravidade das ocorrências e as condições de acesso.
A iniciativa faz parte de uma estratégia nacional de expansão da Força Nacional do SUS. Atualmente, três bases regionais já estão em funcionamento, em Porto Alegre (RS), Salvador (BA) e Rio de Janeiro (RJ). Outras unidades estão previstas para ampliar a cobertura regional até o fim de 2026.
UBS fluviais e estrutura de atendimento
O Ministério da Saúde também destacou o fortalecimento da assistência por meio das Unidades Básicas de Saúde Fluviais, importantes para levar atendimento às comunidades que vivem às margens dos rios.
Segundo informações divulgadas nesta quarta-feira, a frota de UBS Fluviais chegou a 71 unidades, ampliando a capacidade de atendimento em áreas onde o deslocamento terrestre é limitado ou inexistente.
A estratégia busca evitar que a vazante provoque interrupções prolongadas na assistência médica e na distribuição de medicamentos e outros insumos.
Monitoramento climático
A atuação da Força Nacional do SUS também será integrada aos Centros de Informação em Saúde e Clima (CISC), responsáveis por reunir informações climáticas, epidemiológicas, ambientais e territoriais para identificar áreas de risco e auxiliar gestores na preparação de ações.
Atualmente, existem oito CISC em funcionamento no país, incluindo unidades em Belém e Santarém, no Pará, que possuem papel importante no acompanhamento dos impactos climáticos na região Norte.
O governo federal afirma que a estratégia faz parte do AdaptaSUS, plano nacional apresentado na COP30 para preparar o sistema de saúde brasileiro diante dos efeitos das mudanças climáticas. O programa prevê 27 metas e 93 ações até 2035, com previsão de R$ 9,8 bilhões em investimentos para adaptação da estrutura de saúde.
Resposta antes que a emergência aconteça
A instalação da base em Manaus representa uma mudança de estratégia: além de atuar depois que uma emergência ocorre, a proposta é aumentar a capacidade de prevenção e preparação do SUS.
Com o monitoramento dos rios, das condições climáticas e dos indicadores de saúde, a expectativa é antecipar riscos e posicionar equipes e equipamentos de acordo com as necessidades de cada região.
Para o Amazonas, onde o transporte fluvial é fundamental para conectar comunidades e municípios, a preparação ganha importância durante o período de vazante, quando a redução dos níveis dos rios pode dificultar o deslocamento e aumentar o isolamento de determinadas localidades.
Fonte: Ministério da Saúde; Serviço Geológico do Brasil (SGB); D24AM.









