Há mais de 30 anos trabalhando como feirante, Cláudia Pereira, de 55 anos, conhecida como “Morena”, já viu muitos dias quentes em Manaus. Mas, segundo ela, o calor deste ano tem exigido mudanças até na forma de conservar as mercadorias.
Frutas e verduras que antes podiam permanecer expostas passaram a ser retiradas do calor e armazenadas em ambientes refrigerados. A mudança veio depois que a feirante começou a perceber que os produtos estavam estragando mais rápido.
Manga, mamão e banana estão entre os produtos mais afetados, segundo Cláudia. O problema também chega às folhas e verduras, que precisam de atenção redobrada durante os períodos mais quentes do dia.
Para reduzir as perdas, a comerciante passou a colocar uma quantidade maior de produtos no frio.
“No início a gente não guardava tudo no gelo ou geladeira. Agora, com a perda, passamos a guardar no frio para conservar”, explica.
A estratégia representa uma mudança na rotina de trabalho, mas também uma tentativa de evitar que o prejuízo seja ainda maior. Para quem depende das vendas, uma mercadoria que estraga antes de chegar ao consumidor também representa dinheiro perdido.
Calor no asfalto
O impacto das altas temperaturas também aparece na rotina de quem passa horas nas ruas. O motorista de aplicativo Kario Lucena conta que precisou reorganizar os horários de trabalho para lidar com o calor.
O período entre 12h e 15h, justamente quando as temperaturas costumam subir, também concentra uma grande demanda por corridas e entregas.
El Niño, fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial.
Segundo Andrea, o fenômeno deve ser tratado como um condicionante climático de fundo. Ou seja, não é possível atribuir diretamente a ele a temperatura registrada em um determinado dia, mas o El Niño pode favorecer a persistência de condições mais quentes e secas.
“O El Niño não explica sozinho cada dia quente, mas favorece um cenário climático de temperaturas mais elevadas e menor ocorrência de chuva em parte da Região Norte”, explica.
O fenômeno foi confirmado em junho de 2026 e há previsão de que permaneça pelo menos até o início de 2027.
Calor deve continuar nos próximos dias
A tendência é de manutenção das altas temperaturas em Manaus. Segundo a meteorologista, as máximas devem permanecer frequentemente entre 36°C e 38°C nos próximos dias, embora ainda possam ocorrer pancadas de chuva isoladas.
Para quem trabalha ao ar livre, a recomendação é reduzir a exposição nos horários de maior aquecimento, buscar sombra sempre que possível e manter a hidratação frequente.
Fonte: Acrítica.com









