O consumo das famílias brasileiras recuou 0,4% no segundo trimestre de 2026 em relação ao primeiro trimestre do ano, registrando o pior desempenho desde 2024.
O resultado, divulgado junto aos dados do PIB (Produto Interno Bruto), acendeu um alerta sobre a saúde financeira das famílias e a sustentabilidade do modelo de crescimento econômico adotado nos últimos anos.
Segundo Rita Mundim, o pacote de benefícios colocado no mercado com grande intensidade no primeiro trimestre perdeu completamente a tração ao longo do período seguinte. “O que fica é o endividamento”, afirmou.
“O limite do consumo das famílias está no tamanho da dívida e na capacidade de tomada de crédito, e esse número deve piorar, porque a situação só tem se agravado.”
Endividamento e inadimplência em níveis críticos
Os dados apresentados por Rita Mundim revelam um cenário preocupante. O endividamento das famílias atinge 82%, enquanto a inadimplência já alcança mais de 34,8% das famílias brasileiras. O índice de inadimplência medido pelo Banco Central está em recorde histórico, com 4,9%, e o comprometimento da renda com dívidas já chega a 30%.
Quando somados os gastos básicos, esse comprometimento sobe para cerca de 80% da renda — chegando a 84% nas classes mais baixas. “Se você somar o básico, ninguém tem mais dinheiro para nada”, destacou Rita Mundim.
A comentarista também chamou atenção para o uso do cartão de crédito como forma de complementar a renda, em linhas com custo de financiamento superior a 400% ao ano.
Segundo ela, 57% dos trabalhadores brasileiros já declararam não conseguir chegar ao final do mês com a renda disponível.
“É um suicídio financeiro”, disse.
Brasil “para fora” sustenta o PIB enquanto mercado interno sofre
Apesar da queda no consumo interno, o PIB brasileiro foi sustentado pelo bom desempenho dos setores voltados para o mercado externo. A agropecuária e a indústria extrativa — liderada por óleo e gás, com crescimento de 3,4% — foram os destaques positivos.
O setor de transportes também cresceu de forma expressiva, impulsionado pelo escoamento das commodities. A formação bruta de capital fixo registrou crescimento de 1,2%, concentrado justamente nesses segmentos exportadores.
Rita Mundim ressaltou que o número do PIB é “mais bonito do que a realidade” vivida pelos brasileiros. Para ela, o modelo de crescimento baseado na distribuição de benefícios sociais e no incentivo à tomada de crédito nunca foi sustentável.
A saída, segundo a analista, passa pelo equilíbrio fiscal e pela adoção de uma taxa de juros em patamares mais racionais, que permitam às famílias também reequilibrar suas finanças.
Fonte e Foto: CNN Brasil









