Ministro da Fazenda critica medidas unilaterais adotadas por Washington e afirma que a cooperação internacional deve ocorrer por meio do compartilhamento de informações, sem interferência na soberania brasileira.
Política – O governo brasileiro criticou na quarta-feira (1º) a decisão dos Estados Unidos de impor sanções contra cidadãos brasileiros e empresas suspeitos de manter vínculos com o Primeiro Comando da Capital (PCC). A reação foi feita pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, que defendeu que o enfrentamento ao crime organizado no país deve ser conduzido pelas autoridades nacionais, respeitando a soberania brasileira.
As declarações foram dadas durante entrevista à TV Record, um dia após o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciar medidas restritivas contra dois brasileiros e quatro empresas apontados como integrantes de uma suposta rede de lavagem de dinheiro ligada à facção criminosa.
Segundo Durigan, o Brasil mantém cooperação com diversos países no combate ao crime organizado, mas ressaltou que essa colaboração deve ocorrer por meio da troca de informações entre as autoridades competentes.
> “Quem tem que cuidar da segurança pública no Brasil são os brasileiros”, afirmou o ministro.
Governo demonstra preocupação com impactos das sanções
Durante a entrevista, o ministro também manifestou preocupação com os possíveis efeitos econômicos das sanções impostas pelos Estados Unidos. Na avaliação do governo, medidas unilaterais podem atingir empresas que exercem atividades legais e provocar consequências para o ambiente de negócios.
Durigan destacou que o combate às organizações criminosas é prioridade das autoridades brasileiras, mas ponderou que qualquer ação internacional precisa respeitar os mecanismos de cooperação previstos entre os países.
EUA ampliam ofensiva contra o PCC
As sanções fazem parte da estratégia adotada pelo governo norte-americano para ampliar o combate a organizações criminosas transnacionais. De acordo com o Departamento do Tesouro, os alvos são suspeitos de integrar uma estrutura financeira responsável por movimentar recursos utilizados em atividades ilícitas atribuídas ao PCC.
As medidas incluem o bloqueio de eventuais bens e ativos sob jurisdição dos Estados Unidos, além da proibição de que cidadãos e empresas norte-americanas realizem transações financeiras com os sancionados.
A iniciativa ocorre poucos dias após o governo dos Estados Unidos classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras, decisão que ampliou o debate sobre a cooperação internacional no combate ao crime organizado e seus reflexos nas relações diplomáticas entre Brasília e Washington.
Relação entre Brasil e Estados Unidos
A posição do governo brasileiro evidencia a preocupação em preservar a autonomia das instituições nacionais na condução das políticas de segurança pública. Embora reconheça a importância da cooperação internacional para enfrentar organizações criminosas que atuam além das fronteiras, o Planalto defende que investigações, operações policiais e eventuais punições devem permanecer sob responsabilidade das autoridades brasileiras.
Até o momento, o governo dos Estados Unidos não comentou as declarações do ministro Dario Durigan, e o Itamaraty também não anunciou qualquer medida diplomática em resposta às sanções. Enquanto isso, o tema continua repercutindo entre autoridades dos dois países e reforça o debate sobre os limites da atuação internacional no combate ao crime organizado.