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Home Curiosidades

Por que países vizinhos sofrem tanto com grandes terremotos, mas Brasil é poupado?

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26 de junho de 2026
in Curiosidades
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Isto está diretamente ligado à constituição da crosta terrestre — a camada externa do planeta é formada por gigantescas placas rochosas, chamadas de placas tectônicas

Curiosidade – O terremoto que atingiu a Venezuela na quarta-feira (24) e matou mais de 180 pessoas foi registrado na escala Richter como um sismo de magnitude 7,2 – um dos mais fortes já ocorridos no continente em toda a história.

Apesar do abalo fortíssimo no vizinho ao norte, o Brasil foi quase totalmente poupado, com apenas leves tremores tendo sido sentidos em cidades como Manaus ou Belém.

O país parece ser, em geral, poupado de terremotos. Mas a ciência mostra que não é bem assim.

O que acontece é que, como o país está localizado no meio de uma placa tectônica, ou seja, longe das bordas que estão em constante atrito com outras na crosta terrestre, os tremores acabam sendo sentidos com menos intensidade no país.

Tecnicamente, o Brasil está no centro da chamada placa Sul-Americana.

Já os países vizinhos ao Brasil, especialmente os que estão mais próximos à cordilheira dos Andes, têm em seus territórios bordas de duas placas — e são destes encontros que ocorrem os terremotos, alguns deles com catastróficas consequências.

Para entender isso é preciso compreender como os terremotos ocorrem. E isto está diretamente ligado à constituição da crosta terrestre — a camada externa do planeta é formada por gigantescas placas rochosas, chamadas de placas tectônicas.

Essa parte mais da superfície da Terra seria algo semelhante a um casco de tartaruga, com várias peças se encaixando”, compara o geógrafo e historiador Sergio Ribeiro Santos, professor na Universidade Presbiteriana Mackenzie.

E elas se movimentam a velocidades que podem chegar a até 10 centímetros por ano.

São formações imensas. A placa Sul-Americana, em alguns trechos, pode ter até 200 quilômetros de espessura.

Há placas que “carregam” os continentes, outras que estão cobertas por água marinha e até mesmo as que combinam ambas as superfícies. Professor em um colégio paulistano e mestre em geografia pela Universidade de São Paulo (USP), o geógrafo Sergio de Moraes Paulo faz uma analogia com uma casca de ovo para explicar o que é a crosta terrestre. “Só que uma casca toda fragmentada, em grandes placas, que são as placas litosféricas, as placas tectônicas”, pontua ele.

“Como a parte de baixo, o manto, que é como se fosse a clara do ovo, está se mexendo, as placas também se mexem”, explica Paulo.

Segundo o professor, esse movimento se torna mais notável nas chamadas “áreas de contato” — ou seja, o limite entre um placa e outra.

O geógrafo Santos explica que essa movimentação se dá por conta das altas temperaturas do interior do planeta.

O movimento das placas faz com que elas estejam constantemente em atrito umas com as outras, como se buscassem se encaixar em um espaço limitado. Elas se empurram, se raspam e se chocam. Se a tensão é constante, há momentos em que a energia chega a um nível em que as rochas se fraturam, se rompem. Mais ou menos como ocorre se pegarmos uma pedra e, com uma ferramenta bastante sólida, formos apertando-a cada vez mais — uma hora ela trinca, quebra.

No âmbito de dimensões gigantescas das placas tectônicas, essa fratura é chamada de falha. Mas a energia liberada desse movimento é tão grande que acaba fazendo vibrar todo o solo ao redor. É isso que faz com que ocorram os tremores.

A área onde essas duas placas colidem é conhecida como limites convergentes.

O Brasil está bem no meio da placa tectônica, e os terremotos acontecem muito mais próximos dos extremos das placas, nos limites convergentes. Ficamos distantes desses limites”, explica o geógrafo Anderson Andrade, pesquisador no Instituto Mackenzie.

“Os países vizinhos ao Brasil, principalmente os mais próximos à cordilheira dos Andes, estão muito perto desses limites convergentes”, acrescenta Andrade.

O que ocorre em países vizinhos ao Brasil é justamente a localização — onde se tocam as placas Sul-Americana e a de Nasca, na costa oeste da América do Sul, na região banhada pelo Oceano Pacífico. “Ali temos um movimento mais intenso e os abalos sísmicos. Aí ocorrem os terremotos. Esses abalos podem até chegar ao Brasil, mas como estamos no meio da placa, eles chegam mais fracos”, explica Paulo.

Segundo Santos, foi exatamente a fricção entre essas duas placas tectônicas que deu origem à imensa cadeia montanhosa chamada de Cordilheira dos Andes.

“Os países andinos da América do Sul, logo a oeste, estão sobre o contato entre duas grandes placas tectônicas”, sintetiza o engenheiro Antonio Eduardo Giansante, professor na Universidade Presbiteriana Mackenzie. “Qualquer movimento entre ambas causatremores e se for mais intenso, tem-se um terremoto. Muitas vezes o contato entre essas placas tem uma quantidade grande energia armazenada e por qualquer variação entre ambas, há liberação dessa energia e reacomodação entre ambas as placas, terremotos de grande intensidade.”

Terremotos brasileiros

Dados do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (USP) mostram que o Brasil teve cerca de 100 terremotos no século. Nenhum deles de forte intensidade — na maioria, seus efeitos foram imperceptíveis pela população.

Em 1980, houve um terremoto registrado no Ceará com 5,2 graus na escala Richter. Três anos mais tarde, os sismógrafos marcaram 5,5 graus no estado do Amazonas.

Neste século, alguns episódios marcantes também foram percebidos no Brasil. Em 2007, 6,1 graus de abalo sísmico chegaram a ser percebidos por moradores na divisa entre os estados do Acre e do Amazonas. No mesmo ano, em Minas Gerais, houve um sismo registrado de 4,9 graus.

Em abril de 2008 ocorreu aquela que talvez tenha sido a percepção sísmica de maior repercussão na história recente do Brasil. Na ocasião, 5,2 graus na escala Richter foram registrados em São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Santa Catarina.

O caso mais recente foi em 2018, quando reflexos de um terremoto na Bolívia foram percebidos em determinadas regiões do Brasil.

Segundo as medições do Centro de Sismologia da USP, os últimos tremores registrados no território brasileiro ocorreram em 11 de junho deste ano, quando três pequenos terremotos ocorreram na região de Tucuruí, no Pará — o maior deles, com 3,5 graus de magnitude.

A repercussão dos tremores é proporcional à intensidade deles. Em outras palavras, abalos sísmicos pequenos são muito comuns. “Mas acabamos por ter notícias apenas daqueles mais intensos, que geram imagens impressionantes”, diz o geógrafo Paulo.

Fonte: G1

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