Categoria: Saúde

  • Estratégia fortalece segurança do paciente e qualifica notificações em saúde

    Ação no SPA São Raimundo torna mais ágil o acesso a informações e orientações no atendimento

    Saúde – Alinhada às ações do mês dedicado ao Dia Nacional da Segurança do Paciente, a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP) divulga, nesta segunda-feira (13/04), o Calendário Prática Segura, estratégia desenvolvida pelos núcleos do Serviço de Pronto Atendimento (SPA) São Raimundo, com foco na qualificação da assistência e no fortalecimento das notificações compulsórias.

    A FVS-RCP reforça que as iniciativas se estendem para além da data nacional, celebrada em 1º de abril, integrando de forma contínua ações estratégicas voltadas à melhoria da qualidade assistencial e ao fortalecimento da vigilância em saúde.

    A diretora-presidente da FVS-RCP, Tatyana Amorim, destaca o incentivo à inovação nos serviços de saúde. “Trata-se de uma ferramenta que contribui para a organização do processo de trabalho e que possui potencial de replicação em outras unidades e serviços de saúde”, comemora.

    Para a diretora de Vigilância Hospitalar e Qualidade da FVS-RCP, Evelyn Campelo, a estratégia fortalece a integração entre assistência e vigilância, ao mesmo tempo em que qualifica o registro oportuno das informações. “Ao organizar o fluxo de notificações e padronizar processos, conseguimos dar mais agilidade e segurança às equipes, além de garantir maior qualidade dos dados”, avalia.

    Experiência Exitosa

    A responsável pela Vigilância Epidemiológica Hospitalar (Reveh) da FVS-RCP, Fabiana Bianchet, destaca que o instrumento divulga padronização dos fluxos. “Iniciativas como essa fortalecem a organização do trabalho e a resposta em saúde, o que impacta diretamente no planejamento das ações de saúde e na proteção do paciente”, explica.

    A enfermeira coordenadora do NVEH do SPA São Raimundo, Jesyane Bezerra, ressalta a adesão das equipes e os ganhos na rotina assistencial. “O material contribuiu para decisões mais seguras e melhor organização dos fluxos no dia a dia dos serviços”, avalia.

    A estratégia na prática

    A ação consiste em um calendário de mesa distribuído nos consultórios e setores, com informações sobre doenças de notificação compulsória (imediatas e semanais) e fluxos internos mensais. O material orienta desde a identificação de casos até o manejo e monitoramento, como no fluxo de tuberculose.

    Também reúne códigos de resposta rápida (QR-Code) com acesso direto a fichas de notificação, solicitação de exames, guias e termos necessários, facilitando a atuação dos profissionais. Além da tuberculose, contempla fluxos para leptospirose, meningite, malária, doenças exantemáticas, sarampo e rubéola.

    Fonte e Foto: Beatriz Crispim / FVS-RCP

  • Brasil institui Estatuto dos Direitos do Paciente e reforça autonomia e segurança jurídica na saúde

    Nova lei federal consolida garantias já existentes e estabelece direitos como consentimento informado, privacidade e liberdade de decisão em tratamentos.

    Saúde – Após cerca de dez anos de tramitação no Congresso Nacional, foi sancionada e publicada no Diário Oficial da União a Lei nº 15.378/2026, que institui o Estatuto dos Direitos do Paciente no Brasil. A nova norma estabelece regras e garantias aplicáveis a todos os pacientes atendidos em serviços de saúde públicos e privados em todo o país.

    De acordo com o texto legal, o objetivo central é reforçar a autonomia do paciente, fortalecer a segurança jurídica nas relações de cuidado e consolidar direitos que já estavam previstos em normas éticas e regulamentações da área da saúde.

    Segundo informações oficiais do governo federal e de órgãos do setor, o estatuto representa um marco na organização das relações entre pacientes, profissionais e instituições de saúde, ao padronizar direitos e responsabilidades em nível nacional .

    Entre os principais direitos garantidos pela lei estão o acesso a informações claras e compreensíveis sobre diagnóstico, exames, riscos e tratamentos; o consentimento informado antes de qualquer procedimento; o direito de aceitar ou recusar intervenções médicas; além da proteção da privacidade e da confidencialidade dos dados de saúde.

    A legislação também assegura ao paciente a possibilidade de retirar o consentimento a qualquer momento, bem como participar ativamente das decisões sobre seu próprio tratamento. Em determinados casos, o paciente pode ainda designar um representante para tomar decisões em seu nome, quando não estiver em condições de expressar sua vontade.

    Outro ponto central do estatuto é a consolidação do princípio do consentimento informado, já previsto no Código de Ética Médica. Na prática, isso reforça que nenhum procedimento pode ser realizado sem autorização do paciente, exceto em situações de risco iminente de morte ou urgência médica.

    O texto também amplia garantias relacionadas ao respeito à dignidade do paciente, incluindo o direito à informação adequada, à não discriminação e à participação nas escolhas terapêuticas. Além disso, estabelece responsabilidades compartilhadas, como a necessidade de colaboração do paciente no fornecimento de informações relevantes para o atendimento.

    Para especialistas, a nova lei tende a impactar diretamente a prática clínica ao exigir maior clareza na comunicação entre profissionais de saúde e pacientes, além de reforçar a documentação dos processos de consentimento.

    Na avaliação de órgãos reguladores e entidades do setor, o Estatuto dos Direitos do Paciente contribui para relações mais transparentes e equilibradas, fortalecendo o cuidado centrado na pessoa e ampliando a proteção legal no sistema de saúde brasileiro .

    Com a entrada em vigor da lei, o Brasil passa a contar com um marco legal unificado sobre direitos dos pacientes, o que deve influenciar desde atendimentos de rotina até procedimentos de alta complexidade, tanto na rede pública quanto na saúde suplementar.

    • Por jornalista Lília Marques
  • TikTok e saúde mental: como os conteúdos da rede promovem desinformação sobre temas como TDAH, TEA e outros

    Estudo aponta que até 56% das postagens analisadas contêm erros e podem atrasar diagnósticos corretos, reforçar estigmas e dificultar o acesso a tratamento adequado.

    Saúde – Uma parcela significativa dos conteúdos sobre saúde mental nas redes sociais é enganosa — e o TikTok lidera esse problema, segundo uma revisão da Universidade de East Anglia. O estudo alerta que vídeos populares podem espalhar informações imprecisas com rapidez, influenciando principalmente jovens que buscam entender sintomas e possíveis diagnósticos.

    A pesquisa analisou mais de 5 mil postagens em redes como YouTube, TikTok, Facebook, Instagram e X (antigo Twitter), abordando temas como autismo, TDAH, depressão, ansiedade e outros transtornos.

    Os resultados mostram que a desinformação é frequente: em alguns casos, chega a 56% do conteúdo analisado.

    A pesquisa foi publicada no The Journal of Social Media Research e é a primeira revisão sistemática a comparar, em larga escala, a qualidade das informações sobre saúde mental e neurodivergência em diferentes redes sociais.

    Segundo a psiquiatra, mestre e doutora em psiquiatria pela UFRJ Isabella de Souza, que conversou com o g1, informações errôneas sobre saúde mental representam um retrocesso e impactam desastrosamente a vida de indivíduos com transtornos mentais e de seus familiares. Elas induzem a diagnósticos e tratamentos errados e contribuem para visões preconceituosas ou distorcidas sobre condições médicas bem documentadas.

    Entre as plataformas, o TikTok foi identificado como o ambiente com maior volume de informações imprecisas ou sem base científica.

    Ao analisar conteúdos específicos, os pesquisadores encontraram taxas elevadas de erro:

    • 52% dos vídeos sobre TDAH eram imprecisos
    • 41% dos conteúdos sobre autismo tinham informações incorretas

    Em comparação, o YouTube apresentou cerca de 22% de desinformação, enquanto o Facebook teve menos de 15%.

    Segundo os autores, os algoritmos das plataformas — especialmente do TikTok — favorecem conteúdos com alto engajamento rápido, o que contribui para a viralização de informações incorretas.

    Os pesquisadores alertam que o problema vai além da desinformação em si. Isso porque muitos jovens usam as redes sociais como fonte principal para entender sintomas e buscar possíveis diagnósticos.

    De acordo com o estudo, esse cenário pode:

    • levar à interpretação equivocada de comportamentos comuns como transtornos;
    • atrasar diagnósticos corretos de quem realmente precisa de ajuda;
    • reforçar estigmas e medo em relação a doenças mentais;
    • dificultar a busca por tratamento adequado.

    Além disso, conselhos sem comprovação científica podem atrasar intervenções eficazes e agravar quadros clínicos.

    A análise também comparou conteúdos produzidos por profissionais de saúde com os de influenciadores e usuários comuns.

    Os resultados mostram uma diferença significativa:

    • Apenas 3% dos vídeos feitos por profissionais continham erros
    • Já entre não profissionais, o índice chegou a 55%

    Apesar disso, conteúdos confiáveis ainda representam uma parcela pequena do total disponível nas plataformas.

    Outro ponto destacado é o funcionamento dos algoritmos. Quando o usuário demonstra interesse por um tema, passa a receber conteúdos semelhantes em sequência.

    Isso cria as chamadas “câmaras de eco”, que podem reforçar informações falsas ou exageradas — fenômeno descrito pelos pesquisadores como uma “tempestade perfeita” para a disseminação da desinformação.

    Entre os ambientes analisados, o YouTube Kids apareceu como um ponto fora da curva.

    A plataforma não apresentou desinformação sobre ansiedade e depressão e registrou apenas 8,9% de conteúdo impreciso sobre TDAH, resultado atribuído a regras mais rígidas de moderação.

    Já o YouTube tradicional foi considerado inconsistente, variando conforme o tema e o criador.

    Estudo pede mais participação de especialistas

    Os pesquisadores defendem que profissionais de saúde e instituições ampliem sua presença nas redes sociais, produzindo conteúdos baseados em evidências.

    O estudo também sugere:

    • melhoria na moderação das plataformas;
    • criação de ferramentas para avaliar a qualidade das informações;
    • definições mais claras sobre o que é desinformação em saúde mental.

    Médicos destacam que o autodiagnóstico incorreto por parte dos pacientes tem sido discutido exaustivamente em todos os encontros, simpósios e congressos médicos ou envolvendo profissionais da saúde mental.

    A psiquiatra Izabela Souza explicou ao g1 que, ao mesmo tempo em que há um crescente interesse sobre saúde mental, os médicos observam um aumento de sites, blogs e entrevistas com pessoas que desconhecem o assunto. Esses indivíduos advogam em causa própria, usam o tema para autopromoção ou interesses pessoais ou repassam informações falsas ou levianas sem nenhum compromisso com a verdade, observa a médica.

    Fonte: G1

  • Flacidez na vulva pode surgir após emagrecimento com canetas; entenda por quê

    Mudança não é efeito direto do medicamento, mas da perda rápida de peso; especialistas explicam impactos e opções de tratamento.

    Saúde – O uso de canetas emagrecedoras, cada vez mais frequente no Brasil, tem levado médicos a observar um efeito ainda pouco discutido fora dos consultórios: mudanças na região íntima feminina após a perda acelerada de peso.

    Entre elas, a flacidez da vulva aparece como uma queixa crescente entre pacientes que emagrecem rapidamente. Apesar da associação com os medicamentos, especialistas explicam que o fenômeno não é provocado diretamente pelas substâncias, mas pela velocidade com que o corpo perde gordura.

    A ginecologista Ana Carolina Romanini, da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), explica que a região vulvar depende de tecido adiposo para manter volume e sustentação. Quando essa perda ocorre de forma acelerada, a pele pode não acompanhar a retração.

    O que muda no corpo com o emagrecimento rápido

    A perda de gordura ocorre de forma difusa e atinge diferentes regiões do corpo, inclusive a área genital externa. No caso da vulva, a redução de volume afeta estruturas de sustentação, o que pode deixar a região com aspecto mais “murcho” ou menos preenchido.

    A capacidade de adaptação depende de fatores como idade, genética e qualidade da pele. Quando há menor produção de colágeno e elastina —proteínas responsáveis pela firmeza—, a retração é menos eficiente, favorecendo a flacidez.

    A ginecologista Angela Barcelos, mestre em Ciências da Saúde e professora da Faculdade Santa Marcelina, explica que essas mudanças tendem a ser mais evidentes em áreas com maior concentração de gordura e quando o emagrecimento ocorre de forma rápida.

    Ela acrescenta que ainda há poucos estudos específicos sobre o tema, já que os medicamentos são relativamente recentes, mas o fenômeno já é observado na prática clínica.

    “Ainda existem poucas evidências científicas direcionadas, mas isso já é percebido tanto em consultórios ginecológicos quanto na cirurgia plástica”, diz.

    Vai além da estética

    Embora muitas mulheres procurem atendimento por questões estéticas, as mudanças podem ter impacto funcionalidades.

    A perda de sustentação pode aumentar a sensibilidade local e causar desconforto no dia a dia, especialmente com roupas mais justas ou durante atividades físicas. Em alguns casos, há impacto na autoestima e na vida sexual.

    Além disso, o emagrecimento rápido pode afetar a musculatura do assoalho pélvico —conjunto de músculos responsável pela sustentação dos órgãos da pelve e pela função urinária e sexual.

    Laura Barrios, fisioterapeuta pélvica da clínica Ginelife e mestre pela Sociedade Brasileira de Terapia Intensiva, explica que a perda de peso sem acompanhamento pode levar à redução de massa muscular, comprometendo essa estrutura.

    Segundo ela, isso pode resultar em desconforto nas relações sexuais, redução da lubrificação e, em alguns casos, escapes urinários.

    Quem está mais vulnerável

    As mudanças não ocorrem da mesma forma para todas as mulheres. Entre os fatores associados a maior risco estão:

    • perda de peso significativa em curto período;
    • maior volume de gordura na região pubiana antes do emagrecimento;
    • idade mais avançada;
    • menor elasticidade da pele.

    Mulheres em fases de menor suporte hormonal, como a pós-menopausa, tendem a apresentar maior flacidez, já que há redução natural de colágeno e alterações na qualidade da pele.

    Quando procurar avaliação médica

    Na maioria dos casos, a flacidez vulvar não representa um problema de saúde. Ainda assim, especialistas orientam buscar avaliação ginecológica quando há:

    • dor ou irritação frequente,
    • desconforto persistente,
    • impacto na vida sexual,
    • ressecamento vaginal,
    • alterações urinárias.

    A avaliação permite diferenciar mudanças esperadas do emagrecimento de condições que exigem tratamento.

    O que pode ajudar

    Há hoje diferentes abordagens para lidar com essas alterações, que devem ser indicadas de forma individualizada.

    Entre as opções estão:

    • fisioterapia pélvica e exercícios de fortalecimento muscular;
    • tecnologias que estimulam colágeno, como radiofrequência e laser íntimo;
    • preenchimento dos grandes lábios para reposição de volume;
    • cirurgia plástica íntima, se for de interesse da mulher.

    A recomendação é que o emagrecimento seja acompanhado de medidas que preservem a massa muscular e a qualidade da pele, como alimentação adequada e prática regular de exercícios

    Fonte: G1

  • Variações genéticas que podem indicar quem perde mais peso com uso de canetas emagrecedoras

    Pessoas com variações em dois genes ligados ao apetite e à digestão podem perder mais peso ao usar medicamentos para tratar a obesidade, sugere um estudo.

    Saúde – Pessoas que apresentam variações em dois genes ligados ao apetite e à digestão podem perder mais peso ao usar canetas emagrecedoras como Wegovy e Mounjaro no tratamento da obesidade, sugere um estudo recente.

    As descobertas, publicadas na revista científica Nature, podem ajudar a explicar por que algumas pessoas perdem muito mais peso do que outras e por que algumas apresentam efeitos colaterais mais intensos, como náusea e vômito, ao utilizar esses medicamentos.

    Os remédios, amplamente utilizados em diversos países, reduzem a sensação de fome ao agir de forma semelhante a um hormônio intestinal natural que induz a saciedade.

    Embora os genes possam ter um papel relativamente modesto na eficácia desses tratamentos, especialistas afirmam que outros fatores, como sexo, idade e até a origem da pessoa, também podem influenciar os resultados.

    Estima-se que pelo menos 1,6 milhão de pessoas no Reino Unido tenham usado medicamentos para perda de peso no último ano, número que deve crescer.

    A maioria desses produtos é adquirida de forma privada, por meio de farmácias online. O sistema público de saúde britânico, o NHS, oferece Wegovy e Mounjaro apenas a uma pequena parcela de pessoas com obesidade e outras condições associadas.

    A proporção de peso corporal perdida com o uso desses medicamentos pode variar bastante. Ensaios clínicos indicam perda de peso média de 14% com a semaglutida (Ozempic e Wegovy) e de 20% com a tirzepatida (Mounjaro).

    Neste estudo, baseado em dados de 15 mil pessoas que utilizaram esses medicamentos para emagrecer, a perda média foi de 11,7% do peso corporal ao longo de cerca de oito meses de tratamento. Alguns perderam até 30% do peso, enquanto outros perderam pouco ou nada.

    Todos os 15 mil participantes haviam previamente aderido a testes genéticos da empresa 23andMe, que utilizou esses dados para mapear a experiência de usuários de medicamentos para emagrecimento. Ao analisar milhões de variações genéticas, os pesquisadores identificaram um padrão que sugere uma relação entre algumas variantes e a eficácia dos tratamentos.

    A professora Ruth Loos, da Universidade de Copenhague, na Dinamarca, que comentou o estudo na revista científica Nature, afirmou: “O estudo identificou uma variante genética associada à perda de peso, que também está ligada à ocorrência de náusea”.

    “As pessoas com essa variante tendem a perder mais peso”, disse Loos.

    Essa diferença adicional corresponde, em média, a cerca de 0,76 kg mas, entre aqueles que possuem duas cópias do gene, a perda pode ser o dobro.

    Segundo Loos, a variante é comum em pessoas de ascendência europeia: 64% possuem uma cópia, enquanto 16% têm duas. Em comparação, cerca de 7% dos afro-americanos carregam uma cópia do gene.

    “Se você tem essa variante, vai perder mais peso”, diz Loos.

    O estudo também identificou outra variante que pode estar relacionada aos efeitos colaterais, como náusea e vômito, em usuários de tirzepatida (Mounjaro).

    Isso pode significar que até 1% das pessoas que utilizam o medicamento apresentem episódios intensos de vômito, quase 15 vezes mais frequentes do que o habitual.

    A professora Loos afirmou que o efeito genético, embora modesto, “é comparável a outros fatores, e não é irrelevante”.

    Ela ressalta, no entanto, que os achados ainda precisam ser reproduzidos em outros estudos o que, até o momento, não ocorreu.

    Para Marie Spreckley, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, “a genética é apenas uma parte de um quadro muito mais complexo”.

    Segundo ela, os principais determinantes dos resultados são “fatores comportamentais, clínicos e relacionados ao tratamento”, como a prática diária de exercícios físicos, a alimentação saudável durante o uso do medicamento, o suporte e as orientações recebidas, além de condições de saúde pré-existentes.

    Mas outros fatores também influenciam.

    Pesquisas anteriores indicam que as mulheres têm mais que o dobro de chance de perder 15% do peso corporal com o uso de Mounjaro em comparação com homens.

    Ser mais jovem, branco ou asiático também está associado a maior perda de peso, embora as razões ainda não sejam totalmente compreendidas.

    Além disso, o tipo de medicamento, a dose e o tempo de uso também estão ligados a resultados mais expressivos.

    A longo prazo, a combinação de informações genéticas com outros dados poderá orientar a escolha do tratamento mais adequado para cada paciente, abordagem conhecida como “medicina de precisão”.

    Mas esse cenário ainda está distante, afirma o professor Naveed Sattar, especialista em saúde metabólica da Universidade de Glasgow, na Escócia.

    “No geral, esses resultados são cientificamente interessantes, mas ainda estão longe de mudar a prática clínica”, disse.

    “O que precisamos agora são dados mais robustos de ensaios clínicos para definir melhor o equilíbrio entre benefícios e riscos desses e de outros tratamentos emergentes.”

    Acesso no Brasil

    No Brasil, o acesso a esses medicamentos começa a mudar. O Rio de Janeiro se tornou a primeira cidade do país a oferecer o medicamento Ozempic pelo Sistema Único de Saúde (SUS), em 18 de março.

    A medida ocorre no contexto do fim da patente da semaglutida, princípio ativo presente em medicamentos como Ozempic e Wegovy, usados no tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade, que expirou no país em 20 de março. Com o término da exclusividade da farmacêutica Novo Nordisk, outras empresas passam a poder desenvolver versões do composto.

    Na prática, a mudança abre espaço para concorrência e eventual redução de preços, embora esse efeito não deva ser imediato, devido a entraves regulatórios e industriais, como mostrou a reportagem da BBC News Brasil.

    Atualmente, o custo mensal do tratamento gira em torno de R$ 1.400, o que limita o acesso, sobretudo entre a população de menor renda, mais afetada pela obesidade.

    Fonte: G1 Amazonas.

  • Anvisa manda apreender lote de mostarda após suspeita de produto irregular

    Lote de mostarda Cepêra foi alvo de apreensão após inconsistências no rótulo e na validade; empresa diz que número citado não aparece em seus registros e pode não fazer parte de sua cadeia oficial.

    Saúde – A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a apreensão de um lote de mostarda da marca Cepêra após identificar indícios de irregularidade no produto. A medida foi publicada nesta sexta-feira (10) e atinge o lote 316625 da mostarda amarela de 3,3 kg.

    A decisão também proíbe a comercialização, distribuição, fabricação, propaganda e o uso desse lote específico. Segundo o órgão, a medida foi adotada após a própria fabricante informar que o produto não corresponde a um lote oficialmente produzido ou registrado em seus sistemas de controle.

    A resolução publicada pela Anvisa também aponta inconsistências no rótulo. De acordo com o documento, há diferenças no padrão de impressão e nas informações de validade indicadas na embalagem.

    Segundo o órgão, a fabricante afirma utilizar um sistema específico de codificação da data de validade, com formato juliano (sistema que usa o número do dia do ano para indicar a data) e indicação abreviada do ano — padrão que não foi identificado no lote apreendido.

    Em nota enviada ao g1, a Cepêra Alimentos informou ter identificado indícios de irregularidade em três unidades do produto “mostarda amarela” atribuídas à marca, que apresentavam inconsistências no rótulo e padrões gráficos diferentes daqueles adotados pela empresa.

    A companhia afirmou ainda que realizou uma investigação interna e não encontrou qualquer correspondência do lote mencionado entre os produtos oficialmente produzidos, envasados ou distribuídos pela empresa, o que indica que o item pode não fazer parte de sua cadeia regular de fabricação.

    A Cepêra Alimentos informa que identificou indícios de irregularidade em três unidades do produto ‘mostarda amarela’ atribuídas à marca, que apresentavam inconsistências no rótulo, com padrões diferentes dos adotados pela empresa.

    Assim, foi conduzida uma investigação interna, que não encontrou correspondência do lote mencionado entre os produtos oficialmente produzidos, envasados ou distribuídos pela Cepêra, indicando que se trata de um item alheio à sua cadeia regular.

    Diante disso, a situação foi prontamente comunicada à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e a empresa segue colaborando com as autoridades, fornecendo todas as informações necessárias para a apuração do caso

    A Cepêra Alimentos reforça que adota rigorosos controles de qualidade, segurança e rastreabilidade em toda a sua cadeia produtiva e de comercialização, garantindo aos consumidores produtos seguros e de procedência conhecida.”

    Fonte: G1 Amazonas

  • Da pele ao cérebro: cientistas recriam neurônios para desvendar o Parkinson

    Técnica inovadora transforma células da pele em neurônios e pode revelar por que a doença destrói o cérebro ao longo do tempo.

    Saúde – Uma nova fronteira da ciência está abrindo caminhos promissores para entender o Doença de Parkinson. Pesquisadores brasileiros conseguiram recriar neurônios em laboratório a partir de células da pele de pacientes, permitindo observar de perto como a doença afeta o cérebro humano.

    O trabalho é conduzido no Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein, onde a neurologista e pesquisadora Patrícia de Carvalho Aguiar lidera estudos com técnicas avançadas de reprogramação celular.

    O processo começa com a coleta de células da pele, que são “reprogramadas” para voltar a um estado semelhante ao de células-tronco. Em seguida, elas são transformadas em neurônios — as células responsáveis pela comunicação no cérebro. O resultado é um modelo vivo da doença em ambiente controlado de laboratório.

    Essa estratégia permite algo que antes era impossível: acompanhar, em tempo real, o comportamento dos neurônios afetados pelo Parkinson e investigar por que eles se degeneram progressivamente.

    A doença de Parkinson é marcada pela morte gradual de neurônios que produzem dopamina, substância essencial para o controle dos movimentos. Com isso, surgem sintomas como tremores, rigidez muscular e lentidão. No entanto, os mecanismos exatos por trás dessa degeneração ainda não são totalmente compreendidos.

    Ao recriar essas células em laboratório, os cientistas conseguem comparar diferentes perfis da doença — inclusive entre pacientes com formas distintas do Parkinson. Isso pode ajudar a identificar padrões, entender variações individuais e, no futuro, desenvolver tratamentos mais personalizados.

    Além de ampliar o conhecimento sobre a neurodegeneração, a técnica também abre caminho para testar medicamentos de forma mais precisa, diretamente em células humanas, reduzindo a dependência de modelos animais.

    Para os especialistas, a pesquisa representa um avanço significativo na neurologia. Mais do que observar os efeitos da doença, agora é possível “reconstruir” o problema desde a origem — e, com isso, dar um passo importante rumo a terapias mais eficazes.

    Embora ainda esteja em fase de investigação, a tecnologia reforça uma tendência crescente na medicina: usar as próprias células do paciente como chave para entender — e, no futuro, tratar — doenças complexas como o Parkinson.

    Por jornalista Lília Marques

  • Amazonas intensifica resposta a acidentes com animais peçonhentos com ampliação do acesso ao soro antiveneno

    Capacitações ocorrem em Tabatinga, Benjamin Constant e Santo Antônio do Içá

    Interior – Com foco na ampliação do acesso equitativo da população a tratamentos emergenciais, a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP) realiza, até esta sexta-feira (10/04), uma série de capacitações sobre o manejo de soros antiveneno. A ação reúne representantes dos municípios de Tabatinga, Benjamin Constant e Santo Antônio do Içá.

    Atualmente, os soros antiveneno estão majoritariamente armazenados em unidades hospitalares localizadas nas sedes municipais, enquanto grande parte dos acidentes, especialmente com serpentes, ocorre em áreas rurais e de difícil acesso, o que impõe desafios à resposta oportuna.

    Segundo a diretora-presidente da FVS-RCP, Tatyana Amorim, o fator tempo é determinante para evitar agravamentos e óbitos. Ela destaca que a descentralização do soro é fundamental para um atendimento mais ágil e eficaz. “Ao levar esse insumo para mais perto das aldeias e comunidades rurais, ampliamos as chances de recuperação dos pacientes e reduzimos o risco de complicações”, afirma.

    O diretor de Vigilância Ambiental da FVS-RCP, Elder Figueira, ressalta que as capacitações também incluem orientações sobre a prevenção da raiva humana. Ele explica que a iniciativa busca fortalecer estratégias já existentes e incentivar a adesão às campanhas de vacinação de cães e gatos. “Estamos aproveitando a oportunidade para reforçar as ações e ampliar a cobertura vacinal”, destaca.

    A ação é realizada em parceria com os departamentos de Vigilância em Saúde dos municípios, a Fundação de Medicina Tropical – Dr. Heitor Vieira Dourado, o Projeto Ajuri e os polos do Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) Alto Rio Solimões e Afluentes, com sede em Tabatinga.

    Fonte: Beatriz Crispim/ FVS-RCP

  • FVS-RCP fortalece enfrentamento à malária com capacitação e apoio a ações em território indígena no sul do Amazonas

    Ações estratégicas incluem implantação de tratamento inovador e resposta ao surto em população indígena de recente contato

    Saúde – Com foco no controle e na eliminação da malária, a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP), em parceria com o Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) Porto Velho, concluiu nesta sexta-feira (10/04), em Humaitá (a 590 quilômetros de Manaus), a implantação da tafenoquina pediátrica, e a capacitação de cerca de 100 profissionais de saúde que atuam na região.

    A diretora-presidente da FVS-RCP, Tatyana Amorim, destacou que a iniciativa fortalece as estratégias de enfrentamento no estado. “A implantação da tafenoquina pediátrica representa um avanço significativo no tratamento da malária. Capacitar os profissionais é garantir que essa inovação chegue com qualidade e segurança à população”, afirmou.

    A FVS-RCP também reforçou o apoio no enfrentamento à malária entre indígenas de recente contato da etnia Pirahã, no Polo Base Piquiá e em outras aldeias vinculadas ao Dsei Porto Velho. As ações priorizaram a busca ativa de casos, a ampliação do diagnóstico e a introdução do novo tratamento como estratégia para conter a transmissão.

    A gerente de Malária e Hemoparasitos da Diretoria de Vigilância Ambiental, Myrna Barata, ressaltou a importância da atuação em campo diante do cenário epidemiológico. “Estamos intensificando a busca ativa e garantindo diagnóstico oportuno. A introdução da tafenoquina pediátrica contribui diretamente para interromper a cadeia de transmissão”, explicou.

    As ações foram realizadas de forma integrada entre a FVS-RCP, a Coordenação-Geral de Eliminação da Malária (CGEMA) do Ministério da Saúde, o Dsei Porto Velho e a Secretaria Municipal de Saúde de Humaitá. A iniciativa fortalece as estratégias de prevenção, controle e eliminação da malária no território indígena.

    Fonte: Maíra Pessoa/ FVS-RCP 

  • Impactos do mercúrio mobilizam discussões sobre saúde na Amazônia

    FVS-RCP participa de evento e acompanha debates sobre contexto e proteção à saúde

    Saúde – A iniciativa é coordenada “pelo Programa de Extensão “Rios Online” da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), em parceria com o Institut de Recherche pour le Développement (IRD), organização francesa dedicada à pesquisa científica voltada ao desenvolvimento sustentável, com forte atuação na Amazônia, e custeado pelo Programa FEFAccion do Ministério das Relações Exteriores da França”, e busca informar, conscientizar e capacitar alunos e profissionais que trabalham com o tema e pessoas que vivem em comunidades ribeirinhas.

    Segundo a diretora-presidente da FVS-RCP, Tatyana Amorim, acompanhar esse tipo de discussão fortalece as ações de saúde pública. “A participação da Fundação permite estar próxima da produção científica e das experiências em campo, contribuindo para o aprimoramento das estratégias de vigilância em saúde no estado”, destacou.

    Na coordenação do encontro, a professora Tereza Cristina Oliveira (ICE/Ufam) reforça a importância da iniciativa para ampliar o acesso à informação. “Serão apresentados dados sobre a presença de mercúrio em áreas como as Terras Yanomami e o Parque Nacional de Anavilhanas. A participação de diferentes instituições amplia o diálogo e fortalece a conscientização sobre essa problemática”, afirmou.

    Pesquisa científica na prática

    No dia 22 de abril, no auditório Vitória Régia do Centro de Ciências Ambientais – UFAM, setor Sul, o evento será aberto ao público e vai abordar o panorama atual da contaminação por mercúrio na Amazônia.

    Nos dias 23 e 24, a programação segue com atividades práticas, com vagas limitadas. Os participantes terão acesso a técnicas de coleta e preservação de amostras para análise laboratorial, além de vivências de pesquisa participativa voltadas à construção conjunta de estratégias para reduzir a exposição ao mercúrio.

    Quem acompanhar toda a programação receberá certificado com carga horária de 30 horas. Os participantes do primeiro dia terão certificação de 8 horas.

    Fonte: Beatriz Crispim