O avanço do fenômeno El Niño no segundo semestre de 2026 coloca o Amazonas diante de um cenário que exige atenção para a próxima temporada de estiagem. Dados divulgados por órgãos de monitoramento climático apontam que o fenômeno já alcançou intensidade forte e pode continuar se intensificando nos próximos meses. A NOAA estima 93% de probabilidade de evolução para um El Niño muito forte até setembro.
No Brasil, o fenômeno costuma alterar a distribuição das chuvas. Para a Amazônia, as projeções oficiais apontam possibilidade de déficit de precipitação, especialmente em determinadas áreas da região. Nota técnica elaborada por INPE, INMET, Funceme e Censipam destaca que o El Niño no segundo semestre tende a favorecer redução das chuvas na Amazônia, embora a intensidade e a localização dos impactos dependam também de outros fatores climáticos, como as condições do Atlântico Tropical.
O primeiro boletim nacional específico sobre o El Niño de 2026 também aponta chuvas abaixo da média no centro-norte do país e temperaturas acima da média durante o segundo semestre, cenário que pode aumentar a ocorrência de ondas de calor e incêndios florestais.
Amazonas já apresenta sinais que merecem atenção
O cenário hidrológico não é uniforme em todo o estado. O boletim do Serviço Geológico do Brasil (SGB) divulgado em julho mostrava que a maioria das estações monitoradas permanecia dentro da normalidade para aquele período. Ao mesmo tempo, foram identificados déficits de chuva em bacias importantes, incluindo o Solimões, que apresentou condição de seca, enquanto Içá, Japurá, Javari e Branco demonstravam tendência de seca.
Isso significa que o Amazonas não deve esperar a situação se agravar para começar a se preparar. Em comunidades ribeirinhas, uma descida mais acentuada dos rios pode dificultar o transporte de pessoas, alimentos, medicamentos e outros produtos essenciais.
A experiência recente mostra a dimensão que uma estiagem severa pode alcançar. Em 2024, o Amazonas chegou a ter os 62 municípios atingidos pela estiagem, com milhares de comunidades enfrentando dificuldades relacionadas ao transporte e ao acesso à água e alimentos.
Como a população pode se preparar
Para famílias que vivem em áreas rurais, comunidades ribeirinhas ou regiões que costumam sofrer com a redução dos níveis dos rios, a principal recomendação é antecipar o planejamento.
Entre as medidas que podem ajudar estão:
• Organizar uma reserva de água: quando houver disponibilidade e orientação das autoridades locais, mantenha água potável armazenada adequadamente para períodos de interrupção ou dificuldade de abastecimento.
• Evitar desperdícios: reduzir o consumo doméstico ajuda a preservar os estoques disponíveis, principalmente durante períodos de maior pressão sobre o abastecimento.
• Planejar deslocamentos: moradores do interior devem acompanhar a situação dos rios antes de viagens, especialmente quando o transporte depende exclusivamente das embarcações.
• Não deixar medicamentos essenciais para a última hora: famílias que dependem de tratamentos contínuos devem organizar seus medicamentos antecipadamente e buscar orientação dos serviços de saúde quando houver dificuldade de acesso às comunidades.
• Acompanhar os avisos oficiais: níveis dos rios, previsão de chuva, qualidade do ar e eventuais alertas podem mudar rapidamente. Informações oficiais devem prevalecer sobre mensagens compartilhadas nas redes sociais.
• Redobrar os cuidados com queimadas: em períodos mais secos, o fogo pode se espalhar com maior facilidade. A população não deve realizar queimadas de forma irregular e deve comunicar situações de incêndio às autoridades.
Calor também exige cuidados
A estiagem não representa apenas rios mais baixos. A previsão de temperaturas acima da média aumenta a importância dos cuidados com a exposição ao calor.
É recomendável beber água regularmente, mesmo antes de sentir sede, principalmente durante atividades físicas ou trabalhos realizados ao ar livre. Crianças, idosos e pessoas que passam muito tempo expostas ao sol merecem atenção especial.
Também é importante evitar exposição prolongada ao sol nos horários de maior calor, procurar ambientes ventilados e utilizar roupas leves. Protetor solar também deve fazer parte da rotina de quem ficará exposto ao sol, com reaplicação conforme as orientações do produto.
Fumaça pode ser outro problema
Outro ponto de preocupação é o risco de aumento das queimadas durante períodos mais secos. O próprio monitoramento climático nacional relaciona temperaturas elevadas e condições mais secas ao aumento do risco de incêndios florestais.
Por isso, moradores devem evitar atividades que produzam fumaça ou fogo próximo a áreas de vegetação. Em caso de fumaça intensa, a recomendação é reduzir a exposição e seguir as orientações das autoridades de saúde e Defesa Civil.
Preparação deve começar antes do pior cenário
A principal mensagem dos órgãos de monitoramento é que previsão climática não significa destino inevitável. O El Niño aumenta determinados riscos, mas seus efeitos dependem da combinação de diferentes fatores atmosféricos e oceânicos.
Por isso, a preparação antecipada pode fazer diferença. Para o Amazonas, isso significa acompanhar os níveis dos rios, preservar água, planejar deslocamentos, proteger a saúde durante os períodos de calor e evitar queimadas.
Com a previsão de continuidade do El Niño pelo menos até o início de 2027, o monitoramento deverá permanecer constante ao longo dos próximos meses. A recomendação dos órgãos oficiais é justamente antecipar medidas de prevenção e acompanhar as atualizações climáticas e hidrológicas antes que eventuais impactos se agravem.









