Categoria: Saúde

  • Teste genético para câncer de mama será incorporado ao SUS; entenda

    O exame vai detectar alterações genéticas que auxiliam na definição de possíveis tratamentos e identificar riscos da doença em familiares.

    Saúde – O Ministério da Saúde (MS) anunciou na quarta-feira (13) a inclusão de novo teste genético de alta precisão ao Sistema Único de Saúde (SUS), capaz de acusar mutações nos genes BRCA1 e BRCA2, associados ao câncer de mama. Pacientes que fazem acompanhamento na rede pública terão acesso gratuito à tecnologia.

    O anúncio foi feito por meio de portaria publicada pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde, ligada ao MS. No documento consta um prazo de 180 dias para que o SUS efetive a oferta do teste em suas áreas técnicas em todo o território.

    A decisão partiu de análise da Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde), que avalia novos dispositivos a serem incorporados na rede pública de saúde.

    Tecnologia identifica sequenciamento genético ligado a risco de câncer

    O novo teste permite identificar com precisão mutações em genes específicos, ligados a maior risco de surgimento do câncer de mama. A identificação precoce também é importante para acender alerta para familiares, já que as mutações podem ser herdadas.

    “Quem herda esses genes possui de 60% a 80% maior chance de desenvolver este tipo de câncer”, explica Dr. Oren Smaletz, oncologista do Einstein Hospital Israelita. A identificação da predisposição ligada à herança genética é fundamental para estratégias preventivas, como realização de exames de imagem e ressonâncias, e até cirurgias profiláticas, em casos mais preocupantes.

    O teste identificará mutação nos genes BRCA1/2 em mulheres já diagnosticadas com câncer de mama, conforme publicação da Secretaria. Esses genes estão ligados à supressão de tumores, pois são responsáveis por reparar “danos” no DNA, impedindo a reprodução de células com material genético desordenado.

    A identificação da mutação também tem impacto direto no tratamento oferecido pelo SUS. Orientações médicas sobre qual o tratamento mais eficiente a ser adotado se baseiam na probabilidade de reincidência do aparecimento de tumores. Alguns medicamentos são voltados especificamente para câncer ligado a fatores genéticos, como bloqueadores da enzima PARP, usados também em casos de câncer de ovário.


    Fonte e Foto: CNN Brasil

  • Dormir pouco ou demais pode acelerar envelhecimento do corpo e aumentar risco de doenças, diz estudo

    Pesquisa com quase 500 mil pessoas relacionou hábitos noturnos inadequados a maior mortalidade e alterações em órgãos como cérebro, fígado, pulmão e pele

    Saúde – Dormir menos de seis horas ou mais de oito horas por noite pode estar associado ao envelhecimento biológico acelerado em diferentes órgãos do corpo e a maior risco de doenças e morte, segundo um estudo publicado na revista científica Nature.

    A pesquisa analisou dados de quase 500 mil pessoas do banco britânico UK Biobank e identificou uma relação entre duração do sono e envelhecimento biológico: tanto o sono insuficiente quanto o excessivo estiveram ligados a piores indicadores de saúde.

    Os pesquisadores observaram sinais de envelhecimento acelerado em órgãos e sistemas como cérebro, pulmão, fígado, pâncreas, tecido adiposo, pele e sistema imunológico.

    Segundo o estudo, os menores níveis de envelhecimento biológico foram registrados em pessoas que dormiam entre 6,4 e 7,8 horas por noite, com pequenas variações entre homens e mulheres.

    Entre os distúrbios relacionados ao cérebro, a privação de sono foi significativamente associada a episódios depressivos e transtornos de ansiedade, como observado em outros estudos sobre sono e saúde mental. A privação de sono também foi associada à obesidade, diabetes tipo 2, hipertensão, doença cardíaca isquêmica e arritmias cardíacas.

    Além disso, a privação de sono também foi associada à doença pulmonar obstrutiva crônica, asma e um conjunto de distúrbios digestivos, incluindo gastrite e doença do refluxo gastroesofágico.

    Estudo avaliou relógios biológicos do corpo

    Para chegar aos resultados, os cientistas utilizaram 23 “relógios biológicos” de envelhecimento desenvolvidos a partir de:

    • exames de ressonância magnética;
    • análises de proteínas do plasma;
    • estudos metabólicos.

    Esses relógios estimam a chamada idade biológica, uma medida que tenta indicar o desgaste real do organismo, independentemente da idade cronológica.

    Os pesquisadores analisaram diferenças entre idade cronológica e idade biológica em diferentes órgãos e sistemas do corpo.

    “Todos estão entusiasmados com esses relógios biológicos e sua capacidade de prever doenças e riscos de mortalidade. Mas, para mim, a questão mais interessante é: podemos conectar esses relógios biológicos a um fator de estilo de vida que possa ser modificado a tempo de retardar o envelhecimento?”, questiona o líder do estudo, Junhao Wen, professor assistente de radiologia da Faculdade de Médicos e Cirurgiões Vagelos da Universidade Columbia.

    Relação em “U” apareceu em diferentes órgãos

    Dos 23 relógios biológicos avaliados, nove apresentaram associação significativa entre duração do sono e envelhecimento acelerado.

    Entre os sistemas mais afetados estavam:

    • cérebro;
    • pulmão;
    • fígado;
    • sistema imunológico;
    • pele;
    • pâncreas;
    • tecido adiposo;
    • sistema endócrino.

    Os autores afirmam que os resultados sugerem que o sono exerce impacto sistêmico no organismo, e não apenas no cérebro.

    Sono curto teve associação mais ampla com doenças

    A pesquisa também encontrou ligação entre padrões anormais de sono e 153 doenças sistêmicas.

    O sono curto, de menos de 6 horas, apresentou associação mais ampla com problemas de saúde, incluindo:

    Doenças cardiovasculares

    • insuficiência cardíaca;
    • hipertensão;
    • doença arterial coronariana;
    • arritmias.

    Problemas metabólicos

    • diabetes tipo 2;
    • obesidade;
    • alterações do colesterol.

    Doenças respiratórias

    • asma;
    • bronquite;
    • doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC).

    Problemas psiquiátricos e neurológicos

    • depressão;
    • ansiedade;
    • transtornos por uso de substâncias;
    • enxaqueca.

    Problemas gastrointestinais

    • refluxo;
    • gastrite;
    • síndrome do intestino irritável;
    • constipação.

    Sono prolongado teve ligação maior com doenças cerebrais

    Já o sono longo, de mais de 8 horas, mostrou associação mais concentrada em transtornos neuropsiquiátricos e doenças relacionadas ao cérebro.

    Entre elas:

    • depressão maior;
    • esquizofrenia;
    • transtorno bipolar;
    • TDAH;
    • dependência alcoólica;
    • enxaqueca.

    Segundo os autores, isso pode indicar mecanismos diferentes entre os efeitos do sono curto e do sono prolongado no organismo.

    O estudo não conseguiu determinar definitivamente se a duração do sono causa depressão na terceira idade ou se a depressão na terceira idade influencia a duração do sono.

    As análises sugerem que o sono curto pode agravar a depressão na terceira idade, enquanto o sono longo pode influenciá-la por mecanismos ligados aos relógios biológicos e ao tecido adiposo.

    Segundo Wen, isso tem uma forte implicação para o futuro do gerenciamento do sono e para futuras terapias. “Nosso estudo sugere que pode haver diferentes vias biológicas entre pessoas que dormem muito e pessoas que dormem pouco que levam ao mesmo resultado, a depressão na terceira idade, e não devemos tratá-las da mesma maneira”, afirma.

    Estudo também encontrou maior risco de morte

    Os pesquisadores observaram que tanto dormir pouco quanto dormir demais esteve associado a maior risco de morte por qualquer causa.

    Os dados mostraram:

    • aumento de 50% no risco de morte entre pessoas com sono curto;
    • aumento de 40% entre aquelas com sono prolongado.

    Efeitos sobre depressão podem seguir caminhos diferentes

    O estudo também investigou a relação entre sono e depressão tardia.

    Segundo os autores, o sono curto parece ter uma ligação mais direta com a doença.

    Já o sono prolongado pode atuar de forma indireta, mediado por sinais de envelhecimento biológico em órgãos como cérebro, fígado e tecido adiposo.

    Pesquisadores defendem otimização do sono

    Os autores afirmam que os resultados reforçam o potencial da melhora do sono como estratégia para promover envelhecimento saudável, reduzir risco de doenças e aumentar a longevidade.

    Apesar disso, eles destacam que o estudo não prova relação direta de causa e efeito entre duração do sono e envelhecimento biológico.

    Fonte: G1

  • Projeto voltado ao atendimento de pacientes com dor crônica vai à sanção

    Texto garante assistência completa na rede pública e cria campanha anual de conscientização sobre a condição.

    Saúde – O Senado aprovou, na última terça-feira (12), o Projeto de Lei 336/2024, que estabelece diretrizes básicas para o atendimento de pessoas com dor crônica no Sistema Único de Saúde (SUS). Agora, a proposta segue para sanção presidencial.

    O projeto também cria o Dia Nacional de Conscientização e Enfrentamento da Dor Crônica, celebrado em 5 de julho. A data será representada pela cor verde e deverá contar com campanhas anuais promovidas pelo poder público para ampliar a informação sobre o tema.

    A proposta é de autoria da deputada federal Bia Kicis. O texto determina que pessoas com dor crônica tenham direito ao atendimento integral pelo SUS, conforme regulamentação dos órgãos competentes.

    Entre os pontos previstos está o direito do paciente receber informações prévias sobre riscos e possíveis efeitos adversos dos tratamentos indicados. O objetivo é garantir mais transparência e segurança durante o acompanhamento médico.

    O projeto foi aprovado no Plenário na forma do relatório do senador Flávio Arns, apresentado como parecer da Comissão de Assuntos Sociais. A relatoria ad hoc na comissão ficou com a senadora Dra. Eudócia.

    No parecer, Flávio Arns destacou que o SUS tem responsabilidade de assegurar acesso universal e integral à saúde. Segundo ele, a criação de diretrizes específicas pode ajudar na estruturação e no aprimoramento dos serviços voltados às pessoas que convivem com dor crônica.

    Durante a votação, o senador Dr. Hiran afirmou que o tema ainda é negligenciado pelo sistema público de saúde. Ele defendeu atendimento mais rápido e eficiente para pacientes que enfrentam diferentes tipos de dor crônica.

    A proposta não detalha quais tratamentos deverão ser oferecidos, porque isso ainda dependerá de regulamentação posterior pelos órgãos responsáveis da saúde pública.

    Se sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a nova lei passará a orientar políticas públicas e ações de conscientização voltadas ao atendimento de pacientes com dor crônica em todo o país.


    Fonte e Foto: CNN Brasil

  • SUS atualiza protocolo de asma com novas regras para diagnóstico e tratamento

    Doença inflamatória crônica das vias aéreas não tem cura, mas tem controle ou remissão e é heterogênea. Portaria amplia terapias para casos graves.

    Saúde – Um novo protocolo de asma define regras atualizadas para diagnóstico, tratamento e acompanhamento da doença. A mudança mais relevante é a ampliação das opções de tratamento para asma grave no SUS, com novos imunobiológicos e critérios mais detalhados para selecionar pacientes.

    O coordenador da Comissão de Asma da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), Emilio Pizzichini, explica ao g1 que a asma é uma doença comum que, se bem tratada, pode ser controlada. Mas, quando tratada inadequadamente, pode levar à morte.

    Ele explicou que a razão da mudança no protocolo foi a incorporação de novos tratamentos para a asma grave.

    • Havia o omalizumabe (comercializado como Xolair) e o mepolizumabe (comercializado como Nucala)
    • Agora foram incluídos o benralizumabe (comercializado como Fasenra) e o dupilumabe (comercializado como Dupixent) e a indicação de mepolizumabe para crianças.

    Segundo Pizzichini, essas mudanças favorecem o tratamento dos indivíduos com asma mais grave, em que o tratamento com as drogas usuais não funciona. Por isso, são necessários tratamentos mais precisos ou personalizados, de acordo com o mecanismo da doença.

    Apesar de o novo protocolo ter sido aprovado, os medicamentos ainda não estão disponíveis no SUS e a Comissão de Asma da SBPT defende que a sociedade tenha uma previsão de data para isso.

    Existe uma etapa para definir a compra dos medicamentos que não está evoluindo e não há uma data definitiva liberada pelo Ministério da Saúde para quando isso deve ser liberado. A incerteza leva à angústia por parte de pacientes e dos profissionais da saúde”, alerta Pizzichini.

    O Ministério da Saúde informou ao g1 que o medicamento benralizumabe será adquirido e distribuído pelos estados, com repasse regular do ministério, conforme pactuado na Comissão Intergestores Tripartite (CIT).

    Além disso, “a inclusão do fármaco na Tabela do Sistema de Gerenciamento da Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS está em tramitação para viabilizar o início da oferta à população”.

    O ministério informou ainda que já começou o processo de licitação para aquisição direta do medicamento dupilumabe, mas não detalhou prazo

    O novo protocolo também define que, em casos de asma mais leve ou moderada, o tratamento com corticoide inalatório isolado não é mais suficiente.

    O médico acrescenta ainda que os medicamentos atualmente disponíveis isolados causam confusão no paciente, que acaba usando apenas um deles (o broncodilatador) e não usa o anti-inflamatório (corticoide).

    A portaria publicada pelo ministério atualiza o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para asma no Sistema Único de Saúde (SUS). A medida substitui a norma anterior, de 2023, e orienta desde a atenção básica até serviços especializados.

    O protocolo também atualiza a abordagem diagnóstica e terapêutica conforme a Global Initiative for Asthma (GINA) 2025, reforçando que a asma não deve ser tratada apenas com broncodilatador de alívio.

    Asma ainda é problema relevante de saúde pública

    A definição de asma não mudou muito, mas o protocolo define que ela é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas. Não tem cura, mas tem controle ou remissão e é heterogênea, tendo diversos subtipos (fenótipos).

    Entre os sintomas, que variam ao longo do tempo, estão:

    • falta de ar
    • chiado
    • tosse
    • aperto no peito

    O Brasil tem uma das maiores prevalências de asma nas Américas, atrás do EUA e Canadá.

    Apesar da queda nas internações na última década — de 134.222 em 2013 para 87.707 em 2023 —, a doença ainda representa carga importante para o sistema de saúde.

    A mortalidade média é de 1,16 caso por 100 mil habitantes ao ano, o que corresponde a cerca de seis mortes por dia no país. Os dados são do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e se referem ao período de 2014 a 2021.

    A maior proporção de óbitos ocorre entre mulheres (64%) e em pessoas com 60 anos ou mais. Já crianças e adolescentes representam 2% dos óbitos.

    O diagnóstico da asma não depende de um único exame. Ele é feito a partir da combinação de histórico clínico, exame físico e testes de função pulmonar, como a espirometria – exame simples em que o paciente respira por um tubo conectado a um aparelho e avalia como os pulmões estão funcionando.

    O documento enfatiza a necessidade de confirmar o diagnóstico da asma com a espirometria. Isso porque muitas pessoas que têm falta de ar, chiado, tosse ou aperto no peito na verdade não têm asma.

    Quando há tratamento sem asma de fato diagnosticada corretamente, o paciente recebe remédios para uma suposta asma e o tratamento não melhora os sintomas. Pizzichini destaca que esses casos (superdiagnóstico) chegam a 30% da população do Canada, por exemplo.

    Outro problema é que muitas pessoas têm sintomas leves e não confirmam o diagnóstico (subdiagnóstico) da asma. Com isso, acabam não recebendo o tratamento que melhoraria os sintomas.

    Pizzichini enfatiza que a espirometria é fundamental e que o ministério está em processo de aquisição dos espirômetros. Porém, agora é fundamental que os profissionais de saúde sejam treinados para fazerem os testes e já existe convênio para a interpretação centralizada dos testes, segundo o médico.

    Entre os sinais que aumentam a probabilidade da doença estão:

    • sintomas respiratórios variáveis (tosse, chiado, falta de ar);
    • piora à noite ou pela manhã;
    • desencadeamento por exercício, infecções ou alérgenos.

    Fonte: G1

  • O câncer pode estar no DNA da sua família: maior estudo genômico do Brasil encontra mutação hereditária em 1 a cada 10 pacientes

    Estudo pioneiro mostra que identificar a alteração genética antes de a doença aparecer pode mudar radicalmente o que médico e paciente fazem a seguir.

    Saúde – Imagine descobrir, depois de um diagnóstico de câncer, que a doença não surgiu apenas por acaso —e que seus filhos, irmãos e pais podem carregar a mesma predisposição no DNA, sem saber. Foi exatamente isso que aconteceu com parte dos pacientes acompanhados pelo maior estudo genômico do câncer já realizado no Brasil.

    O trabalho, publicado no periódico científico The Lancet Regional Health – Americas, sequenciou o genoma completo de 275 pacientes com câncer de mama, próstata ou intestino em hospitais públicos das cinco regiões do país.

    O resultado mais impactante: 1 em cada 10 carregava uma mutação hereditária —uma falha no DNA que aumenta drasticamente o risco de câncer e pode ser passada de geração em geração.

    O estudo faz parte do Mapa Genoma Brasil, iniciativa do Ministério da Saúde financiada pelo Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (PROADI-SUS), coordenada pelo Hospital BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

    O que isso muda na vida de quem tem câncer

    Descobrir uma mutação hereditária não é apenas uma informação científica. Ela pode mudar o tratamento do paciente de imediato.

    Parece complicado? O g1 te explica.

    Quem tem câncer de mama e carrega uma mutação nos genes BRCA1 ou BRCA2, por exemplo, pode passar a ser elegível para uma classe de medicamentos chamada inibidores de PARP —drogas que funcionam em tumores com esse tipo específico de defeito genético. Sem o teste, o médico pode nem saber que essa opção existe para aquele paciente.

    Já no câncer de intestino, pacientes com mutações em genes como MLH1, MSH6 ou PMS2 costumam apresentar tumores com uma característica chamada instabilidade de microssatélites —e isso indica que eles podem responder bem à imunoterapia, um tratamento que ativa o próprio sistema imunológico contra o câncer.

    É uma mudança de rota terapêutica que só se descobre com o teste genético.

    O parente que ainda não sabe que está em risco

    Talvez o achado mais urgente do estudo seja este: entre os familiares dos pacientes que tinham mutação e aceitaram fazer o teste, quase 40% também carregavam a mesma alteração no DNA —sem ter desenvolvido nenhum câncer ainda.

    É aí que o diagnóstico genético muda de patamar. Quando a mutação é encontrada antes da doença aparecer, médicos conseguem iniciar protocolos de vigilância e prevenção em pessoas que, muitas vezes, nem imaginavam estar em risco.

    • Quem carrega mutações no gene BRCA1, por exemplo, pode ter risco de câncer de mama que chega a 85% ao longo da vida —e de câncer de ovário, a até 60%. Para esses casos, as diretrizes médicas recomendam ressonância magnética anual a partir dos 25 anos e, dependendo da situação, cirurgia preventiva.
    • Já mutações no gene TP53 —associadas à Síndrome de Li-Fraumeni— estão ligadas a um risco ainda mais amplo: mais de 90% de chance de desenvolver algum tipo de câncer ao longo da vida. O acompanhamento inclui ressonância magnética de corpo inteiro anual e vigilância multidisciplinar.
    • No caso da Síndrome de Lynch, causada por mutações em genes como MLH1, o risco de câncer de intestino pode chegar a 80%, levando à recomendação de colonoscopias frequentes desde cedo.

    Uma mutação especificamente brasileira

    O estudo também identificou casos da mutação TP53 R337H, associada à Síndrome de Li-Fraumeni, condição genética que aumenta fortemente o risco de câncer ao longo da vida.

    Essa variante tem uma relação especial com o Brasil. Pesquisas lideradas pela oncogeneticista Maria Isabel Achatz, do Hospital Sírio-Libanês, mostraram que ela se disseminou no país a partir de um ancestral comum que viveu há cerca de 300 anos, principalmente nas regiões Sul e Sudeste.

    Hoje, estudos estimam que a alteração esteja presente em cerca de 1 a cada 300 pessoas em algumas regiões brasileiras —uma frequência muito acima da observada em outros países. Segundo os pesquisadores, a presença recorrente da mutação no novo estudo reforça a importância de ampliar o rastreamento genético no país.

    Por que estudar o DNA da população brasileira?

    O trabalho também reforça um problema conhecido da genética: a maioria dos grandes bancos de dados usados no mundo foi construída principalmente com populações europeias.

    Isso dificulta a interpretação de variantes genéticas encontradas em populações miscigenadas, como a brasileira.

    No estudo, quase 59% dos participantes se declararam pardos, refletindo a mistura histórica entre populações indígenas, europeias, africanas e asiáticas no país.

    Isso significa que algumas alterações genéticas identificadas em brasileiros ainda podem ser classificadas como “variantes de significado incerto” simplesmente porque faltam dados sobre populações semelhantes.

    Para os pesquisadores, ampliar estudos genéticos no Brasil ajuda não apenas a entender melhor o risco de câncer na população, mas também a tornar diagnósticos e tratamentos mais precisos.

    O que o SUS ainda não consegue oferecer

    O modelo utilizado no estudo —com equipamentos de última geração e aconselhamento genético especializado— não está disponível na maioria dos hospitais públicos brasileiros.

     O caminho mais realista para ampliar esse acesso, segundo o pesquisador, começa com algo mais simples: um questionário de histórico familiar, aplicado por um enfermeiro treinado, que identifique quem tem maior probabilidade de carregar uma mutação hereditária.

    Esse paciente seria então encaminhado a um centro de referência para fazer o teste —e a informação voltaria ao médico que o atendeu originalmente.

    O estudo está em seu segundo ciclo. Nos próximos anos, deve fornecer base para que o Ministério da Saúde avalie a incorporação de testes genéticos e protocolos de cuidado específicos ao SUS.

    Se você tem histórico de câncer na família, o que saber

    • Câncer de mama, ovário, intestino ou próstata em parentes próximos —especialmente antes dos 50 anos— pode ser sinal de predisposição hereditária.
    • Médicos podem solicitar avaliação em serviços de oncogenética disponíveis em hospitais de referência do SUS.
    • O teste genético, quando indicado, identifica se há mutação e orienta a vigilância para outros membros da família.
    • Encontrar a mutação antes do câncer aparecer permite agir preventivamente —com exames mais frequentes ou, em alguns casos, cirurgia preventiva.

    Fonte: G1

  • Anvisa libera registro de remédios para tratar psoríase e asma

    Yesintek também pode ser usado para Doença de Crohn.

    Saúde – A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou na segunda (11) o registro de dois medicamentos: um para tratamento de doenças inflamatórias crônicas e autoimunes, e outro para asma e rinossinusite crônica com pólipos nasais grave.

    O primeiro medicamento indicado é Yesintek (Ustequinumabe), apresentado como solução injetável pronta para administração subcutânea e para infusão intravenosa.

    O remédio é indicado para tratar psoríase, artrite psoriásica, doença de Crohn e colite ulcerativa. Segundo ao Anvisa, o produto foi avaliado pela via de desenvolvimento por comparabilidade, tendo sido comparado ao medicamento Stelara.

    “Yesintek é biossimilar, ou seja, demonstra semelhança em termos de qualidade, segurança e eficácia em relação a um produto biológico de referência previamente registrado na Anvisa”, disse a agência reguladora.

    A agência disse ainda que o medicamento aprovado é uma nova alternativa terapêutica para pacientes adultos e crianças acima de 6 anos com psoríase em placa de grau moderado a grave.

    “O tratamento é direcionado especificamente para casos em que as terapias convencionais — como o uso de ciclosporina, metotrexato ou sessões de fototerapia (PUVA) — não apresentaram resultados satisfatórios, foram contraindicadas ou causaram intolerância.”

    Ainda de acordo com a agência reguladora, no caso de pacientes adultos com artrite psoriásica ativa, o medicamento pode ser usado, de forma isolada ou em combinação com metotrexato, quando a resposta ao tratamento com drogas antirreumáticas modificadoras da doença (DMARD) foi inadequada. O Yesintek é indicado ainda para crianças com mais de 6 anos com a doença ativa.

    No caso da doença de Crohn, o remédio é indicado para pacientes adultos com quadro ativo de moderado a grave, que tiveram resposta inadequada ou perda de resposta a outros tratamentos, além de pessoas intolerantes à terapia convencional ou ao anti-TNF-alfa (medicamentos imunobiológicos que bloqueiam uma proteína específica, reduzindo inflamações crônicas) ou que tenham contraindicações médicas para essas terapias.

    Asma e rinossinusite crônica

    Também nesta segunda-feira, a Anvisa publicou o registro de um novo medicamento para tratar asma e rinossinusite crônica com pólipos nasais grave, o Densurko® (depemoquimabe).

    A medicação é apresentada como solução injetável 100 mg/mL, em seringa preenchida ou caneta aplicadora, prontas para uso e indicada como tratamento complementar da asma em pacientes adultos e pediátricos com idade igual ou acima de 12 anos com inflamação do tipo 2 (alérgica) caracterizada pelo excesso de eosinófilos (glóbulos brancos envolvidos na inflamação das vias aéreas) no sangue. 

    Segundo o órgão, estudos clínicos demonstraram redução significativa na taxa de exacerbações clinicamente quando comparado ao placebo, ambos associados ao tratamento padrão. 

    No caso da rinossinusite crônica com pólipos nasais, o medicamento é indicado somente para pacientes adultos nos quais a terapia convencional (com corticosteroides sistêmicos) e/ou cirurgia não proporciona controle adequado do quadro.

    Nos dois casos, o tratamento indicado é de uma dose a cada seis meses.


    Fonte e Foto: Agência Brasil

  • Novos estudos revelam mecanismos do lúpus, mas cura continua distante

    Pesquisas recentes ajudam a entender como a doença autoimune se desenvolve e evolui, mas tratamentos seguem focados no controle dos sintomas.

    Saúde – O lúpus eritematoso sistêmico (LES) é uma doença autoimune multifatorial e complexa, capaz de afetar diferentes órgãos e se manifestar de formas muito distintas. Embora a ciência já saiba que há uma combinação de predisposição genética e fatores ambientais envolvidos em sua origem, ainda falta compreender completamente por que o sistema imunológico perde o equilíbrio.

    “No lúpus, o organismo passa a produzir anticorpos contra seus próprios tecidos, como se confundisse o que é ameaça com o que é parte dele mesmo”, explica a reumatologista Isabella Monteiro, do Einstein Hospital Israelita em Goiânia. “Esse erro desencadeia uma resposta inflamatória persistente, que pode atingir pele, articulações, rins, pulmões, coração e sistema nervoso.”

    Um estudo publicado em 2024 na revista Nature indicou alguns dos mecanismos do lúpus para alterar as células de defesa T e fazê-las agirem contra o próprio corpo. A pesquisa observou que duas formas dessas células passam a enviar comandos cada vez mais confusos ao organismo. Além disso, a doença consegue “desativar” um mecanismo de segurança do corpo, o AHR, que serve para impedir essas ordens erradas.

    Mas a condição ainda é um quebra-cabeça incompleto. Durante muito tempo, foi um mistério por que os sintomas costumam diminuir com a idade, chegando até a desaparecer em alguns casos, sendo que na maioria das doenças crônicas a inflamação tende a aumentar progressivamente. Foi só em 2025 que um estudo publicado na Science Translational Medicine encontrou algumas peças dessa questão.

    A análise aponta que os mecanismos do lúpus para desativar o “interruptor” da reação inflamatória e manter o corpo sempre em estado de ataque perdem força com a idade. Isso não é apenas consequência do envelhecimento, mas do amadurecimento para entender os mecanismos da doença, o que permite ao organismo criar barreiras para sua ativação.

    Para Monteiro, esses achados ajudam a mudar a forma como enxergamos a doença. “Estamos entendendo melhor que o lúpus não é apenas uma inflamação constante, mas um desequilíbrio complexo de regulação imunológica. Isso abre espaço para tratamentos mais específicos, que atuem em alvos determinados do sistema imune, e não apenas suprimam a inflamação de maneira ampla.”

    Apesar desses avanços, falar em cura ainda não é possível. O tratamento continua focado no controle das crises, na prevenção de danos permanentes e na preservação da qualidade de vida. A boa notícia é que as terapias têm se tornado cada vez mais direcionadas, o que permite maior individualização do cuidado.

    Desafios no diagnóstico

    Outro obstáculo importante é o reconhecimento precoce da doença. Os sintomas iniciais costumam ser inespecíficos — cansaço, dores articulares, rigidez matinal — e podem ser confundidos com outras condições.

    Lesões dermatológicas são conhecidas, mas não estão presentes em todos os casos. “O lúpus pode comprometer órgãos internos mesmo sem sinais visíveis na pele”, alerta a reumatologista. “Por isso, é fundamental valorizar sintomas persistentes e realizar investigação adequada quando há suspeita.”

    O tratamento pode incluir antimaláricos, corticoides, imunossupressores e, mais recentemente, medicamentos imunobiológicos. Eles foram incluídos no rol de coberturas obrigatórias da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) em setembro de 2025, indicados para pacientes com alta incidência de sintomas.

    O acompanhamento regular com reumatologista é fundamental, assim como a adesão correta ao tratamento. “Hoje conseguimos controlar a doença na maioria dos casos. O grande desafio é [garantir] diagnóstico precoce, tratamento adequado e seguimento contínuo.”


    Fonte e Foto: Metrópoles

  • Bactérias no útero podem definir o sucesso da gravidez, apontam estudos

    Pesquisas revelam que o microbioma endometrial influencia a implantação do embrião e pode explicar falhas na fertilização in vitro.

    Saúde – Durante muitos anos, acreditava-se que o interior do útero era um ambiente completamente estéril. Hoje, porém, a ciência mostra um cenário bem diferente: o endométrio — camada que reveste internamente o útero — possui seu próprio microbioma, formado por microrganismos que podem ter papel decisivo no sucesso da gravidez.

    Pesquisas recentes indicam que o equilíbrio dessas bactérias pode influenciar diretamente a implantação do embrião, etapa considerada uma das mais delicadas da reprodução humana. Em alguns casos, alterações nesse ambiente microscópico podem ajudar a explicar por que mulheres enfrentam repetidas falhas de fertilização in vitro mesmo quando os embriões apresentam boa qualidade.

    Especialistas explicam que os três pilares fundamentais para o sucesso da reprodução são a qualidade do óvulo, a qualidade do espermatozoide e as condições do útero. E é justamente nesse último ponto que o microbioma endometrial passou a ganhar destaque.

    Os estudos mostram que um útero com predominância de lactobacilos — bactérias consideradas benéficas — tende a apresentar melhores taxas de implantação embrionária. Por outro lado, quando ocorre um desequilíbrio da flora bacteriana, quadro conhecido como disbiose, o ambiente uterino pode se tornar menos receptivo ao embrião.

    Esse desequilíbrio pode desencadear inflamações locais, alterações imunológicas e mudanças na receptividade do endométrio, dificultando o início da gestação.

    Na prática clínica, a descoberta abriu uma nova linha de investigação para casos de infertilidade sem causa aparente. Situações em que exames hormonais estão normais, o preparo uterino é adequado e os embriões são considerados saudáveis passaram a ser analisadas também sob a ótica do microbioma.

    Atualmente, já existem exames capazes de avaliar as bactérias presentes no endométrio a partir de amostras coletadas do próprio útero. Esses testes identificam possíveis desequilíbrios e ajudam médicos a decidir se há necessidade de intervenções específicas.

    Entre as estratégias estudadas estão o uso direcionado de antibióticos e probióticos para restaurar o equilíbrio bacteriano. Apesar dos avanços, especialistas alertam que essa ainda é uma área em desenvolvimento e que não há consenso definitivo sobre os melhores protocolos de tratamento.

    Mesmo assim, o tema vem transformando a forma como a infertilidade é compreendida. A implantação do embrião deixou de ser vista apenas como uma questão hormonal ou genética e passou a envolver também um complexo ambiente biológico, onde até microrganismos invisíveis podem influenciar o início de uma nova vida.

  • Redes sociais podem intensificar sensação de solidão entre adultos, revela estudo

    Pesquisa aponta que conexões virtuais não substituem amizades presenciais e alerta para impactos emocionais do uso excessivo das plataformas.

    Tecnologia – As redes sociais prometem aproximação instantânea, mas um novo estudo sugere que o efeito pode ser justamente o contrário. Pesquisa publicada na revista Public Health Reports indica que o uso frequente dessas plataformas pode aumentar a sensação de solidão entre adultos — especialmente quando grande parte das interações ocorre com pessoas desconhecidas fora da vida real.

    O levantamento analisou mais de 1.500 adultos americanos entre 30 e 70 anos e concluiu que usuários com maior número de conexões exclusivamente virtuais apresentavam níveis mais elevados de solidão.

    Segundo o principal autor do estudo, o professor Brian Primack, da Oregon State University, o contato digital não produz os mesmos efeitos emocionais das relações presenciais.

    Conexões online não substituem convivência real

    A pesquisa também revelou que ter muitos amigos próximos nas redes sociais não necessariamente reduz o sentimento de isolamento. Para os pesquisadores, isso reforça a diferença entre interação virtual e convivência presencial.

    Primack comparou a experiência a consumir um cereal com sabor artificial de maçã em vez da fruta de verdade: pode até parecer semelhante, mas não oferece os mesmos benefícios essenciais.

    A conclusão ajuda a explicar um cenário preocupante. Dados do relatório do U.S. Surgeon General, divulgado em 2023, apontam que cerca de metade dos adultos norte-americanos relata sentimentos frequentes de solidão. O documento classificou o problema como uma “epidemia” moderna e alertou que o isolamento social pode ser tão prejudicial à saúde quanto fumar até 15 cigarros por dia.

    O impacto do uso passivo das redes

    Especialistas destacam que a forma como as redes são utilizadas faz diferença. A psicóloga Melissa Greenberg, do Princeton Psychotherapy Center, explica que o chamado “uso passivo” — apenas rolar a tela e consumir conteúdos sem interação — está mais associado a quadros de ansiedade e depressão.

    Isso acontece porque o consumo contínuo de publicações tende a estimular comparações sociais, aumentando sentimentos de inadequação e distanciamento emocional.

    Já o uso mais ativo, como trocar mensagens, comentar publicações ou interagir diretamente com amigos e familiares, costuma causar menos impacto negativo.

    Como combater a solidão

    Especialistas recomendam fortalecer conexões fora do ambiente digital. Participar de clubes de leitura, atividades esportivas, grupos religiosos, cursos ou ações voluntárias pode ampliar as oportunidades de interação presencial.

    Outro conselho importante é reduzir o uso do celular durante encontros e momentos sociais. A atenção dividida entre a conversa e a tela dificulta vínculos mais profundos.

    Pequenas atitudes também podem ajudar na criação de novas amizades, como fazer perguntas abertas, demonstrar interesse genuíno e compartilhar experiências pessoais de forma mais espontânea.

    A busca por conexões reais

    Embora as redes sociais continuem sendo ferramentas importantes de comunicação, o estudo reforça que curtidas, mensagens e interações digitais não substituem o impacto emocional do contato humano presencial.

    Em um cenário cada vez mais conectado virtualmente, especialistas alertam que a verdadeira sensação de pertencimento ainda depende da convivência real — aquela construída olho no olho, fora das telas.

  • Crianças recebem ampliação no tratamento contra malária em São Gabriel da Cachoeira

    Medida busca garantir diagnóstico e tratamento mais rápido para crianças, reforçando o enfrentamento da malária em uma das regiões com maior incidência da doença no Amazonas

    Saúde – A Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP), em parceria com o Ministério da Saúde, o Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Alto Rio Negro e a Secretaria Municipal de Saúde, realizou uma agenda integrada em São Gabriel da Cachoeira para implantação da tafenoquina pediátrica no tratamento da malária vivax em crianças.


    A ação ocorreu entre os dias 6 e 8 de maio e teve como objetivo ampliar o acesso ao tratamento infantil e fortalecer as estratégias de combate à doença em áreas consideradas prioritárias no Amazonas.


    Segundo a diretora-presidente da FVS-RCP, Tatyana Amorim, a nova medicação representa um avanço importante no enfrentamento da malária no estado, principalmente por facilitar a adesão ao tratamento.
    “A tafenoquina pediátrica é uma inovação no tratamento da malária vivax. A dose única voltada para crianças ajuda a reduzir recaídas e contribui para interromper a transmissão da doença nas regiões mais vulneráveis”, destacou.


    O coordenador-geral de Eliminação da Malária do Ministério da Saúde, Alexander Vargas, explicou que a implantação do medicamento no público infantil amplia as estratégias já utilizadas desde 2024 com pacientes adultos.


    De acordo com ele, a facilidade na administração do medicamento, que pode ser diluído em água, deve ajudar no aumento da adesão ao tratamento entre crianças e adolescentes.


    No Alto Rio Negro, o coordenador Distrital de Saúde Indígena do DSEI, Valmir Delgado, afirmou que o trabalho conjunto entre os órgãos de saúde já apresenta resultados positivos. Segundo ele, houve redução de 52% nos casos de malária no último trimestre, em comparação com o mesmo período do ano passado.


    A coordenadora de Vigilância Ambiental da Semsa de São Gabriel da Cachoeira, Rita Jane Andrade, também ressaltou a importância da ampliação do tratamento pediátrico para manter a queda nos casos da doença no município.


    Durante a programação, profissionais da saúde participaram de treinamentos técnicos, atualização sobre o protocolo de tratamento da malária e capacitação para realização da testagem de G6PD, exame necessário para administração segura da tafenoquina.

    Por Jornalista Débora Alcântara

    Foto: Maíra Pessoa / FVS-RCP