Categoria: Saúde

  • Intervenção precoce poderia evitar até 50% dos casos de autismo, diz estudo

    Pesquisa integra genética e ambiente, e propõe a “resposta celular ao perigo” como mecanismo-chave no desenvolvimento do autismo.

    Saúde – Embora estimativas da Organização Mundial de Saúde apontem que cerca de 1 em cada 127 pessoas no mundo está no espectro autista, esse transtorno do neurodesenvolvimento continua sendo um dos assuntos mais complexos e polarizados da atualidade.

    De um lado, o modelo médico define o autismo como um transtorno com prejuízos funcionais, e, de outro, ativistas da neurodiversidade e muitos pesquisadores entendem o TEA (transtorno do espectro autista) como uma variação legítima do funcionamento humano.

    Mas o “caldo entorna” de vez quando se fala de prevenção. Como não há atualmente qualquer forma comprovada de evitar o autismo, toda pesquisa sobre causas genéticas e ambientais desperta temores de uma eugenia. Afinal, por que não usar esse dinheiro de pesquisa melhorando a vida dos 62 milhões de autistas que já existem? — questionam.

    Agora, em um novo estudo publicado recentemente na revista Mitochondrion, Robert Naviaux, pesquisador da Universidade da Califórnia em San Diego (EUA), propõe um modelo biológico unificado que conecta genética, ambiente, metabolismo e desenvolvimento cerebral — em vez de tratá-los como explicações concorrentes na origem do TEA.

    Embora não afirme com todas as letras que o autismo seja “evitável”, as conclusões do novo modelo sugerem que “até metade de todos os casos de autismo poderiam ser prevenidos ou reduzidos com intervenções pré-natais e na primeira infância”, afirma um comunicado à imprensa.

    Os três fatores interligados que aumentam o risco de TEA

    Para Naviaux, “nossos resultados sugerem que o autismo não é o resultado inevitável de um único gene ou exposição, mas sim o desfecho de uma série de interações biológicas, muitas das quais podem ser modificadas”, afirma o professor de medicina, pediatria e patologia na Faculdade de Medicina da UC San Diego.

    No artigo, o autor propõe o que chamou de modelo metabólico de três fatores interativos, que se alinham:

    Predisposição biológica/genética: a criança nasce com uma vulnerabilidade metabólica/mitocondrial, que não é evitável;

    Exposição precoce a gatilhos ambientais, como infecções maternas ou infantis, estresse imunológico ou poluição, capazes de ativar uma resposta biológica conhecida como resposta celular ao perigo (RCP);

    Persistência ou repetição desses gatilhos durante uma janela crítica do desenvolvimento cerebral, do final da gestação até os dois ou três anos de idade.

    O problema, segundo Naviaux, não seria a RCP em si, pois a resposta celular ao estresse é normal e até mesmo necessária. O risco ocorre quando essa resposta não “desliga”, mantendo o organismo em estado de alerta biológico prolongado e desviando energia e sinais biológicos cruciais para a maturação normal do cérebro.

    Essa abordagem unificada consegue reunir diferentes achados científicos sobre o autismo em um mesmo modelo explicativo, mostrando como fatores genéticos e ambientais interagem ao longo do desenvolvimento. Isso ajuda a esclarecer por que o autismo é multifatorial e não resulta de uma causa única.

    O autismo é uma resposta biológica a fatores ambientais

    Talvez o grande mérito do trabalho de Naviaux seja o de não oferecer respostas fáceis. Com isso, ele amplia o debate científico, mostrando que o autismo emerge, sim, de processos biológicos complexos — sensíveis ao tempo e ao contexto —, mas que compreender esses processos pode levar a cuidados mais personalizados.

    Sem fugir do campo marcado por controvérsias, o autor estabelece limites claros: ele não afirma que o autismo seja causado apenas por fatores ambientais, mas também não sugere que pais ou mães sejam responsáveis pelo surgimento do TEA.

    Em outras palavras, o artigo deixa claro que a genética não é o destino, ou seja, nenhum gene causa autismo em 100% dos casos, pois ter um gene ou uma mutação associada a uma condição não garante que a pessoa vá manifestá-la.

    Embora o modelo sugira que uma fração dos casos de TEA possa não se manifestar se crianças de alto risco forem identificadas antes dos sintomas e protegidas da ativação prolongada da RPC, trata-se de uma abordagem probabilística. Essas intervenções podem reduzir o risco em alguns casos, mas não garantem que o autismo não se desenvolva.

    Se há alguma mensagem a ser tirada do artigo atual é que o autismo não é falha, não é erro genético e não é responsabilidade individual. É uma resposta biológica a ameaças ambientais que altera a forma como o cérebro humano se desenvolve e funciona, que pode — e deve — ser acompanhada com conhecimento, cuidado e respeito.


    Fonte e Foto: CNN Brasil

  • Ministério da Saúde decide não incorporar vacina herpes-zóster ao SUS

    Imunizante foi considerado caro diante do impacto da doença.

    Saúde – O Ministério da Saúde decidiu não incorporar a vacina para a prevenção de herpes-zóster ao Sistema Único de Saúde (SUS). A decisão está em portaria publicada no Diário Oficial da União (DOU).

    De acordo com relatório divulgado pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), disponível online, a vacina foi considerada cara diante do impacto que poderia ter em relação ao combate a doença.

    A vacina recombinante adjuvada para prevenção do herpes-zóster é voltada para idosos com idade maior ou igual a 80 anos e indivíduos imunocomprometidos com idade maior ou igual a 18 anos.

    “O Comitê de Medicamentos reconheceu a importância da vacina para a prevenção do herpes-zóster, mas destacou que considerações adicionais sobre a oferta de preço precisam ser negociadas, de modo a alcançar um valor com impacto orçamentário sustentável para o SUS”, afirma o relatório.

    O relatório apresenta também um cálculo dos custos em relação a população que seria beneficiada pelo imunizante. “Ao vacinar 1,5 milhão de pacientes por ano, o custo seria de R$ 1,2 bilhão por ano e, no quinto ano, a vacinação dos 471 mil pacientes restantes com um custo de R$ 380 milhões. Ao final de cinco anos, o investimento total seria de R$ 5,2 bilhões. Dessa forma, a vacina foi considerada não custoefetiva”, diz o texto publicado.

    Segundo a portaria publicada nesta semana, a matéria poderá ser submetida a novo processo de avaliação pela Conitec, caso sejam apresentados fatos novos que possam alterar o resultado da análise efetuada.

    Herpes-zóster

    O herpes-zóster é uma condição de saúde causada pelo vírus varicela-zóster, o mesmo que causa a catapora. Quando a pessoa tem catapora, o vírus permanece no organismo e pode ser reativado ao longo da vida, ocasionando o herpes-zóster. Essa reativação é mais comum em pessoas idosas ou com a imunidade baixa.

    Os primeiros sintomas são queimação, coceira, sensibilidade na pele, febre baixa e cansaço. Depois de um ou dois dias, surgem manchas vermelhas que evoluem para pequenas bolhas cheias de líquido. Essas bolhas podem secar e formar crostas. As lesões aparecem em apenas um lado do corpo e seguem o caminho de um nervo, o que dá ao herpes-zóster seu aspecto característico. As áreas mais afetadas costumam ser o tronco, a face, a lombar e o pescoço. Esse processo dura cerca de duas a três semanas.

    Segundo informações do relatório divulgado pela Conitec, o herpes-zóster geralmente melhora sozinho, mas em alguns casos pode causar complicações graves, como alterações na pele, no sistema nervoso, nos olhos e nos ouvidos.

    Tratamento no SUS

    Nos casos leves e sem risco de agravamento, o SUS oferece tratamento sintomático com remédios para aliviar a dor, febre e coceira, além de orientações de higiene e cuidados com a pele. Quando o risco é maior, como em pessoas idosas, imunocomprometidas ou com doença grave, recomenda-se o uso do antiviral aciclovir.

    De acordo com dados dos Sistemas de Informações Ambulatoriais do SUS (SIA/SUS) e hospitalares (SIH/SUS), entre 2008 a 2024, foram registrados 85.888 atendimentos ambulatoriais e 30.801 internações de pacientes com herpes-zóster no Brasil.

    Segundo dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade do SUS, entre os anos de 2007 e 2023, 1.567 pessoas morreram por herpes-zóster no país, o que representou uma taxa de mortalidade pela doença de 0,05 óbitos por 100 mil habitantes no período. Do total de óbitos registrados, 90% foram de pessoas com idade maior ou igual a 50 anos, sendo 53,4% em idosos mais de 80 anos de idade.


    Fonte e Foto: Agência Brasil

  • Anvisa aprova novo fármaco com injeção semestral para prevenção do HIV

    Sunlenca (lenacapavir) se torna nova ferramenta para PrEP.

    Saúde – A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou na segunda-feira (12) o uso do medicamento Sunlenca (lenacapavir) para prevenção do HIV-1, como profilaxia pré-exposição (PrEP). O fármaco tem alta eficácia contra o vírus e, além da apresentação em compromido, para uso oral, está disponível como injeção subcutânea que só precisa ser administrada a cada seis meses, o que facilita a adesão.

    A indicação é destinada a adultos e adolescentes a partir de 12 anos, com peso mínimo de 35 kg, que estejam sob risco de contrair o vírus. Antes de iniciar o tratamento, é obrigatório realizar teste com resultado negativo para HIV-1.

    Os estudos clínicos apresentados demonstraram 100% de eficácia do Sunlenca na redução da incidência de HIV-1 em mulheres cisgênero; além de 96% de eficácia em comparação com a incidência de HIV de base e 89% superior à PrEP oral diária.

    O regime de injeções semestrais mostrou boa adesão e persistência, superando desafios comuns em esquemas diários, informou a Anvisa, por meio de sua assessoria de imprensa.

    De acordo com a Anvisa, a Sunlenca é um antirretroviral inovador composto por lenacapavir, fármaco de primeira classe que atua inibindo múltiplos estágios da função do capsídeo do HIV-1.

    Essa ação impede a replicação do vírus, tornando-o incapaz de sustentar a transcrição reversa, processo em necessário para que use as células do hospedeiro para se multiplicar.

    A agência advertiu que, embora o registro tenha sido concedido, o medicamento depende ainda da definição do preço máximo pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).

    Já sua disponibilização no Sistema Único de Saúde (SUS) será avaliada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) e pelo Ministério da Saúde.

    Prevenção

    A profilaxia pré-exposição (PrEP) é uma estratégia essencial para prevenir a infecção pelo HIV. Ela envolve o uso de medicamentos antirretrovirais por pessoas que não têm o vírus, mas estão sob risco de contrair a doença, reduzindo significativamente as chances de transmissão.

    A PrEP faz parte da chamada “prevenção combinada”, que inclui outras medidas, como testagem regular para HIV, uso de preservativos, tratamento antirretroviral (TARV), profilaxia pós-exposição (PEP) e cuidados específicos para gestantes soropositivas, esclareceu a Agência.

    O lenacapavir passou a ser recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em julho de 2025 como opção adicional para PrEP, classificando-o como a melhor alternativa após uma vacina, recurso que ainda não está disponível no caso da prevenção do HIV.


    Fonte e Foto: Agência Brasil

  • Parasita pode causar cegueira após uso de lente de contato; veja prevenção

    Paciente descobriu que um organismo microscópico estava destruindo sua córnea após meses de diagnósticos incorretos e dores intensas.

    Saúde – Teresa Sanchez estava no México para um procedimento médico há quase quatro anos quando começou a sentir sensações de secura e incômodo em seu olho direito.

    Ela atribuiu o problema a uma possível ruptura em sua lente de contato, à secura geral que sentia desde que começou a usar lentes mensais em vez de diárias, ou ao seu corpo possivelmente combatendo alguma doença.

    Mas o que ela só descobriria três meses depois era que um pequeno invasor estava travando uma guerra contra sua córnea, destruindo permanentemente sua visão e causando uma dor intensa e ardente que se irradiava por toda sua cabeça.

    “Eu não podia manter as persianas do meu quarto abertas, porque isso desencadeava uma dor muito, muito forte no meu olho”, conta Sanchez, de 33 anos, moradora de Las Vegas, sobre um momento angustiante após cerca de três meses sendo diagnosticada incorretamente por optometristas. “Foi assim que percebi que era algo sério e comecei a fazer minha própria pesquisa.”

    Sanchez descobriu online que seus sintomas pareciam consistentes com os de uma doença rara, a ceratite por Acanthamoeba. Um especialista em olhos posteriormente confirmou a suspeita de Sanchez. Ceratite refere-se à inflamação da córnea, a camada externa protetora do olho em forma de cúpula que desempenha um papel fundamental na visão.

    A Acanthamoeba, um organismo unicelular que não precisa de um hospedeiro para sobreviver e é comumente encontrado em fontes de água e solo, é um dos muitos patógenos ou micróbios que podem causar ceratite, explicou por e-mail Jacob Lorenzo-Morales, professor de parasitologia da Universidade de La Laguna, na Espanha.

    Uma vez que o parasita oportunista está na superfície do olho, ele adere à córnea, segundo Paul Barney, médico optometrista e diretor do Instituto Pacific Cataract and Laser em Anchorage, Alasca. Se houver rupturas no epitélio corneano — uma fina camada de células de barreira extremamente sensíveis à dor — elas permitem que o parasita se infiltre na córnea, explicou Barney.

    A ceratite por Acanthamoeba é uma doença rara, observou Barney, que também é administrador da Associação Americana de Optometria.

    Existem mais de 23 mil casos em todo o mundo anualmente, de acordo com dados de 2023 referentes a apenas 20 países, incluindo Brasil, Canadá, Reino Unido, Índia e Estados Unidos.

    Vale ressaltar que cerca de 85% a 95% das pessoas infectadas usam lentes de contato, que criam condições favoráveis para a acantamoeba. As lentes podem causar abrasões na córnea que fornecem um ponto de entrada para o patógeno; a acantamoeba também pode se alojar na superfície da lente ou ficar presa entre a lente de contato e o olho, possibilitando uma penetração mais profunda.

    “A ceratite por acantamoeba pode ser devastadora se não for diagnosticada rapidamente e tratada de forma agressiva”, diz Barney. “Ela basicamente usa a córnea como fonte de alimento, causando inflamação e danos aos tecidos, podendo eventualmente causar perda permanente da visão.” A visão de alguns pacientes pode ser parcialmente restaurada com o tratamento adequado ou totalmente recuperada com um transplante de córnea.

    O parasita resistente também é altamente sensível a ameaças e responde com mecanismos de defesa formidáveis — prolongando um processo de tratamento que já é longo, durando de meses a anos, e frequentemente repleto de outros obstáculos e dor. Devido à extraordinária resiliência da acantamoeba e à sensibilidade do olho, é crucial trabalhar em estreita colaboração com seu profissional oftalmologista e seguir suas orientações.

    Um caminho difícil para o diagnóstico

    O diagnóstico precoce da ceratite por acantamoeba pode ser desafiador por várias razões.

    A raridade da condição significa que muitos optometristas não têm conhecimento sobre ela — o que provavelmente explica por que muitos usuários de lentes de contato nunca ouvem falar da ceratite por acantamoeba até contraírem a doença ou verem publicações virais nas redes sociais sobre a condição, como o vídeo do TikTok de Sanchez.

    Muitos usuários de lentes de contato que comentam sobre esse assunto dizem estar chocados por nunca terem sido alertados por oftalmologistas ou pelas instruções nas embalagens das lentes sobre não tomar banho ou nadar usando lentes.

    A Sociedade Americana de Lentes de Contato (CLSA) afirmou por e-mail que “as lentes de contato são dispositivos médicos, e as instruções de cuidado e higiene — incluindo evitar contato com água durante natação, banho ou sono — são parte importante dos cuidados rotineiros com lentes de contato.” A CLSA é uma rede de membros da área de cuidados oculares e da indústria de fabricação e serviços de lentes de contato.

    A sociedade acrescenta que “incentiva a comunicação clara e contínua pelos profissionais e o engajamento ativo dos pacientes — incluindo fazer perguntas, revisar materiais escritos e discutir quaisquer dúvidas sobre o uso seguro das lentes.”

    Além de dor, sensibilidade à luz e visão turva, a ceratite por acanthamoeba também pode causar vermelhidão, ressecamento, lágrimas excessivas e sensação de corpo estranho no olho.

    A falta de conhecimento sobre a doença e alguns sintomas da ceratite por acanthamoeba que se assemelham aos de outras infecções da córnea facilitam o diagnóstico incorreto pelos oftalmologistas, segundo Barney. O diagnóstico errôneo mais comum é a ceratite por herpes simplex, uma das principais causas de cegueira induzida por infecção.

    Nos estágios iniciais, a ceratite por acanthamoeba pode até parecer conjuntivite, que Sanchez diz ter sido o diagnóstico de seu oftalmologista quando ela o consultou cerca de um mês após o início dos sintomas.

    Consequentemente, os tratamentos prescritos incorretamente podem ser ineficazes na melhor das hipóteses e prejudiciais na pior, enquanto o parasita continua destruindo a córnea. Sanchez conta que os colírios para conjuntivite viral embaçaram sua visão. Um segundo oftalmologista achou que Sanchez tinha conjuntivite bacteriana; os colírios antibacterianos funcionaram por um tempo antes que ela perdesse completamente a visão no olho infectado.

    Grace Jamison, uma jovem de 20 anos do oeste dos Estados Unidos, teve uma experiência semelhante. Jamison desenvolveu ceratite por acanthamoeba em ambos os olhos após usar suas lentes durante o banho na República Dominicana em maio. Quando voltou para casa algumas semanas depois, seu oftalmologista fez um diagnóstico incorreto e prescreveu colírios com corticoides.

    Após apenas uma semana, Jamison ficou cega — e permaneceu assim por cerca de dois meses antes de iniciar o tratamento adequado.

    “Muitas vezes, não percebemos como a vida é boa ou quantas coisas podem dar errado”, afirma Jamison. “É muito triste que não valorizemos o que temos enquanto o temos. Quando fiquei completamente cega dos dois olhos, me arrependi de não ter aproveitado melhor minha visão anterior.”

    “Me arrependi de não ter passado menos tempo em frente às telas, de não ter observado mais a beleza do exterior, ou de não ter olhado mais para as pessoas que conheço e amo.”

    A causa da perda de visão de Jamison foi um dano causado pela resposta inflamatória ao patógeno.

    “Há momentos em que fico muito triste e queria que meu olho direito não parecesse não ter pupila”, diz Jamison. “E ocasionalmente as pessoas em público perguntam: “O que aconteceu com seu olho?””

    Uso seguro das lentes de contato

    Quer reduzir suas chances de contrair ceratite por acantamoeba? Ao limpar e guardar as lentes de contato, sempre use solução para lentes comprada em estabelecimentos comerciais ou com prescrição médica, nunca água, alertam os especialistas. A solução no estojo das lentes também deve ser trocada diariamente.

    Lavar e secar as mãos antes de colocar as lentes é importante para prevenir infecções oculares de várias origens. Nunca use suas lentes enquanto dorme, pois isso pode causar ressecamento, irritação, abrasões e aprisionamento de germes que podem levar a infecções graves. Usar lentes descartáveis diárias em vez de mensais também pode reduzir o risco de infecções.

    Se realizar atividades aquáticas sem lentes de contato não for seguro para você, pode tentar usar óculos ou óculos de natação com grau. Mas essa preocupação também pode ser um bom motivo para discutir cirurgia de correção visual com seu médico, segundo Ashley Brissette, oftalmologista do Kelly Vision, um centro de cirurgia LASIK e catarata em Nova York.

    Tais procedimentos incluem Smile, PRK (ceratectomia fotorrefrativa) ou LASIK — todas cirurgias a laser — e EVO ICL, que significa “lente colâmer implantável de evolução”, explicou Brissette.

    Cada uma dessas cirurgias tem seus prós e contras, e o que funciona para uma pessoa pode não funcionar para outra, dependendo do formato do olho, saúde e grau de correção. Brissette passou por LASIK e considerou a experiência “transformadora”, afirma.

    As chaves para um diagnóstico adequado

    O diagnóstico preciso da ceratite por acantamoeba começa com um histórico detalhado dos hábitos recentes de uso e cuidados com lentes de contato do paciente, diz Barney.

    Existem alguns testes, incluindo raspagem da córnea, coleta com swab ou biópsia que podem ser processados em laboratório por meio de cultura ou teste de reação em cadeia da polimerase (PCR), que diagnosticam com base nas informações genéticas do organismo, explicaram os especialistas. A microscopia confocal, uma técnica avançada de imagem, permite aos profissionais visualizar a ameba na córnea quando ela se encapsula como um cisto, segundo Barney.

    Nessa forma, o organismo pode permanecer dormente por meses ou anos em resposta a ambientes hostis, incluindo aqueles criados pela resposta imunológica do hospedeiro humano ou medicamentos destinados a matar o parasita.

    No entanto, esses testes, especialmente os mais avançados, não estão prontamente disponíveis em todos os lugares, assim como os especialistas que os realizam. Os exames geralmente são encontrados em ambientes universitários ou realizados por especialistas em córnea, e não há muitos deles.

    Não receber um diagnóstico preciso até consultar um especialista em córnea, como nos casos de Sanchez e Jamison, é uma experiência comum para pacientes com ceratite por acantamoeba.

    Os desafios em eliminar um parasita

    Tentar eliminar uma acantamoeba enquanto se protege o olho é complicado.

    Os tratamentos de primeira linha são colírios anti-amébicos como clorexidina, isetionato de propamidina, hexamidina ou PHMB, que não é licenciado em alguns países, incluindo os Estados Unidos, segundo Lorenzo-Morales.

    Algumas dessas gotas, especialmente a clorexidina, podem causar dores intensas devido aos efeitos tóxicos na córnea, somando-se à agonia já causada pelo parasita — daí a necessidade de novos tratamentos, acrescenta Lorenzo-Morales.

    “As gotas são muito, muito dolorosas, mas não é uma dor profunda — é mais superficial, como se estivesse extremamente ardido e seco”, diz Hannah, uma mulher de 26 anos que tem ceratite por acanthamoeba desde setembro de 2024. Hannah pediu para não ter seu sobrenome divulgado por questões de privacidade.

    No entanto, o tratamento não foi tão ruim quanto a dor da própria infecção, que causou em Hannah “a pior enxaqueca da minha vida”, afirma. “Eu ficava no chão do banheiro em posição fetal, chorando e vomitando.”

    Os pacientes às vezes recebem prescrição de dois tipos de medicamentos simultaneamente e precisam aplicar várias gotas de cada um a cada meia hora ou hora, durante dias ou semanas, antes de começarem a reduzir a dosagem e a frequência.


    Fonte e Foto: CNN Brasil

  • Meningite: entenda os principais sinais que exigem atendimento médico imediato

    Médicos destacam que a meningite exige atenção imediata devido à sua evolução rápida e ao risco de complicações graves se não for diagnosticada cedo.

    Saúde – A meningite é uma doença considerada endêmica no Brasil, com registros de casos ao longo de todo o ano e eventuais surtos ou epidemias. A enfermidade requer atenção imediata, pois pode se desenvolver rapidamente e causar complicações graves quando o diagnóstico é tardio.

    É fundamental reconhecer os sintomas precoces e procurar atendimento médico rapidamente, já que a evolução da doença pode ser acelerada e colocar a vida em risco. A prevenção, o diagnóstico precoce e a vacinação são medidas essenciais para reduzir os impactos da meningite na população.

    O que é meningite?

    A meningite é caracterizada pela inflamação das membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal, conhecida como meninges. A doença pode ser provocada por vírus, bactérias ou fungos, sendo que cada tipo apresenta níveis diferentes de gravidade e evolução clínica.

    Entre as formas bacterianas, a meningite meningocócica, causada pela bactéria Neisseria meningitidis, é considerada uma das mais graves devido à progressão rápida do quadro, alta taxa de complicações e risco elevado de morte.

    Embora a maioria dos casos seja provocada por microrganismos, a meningite também pode surgir por processos inflamatórios não infecciosos, incluindo metástases para as meninges em casos de câncer, lúpus, reações a certos medicamentos, traumatismos cranianos ou complicações pós-cirurgias cerebrais.

    A compreensão das diferentes causas é essencial para diagnóstico precoce, tratamento adequado e prevenção de complicações graves.

    Ministério da Saúde

    De acordo com o Ministério da Saúde, a meningite bacteriana ocorre com maior frequência durante os meses de outono e inverno, enquanto as formas virais da doença tendem a se manifestar mais na primavera e verão. Estudos também apontam que o sexo masculino concentra a maior parte dos casos registrados.

    A transmissão da meningite ocorre principalmente por meio de secreções respiratórias e contato direto entre pessoas. Em períodos mais frios, quando há maior permanência em ambientes fechados, o risco de disseminação aumenta, explica Thaís Helena Otto da Silva, professora do Centro Universitário de Pinhais (Fapi) e médica de Saúde da Família. Ela ressalta que a proximidade entre indivíduos facilita a troca de secreções e, consequentemente, a propagação da doença.

    O conhecimento sobre os períodos de maior incidência e formas de transmissão é essencial para prevenção, detecção precoce e redução do risco de complicações graves.

    Sintomas

    Os principais sinais de meningite incluem: febre alta de início súbito, dor de cabeça intensa e rigidez na nuca. Outros sintomas que podem surgir são náuseas, vômitos, sonolência excessiva, fotofobia (sensibilidade à luz) e manchas avermelhadas na pele que não desaparecem quando pressionadas.

    Em bebês e crianças pequenas, os sintomas podem ser menos evidentes, mas alguns sinais de alerta incluem choro contínuo e irritabilidade, recusa em se alimentar e inchaço da fontanela (moleira).

    Reconhecer rapidamente esses sinais é fundamental, pois a meningite pode evoluir rapidamente e levar a complicações graves. A busca imediata por atendimento médico aumenta significativamente as chances de tratamento eficaz e recuperação.

    “A diferença para uma virose comum está na intensidade e na rápida piora do quadro. Uma gripe tende a melhorar em poucos dias, enquanto a meningite costuma se agravar rapidamente e pode ser fatal se não for reconhecida a tempo”, explica o infectologista Felipe Moreno, do Hospital Evangélico de Sorocaba.

    Por se tratar de uma doença que pode evoluir rapidamente, o diagnóstico precoce da meningite é essencial para reduzir o risco de complicações e sequelas permanentes. A meningite bacteriana, em especial, é considerada uma emergência médica, podendo resultar em surdez, convulsões, danos neurológicos duradouros e até óbito.

    Segundo o especialista Felipe, “o reconhecimento rápido dos sintomas e a administração imediata do antibiótico adequado são determinantes para o prognóstico do paciente”. A atenção aos sinais iniciais e a busca imediata por atendimento médico aumentam significativamente as chances de tratamento eficaz e recuperação completa.

    Principal forma de prevenção é a vacina

    As vacinas incluídas no calendário nacional oferecem proteção contra os principais agentes causadores da meningite, incluindo meningococo, pneumococo e Haemophilus influenzae.

    Além da imunização, há medidas preventivas diárias que ajudam a reduzir o risco de contágio, como evitar compartilhar copos e talheres, higienizar as mãos com frequência, cobrir boca e nariz ao tossir e manter os ambientes ventilados.

    Em casos confirmados da doença, pessoas que tiveram contato próximo com o paciente podem necessitar de profilaxia com antibióticos, sempre indicada por um profissional de saúde.

    O especialista Felipe reforça que “informação, cuidados simples e vacinação em dia são fundamentais para prevenir a meningite. Embora seja uma doença grave, ela pode ser evitada com ações preventivas e conscientização”.

    Apesar da gravidade, a meningite pode ser evitada. “A vacinação é a principal e mais eficaz ferramenta de prevenção contra as formas mais graves de meningite bacteriana”, afirma Marcelo Ducroquet.


    Fonte e Foto: BacciNoticias

  • Marco histórico: Anvisa libera primeiro remédio capaz de frear avanço do Alzheimer no Brasil

    Indicado para estágios iniciais da doença, Leqembi age diretamente nas placas cerebrais e desacelera o declínio cognitivo.

    Saúde – A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, no dia 22 de dezembro de 2025, o primeiro medicamento capaz de desacelerar a progressão do Alzheimer no Brasil. A autorização do Leqembi representa um avanço histórico no tratamento da doença neurodegenerativa, que atinge mais de um milhão de brasileiros, segundo dados do Ministério da Saúde.

    Até então, os tratamentos disponíveis tinham foco apenas no controle de sintomas, como perda de memória e alterações comportamentais, sem interferir diretamente nos mecanismos que levam à degeneração do cérebro. O Leqembi muda esse cenário ao atuar na origem do problema.

    Produzido a partir do anticorpo monoclonal lecanemabe, o medicamento é indicado para pacientes em estágio inicial do Alzheimer ou com demência leve. Ele age reduzindo as placas de beta-amiloide, proteínas que se acumulam no cérebro e estão associadas ao avanço da doença. Ao estimular o sistema imunológico a remover esses depósitos, o remédio consegue retardar o declínio cognitivo.

    O tratamento é feito por meio de infusões intravenosas regulares e teve sua eficácia comprovada em um estudo publicado em 2022 na revista científica New England Journal of Medicine. A pesquisa acompanhou 1.795 pacientes ao longo de 18 meses e demonstrou uma redução significativa na velocidade da perda de funções cognitivas e da autonomia diária.

    O Leqembi já havia sido aprovado pela FDA, agência reguladora dos Estados Unidos, em 2023, e vinha sendo utilizado no país. Com a liberação da Anvisa, o medicamento passa a integrar oficialmente as opções terapêuticas disponíveis no Brasil, abrindo uma nova perspectiva para pacientes e familiares que convivem com o Alzheimer.

    Especialistas destacam que, apesar de não representar uma cura, o novo tratamento simboliza um passo decisivo na luta contra a doença, ao oferecer mais tempo de qualidade de vida e retardar a evolução dos sintomas nos estágios iniciais.

  • Anemia não é só falta de ferro: investigar a causa pode salvar vidas

    A condição costuma ser associada à falta de ferro na alimentação, mas suplementar sem diagnóstico pode atrasar a identificação de problemas de saúde importantes.

    Saúde – A anemia é um achado frequente em exames de rotina e, muitas vezes, é vista como algo simples de resolver. Diante de níveis baixos de hemoglobina, não é raro que pacientes comecem, por conta própria, a tomar ferro ou recebam prescrição sem uma investigação mais aprofundada. Embora a falta de ferro seja uma causa comum, tratar a anemia sem entender sua origem pode mascarar doenças graves e atrasar diagnósticos que exigem atenção imediata.

    Anemia não é diagnóstico, é sinal de alerta

    A anemia não é uma doença em si, mas um sinal de que algo no organismo não está funcionando adequadamente. Do ponto de vista médico, há três grandes mecanismos que levam à anemia, e identificar qual deles está presente é fundamental para o tratamento correto.

    O primeiro é a perda de sangue. Ela pode ser aguda e evidente, como em casos de ferimentos, cirurgias ou hemorragias importantes. Mas também pode ser crônica e silenciosa, quando a pessoa perde pequenas quantidades de sangue ao longo do tempo sem perceber. É o que ocorre, por exemplo, em sangramentos do aparelho digestivo, associados a pólipos, úlceras ou tumores, ou em perdas ginecológicas persistentes. Nesses casos, a anemia costuma se instalar de forma lenta e progressiva.

    O segundo mecanismo é a diminuição da produção das células do sangue. Para que o organismo produza glóbulos vermelhos adequadamente, ele depende de elementos essenciais, como ferro, vitamina B12 e ácido fólico. A deficiência de qualquer um desses nutrientes pode comprometer a produção sanguínea e levar à anemia. Doenças crônicas, inflamatórias, infecções, alterações da medula óssea e problemas renais também podem interferir nesse processo.

    O terceiro grupo envolve os distúrbios da hemoglobina e a destruição precoce dos glóbulos vermelhos, fenômeno conhecido como hemólise. Nesses casos, as hemácias são produzidas, mas se rompem antes do tempo de vida esperado. Isso pode acontecer por condições genéticas ou congênitas, como a talassemia menor e outras doenças da hemoglobina, nas quais o paciente já nasce com a alteração. Também existem formas adquiridas de hemólise, que surgem ao longo da vida por diferentes fatores.

    O risco da suplementação sem critério

    O uso indiscriminado de ferro não é isento de riscos. Além de efeitos colaterais como constipação, dor abdominal e náuseas, o excesso de ferro pode se acumular no organismo e causar sobrecarga em órgãos como fígado e coração. Em algumas situações, a anemia não está ligada à falta de ferro, e a suplementação não trará benefício algum.

    Há ainda casos em que a anemia está relacionada a doenças crônicas ou inflamatórias, nas quais o organismo até possui ferro disponível, mas não consegue utilizá-lo adequadamente. Nesses cenários, repor ferro não corrige o quadro e pode criar uma falsa sensação de melhora, atrasando a investigação da causa real.

    Investigar é o caminho mais seguro

    A avaliação correta da anemia começa com uma boa história clínica e exames laboratoriais completos, que vão além da hemoglobina. Dosagens de ferritina, ferro sérico, vitamina B12, ácido fólico, marcadores inflamatórios e função renal ajudam a identificar o mecanismo envolvido. Dependendo do perfil do paciente, podem ser necessários exames de imagem, endoscopia ou testes genéticos para esclarecer a causa da anemia.

    O tratamento eficaz depende diretamente do diagnóstico correto. Em alguns casos, a suplementação é essencial e salva vidas; em outros, o foco deve ser tratar a doença de base ou apenas acompanhar, quando se trata de condições genéticas leves. Individualizar o cuidado é o que garante segurança e evita atrasos diagnósticos potencialmente graves.

    A anemia não deve ser normalizada nem tratada de forma automática. Ela é um aviso do corpo de que algo precisa ser investigado. Ouvir esse sinal, com orientação médica e exames adequados, pode fazer toda a diferença entre um problema simples e uma doença descoberta tarde demais.


    Fonte e Foto: JP Notícias

  • Anvisa manda recolher molho de tomate após suspeita de fragmentos de vidro no produto

    Lote importado teve venda e consumo proibidos; agência também suspendeu suplementos por irregularidades sanitárias.

    Saúde – A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou, na quarta-feira (7), o recolhimento imediato de um lote de molho de tomate importado suspeito de conter pedaços de vidro. A medida atinge o lote LM283 do produto Passata de Pomodoro Di Puglia, da marca Mastromauro Granoro, que teve a comercialização, distribuição, importação, divulgação e consumo totalmente suspensos em território nacional.

    A decisão foi tomada após um alerta emitido pela RASFF (Rapid Alert System for Food and Feed), sistema europeu de notificação rápida para alimentos e rações, que identificou a possível contaminação física no produto. Diante do risco à saúde dos consumidores, a Anvisa adotou a medida preventiva para retirar o item do mercado brasileiro.

    Além do molho de tomate, a agência sanitária também determinou o recolhimento de suplementos alimentares que apresentaram irregularidades durante fiscalização.

    Um dos casos envolve o Neovite Visão, suplemento voltado à saúde ocular, fabricado pela empresa BL Indústria Ótica Ltda. (Bausch Lomb). Estão proibidos os lotes 25G073, S25C004, S25C003, S25C002 e S25G072. Segundo a Anvisa, o recolhimento foi comunicado de forma voluntária pela própria empresa após a identificação de falhas na formulação.

    De acordo com a agência, os produtos continham Capsicum annuum L. (fruto da páprica), ingrediente não autorizado como fonte de zeaxantina em suplementos alimentares, além de apresentarem quantidade de Caramelo IV (processo sulfito-amônia) acima do limite permitido pela legislação.

    Outro alvo da fiscalização foram os produtos Vitamina C Sucupira com Unha de Gato Ervas Brasil e Suplemento Alimentar Colesterol Ervas Brasil, fabricados pela empresa Ervas Brasil Indústria Ltda.. Ambos tiveram fabricação, comercialização, distribuição, divulgação e consumo proibidos.

    Segundo a Anvisa, a empresa não possui licença sanitária nem alvará de funcionamento e utilizou ingredientes não autorizados. Além disso, os produtos eram divulgados com alegações terapêuticas sem comprovação científica, associando seu uso a benefícios de saúde de forma irregular.

    A Anvisa orienta que consumidores que tenham adquirido qualquer um dos produtos suspensos interrompam o uso imediatamente e procurem os canais oficiais das empresas ou da vigilância sanitária local para mais informações.

  • Cirurgia com robôs protege vida sexual: o que mudou em cinco anos

    Avanços tecnológicos tornaram os procedimentos urológicos mais precisos, reduzindo sequelas e ampliando a qualidade de vida dos pacientes após a cirurgia.

    Saúde – Por muito tempo, falar em cirurgia urológica significou aceitar possíveis impactos na função urinária e sexual como algo inevitável do tratamento. Esse cenário, porém, vem mudando de forma significativa nos últimos cinco anos com a evolução da cirurgia robótica. Mais do que retirar tumores ou corrigir doenças, o foco atual passou a ser preservar funções essenciais para a qualidade de vida do paciente.

    A tecnologia robótica trouxe uma combinação inédita de visão ampliada em alta definição, movimentos mais precisos e melhor controle de estruturas anatômicas delicadas, especialmente nervos e vasos responsáveis pela ereção e pela continência urinária. Esse avanço vem transformando a experiência cirúrgica e o pós-operatório em diversas áreas da urologia.

    Mais precisão, menos lesão

    A principal mudança está na capacidade de dissecar com extrema precisão. Na cirurgia robótica, o cirurgião opera com movimentos filtrados, sem tremores, e com visão tridimensional ampliada, o que permite identificar e preservar feixes nervosos antes mais difíceis de diferenciar. Isso reduz o trauma cirúrgico e diminui o risco de lesões que podem comprometer a ereção ou o controle urinário.

    Além disso, a robótica permite suturas mais delicadas e reconstruções anatômicas mais fiéis, favorecendo recuperação funcional mais rápida em comparação às técnicas abertas ou mesmo à laparoscopia convencional.

    Pesquisadores da área buscam alternativas para preservar melhor as estruturas anatômicas que circundam a próstata, como vasos e nervos, promovendo uma recuperação funcional maior e também mais rápida. Com a cirurgia Retzius Sparing, que utilizamos desde 2016 e na qual temos a maior experiência na América Latina, mais de 90% dos pacientes operados controlam a perda de urina após 30 dias da cirurgia, em comparação a outras técnicas, em que o resultado é de 30% a 80%.

    Impacto real na continência e na função sexual

    Estudos recentes mostram que pacientes submetidos à cirurgia robótica apresentam taxas mais altas de recuperação precoce da continência urinária e melhores resultados na função erétil, especialmente quando a indicação é bem selecionada. Isso não significa ausência total de riscos, mas sim uma redução significativa das sequelas que historicamente preocupavam os pacientes.

    Outro ponto relevante é o acompanhamento pós-operatório mais direcionado. Com menor agressão cirúrgica, o retorno às atividades diárias tende a ser mais rápido, o que impacta diretamente o bem-estar físico e emocional.

    Tecnologia a favor da qualidade de vida

    É importante destacar que a cirurgia robótica não substitui a experiência do cirurgião, mas amplia suas capacidades. O benefício real vem da combinação entre tecnologia, treinamento especializado e indicação correta. Nem todos os casos exigem cirurgia robótica, mas, para muitos pacientes, ela representa uma evolução concreta na preservação da função e na recuperação global.

    Hoje, falar de cirurgia urológica robótica é falar de tratamento oncológico ou funcional com um olhar mais humano, que considera não apenas a cura da doença, mas também como o paciente vai viver depois dela. Essa mudança de paradigma é, sem dúvida, um dos avanços mais relevantes da urologia moderna.


    Fonte e Foto:  CNN Brasil

  • Passou dos 60? Quando operar o cérebro ou a coluna e quando evitar

    Avanços médicos ampliaram as possibilidades de cirurgia depois dos 60, mas a indicação deve ser individualizada e bem avaliada.

    Saúde – O aumento da expectativa de vida trouxe um novo cenário para a neurocirurgia. Cada vez mais idosos chegam aos consultórios com queixas neurológicas que, décadas atrás, raramente eram tratadas com cirurgia. Dores incapacitantes na coluna, tumores cerebrais, hematomas, estenose do canal vertebral e distúrbios de marcha são exemplos de condições que hoje contam com opções de tratamento mais seguras. Ainda assim, a dúvida permanece: operar ou não operar um paciente idoso?

    Idade cronológica não é o principal critério

    Um dos maiores mitos da neurocirurgia é associar idade avançada à contraindicação cirúrgica. Na prática, a possibilidade de cirurgia não depende apenas da idade cronológica, mas da idade biológica do paciente. Condições como controle de doenças crônicas, capacidade funcional, autonomia, estado cognitivo e suporte familiar pesam muito mais na decisão do que o número de anos vividos.

    Hoje, muitos pacientes acima dos 70 ou 80 anos mantêm boa reserva clínica e podem se beneficiar de procedimentos neurocirúrgicos quando bem indicados. Por outro lado, há situações em que o risco supera o benefício, e a melhor conduta é o tratamento conservador. Avaliar esse equilíbrio é parte central da decisão médica.

    O que mudou na neurocirurgia para o idoso

    Nas últimas décadas, a neurocirurgia passou por avanços significativos. Técnicas minimamente invasivas, cirurgias endoscópicas, melhor controle anestésico e protocolos de recuperação acelerada reduziram o tempo cirúrgico, a perda de sangue e o período de internação. Isso tornou muitos procedimentos mais toleráveis para pacientes idosos.

    Além disso, a evolução dos exames de imagem permite diagnósticos mais precisos e planejamento cirúrgico detalhado, diminuindo os riscos intraoperatórios. Em casos como estenose do canal vertebral, hematomas subdurais crônicos ou tumores benignos, a cirurgia pode representar ganho real de qualidade de vida, com melhora da dor, da mobilidade e da independência funcional.

    Quando a cirurgia é indicada – e quando não é

    A indicação cirúrgica no idoso deve ser clara e bem fundamentada. Situações que comprometem significativamente a qualidade de vida, causam dor refratária, déficits neurológicos progressivos ou risco à vida tendem a justificar a intervenção. Por outro lado, quadros estáveis, assintomáticos ou com alto risco cirúrgico podem ser melhor manejados com acompanhamento clínico, ou seja, sem cirurgia.

    O diálogo com o paciente e a família é essencial. Compreender expectativas, esclarecer riscos, benefícios e alternativas faz parte do processo. A decisão não deve ser apressada nem baseada apenas no medo da cirurgia. Em muitos casos, deixar de operar pode significar perda funcional progressiva, dependência e piora do estado geral.

    A neurocirurgia no idoso exige experiência, critério e visão global do paciente. Com avaliação individualizada e uso das técnicas atuais, é possível operar com segurança e oferecer não apenas mais tempo de vida, mas mais qualidade. O desafio está em decidir corretamente — nem operar demais, nem negar tratamento quando ele pode fazer diferença real.



    Fonte e Foto: JP Notícias