Nem todo ovo de Páscoa é chocolate: produtos com pouco cacau podem enganar consumidores

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Especialista alerta que ovos com menos de 25% de cacau têm baixa qualidade nutricional e podem concentrar mais açúcar e gordura.

Saúde – Com a chegada da Páscoa, cresce o consumo de ovos de chocolate em todo o país. No entanto, nem todos os produtos vendidos como chocolate realmente atendem aos critérios de qualidade esperados. Ovos com menos de 25% de cacau, por exemplo, podem ter valor nutricional reduzido e maior presença de açúcares e gorduras.

O tema ganhou destaque após a aprovação, na Câmara dos Deputados, de um projeto de lei que estabelece regras mais claras para a composição e rotulagem de produtos derivados de cacau. A proposta define que o chamado “chocolate doce” deve conter pelo menos 25% de sólidos totais de cacau.

Segundo especialistas, quanto menor o teor de cacau, maior tende a ser a adição de ingredientes como açúcar e gordura para melhorar o sabor e a textura. Isso torna o produto mais calórico e menos nutritivo.

De acordo com a nutricionista Simone Spadaro, da Hospital Israelita Albert Einstein, chocolates com maior teor de cacau — acima de 50% ou 70% — costumam ser opções melhores.
“Eles têm menos açúcar e proporcionam maior sensação de saciedade. Ainda assim, devem ser consumidos com moderação”, explica.

Outro ponto de atenção é a rotulagem. Nem sempre as embalagens deixam claro o percentual real de cacau ou o tipo de gordura utilizada. Em alguns casos, a manteiga de cacau é substituída por gorduras vegetais mais baratas, enquanto diferentes tipos de açúcar aparecem com nomes menos conhecidos, como xarope de glicose ou maltodextrina.

Para fazer escolhas mais saudáveis, a orientação é observar a lista de ingredientes. O ideal é que ela seja curta e que o cacau apareça como primeiro item. Também é importante evitar produtos que contenham “gordura vegetal” e ter cuidado com ovos recheados, que geralmente possuem maior quantidade de açúcar e aditivos.

Termos como “premium”, “artesanal” ou “intenso” também exigem cautela, já que não garantem qualidade nutricional.

Diante disso, especialistas reforçam que a melhor escolha não depende apenas da embalagem ou do preço, mas principalmente da composição do produto. Quanto maior o teor de cacau, maiores são as chances de consumir um chocolate de melhor qualidade — e não apenas um doce com aparência de chocolate.

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