Após um período marcado pela fumaça das queimadas e pela poluição atmosférica, Manaus voltou a registrar condições mais favoráveis para a qualidade do ar. A chegada das chuvas e a redução dos focos de calor no Amazonas contribuíram para diminuir a concentração de partículas suspensas na atmosfera, levando diferentes regiões da capital a apresentar índices classificados como bons ou moderados.
Na manhã desta quinta-feira (22), por volta das 7h, sensores do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), desenvolvido pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), identificaram concentrações mais baixas de material particulado fino em diversos pontos da cidade.
Os níveis registrados variaram entre 11,5 e 32,7 microgramas por metro cúbico (µg/m³). Bairros como Chapada, Aparecida, Aleixo, Petrópolis e Morro da Liberdade apresentaram índices classificados como bons, com concentrações inferiores a 25 µg/m³. Já áreas como Coroado e regiões próximas ao Distrito Industrial permaneceram na faixa moderada.
A mudança nas condições atmosféricas ocorre em meio à retomada das chuvas na capital amazonense. As precipitações começaram na quarta-feira (21), continuaram durante a noite e voltaram a atingir a cidade na quinta-feira, favorecendo a remoção de partículas da atmosfera e a dispersão da fumaça acumulada.
Focos de calor apresentam queda no Amazonas
Os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) também apontam uma redução expressiva nos registros de focos de calor no estado. Entre 1º e 11 de outubro, foram contabilizados 1.372 focos. Nos dez dias seguintes, entre 11 e 21 de outubro, o número caiu para 608.

A diminuição representa uma queda de aproximadamente 55,7% nos registros comparados entre os dois períodos, indicando uma desaceleração das ocorrências detectadas por satélite.
O trabalho de combate aos incêndios também mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas. Entre 1º de junho e 20 de outubro, a corporação registrou 3.789 ocorrências relacionadas a incêndios urbanos e florestais e atuou diretamente no combate a 23.527 focos. Desse total, 4.708 foram registrados na capital e 18.819 no interior.
Governo mantém medidas de combate às queimadas
Para conter os incêndios e reduzir os impactos ambientais, o Governo do Amazonas estabeleceu a proibição do uso do fogo por 120 dias em todo o estado, respeitando as exceções previstas na legislação.
Também foram decretadas situações de emergência com validade de 180 dias nas áreas afetadas pelos incêndios florestais e em todo o território amazonense em razão da severa estiagem. As medidas permitem agilizar o acesso a recursos e ampliar as ações de resposta às ocorrências.
O monitoramento dos focos de calor continua sendo realizado por meio de imagens de satélite, com participação da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) e do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam). As informações ajudam a identificar áreas prioritárias e direcionar as equipes de fiscalização e combate.
Além das ações operacionais, iniciativas de educação ambiental alcançaram mais de 43 mil pessoas entre junho e agosto de 2026, segundo os dados apresentados.
Melhora no ar exige atenção contínua
Apesar dos índices mais favoráveis registrados em Manaus, a qualidade do ar ainda pode variar conforme as condições climáticas e a ocorrência de novos incêndios. A chuva contribui para retirar parte das partículas suspensas, mas não elimina as fontes de poluição.
Por isso, o acompanhamento dos indicadores ambientais permanece importante, especialmente para crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias, que podem ser mais sensíveis à exposição à fumaça.
A redução dos focos de calor, aliada à retomada das chuvas e às ações de combate aos incêndios, representa um avanço para a capital amazonense. A manutenção desse cenário, porém, depende da continuidade das medidas de prevenção e fiscalização em todo o estado.









