Categoria: Saúde

  • Simulador propõe estratégias para prevenção cardiovascular no SUS

    Nova ferramenta simula cenários virtuais para prevenção, diagnóstico e decisões médicas na atenção primária.

    Saúde – Um novo estudo da Beneficência Portuguesa de São Paulo traz uma iniciativa voltada aos cuidados das doenças cardiovasculares no atendimento médico no Sistema Único de Saúde, por meio de uma ferramenta digital para auxiliar as decisões médicas.

    O estudo, intitulado “Hypertension management in São Paulo: insights from a computational simulation approach”, foi publicado no Volume 57 da revista científica The Lancet Regional Health – Americas e apresenta o desenvolvimento de um simulador dinâmico de sistemas de saúde, chamado de Digital Twin, que testa virtualmente cenários relacionados à prevenção, diagnóstico e decisões no cuidado cardiovascular.

    A tecnologia utiliza dados reais e evidências científicas para avaliar como estratégias integradas podem influenciar indicadores como controle da hipertensão arterial, redução de hospitalizações e prevenção de eventos cardiovasculares ao longo do tempo. Entre os cenários observados no estudo está a ampliação de estratégias de rastreamento e identificação precoce de pessoas em risco cardiovascular, associadas ao encaminhamento para a linha de cuidado chamada “Cantinho Cuidando de Todos”, da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo.

    Segundo o cardiologista Fernando Ribas, os resultados do projeto mostram como ações integradas podem fortalecer a atenção primária dentro do SUS. “O simulador foi construído a partir de uma experiência prática desenvolvida dentro do SUS e pode ajudar gestores públicos a avaliar cenários e planejar estratégias baseadas em evidências para ampliar o controle da hipertensão e reduzir eventos cardiovasculares”, explica o especialista.

    Ele destaca que a ferramenta não tem como função prever o futuro, mas apoiar as decisões em saúde pública, em especial com o envelhecimento da população e o aumento de doenças crônicas. “Trata-se de um instrumento científico que permite analisar tendências e compreender como diferentes estratégias podem impactar a população ao longo do tempo.”

    O Digital Twin foi criado a partir da experiência prática da iniciativa Cardio4cities, implementada no Brasil pela Beneficência Portuguesa e pela Fundação Novartis, em integração ao projeto “Cuidado de Todos”, da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo. A Cardio atua em 45 municípios brasileiros e está em expansão internacional para Portugal e Colômbia.

    O desenvolvimento da tecnologia foi liderado pelo Swiss Tropical and Public Health Institute (Swiss TPH), em colaboração com pesquisadores da BP e Fundação Novartis e especialistas da Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH) e da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (SOCESP).


    Fonte e Foto: CNN Brasil

  • Surto de Ebola já deixou ao menos 100 mortos na República Democrática do Congo; CDC confirma caso em profissional dos EUA

    Paciente será transferido para a Alemanha para tratamento especializado. OMS classificou avanço da doença no país como emergência internacional.

    Saúde – Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) confirmaram nesta segunda-feira (18) um caso de Ebola em um profissional dos EUA que atuava na República Democrática do Congo, onde um surto da doença já deixou ao menos 100 mortos.

    Segundo o órgão, o paciente será transferido para a Alemanha para receber tratamento e cuidados especializados.

    A operação está sendo coordenada em parceria com o Departamento de Estado americano.

    Durante uma coletiva de imprensa, Satish Pillai, responsável pela resposta do CDC ao Ebola, afirmou que o risco para os Estados Unidos continua baixo.

    A emissora britânica BBC informou que mais de 390 casos suspeitos já foram registrados na República Democrática do Congo.

    A Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou o avanço da doença como uma emergência internacional de saúde pública.

    O atual surto envolve a variante Bundibugyo do vírus Ebola, considerada mais rara e para a qual ainda não existem vacinas ou tratamentos aprovados.

    Justamente por isso, autoridades de saúde alertam que o cenário pode ser mais amplo do que o detectado até agora, com risco de disseminação regional.

    Ainda segundo a BBC, ao menos seis americanos teriam sido expostos ao vírus durante a atuação no Congo.

    Fontes ouvidas pela CBS News, parceira da emissora nos EUA, afirmaram que um deles apresentou sintomas, enquanto outros tiveram contato considerado de alto risco.

    O CDC não detalhou quantas pessoas foram afetadas.

    Uganda também confirmou casos da doença, incluindo uma morte. Países vizinhos, como Ruanda e Nigéria, anunciaram reforço em ações de vigilância e controle sanitário nas fronteiras.

    Fonte: G1

  • Projeto de lei: especialista avalia benefício do cordão roxo para Alzheimer

    Proposta cria identificação visual para portadores de demência em espaços públicos e ainda passará por outras comissões antes de virar lei.

    Saúde – A Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa da Câmara dos Deputados aprovou, na última sexta-feira (15), o Projeto de Lei 334/26, que cria o cordão roxo para identificação de pessoas com Alzheimer. A proposta, apresentada por Laura Carneiro, tem como objetivo facilitar o reconhecimento dessas pessoas em locais públicos, evitando situações de conflito ou constrangimento.

    O projeto ainda precisará ser avaliado por outras duas comissões da Câmara dos Deputados antes de seguir para votação no Senado Federal. A iniciativa representa um passo importante no debate sobre a proteção de pessoas com demência em espaços coletivos.

    Especialista avalia benefícios e pontos de atenção

    O geriatra Leonardo Oliva, presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, avaliou positivamente a proposta, destacando a importância da sinalização visual para a proteção desse grupo. “A identificação dos pacientes com demência pode favorecer a proteção desse indivíduo, principalmente em espaços públicos”, afirmou. Para ele, trata-se de “uma necessidade real”, e a sinalização por meio do cordão roxo “parece adequada”.

    No entanto, Oliva também apontou aspectos que merecem discussão. Um dos questionamentos levantados diz respeito à existência de uma identificação já utilizada no Brasil: o cordão com girassóis, destinado a pessoas com deficiências não visíveis, que também contempla indivíduos com demência. Segundo o especialista, a criação de um novo cordão pode “trazer uma maior complexidade de entendimento” em vez de favorecer essa população específica.

    Treinamento é apontado como essencial

    Além da identificação visual, Leonardo Oliva ressaltou que o cordão, por si só, não é suficiente. “A gente precisa ter uma sinalização, mas a gente precisa também ter um treinamento das pessoas que vão lidar com esses indivíduos”, destacou. O especialista citou aeroportos, rodoviárias, bancos e unidades de saúde como os principais locais onde esse preparo seria indispensável, para que as pessoas possam entender o significado do cordão e saber como agir diante de alguém que o utilize.


    Fonte e Foto: CNN Brasil

  • Uganda e Congo confirmam surto de Ebola; EUA fornecem assistência e monitoram relatos de casos

    Africa CDC investiga 233 ocorrências suspeitas no país vizinho, incluindo 65 fatais, enquanto autoridades monitoram possível circulação de nova variante.

    Saúde – Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC) estão monitorando relatos de casos de Ebola na República Democrática do Congo e em Uganda e fornecendo assistência técnica aos seus governos, afirmou o diretor interino da instituição nesta sexta-feira (15), de acordo com a agência Reuters.

    Também nesta sexta, o Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças (Africa CDC) anunciou que uma nova epidemia de ebola está em curso no Congo, uma região devastada por conflitos armados.

    A principal agência de saúde pública da África informou que o surto ocorre na província de Ituri. Ao todo, 13 casos foram confirmados e quatro mortes foram atribuídas ao vírus, após exames em laboratório. O país também registrou outros 233 casos suspeitos, 65 deles fatais estão sendo investigados.

    A agência informou que as mortes e os casos suspeitos foram relatados principalmente nas zonas de saúde de Mongwalu e Rwampara, enquanto quatro mortes foram registradas entre os casos confirmados em laboratório. Casos suspeitos também foram relatados em Bunia, a capital da província.

    A Uganda também confirmou nesta sexta um surto da doença altamente contagiosa causada pelo vírus, que envolve a cepa Bundibugyo, informou o Ministério da Saúde. A pasta afirmou que o caso foi uma infecção importada do Congo. O paciente morreu na UTI em 14 de maio, após desenvolver sintomas hemorrágicos.

    O Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças (ADCDC) afirmou em comunicado que está convocando uma reunião urgente com representantes do Congo, Uganda, Sudão do Sul e parceiros globais para reforçar a vigilância transfronteiriça, o preparo e os esforços de resposta.

    “O CDC possui vasta experiência e conhecimento no combate a surtos de Ebola e estamos trabalhando em estreita colaboração com o Ministério da Saúde da República Democrática do Congo, por meio de nosso escritório no país, para apoiar nossos esforços de resposta”, disse o diretor interino Jay Bhattacharya a jornalistas em uma teleconferência.

    O Africa CDC disse que as descobertas iniciais sugerem a presença de uma cepa do vírus não originária do Zaire, e o sequenciamento está em andamento para melhor caracterizá-la.

    Jean-Jacques Muyembe, o virologista congolês codescobridor do Ebola e chefe do Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica em Kinshasa, disse à Reuters que todos os 16 surtos anteriores no Congo, com exceção de um, foram causados pela cepa Zaire.

    Segundo ele, a identificação de uma variante diferente vai complicar a resposta, já que os tratamentos e vacinas existentes foram desenvolvidos contra a cepa Zaire.

    O Africa CDC está preocupado com o risco de maior disseminação devido ao contexto urbano de Bunia e Rwampara”, assim como com o “intenso movimento populacional” e a mobilidade relacionada à mineração nas áreas afetadas, que ficam próximas a Uganda e ao Sudão do Sul, acrescentou a agência

    Dado o grande movimento populacional entre as áreas afetadas e os países vizinhos, a rápida coordenação regional é essencial”, disse o diretor-geral do Africa CDC, Jean Kaseya, em comunicado.

    Primeiras amostras confirmadas como positivas na quinta-feira, diz a OMS

    A Organização Mundial da Saúde (OMS) tomou conhecimento de casos suspeitos em 5 de maio e enviou uma equipe a Ituri para ajudar na investigação, mas as amostras coletadas em campo inicialmente testaram negativo, disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em uma coletiva de imprensa nesta sexta-feira .

    Um laboratório em Kinshasa confirmou casos positivos na quinta-feira, e o número total de casos positivos confirmados agora é de 13, disse Tedros.

    A OMS liberou US$ 500.000 de seu fundo de contingência para emergências para apoiar a resposta, incluindo vigilância, rastreamento de contatos, testes laboratoriais e atendimento clínico, acrescentou.

    Ituri atingida por confrontos entre milícias

    O novo surto está se desenrolando em meio a uma crescente crise de segurança em Ituri, onde confrontos entre grupos de milícias rivais mataram dezenas de civis nas últimas semanas.

    A violência agravou uma situação humanitária já crítica, deixando as instalações de saúde sobrecarregadas ou inoperantes em algumas partes da província, informou a organização Médicos Sem Fronteiras no início deste mês. A organização humanitária alertou para as condições catastróficas de higiene nos locais de deslocamento, aumentando o risco de surtos de doenças.

    Este é o 17º surto no Congo desde que o Ebola foi identificado pela primeira vez no país, em 1976. O surto mais recente, na província de Kasai, foi declarado encerrado em 1º de dezembro, após três meses. De um total de 64 casos, 45 morreram e 19 se recuperaram.

    Vírus mortal

    Apesar das vacinas e tratamentos recentes, a doença do vírus Ebola é uma enfermidade grave e frequentemente fatal e endêmica nas vastas florestas tropicais do Congo. Ela se espalha por contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas, materiais contaminados ou pessoas que morreram em decorrência da doença.

    Entre os principais sintomas, estão febre, vômitos, sangramentos e diarreia.

    As pessoas infectadas só se tornam contagiosas após o aparecimento dos sintomas, depois de um período de incubação que varia de dois a 21 dias.

    Nos últimos 50 anos, a febre hemorrágica altamente contagiosa causou 15 mil mortes na África. O surto mais letal no Congo, registrado entre 2018 e 2020, deixou 2.300 mortos de um total de 3.500 pessoas doentes.

    Fonte: G1

  • Brasil avança em terapia revolucionária contra câncer que custa até R$ 4 milhões por dose, mas pacientes ainda morrem esperando acesso

    Tratamento que ‘reprograma’ células de defesa do próprio paciente já consegue fazer tumores desaparecerem em casos agressivos, mas especialistas apontam desigualdade, judicialização e gargalos logísticos no país.

    Saúde – Uma terapia capaz de “reprogramar” células do sistema imunológico para atacar o câncer vem mudando o destino de pacientes com alguns dos tumores mais agressivos do sangue. No Brasil, entretanto, o acesso ao tratamento ainda esbarra em filas, disputas judiciais, falta de estrutura e até dificuldades de transporte em um país continental.

    A terapia CAR-T, considerada uma das maiores revoluções recentes da oncologia, já mostrou taxas de resposta que chegam a 80% em alguns tipos de câncer hematológico. Em mais da metade dos casos, os tumores desaparecem completamente, com remissões que podem durar anos.

    Mas um estudo publicado na revista científica Frontiers in Hematology mostra que, apesar do avanço, muitos pacientes brasileiros ainda não conseguem chegar ao tratamento a tempo.

    O estudo reúne especialistas em oncologia, saúde pública, regulação sanitária, defesa dos pacientes e direito à saúde para mapear os principais entraves da terapia no Brasil. Entre os autores estão médicos pioneiros no uso da CAR-T no país, representantes de entidades de pacientes, ex-integrantes do Ministério da Saúde e um ex-presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

    Hoje, o Brasil é o único país da América Latina com acesso estruturado à terapia CAR-T.

    O que é a CAR-T

    A terapia CAR-T funciona como uma espécie de engenharia do sistema imunológico.

    Primeiro, médicos retiram linfócitos T —células de defesa do próprio paciente— do sangue. Em laboratório, essas células passam por uma modificação genética que as transforma em versões capazes de identificar e atacar células tumorais específicas. Depois, elas são reinfundidas no organismo.

    Stefani compara o processo à criação de um “super soldado” imunológico.

    “Nós retiramos os linfócitos T do paciente, reprogramamos essas células para reconhecer o tumor e depois as reinfundimos no organismo já preparadas para atacá-lo”, explica.

    Hoje, o tratamento é aprovado no Brasil para alguns tipos de leucemia, linfoma e mieloma múltiplo. O país já tem quatro terapias CAR-T aprovadas entre 2022 e 2024.

    Símbolo da oncologia moderna

    Segundo os autores do estudo, o impacto clínico do tratamento transformou a CAR-T em um dos maiores símbolos da oncologia moderna.

    Stefani relembra o caso de uma paciente que participou dos primeiros estudos internacionais da terapia.

    Custo milionário e acesso desigual

    Apesar dos resultados, o acesso continua extremamente limitado.

    O estudo aponta que o custo do tratamento pode ultrapassar US$ 500 mil por paciente —o equivalente a cerca de R$ 2,8 milhões na cotação atual.

    Em entrevista ao g1, Stefani afirma que alguns tratamentos hoje chegam perto de R$ 4 milhões em dose única.

    Além do preço da terapia, o tratamento exige centros altamente especializados, equipes treinadas e uma estrutura hospitalar complexa.

    No setor privado, o desafio é o impacto financeiro para operadoras de saúde. No Sistema Único de Saúde (SUS), os autores apontam ausência de modelos específicos de financiamento e incorporação da terapia.

    O resultado é que muitos pacientes acabam recorrendo à Justiça para tentar obter acesso ao tratamento.

    O desafio de fazer CAR-T em um país continental

    O estudo também chama atenção para dificuldades pouco discutidas fora do meio médico: a logística.

    Atualmente, parte das células coletadas de pacientes brasileiros precisa ser enviada para laboratórios no exterior, como Estados Unidos e Holanda, antes de retornar ao país para a aplicação da terapia.

    Em um país continental, isso cria obstáculos extras.

    “Em algumas regiões do país, haverá pacientes que precisarão passar até dois dias em um barco para chegar a um centro habilitado”, afirma Stefani.

    Segundo ele, até problemas em conexões aéreas podem comprometer o processo.

    O estudo defende que o país precisa criar protocolos nacionais, ampliar centros habilitados, desenvolver sistemas de acompanhamento de pacientes e investir em modelos de financiamento específicos para terapias de alto custo.

    Produção nacional pode reduzir custos

    Entre as apostas para ampliar o acesso está a produção brasileira da terapia.

    O estudo cita iniciativas lideradas pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Instituto Nacional de Câncer (INCA), Universidade de São Paulo (USP) e parceiros internacionais para desenvolver versões nacionais da CAR-T.

    A expectativa é reduzir custos e diminuir a dependência de laboratórios estrangeiros.

    Segundo Stefani, experiências de países como Índia e China já apontam possibilidade de reduzir os custos em até dez vezes, embora o tratamento continue caro mesmo nesses cenários.

    Para os autores, o Brasil pode se tornar uma referência regional em terapias celulares avançadas —mas isso dependerá de investimento em infraestrutura, qualificação profissional e reorganização do sistema de saúde.

    Fonte: G1

  • Dor de cabeça constante pode ser sinal de tumor? Especialistas alertam para sintomas que não devem ser ignorados

    Mudanças no padrão da dor, crises convulsivas, vômitos e alterações neurológicas podem indicar aumento da pressão no cérebro e exigem investigação médica rápida.

    Saúde – A dor de cabeça é uma das queixas mais comuns nos consultórios médicos e, na maioria dos casos, está relacionada a causas benignas, como estresse, enxaqueca, tensão muscular ou noites mal dormidas. No entanto, quando ela passa a ser persistente, progressiva ou acompanhada de outros sintomas neurológicos, pode representar um importante sinal de alerta para tumores cerebrais.

    Durante o Maio Cinza, campanha de conscientização sobre os tumores do sistema nervoso central, especialistas reforçam a importância de reconhecer sintomas que fogem do padrão habitual e buscar avaliação médica precoce.

    Segundo o neurocirurgião Dr. César Cimonari, dores de cabeça que pioram progressivamente, surgem de maneira diferente do habitual ou vêm acompanhadas de alterações neurológicas merecem atenção imediata.

    “Nem toda dor de cabeça significa tumor cerebral. Mas quando existe mudança no padrão da dor, episódios de vômito sem explicação, crises convulsivas, perda de força, alterações visuais ou dificuldade para falar, é fundamental investigar”, explica.

    Os tumores cerebrais podem aumentar a pressão dentro do crânio à medida que crescem, comprimindo estruturas do cérebro e provocando sintomas variados. Entre os sinais mais frequentes estão:

    dores de cabeça persistentes;

    náuseas e vômitos;

    visão embaçada ou dupla;

    perda de equilíbrio;

    crises convulsivas;

    alterações de memória ou comportamento;

    dificuldade para falar;

    fraqueza em braços ou pernas.

    Especialistas explicam que a localização do tumor influencia diretamente os sintomas apresentados. Em alguns casos, a doença pode evoluir silenciosamente, sem causar dor intensa no início.

    Outro ponto de atenção é quando a dor de cabeça passa a acordar a pessoa durante a madrugada ou piora ao tossir, fazer esforço físico ou abaixar a cabeça. Isso pode indicar aumento da pressão intracraniana.

    De acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Brasil registra cerca de 11 mil novos casos de tumores do sistema nervoso central por ano. Apesar de menos frequentes que outros tipos de câncer, essas doenças têm alto impacto por comprometer funções essenciais do organismo.

    O diagnóstico costuma envolver avaliação clínica, exames neurológicos e métodos de imagem, como tomografia e ressonância magnética. Quanto mais cedo o tumor é identificado, maiores são as chances de tratamento eficaz e menor o risco de sequelas.

    Os tratamentos variam conforme o tipo e a localização do tumor, podendo incluir cirurgia, radioterapia, quimioterapia e terapias-alvo. Nos últimos anos, os avanços da neurocirurgia e da medicina de precisão têm aumentado as possibilidades de controle da doença e melhorado a qualidade de vida dos pacientes.

    Especialistas reforçam que o principal cuidado é não normalizar sintomas persistentes. “A maioria das dores de cabeça não está ligada a tumores, mas sintomas novos, progressivos ou associados a alterações neurológicas nunca devem ser ignorados”, alerta Dr. César Cimonari.

  • Cortar o açúcar pode mudar seu corpo; conheça os benefícios

    Adeus açúcar refinado: o que muda no organismo quando ele é retirado da alimentação

    Saúde – Presente em refrigerantes, doces, biscoitos e diversos alimentos ultraprocessados, o açúcar refinado faz parte da rotina alimentar de muitas pessoas. Quando o consumo é interrompido, porém, o organismo passa por uma série de mudanças que podem ser percebidas já nos primeiros dias.

    Segundo a nutricionista Vanessa Giglio, a adaptação inicial pode ser desconfortável, mas tende a abrir espaço para benefícios importantes relacionados ao metabolismo, à disposição e até à saúde da pele.

    De acordo com a especialista, é comum que o organismo reaja à retirada do açúcar refinado de maneira semelhante a um processo de abstinência. Isso acontece porque o corpo está habituado aos estímulos rápidos provocados pelos picos de glicose no sangue.

    Apesar do desconforto inicial, a tendência é que esses sinais diminuam gradualmente conforme o metabolismo se adapta a uma nova forma de obtenção de energia.

    Passada a fase inicial, muitas pessoas começam a perceber mudanças positivas no funcionamento do corpo.

    Sem oscilações bruscas de açúcar no sangue, os níveis de saciedade tendem a ficar mais equilibrados. Isso ajuda a reduzir episódios de compulsão alimentar e beliscos frequentes.

    Ao diminuir a dependência dos picos rápidos de glicose, o organismo aprende a utilizar melhor outras fontes energéticas, evitando quedas repentinas de disposição.

    Auxílio no emagrecimento

    A redução do consumo de açúcar refinado costuma diminuir a ingestão de calorias vazias, o que pode favorecer o controle do peso corporal.

    Outro efeito percebido pode aparecer no espelho. Segundo Vanessa Giglio, o menor consumo de açúcar reduz a glicação, processo relacionado ao envelhecimento precoce da pele.

    A nutricionista destaca ainda impactos positivos na saúde metabólica, como melhora da sensibilidade à insulina e redução do risco de desenvolver Type 2 Diabetes, gordura no fígado e inflamações crônicas.

    A alimentação com menos açúcar refinado pode favorecer o equilíbrio da microbiota intestinal, contribuindo para diminuir sintomas como inchaço e desconforto abdominal.

    É seguro cortar o açúcar?

    Segundo a especialista, retirar o açúcar adicionado da dieta não faz mal à saúde. O organismo consegue obter glicose naturalmente a partir de alimentos como frutas, legumes e raízes, além de possuir mecanismos internos para produzir energia.

    Ela alerta, porém, que reduzir açúcar não significa eliminar todos os carboidratos da alimentação.

    Alimentos como aveia, arroz integral, frutas e batata continuam importantes para uma dieta equilibrada, especialmente em fases da vida que exigem maior demanda nutricional, como infância, gestação e prática intensa de atividade física.

    Fonte: Terra

  • Maio Amarelo: FVS-RCP mobiliza ação educativa e reforça cuidado com motociclistas

    Programação reúne orientações preventivas e serviços de saúde voltados à segurança no trânsito

    Saúde – Na continuidade das ações da Campanha Maio Amarelo para a prevenção aos acidentes de trânsito, a Fundação de Vigilância em Saúde – Dra. Rosemary Costa Pinto participa até está quinta-feira (14/05), na programação do Pit Stop Educativo. A atividade acontece até às 16h, no Sesi Clube do Trabalhador, na zona leste de Manaus.

    A ação integra a programação do Pit Stop Educativo para Motociclistas, promovido pelo Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas (Detran-AM), em parceria com a Abraciclo, com o tema “No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas”. A iniciativa reúne equipes da Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM), com serviços de aferição de glicemia e pressão arterial, além de orientações da FVS-RCP sobre prevenção de acidentes de trânsito e distribuição de materiais educativos sobre saúde no trânsito e HIV/Aids.

    Para a secretária Executiva Adjunta de Assistência da SES-AM, Mônica Melo, participar da ação reforça a importância do trabalho coletivo pela preservação da vida. “O trânsito é formado por pessoas que fazem parte de famílias, e atitudes simples no dia a dia fazem toda a diferença nesse esforço de conscientização e cuidado’, destaca.

    Na ocasião, a diretora-presidente da FVS-RCP, Tatyana Amorim, destaca que a proximidade com a população fortalece as ações de orientação e prevenção no trânsito. “Os índices de acidentes e mortes já apresentam redução, mostrando que as ações de conscientização surtem efeito. Mas é fundamental transformar atitudes seguras em hábitos para avançarmos ainda mais na preservação de vidas”, afirma.

    De acordo com o diretor de Vigilância Epidemiológica da FVS-RCP, Alexsandro Melo, os dados de mortalidade no trânsito mostram que os motociclistas estão entre os mais atingidos, reforçando a importância de ações voltadas à conscientização desse público. “Acidentes e mortes no trânsito podem ser evitados. Ações como essa fortalecem a prevenção, ampliam a conscientização e aproximam os serviços de saúde dos motociclistas e da população”, reforça.

    Cuidado que orienta e salva vidas

    No estande da FVS-RCP, técnicos orientam a população sobre prevenção de acidentes de trânsito e infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), além de distribuir materiais informativos, preservativos internos e externos e gel lubrificante.

    O motociclista Caio Moraes, de 27 anos, destaca a experiência durante a ação. “A gente é muito bem recebido desde a entrada. Ao receber os materiais educativos, tivemos uma explicação detalhada, o que foi muito importante, porque muitas vezes não conseguimos compreender totalmente o conteúdo”, afirma.

    Realizado anualmente, o movimento Maio Amarelo mobiliza instituições públicas, privadas e a sociedade civil em torno da segurança viária, promovendo ações para reduzir acidentes e mortes no trânsito e fortalecer a cultura de preservação da vida.

    Fonte: Aline Reis FVS

  • Pessoas 50+ vão representar metade do consumo com saúde em 2044

    Gastos da “geração prateada” serão de R$ 559 bilhões, mostra estudo.

    Saúde – Em cerca de 20 anos, metade do consumo das famílias brasileiras com produtos e serviços relacionados a saúde será de pessoas com 50 anos ou mais. A chamada geração prateada ─ referência aos cabelos grisalhos ─ responderá por R$ 559 bilhões de um total de R$ 1,1 trilhão consumido com saúde em 2044.

    Essa projeção representa um avanço em relação a 2024, quando a geração 50+ representava 35% desse gasto com medicamentos, planos de saúde e suplementos, entre outros produtos.

    Os dados fazem parte do estudo Mercado Prateado: consumo dos brasileiros 50+ e projeções, feito pela data8, empresa especializada em pesquisas relacionadas a envelhecimento e longevidade.

    Uma das coordenadoras da pesquisa, Lívia Hollerbach conta que não é surpresa as pessoas gastarem mais com saúde à medida que envelhecem, mas, mesmo assim, as constatações são preocupantes.

    “Nos surpreendeu essa projeção de que muito rapidamente, em menos de 20 anos, essa população já vai ser responsável por movimentar metade do consumo no país em todo o setor de saúde”, disse ela.

    Peso no bolso

    O levantamento aponta que a relação entre faixa etária e consumo com saúde cresce de forma desproporcional quando se observa a população que forma a geração prateada.

    Em 2024, o Brasil tinha 59 milhões de pessoas 50+, o que representava 27% da população, mas 35% do consumo com saúde.

    Em 2044, a projeção é termos 92 milhões de pessoas. Esse contingente representará 40% da população e 50% do consumo.

    “A saúde realmente vai tomar parte grande do bolso do brasileiro”, afirma Lívia Hollerbach.

    De acordo com o estudo, planos de saúde, medicamentos e suplementos representam 79% da cesta mensal de consumo de saúde das pessoas com mais de 50 anos.

    Os pesquisadores estimaram o peso do consumo com saúde no orçamento pessoal. Na população com menos de 50 anos, 8% da renda vão para produtos e serviços relacionados à saúde. Para a geração prateada, o impacto no bolso é de 14%.

    O levantamento detalha mais por faixa etária. Pessoas de 50 a 54 anos direcionam 11% do consumo mensal para a saúde. Na faixa de 70 a 74 anos, o patamar passa para 18%. Entre as pessoas com 80 anos ou mais, o peso chega a 21%.

    Os demais gastos são com consultas médicas, exames, materiais de tratamento entre outros.

    Estrutura de saúde

    A coordenadora do estudo chama a atenção para a necessidade de o país se preparar para o envelhecimento da população, tanto na esfera pública quanto privada.

    “A população brasileira apresenta uma demanda por cuidado e atenção à saúde que, em territórios mais vulneráveis, supera a capacidade de resposta disponível, seja pelo Poder Público, seja pela iniciativa privada”, diz Lívia.

    Para a especialista, o “congestionamento recorrente” dos serviços públicos e privados é um indicativo de que a oferta existente já opera sob forte pressão, em um cenário em que a demanda tende a crescer de forma contínua nas próximas décadas.

    Caminhos

    Entre os caminhos para lidar com os desafios presentes e futuros, ela cita o desenvolvimento de cadeia de cuidados de longa duração. “É uma das maiores prioridades quando olhamos para a transição demográfica”.

    Ressalta ainda a necessidade de a medicina preventiva ganhar cada vez mais importância e espaço na sociedade. “É extremamente importante essa cultura”, enfatiza, acrescentando que enxerga avanços, como a redução do tabagismo e do consumo de álcool.

    A coordenadora assinala que o foco da sociedade deve ser relacionar aumento de expectativa com qualidade de vida.

    “Isso só vai acontecer quando a gente tiver não só conscientização, mas realmente programas, produtos e serviços focados para uma saúde preventiva”, conclui.




    Fonte e Foto: Agência Brasil

  • Alergias atingem até 40% da população e impactam mais os centros urbanos

    Poluição, estilo de vida urbano e subdiagnóstico impulsionam avanço das doenças alérgicas no Brasil e no mundo

    Saúde- As doenças alérgicas atingem entre 30% e 40% da população mundial e já são consideradas um desafio crescente de saúde pública, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, estima-se que cerca de 30% da população tenha rinite alérgica e 10%, asma —quadros que tendem a se agravar nos centros urbanos, impulsionados pela poluição e pelo estilo de vida.
    Dados do Atlas Global de Alergia da Academia Europeia de Alergia e Imunologia Clínica (EAACI) indicam que, até 2050, metade da população mundial poderá ter algum tipo de alergia. No entanto, especialistas alertam que o tratamento ainda é frequentemente focado apenas no alívio dos sintomas, sem investigar os gatilhos das crises.
    “O subdiagnóstico ainda é um problema importante. Muitos pacientes convivem por anos com sintomas recorrentes, como coceira, tosse, dermatite e desconfortos gastrointestinais, sem chegar à causa real”, afirma Leonardo Abreu, médico de família e comunidade e coordenador técnico da Amparo Saúde, empresa de Atenção Primária à Saúde do Grupo Sabin.
    Segundo ele, isso leva ao uso frequente de medicações que aliviam momentaneamente os sintomas, mas não resolvem o problema de base.

    Avanços diagnósticos
    Atualmente, a medicina diagnóstica dispõe de exames de alta precisão para identificar os agentes causadores das alergias, como a IgE específica, os painéis de alérgenos e o diagnóstico molecular por componentes (CRD). Esse último é capaz de identificar qual molécula (proteína) causa a alergia e diferenciar alergias verdadeiras de reações cruzadas.
    “Esses exames ajudam a sair do campo da suspeita e trazer mais objetividade para o diagnóstico”, explica Abreu. Feitos a partir de uma coleta de sangue, os testes permitem mapear a quais substâncias o paciente está sensibilizado, como ácaros, pólens, alimentos ou pelos de animais.
    Nas grandes cidades, os principais desencadeadores de alergias costumam ser ácaros, poluição do ar, mofo, pólen, pelos de animais e, em alguns casos, alimentos ultraprocessados. “O estilo de vida urbano contribui bastante: ambientes fechados, pouca ventilação, maior exposição à poluição e mudanças no padrão alimentar”, analisa o médico.
    Além desses fatores, ele cita a chamada “hipótese da higiene”, que relaciona a menor exposição a microrganismos ao longo da vida ao desenvolvimento de alergias, como uma possível explicação para o aumento desses quadros nos centros urbanos.

    Tratamento personalizado
    Uma vez identificado com precisão o gatilho das alergias, é possível instituir um tratamento personalizado, atuando na raiz do problema. “Em vez de apenas controlar sintomas, passamos a adotar medidas de prevenção mais direcionadas, com ajustes ambientais, orientação alimentar ou até imunoterapia em alguns casos”, destaca Abreu.
    Com isso, é possível reduzir crises, evitar uso contínuo de medicamentos e melhorar a qualidade de vida — especialmente nos casos crônicos. “A pessoa passa a entender melhor o próprio quadro e ganha mais previsibilidade no dia a dia, o que faz bastante diferença, principalmente nos casos crônicos”, complementa o médico.

    Foto: Freepik

    Por Agência de Comunicação Repercussão