O turismo no Amazonas registrou queda de 15% em agosto de 2026, na comparação com o mesmo mês de 2025, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em meio à piora da qualidade do ar provocada pela fumaça de queimadas e incêndios florestais, guias de turismo relatam redução na procura por passeios e visitantes que preferem adiar as atividades.
Em entrevista, o vice-presidente da Cooperativa de Guias e Agentes de Turismo do Estado do Amazonas (Coopguiaturam), Jairo Félix, afirmou que a fumaça surpreendeu turistas que chegaram ao estado e afetou a programação de passeios. Segundo ele, alguns visitantes optam por esperar a melhora da qualidade do ar antes de realizar as atividades.
“Alguns passageiros que costumam passar mal acabam cancelando e não indo no passeio. Pessoas idosas e pessoas que são receosas com a questão da poluição optam por adiar um ou dois dias”, relatou.
Apesar das reclamações, Jairo afirmou que os passeios continuam sendo realizados e que os cancelamentos são pontuais. Segundo ele, os guias explicam a situação aos visitantes e orientam sobre as condições ambientais. Enquanto aguardam a melhora da qualidade do ar, alguns turistas escolhem outras atividades.
O representante também destacou que o movimento no setor varia conforme a época do ano. Entre os períodos de maior procura estão os meses de dezembro a fevereiro e a temporada de pesca esportiva, que se estende pelo segundo semestre.
Empresário relata redução no fluxo de turistas
O guia de turismo Mario Sergio de Jesus, proprietário de uma empresa do setor, também percebeu uma redução no número de visitantes durante o período de fumaça. Ele atua há oito anos com ecoturismo e turismo de experiência em Manaus, Presidente Figueiredo, Iranduba e outros destinos do Amazonas.
Segundo o empresário, muitos turistas se surpreendem ao chegar ao estado e encontrar o céu encoberto pela fumaça. A situação, de acordo com ele, influencia a decisão de fazer passeios.
“A gente continua. A única coisa que acontece é a diminuição do fluxo de turista por conta do número das pessoas chegarem até aqui e se deparar com o Amazonas, que é considerado o melhor do mundo, tendo um dos piores do mundo [em qualidade do ar]”, afirmou.
Para Mário, divulgar alternativas de passeios pode ajudar a reduzir os prejuízos para o setor. Ele explicou que a fumaça não atinge todos os destinos da mesma forma e que algumas atrações continuam disponíveis, dependendo das condições ambientais de cada região.
Cachoeiras, rios e áreas de floresta estão entre as opções que podem continuar recebendo visitantes durante o período de estiagem. Mesmo assim, a queda na procura por serviços turísticos representa um desafio para os profissionais.
“Em Novo Airão a gente tem um turismo diferente, imersivo, cultural. As pessoas querem conhecer as praias, os igapós. Mas teve uma queda porque a queimada afeta independente da região”, disse.
Para manter o interesse dos turistas, Mário usa as redes sociais para divulgar as atrações disponíveis e informar quais atividades podem ser realizadas durante o período de queimadas.
Os relatos dos profissionais indicam que a fumaça afeta a experiência dos visitantes e pode levar ao adiamento de passeios e à redução da procura por serviços turísticos.
Queimadas no Amazonas
Em pouco mais de um mês, Manaus registrou vários episódios de fumaça provocada por incêndios florestais. O problema se agravou nos primeiros dias de outubro.
A capital ficou mais de uma semana consecutiva com a pior qualidade do ar entre as cidades brasileiras, segundo a plataforma internacional IQAir. Nesse período, aulas foram suspensas, atividades ao ar livre foram canceladas e centenas de pessoas procuraram atendimento médico por problemas relacionados à poluição.
A fumaça que encobriu Manaus é proveniente de incêndios na Região Metropolitana e em municípios do interior do Amazonas. A vegetação seca, a baixa umidade do ar e as altas temperaturas favorecem a propagação das chamas.
O cenário também está associado aos efeitos do fenômeno climático El Niño. A ação humana, responsável por iniciar grande parte dos incêndios, contribui para agravar o problema.
A situação atinge outras regiões do estado. Entre 1º de setembro e 14 de outubro, o Amazonas registrou 5.365 focos de incêndio, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O número representa um aumento de 195% em relação ao mesmo período de 2025.
Em 10 de outubro, o governo estadual decretou situação de emergência em 36 dos 62 municípios amazonenses. A medida foi reconhecida pelo governo federal no mesmo dia.
Fonte e Foto: G1 Amazonas









