Categoria: Saúde

  • Por que diagnosticar e tratar a endometriose é um desafio da medicina

    Apesar de avanços científicos, doença que afeta milhões de mulheres é frequentemente diagnosticada tarde e tem limitações importantes no tratamento.

    Saúde – Cólicas incapacitantes, dor crônica e dificuldade para engravidar fazem parte da rotina de quem vive com endometriose. A doença afeta cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), e entre 5% e 15% no Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde. O diagnóstico pode demorar anos e não há cura, apesar de avanços no tratamento e no entendimento de seus mecanismos biológicos.

    A endometriose se caracteriza pela presença de tecido semelhante ao endométrio, o revestimento interno do útero, fora da cavidade uterina. Essas células podem se implantar nos ovários, nas tubas uterinas, no intestino ou no peritônio (membrana abdominal) e reagem aos hormônios do ciclo menstrual da mesma forma que o endométrio intrauterino: crescem, se rompem e sangram. Fora do útero, porém, esse sangramento não tem como ser expelido, o que provoca inflamação, aderências e dor.

    Por esse comportamento, a doença é considerada benigna, mas crônica e recidivante. Até hoje, não há tratamento capaz de eliminar completamente as lesões e impedir que elas retornem. “É uma doença que depende de mecanismos genéticos que a fazem persistir no corpo da mulher”, explica o ginecologista Rubens Paulo Gonçalves Filho, especialista em endometriose do Einstein Hospital Israelita.

    Isso não significa que todas as pacientes convivam com sintomas ao longo da vida. Com acompanhamento e tratamento adequados, muitas conseguem controlar a dor e preservar a fertilidade. “Se ela não tem dor e vive bem, por que não dizer que poderia estar ‘curada’?”, questiona o ginecologista Ricardo De Almeida Quintairos, presidente da Comissão Nacional Especializada em Endometriose da Federação Brasileira das Associações em Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).

    A ausência de cura, no entanto, não resume o principal desafio da endometriose: a doença ainda é pouco compreendida, frequentemente subdiagnosticada e tem seus impactos subestimados pelos sistemas de saúde.

    Condição multifatorial

    Descrita há mais de um século, a endometriose passou a ser compreendida com mais profundidade pela medicina apenas nas últimas décadas, à medida que os avanços nas pesquisas sobre inflamação, dor crônica e infertilidade revelaram a complexidade de seus mecanismos. Hoje, está bem estabelecido que se trata de uma doença multifatorial, resultado da interação entre fatores genéticos, hormonais e imunológicos.

    Essa combinação explica a variedade de manifestações clínicas. Os sintomas mais frequentes incluem cólicas menstruais intensas, dor pélvica crônica, dor durante relações sexuais, alterações intestinais ou urinárias cíclicas e dificuldade para engravidar. Segundo a Febrasgo, a infertilidade está presente em 30% a 50% dos casos. “A dor pode vir acompanhada da dificuldade de engravidar, que pode coexistir com outros sintomas. As manifestações mais comuns são dor pélvica e infertilidade, mas isso não exclui que a mulher apresente todo o conjunto”, relata o médico do Einstein.

    Do ponto de vista biológico, a predisposição genética parece criar um terreno favorável, enquanto alterações hormonais — especialmente relacionadas ao estrogênio — e falhas no sistema imunológico contribuem para a instalação e a progressão da doença. A resposta inflamatória exacerbada na pelve desempenha papel central tanto no crescimento das lesões quanto nos quadros de dor persistente.

    A ciência também identifica grupos de maior risco, como mulheres com menarca precoce, ciclos menstruais curtos, fluxo intenso e ausência de gestações. “A medicina já sabe muita coisa: que é uma doença genética, imunológica, como cuidar, tratar e diagnosticar”, afirma Quintairos. “O que ainda não sabemos é por que, em algumas mulheres, a endometriose é leve, e em outras, tão grave.” Essa mesma lógica multifatorial ajuda a entender a resposta desigual aos tratamentos. Enquanto algumas pacientes evoluem bem com terapias hormonais simples, outras precisam de múltiplas cirurgias e continuam convivendo com sintomas, reforçando que não há um único caminho ou explicação para a doença.

    Outra questão em aberto diz respeito à origem do tecido endometrial fora do útero. A hipótese mais aceita é a da menstruação retrógrada, em que parte do fluxo menstrual retorna pelas tubas uterinas para a cavidade abdominal, permitindo que células endometriais se implantem em locais inadequados. A teoria, porém, não explica todos os casos: esse fenômeno ocorre na maioria das mulheres, mas apenas entre 6% e 10% desenvolvem endometriose, segundo estudo publicado em 2024 no International Journal of Molecular Sciences.

    Alívio dos sintomas

    Enquanto ainda não há um tratamento capaz de erradicar completamente a endometriose, o manejo da doença se concentra no alívio dos sintomas e na melhora da qualidade de vida das pacientes. As estratégias disponíveis combinam medicamentos e procedimentos cirúrgicos, definidos caso a caso, conforme a gravidade do quadro, a idade da mulher, o desejo de engravidar e a resposta a tratamentos anteriores.

    Entre as opções medicamentosas, os anti-inflamatórios não hormonais são usados para o controle da dor, enquanto os tratamentos hormonais buscam suprimir a menstruação e reduzir o estímulo ao tecido endometriótico. Pílulas anticoncepcionais combinadas, progestagênios isolados, dispositivos intrauterinos com levonorgestrel e análogos do hormônio liberador de gonadotrofina (GnRH) fazem parte do arsenal terapêutico. Esses métodos, porém, não eliminam as lesões existentes e, com frequência, os sintomas retornam após a interrupção do tratamento.

    “Uma mulher pode fazer tratamentos muito bem-feitos e a endometriose, infelizmente, voltar”, lamenta Gonçalves Filho.

    Estudos recentes têm investigado o papel de terapias complementares no alívio dos sintomas. Uma pesquisa publicada em 2021 na Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia apontou que a acupuntura pode contribuir para a redução da dor em pacientes com endometriose. Evidências semelhantes aparecem em análises sobre atividade física: uma revisão sistemática publicada em 2025 na PLOS ONE associou a prática regular de exercícios a melhora da regulação hormonal, redução da inflamação sistêmica e ganhos na qualidade de vida.

    A alimentação e a suplementação também vêm sendo exploradas como estratégias adjuvantes. Uma revisão publicada em 2023 na Frontiers in Nutrition indica que a vitamina D pode ajudar a reduzir a dor endometrial por meio do aumento da capacidade antioxidante, enquanto a suplementação de vitaminas C e E mostrou redução significativa dos sintomas em comparação com placebo. Os autores ressaltam, no entanto, que ainda são necessárias mais evidências para a definição de protocolos terapêuticos consistentes.

    Quando o manejo clínico não é suficiente — especialmente em casos de dor refratária, comprometimento de órgãos ou infertilidade associada —, a cirurgia pode ser indicada. O procedimento mais comum é a videolaparoscopia, que permite identificar e remover os focos de endometriose. Técnicas mais recentes, como a cirurgia robótica, têm sido empregadas para aumentar a precisão e preservar estruturas anatômicas.

    Ainda assim, mesmo após a retirada das lesões, a recorrência da doença é possível. “Não existe um tratamento melhor, existe um tratamento melhor para determinadas condições clínicas que a mulher tem”, aponta Quintairos. “Ela pode ser mínima, leve, moderada ou grave. Consequentemente, em cima de cada estágio de gravidade da doença se impõe um tratamento adequado.”

    Diagnóstico precoce

    O principal desafio para médicos e pacientes continua sendo o diagnóstico da endometriose. O exame padrão-ouro é a videolaparoscopia com biópsia, mas o procedimento é invasivo e não indicado como primeira abordagem. Nos últimos anos, exames de imagem como a ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal e a ressonância magnética pélvica ganharam espaço por apresentarem boa acurácia na identificação das lesões, especialmente nos casos de endometriose profunda.

    Mesmo com essas ferramentas, porém, o avanço mais urgente da ciência está na identificação precoce da doença — uma dificuldade que não se restringe a países com menos recursos. “No mundo todo, há uma grande dificuldade para fazer o diagnóstico precoce. É uma barreira que ao longo do tempo não melhorou”, pontua o especialista da Febrasgo.

    No Brasil, detectar a doença leva, em média, sete anos, segundo o Ministério da Saúde. E isso após a paciente passar por diversos médicos. “Na verdade, o diagnóstico é extremamente fácil de ser feito. O problema é que, muitas vezes, essas mulheres vão em médicos generalistas que não conhecem a doença”, observa Quintairos. Esse atraso tem consequências diretas na evolução da endometriose e na vida das pacientes. Quanto mais tempo a doença permanece sem tratamento adequado, maior o risco de comprometimento de órgãos, agravamento da dor e desenvolvimento de infertilidade.

    Os impactos não se limitam ao aspecto físico. Uma revisão sistemática publicada em 2021 identificou associação entre endometriose e maior prevalência de sintomas de ansiedade e depressão. E um estudo brasileiro de 2025 ampliou esse elo ao apontar a ocorrência frequente de distúrbios do sono e estresse crônico, além de indicar que abordagens multidisciplinares, incluindo acompanhamento psicológico e terapias complementares, contribuem para a melhora da qualidade de vida.

    O peso da doença também se reflete em custos econômicos elevados. Uma revisão sistemática publicada em 2017 na Annals of Reproductive Medicine and Treatment estimou que a endometriose gera custos anuais entre US$ 2,2 mil e US$ 8,5 mil por mulher recém-diagnosticada e entre US$ 11,7 mil e US$ 12,9 mil por paciente com diagnóstico prévio, considerando dólares internacionais ajustados por paridade do poder de compra. Segundo o estudo, os custos indiretos, especialmente a perda de produtividade, representam a maior parcela desse impacto.

    “O que falta é um pouco de trabalho do ponto de vista governamental e político com campanhas públicas que massifiquem a mensagem para que as mulheres entendam que aquela cólica forte não é normal. A partir do momento que elas têm cólica menstrual intensa, devem procurar o sistema de saúde”, frisa Ricardo Quintairos.

    Novas abordagens

    As limitações no diagnóstico precoce e no tratamento ajudam a explicar por que a pesquisa em endometriose tem se concentrado, nos últimos anos, no desenvolvimento de abordagens mais eficazes e menos invasivas. O objetivo é duplo: melhorar o controle dos sintomas e reduzir os impactos da doença ao longo do tempo.

    Entre as frentes mais exploradas estão as terapias antifibróticas, voltadas a inibir a formação de tecido cicatricial associada à progressão da endometriose. Uma das dificuldades no controle da doença é justamente a capacidade das lesões de se tornarem fibrosadas, promovendo aderências e dor crônica. Um estudo experimental de 2023 mostrou que a neferina, composto derivado do embrião da planta lótus, reduziu a fibrose endometriótica ao inibir a expressão de proteínas ligadas à formação de tecido cicatricial e à progressão das lesões em modelos celulares e animais.

    Outra linha de pesquisa envolve medicamentos que atuam de forma mais seletiva no eixo hormonal. Fármacos moduladores dos receptores de progesterona e antagonistas de GnRH de segunda geração, como elagolix e relugolix, vêm sendo testados com resultados encorajadores, inclusive por permitirem maior controle de efeitos colaterais, como a perda de massa óssea. Uma revisão publicada em 2021 no International Journal of Molecular Sciences indica que essas drogas oferecem controle dos sintomas com menor risco de eventos adversos prolongados.

    A busca por tratamentos mais personalizados também tem impulsionado o avanço da medicina de precisão na endometriose. Pesquisadores investigam marcadores genéticos e moleculares capazes de indicar a presença da doença, sua progressão e a resposta individual às terapias. Um estudo publicado em 2022 no Journal of Clinical Medicine mostrou que a análise de microRNAs na saliva foi capaz de distinguir mulheres com endometriose daquelas sem a condição. Se confirmada em estudos maiores, a abordagem pode contribuir para diagnósticos mais precoces e menos dependentes de procedimentos cirúrgicos.

    Nesse esforço, a inteligência artificial (IA) começa a ser incorporada sobretudo como ferramenta diagnóstica. Modelos de aprendizado de máquina vêm sendo treinados para identificar padrões em exames de imagem e prontuários eletrônicos que escapam à análise humana, embora uma revisão de 2025 indique que essas aplicações ainda estão em estágios iniciais.

    Além da análise de exames, há iniciativas baseadas em IA voltadas ao desenvolvimento de assistentes digitais que orientam pacientes sobre sintomas, opções terapêuticas e encaminhamento adequado, com potencial para reduzir o tempo até o diagnóstico e ampliar o acesso à informação. “Acho que nos próximos quatro ou cinco anos sairão medicamentos interessantes”, especula Quintairos. “O problema é que o preço muitas vezes é incompatível com a realidade que vivemos aqui. Mas espero que, com o tempo, a gente consiga usar e resolver alguns casos de maneira mais tranquila.”



    Fonte e Foto: CNN Brasil

  • Anvisa libera estudo com medicamento para lesões na medula espinhal

    Segundo ministro, pesquisa será marco para pacientes e familiares.

    Saúde – A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o início do estudo clínico para avaliar a segurança do uso do medicamento polilaminina no tratamento do trauma raquimedular agudo, que é uma lesão da medula espinhal ou coluna vertebral.

    No anúncio feito, na segunda (5), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha (à esquerda, na foto), destacou que a pesquisa será um marco importante para quem sofreu uma lesão medular e também para as suas famílias.

    “Cada avanço científico é sempre uma nova esperança renovada”, disse Padilha.

    Pesquisa em universidade pública

    O ministro considera que o produto é uma inovação radical e com tecnologia 100% nacional. Os estudos com polilaminina são desenvolvidos por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com a liderança da professora Tatiana Sampaio, em parceria com o laboratório Cristália.

    Segundo Padilha, a pesquisa já apresentou resultados promissores na recuperação de movimentos. Nesta primeira fase, o estudo da polilaminina será realizado em cinco pacientes voluntários com lesões agudas da medula espinhal torácica entre as vértebras T2 e T10.

    Essas pessoas incluídas no estudo devem ter indicação cirúrgica ocorrida a menos de 72 horas da lesão. Os locais de realização ainda serão definidos pela empresa responsável.  Ao longo da estruturação do projeto, o Ministério da Saúde investiu os recursos para a pesquisa básica.

    Prioridade

    Segundo o diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle, a aprovação do início do estudo clínico da polilaminina foi priorizada pelo comitê de inovação da agência com o objetivo de acelerar pesquisas e registros de amplo interesse público.

    “Uma pesquisa 100% nacional, que fortalece a ciência e saúde do nosso país”, afirmou Leandro Safatle.

    A pesquisa com a proteína polilaminina, presente em diversos animais, inclusive nos seres humanos, visa avaliar a segurança da aplicação do medicamento e identificar possíveis riscos para a continuidade do desenvolvimento clínico.

    A empresa patrocinadora será responsável por coletar, monitorar e avaliar sistematicamente todos os eventos adversos, inclusive os não graves, garantindo a segurança dos participantes.


    Fonte e Foto: Agência Brasil

  • Miopia forte eleva risco de retina descolada; saiba como proteger sua visão

    Miopia forte eleva risco de retina descolada; saiba como proteger sua visão

    O alongamento do olho deixa a retina mais frágil e aumenta o risco de danos, exigindo consultas periódicas com especialista.

    Saúde – A miopia alta é mais do que a dificuldade de enxergar de longe. Quando o grau ultrapassa 6 dioptrias e há aumento do comprimento axial do globo ocular, ela é chamada de miopia degenerativa ou patológica. O olho fica mais longo que o normal, esticando a retina e tornando suas estruturas mais frágeis.

    Esse alongamento eleva de forma significativa o risco de descolamento de retina, rupturas, degenerações periféricas e outras complicações que podem levar à perda visual se não forem detectadas precocemente. Embora muitas pessoas imaginem que a miopia alta se resuma a “usar um óculos mais forte”, trata-se de uma condição que exige acompanhamento contínuo com especialista em retina.

    A prevalência da miopia alta vem crescendo no mundo, em parte devido ao aumento do uso de telas, à pouca exposição à luz natural e ao diagnóstico cada vez mais precoce da miopia comum. À medida que o olho se alonga, a retina fica mais esticada e vulnerável. Pequenos rasgos podem surgir, permitindo que o vítreo (o gel interno do olho) infiltre-se e provoque o descolamento de retina.

    Esse processo pode ocorrer de forma silenciosa, mas frequentemente dá sinais de alerta, como moscas volantes, flashes de luz ou sensação de sombra no campo visual. Reconhecer esses sintomas e buscar atendimento imediato pode salvar a visão.

    Por que a miopia alta traz riscos e quais complicações podem surgir

    A miopia alta fragiliza o olho como um todo, não apenas a visão de longe. O estiramento do globo ocular altera o formato e a espessura da retina, favorecendo doenças que não aparecem em graus mais baixos de miopia.

    Entre as complicações mais comuns estão as degenerações periféricas, que são áreas enfraquecidas da retina com maior risco de ruptura. A membrana epirretiniana e o buraco macular também são mais frequentes nesses pacientes, podendo distorcer a visão central ou causar perda progressiva da nitidez.

    Além disso, a miopia alta aumenta a probabilidade de glaucoma e catarata precoce. No glaucoma, o nervo óptico é danificado, muitas vezes sem sintomas iniciais, exigindo acompanhamento cuidadoso do campo visual e da pressão intraocular.

    Já a catarata pode surgir mais cedo devido às alterações anatômicas e metabólicas da miopia elevada. Essas doenças não são exclusivas de pessoas com miopia alta, mas têm maior incidência nessa população. Por isso, entender o conjunto de riscos ajuda a reforçar a importância da avaliação preventiva.

    Como prevenir complicações e proteger a retina ao longo da vida

    A prevenção na miopia alta começa com consultas regulares ao oftalmologista, especialmente ao especialista em retina. O exame de mapeamento de retina permite identificar áreas de fragilidade que podem exigir tratamento com laser para evitar rupturas.

    A detecção precoce é essencial, pois muitas complicações são tratáveis quando diagnosticadas no início. Também é importante que o paciente reconheça os sintomas de alerta: aumento repentino de moscas volantes, flashes ou sombra na visão exigem atendimento imediato.

    Para crianças e adolescentes com miopia progressiva, medidas como controle do tempo de tela, uso de colírios específicos e maior exposição à luz natural podem ajudar a desacelerar o crescimento do grau, reduzindo o risco de miopia alta no futuro. Além disso, há lentes para óculos com recursos que visam reduzir a progressão do aumento do comprimento axial do olho. Para adultos, manter hábitos de vida saudáveis, controlar doenças como diabetes e hipertensão e evitar traumas oculares também contribuem para proteger a retina.

    A miopia alta não significa perda inevitável da visão, mas exige atenção especial e acompanhamento contínuo. Com exames regulares, diagnóstico precoce e tratamento adequado, é possível reduzir significativamente os riscos e manter a visão saudável ao longo de toda a vida. Informar, prevenir e agir rapidamente são as melhores estratégias para preservar a retina e garantir segurança visual para quem vive com grau elevado.


    Fonte e Foto: CNN Brasil

  • Dieta do ovo: riscos e benefícios do método que promete emagrecimento

    Dieta do ovo: riscos e benefícios do método que promete emagrecimento

    Popular nas redes sociais, a dieta do ovo faz o peso cair rapidamente, mas levanta questionamentos sobre saúde intestinal, equilíbrio nutricional e efeito sanfona.

    Saúde –  A dieta do ovo voltou a circular com força nas redes sociais, impulsionada por relatos de perda de peso rápida e mudanças visíveis na balança em poucos dias. A promessa é simples: restringir drasticamente a alimentação e basear as refeições quase exclusivamente no consumo de ovos, acompanhados geralmente de vegetais com baicos índices de carboidratos, queijos magros e algumas poucas frutas. Mas o que parece funcionar no curto prazo levanta alertas importantes do ponto de vista da saúde metabólica e nutricional.

    Segundo a nutricionista Patrícia Mirisola, especialista em Nutrição de Precisão, a popularização desse tipo de dieta está diretamente ligada à velocidade dos resultados. “Quando se reduz calorias e carboidratos de forma tão brusca, o corpo responde imediatamente com perda de líquidos e diminuição dos estoques de energia, o que cria a sensação de emagrecimento rápido”, explica.

    Por que a dieta do ovo faz o peso cair rapidamente

    De acordo com Patrícia, o efeito inicial observado na balança não está relacionado a uma propriedade especial do ovo, mas ao déficit calórico severo imposto pela dieta. A restrição extrema de carboidratos leva à redução dos níveis de insulina e ao esgotamento do glicogênio, forma como o músculo armazena energia, processo que resulta em perda rápida de peso, principalmente por eliminação de líquidos.

    A especialista ressalta que esse mecanismo gera um emagrecimento imediato, porém transitório. “É uma resposta metabólica aguda, não um sinal de redução sustentável de gordura corporal”, afirma.

    O ovo é o problema?

    O ovo, isoladamente, não é o vilão dessa história. Patrícia explica que se trata de um alimento de alta densidade nutricional, rico em proteínas de alto valor biológico, vitaminas e minerais, além de favorecer a saciedade quando inserido em padrões alimentares equilibrados.

    “O que emagrece é o déficit calórico, não o ovo em si”, destaca a nutricionista. Segundo ela, o alimento pode ser um aliado em estratégias nutricionais bem estruturadas, mas perde seu papel funcional quando passa a ser consumido de forma quase exclusiva.

    O que acontece no corpo com uma dieta baseada quase só em ovos

    Ao seguir um padrão alimentar extremamente restritivo, o organismo passa por adaptações importantes. Patrícia explica que ao cortar quase que totalmente os carboidratos da dieta ocorre a indução da chamada cetose nutricional, estado em que o corpo passa a utilizar gordura como principal fonte de energia. Esse processo pode provocar sintomas como cefaleia, fadiga, cansaço intenso e hálito cetônico.

    Além disso, a especialista alerta para o comprometimento da saúde intestinal. A exclusão de frutas, vegetais e grãos reduz drasticamente a ingestão de fibras, levando à constipação intestinal e ao prejuízo da diversidade e da função da microbiota, fundamentais para a imunidade e o controle inflamatório.

    Colesterol, inflamação e fígado: o que dizem os estudos

    Patrícia esclarece que o antigo receio de que o colesterol dietético do ovo eleva automaticamente o colesterol sanguíneo não se sustenta para a maioria da população. Segundo ela, o ovo é uma das principais fontes alimentares de colina, nutriente essencial para o metabolismo lipídico e para a prevenção do acúmulo de gordura no fígado.

    “O estresse metabólico não vem do ovo, mas da estrutura da dieta restritiva, que priva o organismo de fibras prebióticas e fitonutrientes presentes em vegetais e grãos”, afirma. A nutricionista também destaca a presença de carotenoides com ação antioxidante e anti-inflamatória, como luteína e zeaxantina.

    O papel da restrição de carboidratos

    A perda de peso inicial é potencializada pela restrição severa de carboidratos. Patrícia explica que a redução da insulina tem impacto metabólico significativo, especialmente em pessoas com resistência à insulina. A glicose baixa força a mobilização do glicogênio, acelerando a queda do peso corporal nos primeiros dias. No entanto, a especialista reforça que esse efeito não se sustenta no longo prazo sem uma alimentação nutricionalmente completa.

    Segundo Patrícia, dietas hiperproteicas e com controle de carboidratos podem ser ferramentas clínicas válidas em contextos específicos, como obesidade, resistência à insulina e estratégias para preservação ou ganho de massa magra. A diferença fundamental, porém, é que esses protocolos são completos, variados e acompanhados por profissionais. “Não se trata de uma dieta baseada em um único alimento”, ressalta.

    Riscos a curto e longo prazo

    No curto prazo, a dieta do ovo pode causar constipação intestinal, desequilíbrios eletrolíticos, especialmente de potássio e magnésio, hipovitaminose e queda de energia, segundo Patrícia. A halitose cetônica também é comum.

    A longo prazo, a especialista alerta para riscos como deficiência de cálcio e vitamina K, que podem contribuir para osteopenia e osteoporose, além de adaptações metabólicas negativas que favorecem o efeito sanfona.


    Fonte e Foto: CNN Brasil

  • Janeiro Seco: 30 dias sem álcool já promovem mudanças profundas no corpo, explica médico

    Janeiro Seco: 30 dias sem álcool já promovem mudanças profundas no corpo, explica médico

    Especialista aponta melhora no fígado, na digestão e na saúde mental após um mês longe da bebida.

    Saúde – Adotar o desafio do “Janeiro Seco” — passar 30 dias sem consumir bebidas alcoólicas — pode trazer impactos significativos para o organismo, indo muito além de uma simples mudança de hábito. Segundo o cirurgião Lucas Nacif, a pausa no consumo funciona como um verdadeiro processo de recuperação fisiológica, especialmente para pessoas que ingerem álcool com frequência.

    De acordo com o médico, o álcool provoca efeitos cumulativos no corpo, muitas vezes subestimados por quem associa o consumo apenas a momentos de lazer. Ao retirar a substância da rotina, o organismo inicia uma espécie de “reset”, priorizando a reparação de sistemas sobrecarregados.

    O fígado é um dos principais beneficiados nesse período. Responsável por metabolizar o álcool e eliminar toxinas, o órgão passa a trabalhar de forma mais eficiente após algumas semanas de abstinência. Entre os efeitos observados em cerca de um mês estão a melhora no processo de desintoxicação, a redução da gordura hepática e a diminuição de inflamações causadas pelo esforço contínuo de metabolização da bebida. “É como retirar um peso invisível que o corpo carrega diariamente”, resume Nacif.

    Outro sistema que responde rapidamente à ausência do álcool é o digestivo. A bebida pode irritar a mucosa do estômago e desregular o intestino. Sem ela, sintomas como refluxo, gastrite, estufamento abdominal e inflamações gastrointestinais tendem a diminuir, muitas vezes ainda nas primeiras semanas.

    Os benefícios também se refletem no sono e na saúde mental. O médico explica que o álcool interfere no sono profundo, comprometendo o descanso. Com a interrupção do consumo, o sono se torna mais reparador, o que contribui para maior disposição, melhora do foco, estabilidade emocional e redução do estresse ao longo do dia.

    Nacif faz, no entanto, um alerta importante: após um período de abstinência, o organismo fica mais sensível ao álcool. Caso a pessoa volte a beber, os efeitos negativos, como mal-estar e ressaca, podem surgir de forma mais intensa e rápida.

    Para o especialista, o maior valor do Janeiro Seco está na conscientização. Ao vivenciar os benefícios de um corpo menos inflamado e mais equilibrado, muitas pessoas passam a repensar seus hábitos e optam por uma relação mais moderada com o álcool ao longo do ano. Mais do que um desafio, o mês sem bebida se torna uma oportunidade de autoconhecimento e cuidado com a saúde.

  • Esgotamento nervoso: causas já eram conhecidas no século XIX

    Esgotamento nervoso: causas já eram conhecidas no século XIX

    Por mais que o mundo tenha mudado, os desafios de saúde mental não são tão diferentes de 188.

    Saúde – Sabia que as causas do esgotamento nervoso são conhecidas desde o século XIX? O psiquiatra Wagner Gattaz resgata um curioso paralelo entre o burnout moderno e um diagnóstico antigo: a neurastenia.

    Já em 1881, especialistas identificavam fatores como excesso de informação, ritmo acelerado de trabalho e a necessidade constante de atualização profissional como gatilhos para o colapso emocional — exatamente como vemos hoje. Com exemplos históricos e reflexões atuais, Gattaz mostra que o mundo evoluiu, mas os desafios para a saúde mental permanecem. Assista ao vídeo e entenda o que realmente está por trás do esgotamento.


    Fonte e Foto: CNN Brasil