Categoria: Saúde

  • Obesidade infantil causa danos vasculares precoces, indica estudo

    Investigação realizada com 130 participantes entre 6 e 11 anos mostrou que inflamação associada a obesidade e sobrepeso afeta o funcionamento do endotélio.

    Saúde – Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) com 130 crianças entre 6 e 11 anos identificou que a obesidade pode causar, por si só, danos imediatos à saúde cardiovascular infantil, aumentando o risco de doenças como aterosclerose, infarto e acidente vascular cerebral (AVC) já na infância.

    O trabalho, apoiado pela Fapesp, identificou sinais precoces de inflamação e disfunção no endotélio – camada que reveste os vasos sanguíneos – em crianças com sobrepeso e obesidade.

    “Os resultados do estudo reforçam a gravidade da obesidade infantil, mostrando que ela precisa ser revertida desde cedo. Alertamos também sobre a necessidade de políticas públicas para a redução da obesidade na infância, sobretudo em populações em vulnerabilidade socioeconômica”, afirma Maria do Carmo Pinho Franco, professora da Unifesp e autora do estudo publicado no International Journal of Obesity.

    A pesquisadora explica que a obesidade promove – em adultos e crianças – uma inflamação crônica e de baixo grau que deixa o sistema de defesa do organismo em constante alerta, gerando uma sucessão de falsos alarmes e, por consequência, o envelhecimento prematuro das células imunes. No endotélio, o foco do estudo, os pesquisadores identificaram que esse processo inflamatório provoca dano celular, mesmo em crianças, o que aumenta a gravidade da obesidade infantil.

    “Já era sabido que crianças com sobrepeso ou obesidade tendem a se tornar adolescentes e adultos com o mesmo problema, o que aumenta o risco de desenvolver doenças cardiovasculares e cardiometabólicas no futuro. Mas esse efeito não é apenas cumulativo. O estudo identificou que as crianças com sobrepeso ou obesidade já apresentam sinais de inflamação e disfunção endotelial, indicando que o processo de adoecimento cardiovascular começa já na infância, mesmo antes de outros fatores de risco aparecerem”, diz Franco.

    “Essas crianças não fumam, não bebem e não têm décadas de maus hábitos considerados fatores de risco para doenças cardiovasculares. Trata-se também de uma população pré-púbere, ou seja, sem a influência de hormônios sexuais. O único fator presente é o excesso de peso. Portanto, a análise mostrou que a obesidade, por si só, é suficiente para iniciar um processo inflamatório crônico de baixo grau, com impacto direto na saúde vascular”, completa.

    No trabalho, os pesquisadores encontraram elevação na expressão gênica da citocina inflamatória TNF-alfa em amostras de sangue das crianças com sobrepeso ou obesidade, além de um aumento dos níveis circulantes de micropartículas endoteliais (EMPs, na sigla em inglês) apoptóticas – os dois marcadores inflamatórios podem indicar dano à célula endotelial, contribuindo para um quadro de disfunção no tecido. Franco explica que, como o endotélio é considerado o orquestrador da saúde vascular, a lesão precoce nos vasos sanguíneos detectada no exame das crianças pode levar a doenças como aterosclerose, infarto e acidente vascular cerebral (AVC).

    A pesquisa também mediu indicadores como índice de massa corporal (IMC), circunferência da cintura, pressão arterial e função endotelial da microvasculatura. Crianças com sobrepeso e obesidade apresentaram pior desempenho no Índice de Hiperemia Reativa (RHI, na sigla em inglês), que avalia a saúde dos microvasos, além de maior expressão do gene TNF-alfa, fator que se correlacionou com os níveis elevados de EMPs e a piora da função endotelial.

    Outro aspecto importante do estudo é que ele foi conduzido com crianças atendidas em um Centro da Juventude na capital paulista. A avaliação do IMC, circunferência da cintura, pressão arterial e tonometria arterial periférica foi realizada no próprio local, com apoio de nutricionistas, médicos e enfermeiros voluntários.

    As análises laboratoriais, incluindo extração de RNA e quantificação de marcadores inflamatórios por PCR (qRT-PCR), foram feitas no Departamento de Biofísica da Escola Paulista de Medicina (EPM-Unifesp).

    Também foi feito um trabalho de conscientização e treinamento com merendeiras e responsáveis em que foram ensinadas receitas que substituíssem o uso de ultraprocessados no cardápio de crianças, priorizando alimentos saudáveis.

    Os pesquisadores defendem a necessidade urgente de ampliar e fortalecer políticas públicas para prevenir a obesidade infantil, especialmente em comunidades com vulnerabilidade socioeconômica. “Além de todo o problema de cunho individual, sem a intervenção precoce essas crianças tendem a se tornar adultos com doenças cardiovasculares e metabólicas, o que representa um impacto preocupante para a saúde pública e para a sustentabilidade do sistema de saúde brasileiro”, alerta Franco.


    Fonte e Foto: CNN Brasil

  • O Brasil já registrou casos do vírus Nipah?

    Pasta afirma que não há registros da doença no país, risco de pandemia é considerado baixo e surto recente na Índia está praticamente encerrado, segundo a OMS.

    Saúde – O Ministério da Saúde informou na segunda-feira (9), que é falsa a informação que circula nas redes sociais sobre a existência de casos do vírus Nipah no Brasil. De acordo com a pasta, o país mantém protocolos permanentes de vigilância para agentes altamente patogênicos e, até o momento, não há qualquer confirmação da doença em território nacional.

    A avaliação oficial é de que o risco de uma pandemia causada pelo vírus permanece baixo. O entendimento é o mesmo da Organização Mundial da Saúde (OMS), que aponta que o surto mais recente registrado na Índia está praticamente controlado e sem indícios de propagação internacional.

    Surto na Índia teve poucos casos

    Segundo a OMS, apenas dois casos foram confirmados na Índia, ambos envolvendo profissionais de saúde. Durante o monitoramento, 198 pessoas que tiveram contato com os infectados foram identificadas e testadas, todas com resultado negativo. O último registro ocorreu em 13 de janeiro, indicando que o evento já se aproxima do fim do período de acompanhamento epidemiológico.

    Em informe técnico, a OMS reforçou que o risco global é considerado baixo e que não há registros da doença fora da região afetada, nem nos países citados incorretamente por conteúdos desinformativos. Outro fator destacado é que o vírus está associado a espécies específicas de morcegos que não existem no Brasil, afastando qualquer ameaça imediata à população brasileira.

    O Ministério da Saúde reiterou o compromisso com a transparência, a ciência e a proteção da população. A pasta, em parceria com a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, coordena o programa Saúde com Ciência, voltado à valorização da vacinação, ao combate às fake news e à divulgação de informações baseadas em evidências científicas.

    A iniciativa também conta com a participação dos ministérios da Justiça e Segurança Pública e da Ciência, Tecnologia e Inovação, além da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Advocacia-Geral da União (AGU), ampliando a atuação em diferentes frentes contra a desinformação.

    Como ajudar a combater fake news

    O Ministério da Saúde orienta que a população verifique a veracidade de conteúdos antes de compartilhá-los, denuncie informações falsas e evite repassar mensagens suspeitas.

    Quem receber conteúdos duvidosos sobre saúde pode registrar a ocorrência pela plataforma FalaBR, preenchendo o formulário com os detalhes da publicação. Também é possível tirar dúvidas por meio do chatbot oficial do Ministério da Saúde no WhatsApp, pelo número (61) 99381-8399.

    Como o vírus Nipah é transmitido

    A principal forma de transmissão do vírus Nipah ocorre a partir de animais para humanos. Os morcegos frugívoros são os reservatórios naturais do vírus e podem contaminá-lo ao entrar em contato com alimentos.

    Durante a alimentação, esses animais podem deixar secreções em frutas ou na seiva de palmeiras. Quando esses produtos são consumidos crus ou sem higienização adequada, o risco de infecção aumenta.

    Por esse motivo, o Nipah é classificado como uma zoonose, ou seja, uma doença que passa de animais para humanos.

    Contágio entre pessoas é raro, mas possível

    Embora menos comum, a transmissão entre humanos pode ocorrer, especialmente em situações de contato próximo. Isso inclui ambientes familiares e unidades de saúde.

    O contágio acontece por meio de gotículas respiratórias liberadas ao falar, tossir, espirrar ou respirar. Como essas partículas têm alcance curto, geralmente até um metro, o risco aumenta quando há proximidade prolongada com pessoas infectadas.

    Doença grave e sem tratamento específico

    A Organização Mundial da Saúde considera o vírus Nipah prioritário devido ao seu alto potencial de impacto na saúde pública. Atualmente, não existe vacina nem medicamento específico para combater a infecção.

    O tratamento é voltado apenas para aliviar os sintomas. A doença pode provocar quadros respiratórios graves e, em casos mais severos, causar encefalite, uma inflamação no cérebro que pode levar à morte.

    As autoridades de saúde seguem monitorando os casos e reforçam medidas de prevenção para conter possíveis novos surtos.


    Fonte e Foto: BacciNoticias

  • ‘Estamos formando médicos sem preparo para cuidar de vidas’, diz especialista

    Para o clínico geral do Hospital Sírio-Libanês, Dr. Alfredo Salim Helito, o baixo desempenho no ENAMED expõe a fragilidade da formação médica no país e ajuda a explicar por que tantos profissionais evitam a residência e entram precocemente no mercado.

    Saúde – A primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) acendeu um alerta no país. O levantamento avaliou centenas de cursos e revelou que uma parcela expressiva das faculdades de medicina teve desempenho considerado insatisfatório. Em paralelo, outro dado preocupa entidades médicas: o número de vagas de residência é insuficiente para absorver todos os formandos, o que faz com que muitos médicos iniciem a prática sem especialização. Para o clínico geral do Hospital Sírio-Libanês, Dr. Alfredo Salim Helito, o resultado do exame apenas confirma um problema antigo – e grave – na formação médica brasileira. Em entrevista, ele faz críticas duras ao modelo atual de ensino, à abertura indiscriminada de faculdades e aos atalhos adotados por parte dos recém-formados.

    O ENAMED revelou que uma parcela significativa das faculdades de medicina tem desempenho muito abaixo do esperado. O senhor diria que o exame apenas confirmou um problema que já era conhecido dentro da medicina?

    Sem dúvida. Esse volume excessivo de faculdades abertas em locais sem estrutura adequada, sem corpo docente qualificado e sem campos de estágio consistentes já apontava para um mau desempenho. O resultado do ENAMED apenas confirmou algo que, dentro da medicina, já era amplamente previsto.

    Quando uma faculdade recebe nota 1 ou 2, o que isso significa, na prática, para a formação clínica desse futuro médico e para a segurança do paciente?

    Significa que, mesmo sendo uma prova teórica, sem avaliação prática, com questões básicas, alunos prestes a se formar não demonstram domínio mínimo do conhecimento necessário para lidar com a medicina no dia a dia. Ao se formar, esse profissional recebe um CRM e passa a ter poder de decisão sobre a vida das pessoas. Isso é extremamente grave. Se o modelo da prova é o melhor possível é discutível, mas o fato é que, mesmo em uma avaliação teórica considerada acessível, muitos alunos não conseguem demonstrar conceitos fundamentais.

    Há quem diga que hoje temos um excesso de médicos no Brasil. O problema é quantidade ou qualidade?

    O problema central é qualidade e distribuição. Temos, por exemplo, seis faculdades de medicina em Manaus, mas a maioria dos formados permanece nos grandes centros. Regiões do interior, Norte e Nordeste continuam com carência de profissionais – principalmente por falta de estrutura de trabalho. Muitas faculdades privadas foram abertas com o argumento de suprir essa deficiência, mas são caras e frequentadas por alunos de alto poder aquisitivo, que dificilmente irão atuar em áreas remotas ou carentes.

    Muitos recém-formados optam por não fazer residência. Isso é reflexo da formação, do sistema ou de uma cultura de atalhos?

    É um conjunto de fatores. Primeiro, há alunos que entram na medicina sem ter clareza do que desejam fazer. Segundo, menos de 20% dos formados conseguem vaga em residência hoje no Brasil. Antigamente era difícil entrar na faculdade, mas havia mais acesso à especialização. Hoje ocorre o inverso: entrar na graduação ficou mais fácil, mas a residência tornou-se muito mais disputada. Soma-se a isso a busca por atalhos – abrir consultório sem formação adequada, atuar em áreas sem respaldo científico ou priorizar o lucro antes da boa prática médica.

    Um médico que sai da faculdade sem residência está preparado para atuar como generalista?

    Os profissionais formados em faculdades que tiveram desempenho muito baixo no ENAMED – ou mesmo no ENADE – provavelmente não têm a menor condição de atuar como médicos. É uma afirmação dura, mas necessária, porque estamos falando de alunos que não demonstram domínio mínimo do conhecimento básico ao final da graduação.

    Por outro lado, é importante diferenciar. Jovens médicos que se formam em boas escolas, que tiveram estrutura adequada, são estudiosos, têm bom senso e responsabilidade, podem sim iniciar a vida profissional como generalistas, especialmente na atenção primária.

    Qual deve ser a punição para faculdades com nota baixa no ENAMED?

    É uma questão delicada, porque há alunos ali que podem ser bons, mas não tiveram formação adequada. Na minha opinião, o vestibular dessas instituições deveria ser suspenso até que comprovem melhora estrutural e pedagógica. Não se trata de fechar a faculdade, mas de exigir qualidade. Inclusive com impacto econômico, já que essas instituições sobrevivem das mensalidades.

    O MEC falhou ao permitir a abertura indiscriminada de faculdades?

    Na minha visão, sim. Não ficou claro se houve critérios técnicos rigorosos — como hospital-escola estruturado, qualidade docente e capacidade assistencial. Muitas aberturas tiveram mais cheiro de decisão política do que de planejamento educacional.

    Plantões exaustivos e mal remunerados também fazem parte desse cenário?

    Fazem, e comprometem o sistema. Há médicos sobrecarregados, mal pagos e oferecendo atendimento de baixa qualidade. Outros seguem o caminho comercial, atuando em áreas sem reconhecimento científico – terapias hormonais indiscriminadas, chips, procedimentos estéticos sem base médica. É uma medicina voltada ao lucro, não à saúde.

    Se pudesse resumir, qual é o maior erro do modelo atual de ensino médico?

    A formação de baixa qualidade em muitas instituições. Estamos formando profissionais sem preparo adequado para atender as reais necessidades da população brasileira, especialmente na atenção primária.

    O senhor está otimista ou pessimista com o futuro da medicina brasileira?

    Temos centros de excelência e uma medicina de altíssimo nível no país, comparável às melhores do mundo. Mas ela é pouco acessível. Quando olhamos para a formação massiva de profissionais mal preparados, sou extremamente pessimista quanto à assistência médica oferecida à população em geral.

    Alexandre Hercules é editor-chefe do portal Brazil Health (www.brazilhealth.com)


    Fonte e Foto: JP Notícias

  • IA prevê idade cerebral e risco de câncer com ressonância magnética

    Modelo BrainIAC identifica sinais de doenças e mutações genéticas mesmo sem bases de dados previamente classificadas.

    Saúde – Pesquisadores do Mass General Brigham, em Boston, nos Estados Unidos,  desenvolveram o BrainIAC, um novo modelo de fundação de inteligência artificial voltado para a análise de conjuntos de dados de ressonância magnética cerebral.

    A arquitetura é capaz de executar múltiplas tarefas clínicas, como estimar a idade cerebral, prever riscos de demência e detectar mutações em tumores com alta precisão.

    Diferente de sistemas convencionais projetados para funções únicas, o BrainIAC utiliza aprendizado autossupervisionado para extrair padrões de dados não rotulados.

    Segundo o estudo publicado na Nature Neuroscience, essa abordagem superou modelos específicos de IA, operando com alto desempenho mesmo em cenários de baixa disponibilidade de dados de treinamento .

    O sistema foi validado em uma base diversificada de 48.965 exames. “O BrainIAC tem o potencial de acelerar a descoberta de biomarcadores, aprimorar ferramentas de diagnóstico e agilizar a adoção da IA na prática clínica”, afirmou Benjamin Kann, médico do programa de IA na Medicina do Mass General Brigham.

    A tecnologia demonstra alta capacidade de generalização ao processar desde tarefas simples de classificação de imagens até diagnósticos moleculares complexos.

    “Integrar o BrainIAC aos protocolos de imagem pode ajudar os clínicos a personalizar e melhorar o atendimento ao paciente”, completou Kann.

    Autonomia em dados brutos

    A capacidade do modelo de aprender diretamente de dados brutos resolve um gargalo tecnológico: a variação estética das imagens capturadas por differentes instituições.

    Ao identificar características inerentes aos exames, a ferramenta se adapta a ambientes do mundo real onde os conjuntos de dados anotados são escassos.

    O projeto recebeu suporte do Instituto Nacional de Saúde e do Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos.




    Fonte e Foto: CNN Brasil

  • Amazonas avança em debate com o Ministério da Saúde para reduzir desigualdades raciais no atendimento do SUS

    Encontro entre SES-AM e governo federal discute estratégias para aplicar política nacional voltada à saúde da população negra no estado.

    Amazonas – A Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) e o Ministério da Saúde realizaram, na sexta-feira (06/02), um encontro institucional para discutir a ampliação de políticas públicas voltadas à promoção da equidade racial na saúde. A reunião teve como foco o alinhamento técnico para a implementação da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra no estado.

    Durante o encontro, representantes das duas esferas de governo debateram os principais desafios e potencialidades do Amazonas na execução da política, levando em consideração as especificidades territoriais, sociais e étnico-raciais da região. Também foram discutidas estratégias para o fortalecimento da Atenção Primária à Saúde, a ampliação da gestão participativa e o incentivo ao controle social no Sistema Único de Saúde (SUS).

    A secretária de Estado de Saúde, Nayara Maksoud, destacou que o diálogo representa um passo importante para consolidar a equidade como eixo central das ações em saúde no Amazonas. “Esse alinhamento reforça a construção de políticas públicas que consideram as realidades do nosso território e reafirma o compromisso com a justiça social, o acesso universal e o cuidado integral, especialmente para a população negra”, afirmou.

    A secretária executiva adjunta de Políticas de Saúde da SES-AM, Diana Lima, ressaltou que a agenda é estratégica e baseada em dados técnicos, com o objetivo de orientar a construção de soluções efetivas e a pactuação de ações voltadas à redução das iniquidades raciais no sistema de saúde.

    Já a coordenadora-geral de Atenção à Saúde da População Negra do Ministério da Saúde, Rose Santos, enfatizou a importância da articulação entre União, estado e municípios. Segundo ela, o fortalecimento dessa cooperação é essencial para garantir a continuidade dos projetos no Amazonas, com políticas orientadas pela equidade e pelo reconhecimento das especificidades da população negra e amazônica.

  • Anvisa tira do mercado ‘café de açaí’, glitters com plástico e azeite suspeito após fiscalização

    Produtos foram proibidos por promessas ilegais de cura, risco à saúde do consumidor e origem desconhecida, segundo a agência.

    Saúde – A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a proibição e a retirada do mercado de diversos produtos alimentícios considerados irregulares, após ações de fiscalização. As decisões foram publicadas nesta quinta-feira (6) no Diário Oficial da União e atingem um produto conhecido como “café de açaí”, glitters usados em confeitaria e um lote de azeite de oliva extra virgem.

    Entre os casos mais graves está o chamado “Café de Açaí”, da marca Du Brasil, comercializado como suplemento alimentar. De acordo com a Anvisa, o produto utilizava um ingrediente não autorizado e apresentava alegações terapêuticas proibidas no rótulo, prometendo benefícios como tratamento para doenças crônicas, a exemplo de diabetes e fibromialgia. A legislação sanitária proíbe que alimentos ou suplementos façam esse tipo de promessa, já que tais condições exigem acompanhamento médico.

    Além disso, a agência identificou que o produto tinha origem desconhecida, não possuía notificação sanitária obrigatória e era armazenado em condições inadequadas. Diante das irregularidades, foi determinada a proibição total da fabricação, comercialização, distribuição, importação, propaganda e uso do “Café de Açaí” em todo o país, além da apreensão dos estoques existentes.

    Outro alvo da fiscalização foram os glitters culinários da marca MAGO, utilizados para decoração de bolos, doces e outros alimentos. Segundo a Anvisa, análises apontaram a presença de plástico, resinas e pigmentos sem composição claramente identificada. Mesmo assim, os produtos eram vendidos, inclusive em plataformas de comércio eletrônico, com indicação direta ou indireta de que seriam comestíveis.

    A agência alertou que a ingestão desses materiais representa risco à saúde do consumidor. Todos os lotes dos glitters foram suspensos e deverão ser recolhidos imediatamente do mercado.

    A terceira medida envolve um lote de azeite de oliva extra virgem da marca Campo Ourique, identificado como lote 288/04/2024. Conforme a Anvisa, o produto apresentou origem desconhecida, falhas na rotulagem e resultado insatisfatório em análises realizadas por laboratório oficial, o que levantou suspeitas sobre sua qualidade e autenticidade.

    Com isso, a comercialização do lote foi proibida em todo o território nacional, e os produtos deverão ser apreendidos.

    As ações fazem parte da rotina de vigilância sanitária da Anvisa e têm como objetivo proteger a saúde da população, combater fraudes e impedir que consumidores sejam induzidos ao erro, especialmente quando alimentos são associados, de forma irregular, à prevenção ou ao tratamento de doenças.

  • Novo comprimido é capaz de reduzir chance de segundo AVC em 26%

    Medicamento fabricado pela Bayern foi apresentado em congresso internacional.

    Saúde – Uma pesquisa revelou que um novo comprimido em estudo conseguiu reduzir em 26% a ocorrência de novos acidentes vasculares cerebrais em pessoas que já sofreram com AVCs. O estudo foi apresentado pela primeira vez na International Stroke Conference, realizada em Nova Orleans, nos Estados Unidos.

    Segundo a Associação Americana do Coração, o risco de um novo episódio é de cerca de 1 em cada 4 pacientes. O comprimido, desenvolvido pela Bayer, é de uso diário e foi testado em 12 mil pacientes em 37 países, com controle de placebo.

    Um destaque do resultado foi o fato de o tratamento não ter aumentado o risco de sangramentos intracranianos, um efeito adverso observado em terapias anteriores.

    Participantes foram selecionados após terem sofrido um AVC isquêmico, sem relação com causas cardíacas, como arritmias — condição chamada de AVC isquêmico não-cardioembólico.

    “Um AVC é um evento que muda a vida dos pacientes e um grande problema de saúde pública. Os resultados representam uma conquista notável da pesquisa, demonstrando uma redução substancial no risco de AVC com o uso de asundexian em comparação com o placebo, além de um efeito terapêutico sustentado e um perfil de segurança sem aumento observado de sangramentos graves segundo a ISTH”, afirmou Mike Sharma, investigador principal do estudo Oceanic-Stroke.

    Parte do evento também incluiu pessoas que já passaram por um ataque isquêmico transitório (AIT), conhecido como mini-AVC, que não resulta em danos permanentes ao cérebro.

    Realizado entre 2022 e 2025, o estudo corresponde à fase 3 de testes clínicos. Para que o medicamento chegue oficialmente aos pacientes, ainda será necessário submetê-lo à avaliação de agências reguladoras, como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), no Brasil, e a Food and Drug Administration (FDA), nos Estados Unidos.


    Fonte e Foto: CNN Brasil

  • Óculos de sol falsos: o erro que pode detonar sua visão sem você perceber

    Barato que sai caro: segundo o Dr. Roberto Anbar, óculos de sol sem proteção UV podem causar danos silenciosos à visão.

    Saúde – Óculos de sol são muito mais do que um acessório de moda. Eles têm papel fundamental na proteção dos olhos contra a radiação solar.

    O problema é que muitos óculos vendidos como “estilosos” ou “baratos” não oferecem proteção de verdade – e isso pode causar sérios danos à visão.

    Por que óculos de sol falsos são perigosos?

    O grande risco está no fato de que esses óculos escurecem as lentes, mas não bloqueiam os raios ultravioleta (UV).

    Quando usamos lentes escuras sem proteção UV:

    A pupila se dilata, como acontece no escuro

    Mais radiação UV entra no olho

    O dano pode ser maior do que ao não usar óculos algum

    Ou seja, o olho se sente “protegido”, mas, na prática, está ainda mais exposto.

    Quais problemas eles podem causar?

    O uso frequente de óculos de sol sem proteção adequada pode estar associado a:

    Catarata precoce

    Lesões na retina

    Degeneração macular

    Inflamações oculares

    Piora do olho seco

    Dor de cabeça e cansaço visual

    Esses danos costumam ser silenciosos e cumulativos, aparecendo anos depois.

    Como identificar óculos de sol seguros?

    Antes de comprar, observe:

    Indicação clara de proteção 100% contra UV ou UV400

    Comprar em óticas confiáveis

    Lentes com boa qualidade ótica, sem distorções

    Certificação ou procedência conhecida

    Preço baixo demais e ausência de informações técnicas são sinais de alerta. Moda e saúde podem andar juntas. É possível usar óculos bonitos e modernos sem abrir mão da proteção ocular. O que não vale é economizar, colocando em risco algo tão valioso quanto a visão.

    Em resumo: Lentes escuras não significam proteção. Óculos falsos podem causar danos permanentes aos olhos. Proteção UV é essencial em qualquer idade.


    Fonte e Foto: JP Notícias

  • Pesquisadores descobrem como “desativar” gene que causa câncer

    Estudo também mostra possibilidade de tratamentos mais curtos e com menos efeitos colaterais.

    Saúde – Pesquisadores da Universidade Monash, na Austrália, em parceria com a Universidade Harvard, nos Estados Unidos, descobriram um mecanismo capaz de “desativar” permanentemente genes responsáveis pelo desenvolvimento do câncer. A descoberta representa um avanço significativo no campo da oncologia e pode transformar a forma como a doença é tratada.

    O estudo foi publicado na revista científica Nature Cell Biology e aponta para a possibilidade de tratamentos mais curtos e com menos efeitos colaterais, um dos maiores desafios enfrentados por pacientes oncológicos atualmente.

    A pesquisa está centrada na chamada terapia epigenética, abordagem que utiliza medicamentos para modificar a forma como os genes são ativados ou desativados, sem alterar o DNA em si. Essa estratégia busca reverter alterações nocivas causadas por mutações cancerígenas, especialmente em tipos agressivos de leucemia aguda.

    Segundo os cientistas, algumas dessas leucemias são provocadas por um erro genético que sequestra o mecanismo normal de controle da célula, mantendo genes promotores do câncer constantemente ativos. Embora já existam medicamentos capazes de atingir esse processo, até então não se compreendia totalmente como eles funcionavam.

    A equipe liderada por Omer Gilan, pesquisador sênior da Escola de Medicina Translacional da Universidade Monash e do Centro Australiano de Doenças do Sangue, identificou que o direcionamento das proteínas epigenéticas Menina ou DOT1L pode desligar de forma duradoura os genes causadores do câncer em células leucêmicas.

    “Potencialmente, identificamos uma nova maneira de explorar as fragilidades do câncer”, afirmou Gilan. “O mais empolgante é que essas descobertas podem ajudar os médicos a melhorar a resposta ao tratamento e reduzir os efeitos colaterais nos pacientes.”

    Para o pesquisador, tornar o tratamento mais tolerável é essencial. “Qualquer pessoa que já viu um ente querido passar por um tratamento contra o câncer sabe o quanto isso é difícil. Tornar a terapia mais eficaz e menos desgastante é absolutamente vital”, disse.

    O autor principal do estudo, o doutorando Daniel Neville, explicou que a inovação está relacionada à chamada “memória” epigenética fornecida pela proteína DOT1L nas células cancerígenas. De acordo com ele, os medicamentos usados para atingir a proteína Menina apagam essa memória, permitindo que as células cancerígenas continuem sendo eliminadas mesmo após a interrupção do tratamento.

    “Esperamos que, ao reduzir o tempo de tratamento, os pacientes possam tolerar doses mais altas ou se tornem elegíveis para terapias adicionais que melhorem os resultados”, afirmou Neville. Para ele, o avanço representa “um grande passo à frente para a terapia epigenética”.

    A descoberta deverá ser testada ainda este ano em um ensaio clínico conduzido pela Universidade Monash em parceria com o Hospital Alfred, também na Austrália.

    O professor associado Shaun Fleming, hematologista clínico e chefe do programa de doenças mieloides do Hospital Alfred, avalia que o estudo representa um avanço promissor no tratamento da leucemia.

    “À medida que avançamos nos ensaios clínicos dos inibidores da Menina, uma melhor compreensão de como essas terapias funcionam pode nos permitir utilizá-las de forma mais eficaz e segura no futuro”, afirmou.


    Fonte e Foto: CNN Brasil

  • Doenças ligadas à água contaminada avançam no Amazonas durante chuvas

    Casos de doenças diarreicas somaram mais de 300 mil em 2025; leptospirose, hepatite A e febre tifoide estão entre os principais riscos da estação

    Saúde – A intensificação do período chuvoso na região Norte, que se estende até o fim de março, historicamente eleva o risco de doenças infecciosas associadas ao contato com água imprópria, especialmente em áreas afetadas por alagações e com saneamento básico insuficiente. Nessas condições, a exposição à água contaminada pode favorecer a transmissão de microrganismos causadores de infecções gastrointestinais.
    No Amazonas, foram registrados 301.621 casos de Doenças Diarreicas Agudas (DDA) em 2025, segundo dados da Fundação de Vigilância em Saúde Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP). Embora nem todos os casos estejam diretamente ligados à veiculação hídrica, o aumento da circulação de agentes infecciosos em ambientes insalubres é uma preocupação recorrente durante o período chuvoso. Vale destacar que o número pode estar subestimado, já que o monitoramento ocorre apenas em unidades de saúde sentinelas.


    “A maioria dos casos envolve gastroenterites agudas, causadas por vírus, bactérias ou parasitas, com sintomas como diarreia, vômitos e dor abdominal”, explica o infectologista e consultor médico do Sabin Diagnóstico e Saúde, Marcelo Cordeiro. Segundo ele, esses quadros não devem ser subestimados, sobretudo em crianças e idosos.

    Marcelo Cordeiro – infectologista e consultor médico do Sabin Diagnóstico e Saúde

    Doenças
    Além das DDAs, outras doenças associadas ao contato com água contaminada também exigem atenção nesse período. A leptospirose, por exemplo, registrou 70 casos em 2025 no estado, contra 48 no ano anterior. A infecção é causada pela exposição à urina de roedores geralmente em áreas alagadas, e pode levar a complicações graves se não for diagnosticada precocemente.
    O especialista alerta que a infecção pode começar com sintomas semelhantes aos de uma gripe forte, mas evoluir para falência renal, hemorragia pulmonar e, nos casos mais graves, ao óbito. “Muitas vezes, a leptospirose é confundida com hepatite, porque nos quadros mais graves o paciente desenvolve icterícia, que é a coloração amarelada da pele e dos olhos”, afirma Cordeiro.
    A hepatite A também exige atenção, especialmente em adultos, nos quais pode causar inflamação hepática intensa e, em casos raros, insuficiência do fígado. A febre tifoide, infecção bacteriana ainda presente em áreas com saneamento precário, provoca febre alta persistente e mal-estar intenso. Em todos os casos, a demora na procura por atendimento aumenta o risco de complicações.

    Diagnóstico
    O diagnóstico das doenças de transmissão hídrica leva em conta a gravidade e a duração dos sintomas. Em quadros leves e autolimitados, pode ser apenas clínico — feito pelo próprio médico. Em casos persistentes ou com sinais de maior gravidade, como febre alta ou sintomas sistêmicos, exames laboratoriais são fundamentais para confirmar o agente causador da infecção e orientar a melhor conduta médica.
    “Os exames de fezes ajudam a identificar parasitas e bactérias específicas, enquanto as sorologias no sangue são essenciais para confirmar doenças como leptospirose e hepatite A”, explica o infectologista. Exames gerais, como hemograma e avaliação da função renal, também são utilizados para medir a gravidade do quadro.
    Segundo Cordeiro, identificar corretamente o agente causador evita condutas inadequadas. “Se for um vírus, antibiótico não resolve. Se for uma bactéria agressiva, o antibiótico certo, iniciado na hora certa, pode salvar a vida”, destaca.
    O tratamento varia conforme a intensidade do quadro, mas segue um princípio básico: reposição adequada de líquidos. Nos casos leves, a hidratação oral com soro de reidratação e dieta leve é suficiente. Nos quadros graves, quando há vômitos persistentes, sonolência ou redução da urina, a internação e a hidratação venosa podem se tornar caminhos indispensáveis.

    Fotos: divulgação

    Por Agência de Comunicação Repercussão