Categoria: Saúde

  • ‘Fevereiro sem celular’: Entenda como funciona o novo desafio global

    A campanha criada na esfera global foi pensada para conscientizar sobre o tempo gasto no celular diariamente.

    Saúde – Para o início do mês de fevereiro a ação “Phone Free February” (Fevereiro Sem Celular) vem como um desafio na esfera global pensado para diminuir o tempo das pessoas no celular, estimulando o uso mais saudável do aparelho. A campanha consiste em tentar ficar o mês todo sem o dispositivo por meio de estratégias coordenadas.

    Segundo o site da campanha, os smartphones são projetados para serem irresistíveis, ou seja, seu design é viciante para fazer com que as pessoas  chequem os dispositivos a todo momento; uma média de 221 vezes por dia, e propositalmente.

    “Empresas de tecnologia empregam milhares de engenheiros especificamente para maximizar o engajamento e explorar vulnerabilidades psicológicas. Isso não é uma falha pessoal; é um ataque coordenado à nossa atenção”, diz a campanha.

    Em resposta às grandes empresas de tecnologia, os ativistas Charlotte Ashton e Jacob Warn decidiram criar o projeto como uma resistência digital.

    Desta forma eles buscam criar uma consciência ainda maior sobre as chamadas “Big Techs” com o intuito de trazer luz ao quanto elas  influenciam e prejudicam o funcionamento do dia a dia social como um todo. “As redes sociais nos condicionam a vivenciar a vida através de uma tela, a performar em vez de nos conectarmos verdadeiramente. O tempo sem celular é uma rebelião contra a cultura performática que as empresas de tecnologia criaram”, defende os ativistas.

    A campanha propõe três vias que podem ser seguidas para alcançar o objetivo:

    Melhore seu sono

    Aprimore seu trabalho

    Seja mais sociável

    O projeto “Fevereiro Sem Celular” foi fundado sob o amparo da “Global Solidarity Foundation”.



    Fonte e Foto: JP Notícias

  • Balanço 2025: Laboratório de Análises Clínicas da FCecon realiza mais de 794 mil exames

    O setor registrou aumento de mais de 33 mil exames, quando comparado com o ano anterior.

    Saúde – O Laboratório de Análises Clínicas da Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon), órgão vinculado à Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM), realizou 794.617 mil exames de janeiro a dezembro de 2025. Comparando com o mesmo período de 2024 – 761 mil análises –, houve um aumento de 33.617 mil exames, o que representa o aumento na procura pelo serviço.

    Conforme a diretora técnica da FCecon, Hilka Flávia Espírito Santo, o serviço é fundamental no acompanhamento e tratamento de câncer, uma vez que os exames laboratoriais permitem diagnósticos mais precisos, além de acompanhar a resposta do paciente ao tratamento e dar segurança durante todo o atendimento. “É possível salvar vidas e fortalecer os serviços do Sistema Único de Saúde (SUS) no Amazonas”, disse.

    Exames

    O gerente do Laboratório de Análises Clínicas, Vanderlei Alves, explicou que o serviço realiza mais de 130 tipos de exames, abrangendo os de rotina – urina e determinação de marcadores tumorais –, e nas áreas de imunologia, hormônios, parasitologia, microbiologia, bioquímica e hematologia/coagulação. As análises são utilizadas pela equipe médica na avaliação do quadro clínico, na determinação das condutas de tratamento e no monitoramento dos pacientes com câncer.

    Atendimento

    O Laboratório de Análises Clínicas da unidade hospitalar atende tanto pacientes da capital quanto do interior, destaca Alves. Segundo ele, para os pacientes do interior do estado, o serviço significa acesso a exames especializados sem a necessidade constante de deslocamentos, o que evita atrasos no tratamento, mesmo diante das grandes distâncias da região.

    “A FCecon se consolida como uma instituição de referência em oncologia, ao oferecer exames confiáveis e acompanhamento contínuo para pacientes do Amazonas, de outros estados e de países amazônicos vizinhos. O serviço garante o atendimento justo, ágil e integrado, sendo uma base para o cuidado oncológico”, destacou Alves.

    FOTOS: Luís Mansueto/FCecon

  • Catarata atinge 9 em 10 idosos: cirurgia moderna devolve a visão com rapidez

    Envelhecimento natural do cristalino leva à perda da nitidez da visão, mas cirurgia moderna oferece recuperação rápida e resultados precisos.

    Saúde – A catarata é uma das condições mais comuns do envelhecimento e atinge praticamente todas as pessoas que chegam à terceira idade. O problema ocorre quando o cristalino, a lente natural do olho, perde a transparência e fica opaco, causando visão embaçada, dificuldade para ler, sensibilidade à luz e menor nitidez das cores. Embora inevitável, a catarata é plenamente tratável: a cirurgia moderna devolve a visão com segurança e resultados cada vez mais precisos. Por isso, entender a doença e reconhecer seus sinais é essencial para garantir qualidade de vida conforme a idade avança.

    Com o passar dos anos, as proteínas do cristalino sofrem alterações naturais que levam ao seu endurecimento e à perda de transparência. Embora a idade seja o principal fator de risco, outros podem acelerar o processo, como diabetes, exposição excessiva ao sol, tabagismo, uso prolongado de corticoides e histórico familiar. O início da catarata costuma ser discreto, como uma ‘névoa’ sobre a visão, até que, progressivamente, passa a interferir em atividades simples do dia a dia, como ler, dirigir ou enxergar em ambientes pouco iluminados. Nessa fase, a cirurgia passa a ser indicada.

    Como a catarata se desenvolve e por que a cirurgia é o único tratamento eficaz

    Ao contrário de alguns problemas de visão que podem ser tratados com colírios ou óculos, a catarata não regride e não pode ser evitada. Uma vez iniciada, tende a avançar lentamente até comprometer de forma significativa a visão. O único tratamento eficaz é a cirurgia, que remove o cristalino opaco e o substitui por uma lente intraocular artificial. O procedimento é rápido, seguro, realizado com anestesia local e costuma permitir o retorno às atividades em pouco tempo. A grande transformação dos últimos anos está na tecnologia das lentes e nos métodos de cálculo personalizados, que proporcionam resultados cada vez mais precisos.

    As técnicas cirúrgicas evoluíram de forma marcante. Hoje, a facoemulsificação – método que fragmenta a catarata por ultrassom – é o padrão e oferece recuperação acelerada. Em alguns centros, tecnologias assistidas por laser complementam etapas do procedimento, aumentando a precisão. A escolha da lente intraocular também faz diferença: modelos monofocais, multifocais e tóricas corrigem problemas associados, como miopia, hipermetropia e astigmatismo. Assim, muitos pacientes alcançam independência parcial ou total dos óculos após a cirurgia.

    Sinais de alerta, avaliação oftalmológica e qualidade de vida

    Os primeiros sinais de catarata incluem visão nublada, dificuldade para enxergar à noite, halos ao redor das luzes, mudança frequente no grau dos óculos e cores mais apagadas. Embora o processo seja gradual, adiar demais a cirurgia pode tornar o procedimento mais complexo e aumentar o risco de complicações. Por isso, consultas periódicas com o oftalmologista são fundamentais para identificar o momento ideal de intervir. Em geral, recomenda-se avaliação anual a partir dos 55 anos, ou antes, em pessoas com fatores de risco.

    A catarata é uma das poucas condições em que a cura é possível. Após o procedimento, muitos pacientes relatam melhora imediata da nitidez, cores mais vibrantes e maior segurança para as atividades cotidianas. Em um país com população que envelhece rapidamente, investir em diagnóstico precoce e acesso à cirurgia é essencial para preservar a autonomia, manter a capacidade funcional e melhorar a qualidade de vida dos idosos.

    A combinação entre envelhecimento natural, evolução tecnológica e resultados previsíveis faz da cirurgia de catarata um dos procedimentos mais transformadores da oftalmologia moderna. Quando diagnosticada e tratada no momento certo, a catarata deixa de ser um obstáculo e se torna apenas uma etapa esperada da vida, plenamente superável com o cuidado adequado.


    Fonte e Foto: JP Notícias

  • Canetas emagrecedoras falsas acendem alerta médico para riscos neurológicos graves

    Produtos ilegais vendidos nas redes sociais já causaram internações, síndrome neurológica rara e até mortes.

    Saúde – A comercialização de canetas emagrecedoras falsas pelas redes sociais tem se tornado um sério problema de saúde pública no Brasil. Sem qualquer registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e fora dos padrões de controle sanitário, esses produtos vêm sendo associados a quadros clínicos graves, como internações prolongadas, complicações neurológicas e até óbitos.

    Um dos casos mais recentes ocorreu em Belo Horizonte (MG), onde uma mulher de 42 anos desenvolveu a Síndrome de Guillain-Barré, uma condição neurológica rara e potencialmente grave, após utilizar uma caneta emagrecedora adquirida ilegalmente. Ela apresentou sintomas como fraqueza muscular progressiva, urina avermelhada, insuficiência respiratória e comprometimento neurológico, permanecendo internada desde o fim de dezembro.

    Segundo o nutrólogo Gustavo Rosa, especialista em emagrecimento, o maior perigo está na total falta de controle sobre a composição dessas substâncias.

    “A pessoa não sabe o que está injetando no próprio corpo. Pode haver contaminação por metais pesados, outras medicações, doses excessivas ou compostos totalmente impróprios para uso humano”, alerta.

    Os efeitos adversos vão muito além de reações locais. De acordo com o médico, há registros de hepatite medicamentosa, lesões nos rins, fígado e coração, além de distúrbios gastrointestinais severos, como o íleo paralítico, que compromete o funcionamento do intestino.

    Outro risco apontado pelos especialistas é o desencadeamento de respostas autoimunes.

    “O organismo pode identificar a substância como um invasor e reagir de forma descontrolada, levando a doenças graves, como a Síndrome de Guillain-Barré”, explica Rosa.

    Diante do aumento desses casos, médicos reforçam que qualquer tratamento para emagrecimento deve ser feito com acompanhamento profissional e apenas com medicamentos regularizados.


    Fonte e Foto: BacciNoticias

  • Anvisa avança na regulamentação e propõe regras para cultivo de cannabis medicinal no Brasil

    Texto cumpre decisão do STJ e estabelece controle rigoroso da produção, restrita a fins médicos e farmacêuticos.

    Saúde – A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) apresentou, na segunda-feira (26), uma proposta de regulamentação para o cultivo de cannabis medicinal no Brasil. O texto será analisado pelo colegiado da agência nesta quarta-feira (28) e, se aprovado, poderá ser publicado até o dia 31 de março, em cumprimento a uma determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

    A decisão do STJ obrigou a Anvisa a criar normas que regulamentem todas as etapas da cadeia produtiva da cannabis medicinal no país. Caso aprovadas, as resoluções entram em vigor imediatamente após a publicação e terão validade inicial de seis meses, período em que poderão ser avaliadas e ajustadas.

    De acordo com a proposta, o cultivo da planta será autorizado exclusivamente para fins medicinais e farmacêuticos e ficará restrito a pessoas jurídicas. Cada empresa deverá comprovar a demanda previamente autorizada de medicamentos, podendo produzir apenas a quantidade necessária para esse fim. O texto também impõe limites rigorosos às áreas de plantio e estabelece fiscalização contínua dos estabelecimentos.

    Durante coletiva de imprensa, o presidente da Anvisa, Leandro Safatle, destacou o crescimento expressivo da procura por produtos à base de cannabis no Brasil ao longo da última década. Segundo ele, o avanço ocorre principalmente por meio de importações autorizadas individualmente.

    “Entre 2015 e 2025, foram mais de 660 mil autorizações individuais de importação. Hoje, temos 49 produtos de 24 empresas aprovados pela Anvisa e disponíveis em farmácias, além de cerca de 500 decisões judiciais autorizando o plantio e cinco estados com leis que permitem o cultivo medicinal”, afirmou.

    Exigências de segurança e controle

    A proposta prevê critérios rígidos de segurança para autorizar o cultivo. As empresas interessadas deverão passar por inspeção sanitária prévia e manter monitoramento por câmeras 24 horas, além do georreferenciamento das áreas de plantio. A regulamentação também limita a produção a plantas com teor de THC igual ou inferior a 0,3%.

    Outro ponto relevante é a possibilidade de produção sem fins lucrativos por associações de pacientes. A Anvisa pretende avaliar a viabilidade desse modelo por meio de chamamento público, permitindo a produção em pequena escala fora do sistema industrial.

    O diretor da Anvisa, Thiago Campos, ressaltou que as resoluções foram elaboradas com base em critérios técnicos rigorosos e alinhadas às normas internacionais.

    “As medidas atendem aos requisitos de controle internacional da ONU e da Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes, além de cumprir exatamente o que foi determinado pelo STJ, ao definir mecanismos claros de controle e fiscalização”, concluiu.

  • Bêbado sem tomar álcool? Estudo liga bactérias à síndrome da autocervejaria

    Pesquisa revela microrganismos que transformam o intestino em uma “cervejaria” e aponta novos caminhos para diagnósticos mais simples e tratamentos.

    Saúde – O sonho de viver um happy hour constante, mesmo sem ingerir uma gota de álcool, pode se transformar em um pesadelo se, apesar de absolutamente sóbrio, você apresentar sinais de embriaguez em um teste de bafômetro. Essa condição rara — conhecida como síndrome da autocervejaria — acaba de ter suas causas bacterianas identificadas por uma equipe de cientistas americanos.

    Pesquisadores da Universidade da Califórnia em San Diego e do sistema de saúde Mass General Brigham identificaram, pela primeira vez com precisão, as bactérias e as vias metabólicas responsáveis por fermentar carboidratos e produzir álcool dentro do corpo humano (de origem endógena) em níveis compatíveis com embriaguez.

    De acordo com o estudo, publicado recentemente na revista Nature Microbiology, “a síndrome da autocervejaria [ABS nas iniciais em inglês] é uma desordem de intoxicação alcoólica raramente diagnosticada, causada pela produção de etanol pela microbiota intestinal”. Na prática, o paciente sóbrio pode apresentar fala arrastada, tontura, confusão mental e perda da coordenação motora.

    Até agora, a ciência sabia que a microbiota intestinal estava envolvida na ABS, mas não havia identificado ainda quais eram os microrganismos responsáveis nem a forma como operavam. Falta de conhecimento, dificuldade de diagnóstico e estigma ainda impediam que os perfis microbiológicos fossem bem compreendidos.

    O subdiagnóstico, que continua sendo uma realidade em nossos dias, faz com que pessoas com ABS sejam confundidas e até diagnosticadas como casos de transtorno por uso de álcool. Além do impacto social, a confirmação clínica é difícil, pois o teste de sobrecarga de carboidratos, considerado padrão-ouro, é caro, complexo e pouco acessível.

    Identificando as bactérias “cervejeiras”

    No estudo observacional, a equipe analisou amostras fecais de 22 pacientes com a síndrome e as comparou com as de 21 pessoas que moram na mesma casa (e não têm a doença) e com as de 22 indivíduos saudáveis do grupo controle. O objetivo foi analisar a composição e a função da microbiota intestinal entre os grupos.

    A verdade é que o corpo humano produz naturalmente pequenas quantidades de álcool endogenamente. Isso ocorre principalmente pela fermentação microbiana de carboidratos no intestino. No entanto, essas “doses” são baixíssimas e rapidamente metabolizadas pelo fígado, sem qualquer efeito clínico.

    Já os pacientes com ABS possuem intestinos povoados por cepas específicas de bactérias — principalmente a Klebsiella pneumoniae e a Escherichia coli — que revelaram uma capacidade “turbinada” de fermentação, utilizando vias metabólicas especializadas na conversão de açúcar em etanol de forma massiva.

    Em seu artigo, os autores explicam: “Nós descobrimos que essas bactérias não estão apenas presentes; elas estão ativamente usando vias de fermentação mista de ácidos para produzir álcool em quantidades que podem alterar o estado de consciência do paciente”.

    Uma das implicações mais promissoras do estudo é a facilitação do diagnóstico: em vez do complicado teste de sobrecarga de carboidratos — geralmente feito em ambiente hospitalar — a ABS poderá ser confirmada em um exame de fezes simples, capaz de detectar a assinatura genética das bactérias produtoras de álcool.

    Transplante fecal: uma esperança de cura?

    O estudo ultrapassou a observação clínica. Além de comparar as amostras dos pacientes com as de um grupo controle saudável, e isolar as bactérias produtoras de álcool em laboratório, os pesquisadores acompanharam um paciente que, após falhar em tratamentos com antibióticos e dietas sem carboidratos, foi submetido a um transplante de microbiota fecal.

    Popularmente conhecido como transplante de fezes, o procedimento substitui a flora intestinal doente pela de um doador saudável. Embora a colonoscopia seja uma via comum e eficaz, o paciente analisado no estudo ingeriu “pílulas de microbiota”, cápsulas preparadas em laboratório com material intestinal saudável liofilizado.

    Após uma recaída inicial, o paciente tomou uma segunda dose das cápsulas, após um ciclo de antibióticos para “limpar” a Klebsiella. Depois disso, o paciente ficou totalmente livre dos sintomas por mais de 16 meses, e as bactérias “cervejeiras” desapareceram de seus exames.

    Em um comunicado, a coautora sênior Elizabeth Hohmann, do Mass General Brigham, destacou que, “ao determinar as bactérias e vias microbianas específicas responsáveis, nossas descobertas podem abrir caminho para um diagnóstico mais fácil, melhores tratamentos e uma melhor qualidade de vida para indivíduos que vivem com essa condição rara”.

    “Ter uma validação biológica clara de que isso é uma doença infecciosa e metabólica, e não um vício ou falta de caráter, muda tudo”, afirmam os autores. Ao transformar um mistério médico em um alvo microbiológico claro, a ciência devolve a essas pessoas não apenas a saúde, mas a dignidade perdida.


    Fonte e Foto: CNN Brasil

  • Estudo revela proteína ligada ao avanço do câncer de pâncreas pelos nervos

    Pesquisa brasileira mostra que células pancreáticas estreladas, ao produzir periostina, remodelam o tecido e facilitam a infiltração tumoral, mecanismo-chave para a agressividade e alta mortalidade da doença.

    Saúde – Um novo estudo brasileiro, publicado na revista científica Molecular and Cellular Endocrinology, desvendou o papel-chave da proteína periostina e de células pancreáticas estreladas no processo que permite ao câncer de pâncreas infiltrar nervos e se disseminar precocemente, aumentando o risco de metástases. A pesquisa demonstra como o tumor reprograma parte do tecido saudável ao redor para adquirir alta capacidade de invasão, em um mecanismo associado à agressividade da doença e à dificuldade de tratamento, apontando possíveis alvos para terapias mais precisas e tratamentos mais personalizados.

    O câncer de pâncreas mais comum é do tipo adenocarcinoma (que se origina no tecido glandular, que produz o suco pancreático), correspondendo a 90% dos casos diagnosticados. É considerado um tumor com comportamento agressivo e bastante letal: embora não figure entre os mais frequentes, apresenta mortalidade quase equivalente à incidência. No mundo, são cerca de 510 mil novos casos e praticamente o mesmo número de mortes por ano.

    No Brasil, segundo estimativas do Inca (Instituto Nacional de Câncer), são aproximadamente 11 mil casos e 13 mil mortes todos os anos. “É um câncer agressivo e difícil de tratar. Ao redor de 10% dos pacientes apresentam chance de sobrevida a longo prazo, como cinco anos após o diagnóstico”, afirma o oncologista Pedro Luiz Serrano Uson Junior, um dos autores do estudo.

    A agressividade desse tumor está ligada, entre outros fatores, à chamada invasão perineural, processo que acontece quando células cancerosas passam a infiltrar e avançar ao longo dos nervos. Isso não apenas pode causar dores intensas, como também facilita a disseminação do tumor para outras regiões. “A invasão perineural é um marco de agressividade do câncer”, diz Uson.

    O trabalho foi realizado no CRID (Centro de Pesquisa em Doenças Inflamatórias), um dos Cepids (Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão) da Fapesp e teve como primeiro autor o pesquisador Carlos Alberto de Carvalho Fraga. O grupo buscou entender os mecanismos moleculares e celulares que sustentam essa invasão e para isso usou tecnologias que permitem analisar a atividade de milhares de genes em cada célula e mapear sua posição exata no tecido.

    “Conseguimos integrar dados de dezenas de amostras com uma resolução extremamente potente”, afirma Helder Nakaya, pesquisador principal do CRID que liderou o estudo. Nakaya também é pesquisador sênior do Einstein Hospital Israelita e professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo.

    Ao analisar esse conjunto de informações em 24 amostras de câncer de pâncreas, os pesquisadores observaram que o estroma (tecido que sustenta o tumor) desempenha papel ativo na sua progressão. Entre os achados mais importantes está o comportamento das células pancreáticas estreladas, que expressam altos níveis de uma proteína chamada periostina — molécula capaz de remodelar a matriz extracelular, a estrutura que organiza e mantém o tecido saudável.

    O estudo aponta que, para conseguir avançar pelo tecido e alcançar os nervos, as células tumorais dependem de processos de remodelação intensa da matriz extracelular, num processo complexo que envolve enzimas específicas e desorganização do tecido. “A periostina participa dessa remodelação, abrindo caminho para que as células tumorais invadam”, explica Nakaya. O nervo, por sua vez, funciona como uma espécie de “estrada” para essa expansão.

    Esse ambiente alterado gera ainda uma reação desmoplásica, um tipo de fibrose intensa ao redor do tumor, formada por células e proteínas que deixam o tecido mais rígido e inflamado, o que dificulta a chegada de quimioterápicos e imunoterapias, pois as drogas têm mais dificuldade de penetrar nesse tecido endurecido, criando um “microambiente” que favorece a sobrevivência e disseminação do tumor. “Por isso o câncer de pâncreas ainda é tão difícil de tratar”, afirma Uson.

    O oncologista reforça que essa capacidade de infiltração é decisiva para o mau prognóstico dos pacientes com câncer de pâncreas. “A invasão perineural é um sinal de que as células cancerígenas adquiriram mobilidade. Elas escapam da massa tumoral, caminham pelo tecido saudável e alcançam os feixes nervosos e linfáticos, que as levam a outras regiões do corpo, facilitando o desenvolvimento de metástases.”

    Segundo ele, mais da metade dos casos de câncer de pâncreas já apresenta invasão perineural nos estágios iniciais e isso só é descoberto durante a cirurgia. “Infelizmente, a gente descobre essa invasão perineural quando ela já aconteceu. Isso é visto somente na peça cirúrgica, quando vai para biópsia.”

    Alvo promissor

    Diante desse cenário complexo, os pesquisadores afirmam que a periostina surge como um possível alvo terapêutico promissor. Bloquear sua ação ou eliminar as células estreladas que a produzem pode ser uma estratégia a ser investigada para reduzir a invasão perineural e, possivelmente, limitar a capacidade metastática do tumor. “Esse trabalho aponta caminhos que podem orientar abordagens futuras no tratamento do câncer de pâncreas”, avalia Nakaya. Ensaios clínicos em outros tumores já testam anticorpos contra a periostina, o que, segundo ele, ajuda a explorar se essa via também pode ser relevante no pâncreas.

    Uson destaca que essa estratégia se insere no avanço rumo à medicina de precisão. “Se conseguirmos desenvolver anticorpos ou medicamentos que bloqueiem essas células estreladas, teremos ferramentas para impedir que o tumor adquira essa capacidade invasiva tão cedo.” Ele lembra que não existe hoje nenhuma terapia direcionada especificamente à invasão perineural e ressalta que um medicamento desse tipo poderia ser útil em vários outros cânceres que compartilham o mesmo mecanismo, entre eles o de intestino e de mama.

    Além de revelar novos alvos terapêuticos, o trabalho demonstra a força de análises complexas realizadas a partir de bancos de dados públicos. “Conseguimos fazer e responder novas perguntas que os autores originais não tinham percebido”, diz Nakaya. O próximo passo, afirmam os pesquisadores, é transformar esse conhecimento em estratégias e medicamentos que ajam de forma preditiva, antes que a invasão aconteça. “A medicina de precisão está caminhando. No futuro, vamos tratar o paciente pelas alterações genômicas e moleculares e não especificamente pelo tipo de tumor. Esse é o grande avanço da oncologia”, conclui Uson.


    Fonte e Foto: CNN Brasil

  • Perda de olfato pode ser sinal precoce de Alzheimer: saiba quando investigar

    Mudanças no cheiro nem sempre são resfriado. Entenda causas comuns, quando acender o alerta e como buscar diagnóstico cedo para proteger a memória e a qualidade de vida.

    Saúde – As alterações no olfato costumam ser vistas como um problema passageiro e de pouca relevância clínica. Em geral, são atribuídas a gripes, alergias ou, mais recentemente, à Covid-19. No entanto, evidências científicas acumuladas nas últimas décadas mostram que, em certos contextos, mudanças sutis na percepção de cheiros podem ser um sinal precoce de doenças neurológicas, incluindo o Alzheimer.

    Reconhecer quando a perda do olfato é um achado benigno e quando merece investigação médica é essencial para o diagnóstico precoce, o acompanhamento adequado e a preservação da qualidade de vida.

    O olfato como marcador neurológico

    O sistema olfatório tem uma característica singular entre os sentidos: suas vias se conectam diretamente a regiões do cérebro ligadas à memória, às emoções e ao comportamento, como o bulbo olfatório, o sistema límbico e o córtex entorrinal. Diferentemente da visão ou da audição, os estímulos do olfato não passam primeiro pelo tálamo, alcançando rapidamente estruturas profundas do cérebro.

    Essas regiões estão entre as primeiras a sofrer alterações estruturais e funcionais no processo neurodegenerativo do Alzheimer. Por isso, estudos mostram que déficits na identificação, discriminação e no reconhecimento de odores podem surgir anos antes dos sintomas cognitivos clássicos, funcionando como um marcador funcional precoce.

    Pesquisas recentes indicam que testes simples de identificação de odores, combinados a avaliações cognitivas breves, podem ajudar a identificar pessoas com maior risco de declínio cognitivo, ampliando as possibilidades de triagem em ambientes clínicos e na atenção primária.

    Nem tudo é covid: causas comuns da perda de olfato

    Apesar da atenção dada à covid-19, a maioria das alterações do olfato tem causas não neurológicas. Entre as mais comuns estão a rinite alérgica, a rinossinusite crônica, diversas infecções virais, tabagismo, uso de certos medicamentos, exposição a substâncias irritantes e traumatismos cranianos.

    Nesses casos, a perda do olfato costuma vir acompanhada de sintomas nasais ou respiratórios e tende a melhorar com tratamento específico. Diferenciar corretamente causas locais de causas neurológicas é essencial para evitar alarmismo e atrasos no diagnóstico.

    Quando o sintoma deve acender um sinal de alerta

    O sinal de alerta surge quando a alteração do olfato é progressiva, persistente e não se explica por doenças nasais evidentes. O risco é maior quando o sintoma aparece em pessoas com mais de 60 anos ou se associa a queixas cognitivas sutis, como lapsos de memória, dificuldade de concentração ou mudanças de comportamento.

    Nesses cenários, a alteração olfatória deve ser interpretada como parte de um quadro clínico mais amplo, e não como um achado isolado.

    Diagnóstico precoce e acompanhamento

    A abordagem inicial costuma incluir avaliação otorrinolaringológica, com o objetivo de excluir causas inflamatórias ou estruturais nasais. Na ausência de explicação local, ou diante de sinais neurológicos associados, a investigação deve prosseguir com avaliação neurológica e neuropsicológica.

    O conceito atual de diagnóstico do Alzheimer evoluiu para um modelo baseado em biomarcadores, reconhecendo que o processo patológico começa muito antes da manifestação clínica evidente. Nesse contexto, o olfato pode atuar como um sinal sentinela acessível, orientando a necessidade de acompanhamento mais próximo.

    A identificação precoce permite um melhor planejamento de cuidados, controle de fatores de risco modificáveis, orientação adequada de pacientes e familiares e preservação da autonomia e da segurança.

    Um sintoma pequeno, um impacto grande

    A perda do olfato afeta não apenas o prazer alimentar e social, mas também a segurança no dia a dia, ao reduzir a percepção de fumaça, vazamento de gás e alimentos estragados. Em certos contextos, pode ser um sinal silencioso de que o cérebro está em processo de mudança.

    Reconhecer esse sintoma com atenção, equilíbrio e base científica contribui para uma abordagem mais preventiva, humana e orientada ao futuro da medicina.




    Fonte e Foto: JP Notícias

  • Bactéria da sífilis é identificada em esqueleto de 5,5 mil anos e reabre debate sobre origem da doença

    Achado na Colômbia revela o registro mais antigo já confirmado do Treponema pallidum e indica que o patógeno circulava nas Américas muito antes do período colonial.

    Saúde – Um achado científico inédito está lançando nova luz sobre um dos maiores mistérios da história da medicina. Pesquisadores identificaram vestígios da bactéria Treponema pallidum, responsável pela sífilis e outras doenças, em um esqueleto humano com cerca de 5,5 mil anos encontrado na Colômbia. Trata-se do registro mais antigo já confirmado da presença do patógeno, superando em milhares de anos todas as evidências conhecidas até agora.

    A descoberta foi publicada na revista Science e reacende o debate sobre a origem da sífilis, uma discussão que atravessa séculos. Historicamente, cientistas divergem sobre se a doença foi levada às Américas por europeus após a chegada de Cristóvão Colombo ou se já circulava entre populações indígenas antes do contato com o Velho Mundo.

    De acordo com o estudo, o material genético encontrado pertence a uma forma ancestral da bactéria, diferente das cepas modernas. Curiosamente, o esqueleto não apresentava lesões ósseas típicas da sífilis avançada, o que impede afirmar se a infecção se manifestava da mesma forma conhecida atualmente ou se era transmitida por via sexual.

    “As evidências genômicas atuais, somadas ao genoma apresentado neste estudo, não encerram o debate sobre a origem da sífilis, mas demonstram que os patógenos treponêmicos já possuíam uma longa e complexa história evolutiva nas Américas milhares de anos antes do que se imaginava”, afirmou Elizabeth Nelson, coautora da pesquisa e antropóloga molecular da Southern Methodist University, nos Estados Unidos.

    A identificação da bactéria ocorreu de forma inesperada, durante análises que tinham outro objetivo científico. A variante genética, batizada de TE1-3, teria se separado das linhagens modernas há aproximadamente 13,7 mil anos, segundo os pesquisadores.

    Além de seu valor histórico, o estudo pode ter impactos diretos na saúde pública. Os cientistas acreditam que compreender a evolução do Treponema pallidum pode ajudar no enfrentamento da atual crise global de sífilis. Apesar de existir tratamento eficaz, os casos da doença seguem em crescimento em diversas partes do mundo, reforçando a importância de avanços científicos no combate à infecção.

  • Primeiro paciente com rim de porco recebe transplante de rim humano

    Tim Andrews fez história ao se tornar a primeira pessoa a receber um rim de porco geneticamente modificado e, posteriormente, um transplante de rim humano.

    Saúde – Há um ano, Tim Andrews estava entre os primeiros receptores mundiais de um rim de porco geneticamente modificado. Agora, ele é o primeiro desse pequeno grupo de pioneiros a receber um rim humano.

    “Eu sou o primeiro a atravessar essa ponte… Sou a única pessoa no mundo que já teve um rim de porco e depois recebeu um rim humano”, disse ele do hospital na quinta-feira (15). “Ninguém nunca atravessou essa ponte. Isso é incrível!”

    Andrews, que tem diabetes e vivia com doença renal em estágio terminal, recebeu um rim de porco em 25 de janeiro de 2025 e viveu com ele por um período recorde de 271 dias. Após seu corpo rejeitar o órgão, este foi removido em outubro, e Andrews voltou para a diálise — um processo extenuante que o mantinha vivo, mas o deixava tão miserável que o levou a aceitar o xenotransplante experimental.

    “Eu chorei”, disse Andrews, de 67 anos. Ele disse à sua família que não esperava sobreviver até o final do ano.

    Mas próximo à meia-noite de 12 de janeiro, o Mass General Brigham ligou para informar que um rim humano — uma combinação quase perfeita — havia sido identificado. Ele foi programado para cirurgia de transplante às 8h do dia seguinte.

    Andrews agora espera receber alta para sua casa em New Hampshire na sexta-feira (16), apenas alguns dias após o histórico transplante de órgão que o tornou um exemplo vivo da promessa da xenotransplantação: órgãos de animais podem ajudar a manter humanos vivos e saudáveis o suficiente para uma solução de longo prazo e uma nova chance de vida.

    Uma resposta para a escassez de órgãos

    A xenotransplantação – o transplante de órgãos entre diferentes espécies – tem sido apontada como uma possível solução para a atual escassez de doadores de órgãos. Os órgãos de porco transplantados são geneticamente modificados para controlar a rejeição e o tamanho.

    Nos Estados Unidos, a qualquer momento, há mais de 100.000 pessoas esperando por um órgão, cerca de 80% delas necessitando de rins.

    Mas apenas os pacientes mais graves estão listados; somente 1 em 8 pacientes com doença renal terminal está na lista de espera.

    Das mais de 800 mil pessoas com insuficiência renal, cerca de 70% estão em diálise. Porém, a diálise tenta comprimir em apenas algumas horas por semana o trabalho que o corpo normalmente faz 24 horas por dia, 7 dias por semana. A taxa de sobrevida de cinco anos para pacientes em diálise gira em torno de 40%.

    “A diálise não consegue reproduzir o que o corpo precisa em termos de eliminação de resíduos”, afirmou Leonardo Riella, diretor médico de transplante renal do hospital Mass General Brigham e médico de Andrews. “Tem um enorme impacto no paciente, tanto na qualidade de vida quanto, principalmente, na saúde.”

    Andrews ficava conectado a uma máquina de diálise três dias por semana, por até seis horas por vez. Seis meses após iniciar a diálise pela primeira vez, ele teve um ataque cardíaco. “Isso afeta você emocional e fisicamente; você fica exausto e eu fiquei doente. Eu estava vomitando o tempo todo”, disse ele.

    Enquanto os órgãos permanecem escassos, Riella vê o xenotransplante como uma solução.

    “Mesmo que seja uma ponte”, disse Riella, “seria melhor do que [Tim] apenas continuar na diálise.”

    Para preparar Andrews para o transplante humano, a equipe do Mass General testou Andrews em busca de novos anticorpos que poderiam potencialmente reagir com o novo rim humano e não encontrou nenhum. Seu transplante mais recente levou cerca de três horas, e ele disse que seu novo regime imunossupressor é cerca de um terço do que tomava quando tinha um rim de porco.

    “Isso fará algo pela humanidade”

    Para Andrews, receber o xenotransplante não era apenas uma questão de esperança longe da diálise, mas esperança para pacientes com doença renal em estágio terminal.

    “Isso fará algo pela humanidade”, disse ele ao correspondente médico-chefe, Sanjay Gupta, no documentário “Sanjay Gupta Reports: Animal Pharm.”

    Imediatamente após seu xenotransplante no ano passado, Andrews se sentiu diferente. “Eu estava lúcido. Não estava com o que eu chamo de névoa da diálise”

    “Eu não estava cansado nem nada. De repente, eu tinha energia”, ele recordou.

    Mas o caminho adiante teve altos e baixos. Andrews tomava 52 comprimidos por dia para ajudar a manter seu rim de porco, que ele apelidou de Wilma, e seu sistema imunológico em harmonia. Ao longo de nove meses, o rim começou a mostrar sinais de rejeição. Ele teve duas infecções. Riella disse que eles ajustaram o protocolo imunossupressor de Andrews, mas os rins já haviam sido danificados no processo.

    “Houve alguns danos aos filtros do rim que, infelizmente, não eram reversíveis”, disse Riella. Por fim, eles removeram Wilma, e Andrews teve que voltar para a diálise.

    Mike Curtis, presidente e CEO da eGenesis, empresa que forneceu o porco doador para o rim de Andrews, disse que foi uma rejeição lenta que os cientistas puderam prever por meses.

    “Simplesmente não conseguimos descobrir como reverter isso”, disse Curtis.

    Mas as biópsias e pesquisas sobre Andrews e o rim de porco podem ter ajudado a identificar o que levou à rejeição, o que pode beneficiar futuros receptores de rim.

    “Temos uma ideia muito melhor do que estava causando essa rejeição de baixo nível, então podemos ajustar a supressão”, disse Curtis.

    A experiência de Andrews ajudou a refinar o tratamento para os próximos pacientes de xenotransplante. Desde sua cirurgia em janeiro de 2025, o Mass General e a eGenesis se uniram para realizar mais dois xenotransplantes antes de iniciarem um ensaio clínico em um futuro próximo.

    Uma alternativa à diálise

    Mas Riella também vê o xenotransplante como um sucesso para Andrews. Wilma conseguiu mantê-lo fora da diálise por nove meses. Depois que Andrews voltou à diálise, sua função geral caiu novamente, e ele estava perdendo massa muscular e energia.

    Neste momento, disse Riella, a comparação do xenotransplante pode não ser com um rim humano, mas com a diálise. “É um tratamento muito melhor para manter a função renal em comparação com o que a diálise pode oferecer”, disse ele. “Nosso objetivo é basicamente banir a diálise como um tratamento de longo prazo.”

    Mas uma alternativa à diálise não é o objetivo final, disse Robert Montgomery, diretor do Instituto de Transplantes NYU Langone. Montgomery não participou do tratamento de Andrews, mas também tem sido uma das principais referências no campo dos xenotransplantes.

    “Conforme essa técnica for melhorando e os xenoenxertos durarem mais, será um caminho definitivo”, afirmou Montgomery, que foi o primeiro médico a transplantar órgãos de porco em pacientes com morte cerebral e está liderando o primeiro ensaio clínico de xenotransplante aprovado pelo FDA na NYU.

    Montgomery acredita que o xenotransplante será uma solução viável para pacientes nos próximos cinco anos. “No futuro, acredito que um único paciente com insuficiência renal alternará entre xenoenxertos e aloenxertos ao longo de sua vida.”

    Riella afirma que é impossível saber o que teria acontecido com Andrews se ele não tivesse tentado um xenotransplante experimental. Mas Andrews diz não ter dúvidas de que Wilma foi fundamental para chegar até este momento.

    “Se eu não tivesse aceitado a Wilma, já estaria morto. Não duraria mais um ano”, disse Andrews. “Agora posso pensar em anos pela frente. Posso fazer planos.”

    O que ele planeja agora é compartilhar sua própria história e incentivar outras pessoas a se tornarem doadoras de órgãos.

    “As pessoas precisam dar um passo à frente e ajudar”, disse Andrews.

    Em uma mensagem publicada nas redes sociais na sexta-feira (16), Andrews agradeceu à família do doador, que não foi identificada.

    “Compartilho do seu luto. Sei que deve ser devastador, mas estou aqui para dizer que a doação de um rim salvou minha vida e vocês deram esperança a milhões. Seu familiar é um herói. Um herói não só para mim, mas para o mundo inteiro”, afirmou Andrews.

    “Nunca conseguirei retribuir, mas prometo que guardarei isso no meu coração. E este rim será cuidado e amado enquanto eu viver, e dedicarei minha vida, basicamente, pregando – e olha que não sou pregador – sobre o que este ato de amor proporcionou.”


    Fonte e Foto: CNN Brasil