A Zona Franca de Manaus está nos planos de expansão de fabricantes de motocicletas que ampliam operações, avançam em projetos industriais e projetam novas fábricas no Amazonas. Honda, CFMOTO, MXF, Avelloz e Moto Morini estão entre as empresas com investimentos ou projetos em diferentes estágios no Polo Industrial de Manaus, enquanto o setor atravessa a transição para o novo sistema tributário brasileiro.
A reportagem de A CRÍTICA apurou os movimentos durante o Festival Interlagos Motos, em São Paulo, onde executivos das fabricantes participaram da programação para a imprensa nos dias 12 e 13 de agosto. Entre os projetos estão os R$ 1,6 bilhão que a Honda pretende investir até 2029, a futura fábrica própria da CFMOTO, a nova unidade da MXF e os planos da Moto Morini de avaliar uma estrutura própria em Manaus.
CFMOTO da Amazônia Indústria e Comércio de Veículos Ltda. foi aprovado pelo Conselho de Administração da autarquia em agosto de 2025. O projeto contempla a produção de motonetas acima de 100 cm³ até 450 cm³ e motocicletas acima de 450 cm³.
A MXF também anunciou uma fábrica própria em Manaus. O projeto prevê investimento de aproximadamente R$ 10 milhões nos próximos dois a três anos, capacidade inicial para 30 mil unidades anuais e os primeiros lotes produtivos a partir de fevereiro de 2027. A empresa estima chegar a 70 ou 80 empregos diretos até o terceiro ano.
A Avelloz também teve projeto aprovado para instalação de uma fábrica própria no Polo, destinada à produção de motocicletas entre 100 cm³ e 450 cm³.
Honda amplia
A Honda anunciou R$ 1,6 bilhão em investimentos até 2029 nas operações de motocicletas no Brasil, com modernização da fábrica de Manaus e ampliação da capacidade para 1,6 milhão de motocicletas por ano.
A fabricante completa neste ano cinco décadas de produção de motocicletas no Brasil. Em fevereiro, a fábrica de Manaus alcançou a marca de 32 milhões de unidades produzidas.
Para o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM), Antônio Silva, a demanda nacional e a estrutura produtiva instalada no Amazonas sustentam as perspectivas para o segmento. “Essa demanda nacional aquecida encontra no Polo Industrial de Manaus o ecossistema produtivo ideal, respaldado pelos diferenciais competitivos e pela segurança jurídica do modelo Zona Franca de Manaus, fatores que encorajam as montadoras a projetarem um cenário de longo prazo altamente promissor”.
Segundo Silva, os investimentos anunciados pelas fabricantes também repercutem sobre a economia local. “Cada nova linha de montagem ou operação anunciada em grandes vitrines como a de São Paulo reverbera em Manaus como uma robusta injeção de capital na economia regional, fortalecendo a arrecadação e o desenvolvimento socioeconômico local”.
Trabalho
A expansão das operações também envolve a mão de obra utilizada pelas fábricas. O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas (Sindmetal-AM), Valdemir Santana, defende que a modernização seja acompanhada pela qualificação profissional e por melhores condições de trabalho. “Estamos trabalhando em nível nacional para reduzir a jornada de trabalho, porque isso pode criar mais de 1,5 milhão de empregos. E, mais importante ainda, melhorar a saúde do trabalhador, reduzindo o número de pessoas que precisam ir para o INSS. Muitos deputados não entendem isso”.
Santana também aponta a necessidade de preparar os trabalhadores. “É fundamental também a qualificação dos trabalhadores. O Brasil não está qualificando seus trabalhadores. Precisamos qualificar tanto aqui no Amazonas quanto no restante do país. As fábricas que estão entrando precisam garantir também as condições aos trabalhadores”.
Segundo a estimativa apresentada pelo sindicalista, uma eventual redução da jornada de trabalho poderia representar cerca de 35 mil novos empregos diretos somente no Amazonas.
Cadeia produtiva
A estrutura já instalada em Manaus também permite que empresas iniciem operações sem construir imediatamente uma fábrica própria.
A Dafra tem capacidade para produzir até 50 mil motocicletas por ano e atualmente trabalha com cerca de 38 mil unidades, considerando a produção própria e os contratos com fabricantes parceiros.
A empresa mantém operações de montagem para outras marcas, entre elas Royal Enfield e KTM, e pode abrir um terceiro turno caso o crescimento da produção justifique a medida. Segundo o diretor comercial da Dafra, David Sarai, a mudança representaria entre 70 e 80 novos empregos diretos.
A experiência acumulada pela fabricante é um dos argumentos utilizados por Sarai para explicar a atuação da empresa como parceira de outras marcas. “A Dafra é uma escola. O CNPJ foi aberto em 2006 e a operação começou em 2008. A gente já chegou a quase 100 mil motos por ano”. Hoje, a unidade opera em dois turnos e conta com cerca de 330 empregados diretos.
A estrutura da empresa é utilizada por marcas que estão ampliando sua presença no mercado brasileiro. A Voge começou sua produção em Manaus utilizando a fábrica da Dafra, enquanto a Moto Morini mantém parceria com a DBS.
Na Moto Morini, o diretor comercial Eron Maia afirmou que a empresa passou a utilizar uma planta de 2 mil metros quadrados, com possibilidade de expansão para 4 mil metros quadrados. A companhia avalia qual formato será adotado para uma futura fábrica própria.
Tecnologia
Para Antônio Silva, as perspectivas do setor também passam pela incorporação de novas tecnologias. “Diante desse cenário, nossas expectativas para os próximos anos são de um crescimento sustentável, especialmente com o horizonte de inovação tecnológica e a introdução gradual de novas matrizes, a exemplo da mobilidade elétrica, que já começa a ganhar tração nas linhas de produção do PIM”.
Fonte: Acrítica.com









