Categoria: Saúde

  • Cardiomiopatia hipertrófica pode ser genética ou agravada por anabolizantes; entenda doença citada em morte de fisiculturista

    Condição faz o músculo do coração crescer de forma anormal e pode provocar arritmias graves e morte súbita —muitas vezes sem qualquer aviso prévio.

    Saúde – A cardiomiopatia hipertrófica —doença citada no atestado de óbito do fisiculturista e influenciador Gabriel Ganley, morto aos 22 anos em São Paulo— provoca o espessamento anormal do músculo do coração e pode levar a arritmias graves, insuficiência cardíaca e morte súbita. Apesar de muitas vezes silenciosa, costuma se manifestar justamente nos momentos de maior esforço físico, como treinos intensos e competições.

    Na doença, parte do músculo cardíaco cresce além do esperado. A parede mais espessa deixa o coração rígido, reduz o espaço interno onde o sangue se acumula antes de ser bombeado e pode desorganizar os impulsos elétricos que comandam os batimentos.

    O cirurgião cardiovascular Ricardo Katayose, da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, explica que a parede do ventrículo tem uma espessura considerada normal até cerca de um centímetro. A partir de certo ponto, o músculo passa a ser classificado como hipertrófico — e, em casos extremos, pode ultrapassar os 30 milímetros.

    “A parede vai ficando mais grossa e a cavidade de dentro acaba ficando menor. Isso dificulta o enchimento e o funcionamento normal do coração”, afirma.

    Segundo o cardiologista Elzo Mattar, diretor do departamento de hipertensão arterial da Sociedade Brasileira de Cardiologia e professor da Faculdade Estadual de Medicina de São José do Rio Preto, a doença pode ter origem genética ou ser adquirida ao longo da vida —inclusive com participação do uso de esteroides anabolizantes.

    Na forma genética, o espessamento costuma ser assimétrico: uma das paredes do coração se desenvolve de maneira desproporcional, sem causa aparente, enquanto as demais permanecem normais.

    De padrão autossômico dominante, ela tem 50% de chance de ser transmitida de pai para filho e é considerada uma das principais causas de morte súbita em pessoas com menos de 35 anos no Brasil e no mundo.

    O esforço físico como gatilho

    Em muitos casos, a cardiomiopatia hipertrófica permanece silenciosa por anos e só se manifesta diante de uma sobrecarga maior do coração.

    Segundo Mattar, quando a pessoa se exercita e o coração acelera, esse aumento dos batimentos pode funcionar como gatilho para uma arritmia maligna —como a taquicardia ventricular ou a fibrilação ventricular, ritmos rápidos e descoordenados que impedem o bombeamento normal do sangue.

    Por esse risco, segundo ele, pacientes diagnosticados com a condição costumam não ser liberados para o esporte de alto rendimento. Quando aparecem, os sintomas mais comuns incluem falta de ar, dor no peito, palpitações, tontura e desmaios.

    Como os anabolizantes afetam o coração

    Além da forma genética, Mattar alerta que a cardiomiopatia também pode ser adquirida —e que o uso de esteroides anabolizantes está entre os fatores associados.

    Segundo o cardiologista, essas substâncias elevam a pressão arterial e aumentam a carga de trabalho do coração, que passa a bater contra uma resistência maior.

    Essas pequenas cicatrizes no músculo funcionam como um terreno fértil para o surgimento de arritmias graves.

    O especialista lembra ainda que os esteroides podem danificar a microcirculação das coronárias e elevar o risco de formação súbita de coágulos.

    Nas redes sociais, Gabriel Ganley também havia relatado o uso de insulina com fins estéticos e de ganho muscular.

    Especialistas ouvidos pelo g1 explicam que a insulina age de forma diferente dos esteroides e não causa diretamente a cardiomiopatia hipertrófica. Ainda assim, pode ampliar os riscos quando usada sem indicação médica, sobretudo combinada a outras substâncias.

    Segundo o diretor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), Clayton Macedo, fisiculturistas recorrem ao hormônio porque ele favorece a entrada de nutrientes nas células e estimula a síntese de proteína muscular. O problema é que, em pessoas sem diabetes, o uso pode provocar hipoglicemia grave —a queda perigosa dos níveis de açúcar no sangue.

    Episódios severos de hipoglicemia, afirma Macedo, podem causar confusão mental, convulsões, coma e até morte.

    A combinação de insulina, anabolizantes, estimulantes e diuréticos, acrescenta, aumenta o estresse cardiovascular e favorece arritmias, desidratação e alterações metabólicas que sobrecarregam o coração.

    Diagnóstico e acompanhamento

    O diagnóstico da cardiomiopatia hipertrófica costuma ser feito por exames como ecocardiograma, eletrocardiograma e ressonância magnética cardíaca.

    Como a forma genética é hereditária, Katayose reforça que familiares próximos também devem ser avaliados após a confirmação do diagnóstico, em razão do padrão de transmissão da doença.

    O tratamento varia conforme a gravidade do quadro. Pode incluir medicamentos, como os betabloqueadores, restrição de exercícios de alta intensidade e, em casos selecionados, o implante de um cardioversor-desfibrilador implantável (CDI) —dispositivo semelhante a um marca-passo, capaz de reverter arritmias fatais com um choque elétrico.

    No caso de Gabriel Ganley, a causa da morte ainda é investigada oficialmente. O atestado de óbito menciona cardiomiopatia hipertrófica associada a edema pulmonar e insuficiência cardíaca congestiva.

    Fonte: G1

  • Manaus amplia oferta de implante contraceptivo em unidades de saúde; veja onde encontrar

    Implante subdérmico é um método contraceptivo de longa duração. O dispositivo é colocado sob a pele do braço e pode evitar a gravidez por até três anos.

    Saúde – A Prefeitura de Manaus ampliou de 11 para 25 o número de unidades de saúde que oferecem o implante contraceptivo subdérmico pelo Sistema Único de Saúde (SUS) na capital. O procedimento é realizado em unidades da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) distribuídas nas zonas Norte, Sul, Leste, Oeste e rural.

    Segundo a Semsa, a ampliação ocorreu após treinamento de equipes de saúde para realizar o procedimento. A secretaria informou ainda que outras capacitações devem ser feitas para expandir a oferta do método na rede municipal.

    O implante subdérmico é um método contraceptivo de longa duração. O dispositivo é colocado sob a pele do braço e pode evitar a gravidez por até três anos. A retirada pode ser feita a qualquer momento

    A Semsa destaca, no entanto, que o implante não protege contra infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Por isso, a orientação é manter o uso de preservativos.

    Quem pode receber o implante

    O método é destinado a pessoas com útero entre 14 e 49 anos que façam parte dos grupos prioritários definidos pela Semsa. Entre eles estão:

    • adolescentes de 14 a 19 anos;
    • mulheres e homens trans;
    • pessoas em situação de rua;
    • indígenas, quilombolas e ribeirinhos;
    • pessoas vivendo com HIV;
    • pessoas privadas de liberdade;
    • trabalhadores do sexo;
    • pessoas que usam talidomida;
    • pessoas com contraindicação ou dificuldade para uso do DIU.

    Segundo a Semsa, essas pessoas têm prioridade porque uma gravidez não planejada pode aumentar situações de vulnerabilidade social ou representar risco à saúde.

    Antes da inserção do implante, as usuárias passam por avaliação clínica nas unidades de saúde. O método é contraindicado para pessoas grávidas, com histórico de trombose, risco de acidente vascular cerebral (AVC) ou casos de câncer, entre outras condições avaliadas pelos profissionais de saúde.

    Além do implante, as unidades da Atenção Primária à Saúde também oferecem outros métodos contraceptivos, como preservativos, DIU, anticoncepcionais orais e injetáveis, além de encaminhamento para laqueadura e vasectomia.

    Veja as unidades que oferecem o implante contraceptivo em Manaus:

    Zona Norte

    • USF Carlson Gracie — Nova Cidade;
    • USF Armando Mendes — Cidade Nova;
    • USF Frei Valério Di Carlo — Novo Israel;
    • USF Arthur Virgílio Filho — Amazonino Mendes;
    • USF Major PM Sálvio Belota — Santa Etelvina.

    Zona Leste

    • USF Enfª Ivone Lima dos Santos — Coroado;
    • USF Agnaldo Gomes — São José;
    • USF Dr. José Amazonas Palhano — São José;
    • USF José Avelino Pereira — Jorge Teixeira;
    • USF Dra. Luiza do Carmo Ribeiro Fernandes — Mauazinho.

    Zona Sul

    • USF Theomário Pinto da Costa — Parque 10;
    • USF Dr. Luiz Montenegro — Nossa Senhora das Graças;
    • USF Dr. Luiz Montenegro — Nossa Senhora das Graças
    • USF Dr. Antônio Reis — Betânia;
    • USF Dr. José Rayol dos Santos — Flores.

    Zona Oeste

    • USF Mansour Bulbol — Alvorada
    • USF Adalgiza Barbosa de Lima — Lírio do Vale
    • USF Silvio Santos — Compensa
    • USF Parque das Tribos — Tarumã-Açu
    • USF Deodato de Miranda Leão — Glória
    • Maternidade Dr. Moura Tapajóz — Compensa

    Zona Rural

    • USFR Pau-Rosa — Tarumã-Mirim;
    • USFR Conselheira Ada Rodrigues Viana — BR-174;
    • USFR Ephigênio Salles — AM-010;
    • USFF Dr. Antônio Levino — Calha do Rio Amazonas

    Fonte: G1

  • Dia Internacional da Tireoide: entenda impacto sobre a saúde

    Glândula localizada no pescoço influencia funções como metabolismo, sono, memória, peso e frequência cardíaca.

    Saúde – Celebrado em 25 de maio, o Dia Internacional da Tireoide tem como objetivo conscientizar a população sobre a importância dessa pequena glândula localizada na base do pescoço, responsável por produzir hormônios fundamentais para o funcionamento do organismo.

    Apesar de discreta, a tireoide exerce influência sobre praticamente todo o corpo. Seus hormônios ajudam a controlar o metabolismo, regulam os batimentos cardíacos, interferem na temperatura corporal, no funcionamento intestinal, na memória, no sono, no humor e até no controle do peso.

    Quando a glândula funciona menos do que deveria, quadro conhecido como hipotireoidismo, sintomas como cansaço excessivo, sonolência, ganho de peso, queda de cabelo, pele seca e dificuldade de concentração podem surgir gradualmente. Já no hipertireoidismo, quando há produção excessiva de hormônios, é comum observar perda de peso acelerada, ansiedade, tremores, insônia e palpitações.

    Além das alterações hormonais, a tireoide também pode desenvolver nódulos, condição bastante frequente na população. A maioria é benigna, mas alguns casos exigem investigação para afastar câncer de tireoide, cuja incidência vem aumentando nos últimos anos, especialmente entre as mulheres.

    Segundo dados do INCA (Instituto Nacional de Câncer), o câncer de tireoide está entre os tumores endócrinos mais comuns no Brasil. Ainda assim, quando diagnosticado precocemente, costuma apresentar altas taxas de cura.

    Nem sempre os sintomas são claros

    Um dos principais desafios relacionados às doenças da tireoide é que os sintomas frequentemente se confundem com sinais do cotidiano, do envelhecimento ou até do estresse.

    Muitas pessoas convivem durante anos com fadiga, alterações de humor, mudanças de peso e dificuldade de memória sem imaginar que a origem do problema possa estar na glândula.

    Por isso, avaliação clínica, exames laboratoriais e, em alguns casos, ultrassonografia do pescoço são importantes para investigação adequada.

    Atenção à biotina antes dos exames

    Um detalhe pouco conhecido pela população – mas extremamente importante – envolve o uso de biotina, vitamina muito presente em suplementos voltados para cabelo, pele e unhas.

    A substância pode interferir nos resultados de exames laboratoriais relacionados à tireoide, gerando resultados falsamente alterados e até confundindo diagnósticos.

    Por isso, sociedades médicas e especialistas recomendam informar o uso desses suplementos ao médico e ao laboratório antes da coleta dos exames. Em muitos casos, é orientada a suspensão temporária da biotina alguns dias antes da dosagem hormonal, conforme avaliação médica individualizada.

    A recomendação ganhou destaque nos últimos anos após alertas internacionais sobre interferências laboratoriais provocadas pela vitamina.

    Prevenção e acompanhamento fazem diferença

    Embora nem todas as doenças da tireoide possam ser prevenidas, acompanhamento médico adequado e diagnóstico precoce ajudam a evitar complicações e melhorar significativamente a qualidade de vida.

    Mudanças persistentes no peso, cansaço excessivo, alterações no ritmo cardíaco, queda importante de cabelo, rouquidão prolongada ou presença de nódulos no pescoço merecem avaliação profissional.

    Mais do que uma glândula ligada apenas ao metabolismo, a tireoide participa diretamente do equilíbrio do organismo. E entender seus sinais pode fazer diferença importante para a saúde ao longo da vida.



    Fonte e Foto: CNN Brasil

  • Vacina britânica contra Ebola pode ficar pronta para testes em meses

    A variante rara do Ebola identificada no surto, chamada Bundibugyo, mata cerca de um terço dos infectados e ainda não tem um imunizante com eficácia comprovada

    Saúde – Cientistas da Universidade de Oxford, no Reino Unido, estão desenvolvendo uma nova vacina contra o vírus Ebola que deve ficar pronta para testes clínicos em dois a três meses e pode ajudar a enfrentar a atual emergência sanitária.

    O surto em curso, concentrado na República Democrática do Congo, já registrou 750 casos suspeitos e 177 mortes.

    Responsável pelo atual avanço dos casos, a variante Bundibugyo do Ebola é rara e ainda não possui vacinas validadas em testes. Ela mata cerca de um terço das pessoas infectadas.

    Mesmo assim, os cientistas de Oxford afirmam trabalhar em ritmo acelerado caso o surto saia de controle e a vacina experimental precise ser utilizada.

    Não há confirmação de que o imunizante funcione. Ainda serão necessários testes em animais e testes clínicos em humanos para confirmar a sua eficácia.

    A Organização Mundial da Saúde (OMS) elevou o risco do atual surto de Ebola de “alto” para “muito alto” na República Democrática do Congo.

    Segundo a OMS, o risco também passou a ser considerado alto na região afetada pelo surto, embora permaneça baixo em nível internacional.

    A atualização do status do surto ocorreu depois de a OMS declarar, no último domingo (17/05), emergência de saúde pública de interesse internacional, ressaltando que o surto não configura uma pandemia (situação em que uma doença infecciosa ameaça muitas pessoas ao redor do mundo simultaneamente, como ocorreu com a Covid-19).

    Uma outra vacina experimental contra a Bundibugyo também está em desenvolvimento, mas a previsão é que leve entre seis e nove meses para ficar pronta para testes

    A vacina que está sendo desenvolvida em Oxford usa a mesma tecnologia trabalhada pela equipe durante a pandemia de Covid-19.

    Trata-se de uma tecnologia altamente adaptável, conhecida como ChAdOx1, que pode ser rapidamente ajustada para combater diferentes infecções.

    Durante a pandemia, ela foi carregada com código genético do coronavírus. Desta vez, os cientistas utilizaram material genético da variante Bundibugyo do Ebola.

    A tecnologia emprega um vírus de resfriado comum que normalmente infecta chimpanzés, mas que foi modificado geneticamente para se tornar seguro para humanos.

    Os pesquisadores envolvidos no desenvolvimento da vacina usam esse vírus da gripe modificado para transportar e entregar às células informações genéticas importantes sobre o vírus Ebola Bundibugyo. Com isso, o organismo aprende a reconhecer e a combater a doença real.

    A vacina não provoca infecção nem sintomas de Ebola, mas prepara o sistema imunológico para oferecer proteção.

    A BBC apurou que os testes em animais já estão em andamento em Oxford.

    Assim que a Universidade de Oxford disponibilizar o material em padrão farmacêutico, o Serum Institute da Índia deve iniciar a produção em larga escala da vacina contra o Ebola.

    “Assim que entregarmos o material inicial, eles poderão produzir rapidamente e em grande escala”, afirmou à BBC News a professora Teresa Lambe, diretora de imunologia de vacinas do Oxford Vaccine Group.

    Segundo a OMS, a vacina poderá estar disponível para uso em testes clínicos dentro de dois a três meses.

    De acordo com Lambe, do Oxford Vaccine Group, agir rapidamente é uma prioridade.

    “As pessoas estão preocupadas com esse surto. Em geral, é preciso se preparar para o pior cenário possível. Esperamos que o rastreamento de contatos e quarentena sejam suficientes, mas não podemos desacelerar”, afirmou.

    O atual surto de Ebola representa um desafio porque é causado por uma variante rara do vírus.

    Existem seis espécies do vírus Ebola, mas apenas três provocam grandes surtos em humanos.

    O vírus Bundibugyo causou apenas dois surtos anteriores — em Uganda, em 2007, e na República Democrática do Congo, em 2012 — e não era detectado havia mais de uma década.

    Já existe uma vacina contra a variante Zaire, mais comum, mas ainda não há uma vacina comprovadamente eficaz para a Bundibugyo.

    As vacinas contra o Ebola não seriam aplicadas em massa da mesma forma que ocorreu durante a pandemia de Covid-19.

    Em vez disso, elas são usadas em uma estratégia conhecida como vacinação em anel, na qual apenas as pessoas com maior risco de infecção são imunizadas. Isso inclui contatos próximos de pacientes com Ebola e profissionais de saúde que tratam pessoas infectadas, que podem transmitir o vírus com facilidade.

    A equipe de pesquisadores de Oxford já vinha trabalhando em vacinas semelhantes para a variante Sudão do vírus Ebola e para o vírus de Marburg

    Fonte: G1

  • Manaus recebe coleta do Genoma SUS para mapear DNA da população amazônica; veja como participar

    Ação acontece entre os dias 25 e 28 de maio, na sede da instituição, localizada na avenida Constantino Nery, em Manaus.

    Saúde – A Fundação Hospitalar de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (Hemoam) vai receber voluntários entre os dias 25 e 28 de maio para o Projeto Genoma SUS. A meta é sequenciar o genoma de 10 mil pessoas da Região Norte para identificar variantes genéticas e alelos raros da população amazônica. A coleta será feita na sede da instituição, na avenida Constantino Nery, em Manaus.

    Os voluntários podem participar das 9h às 17h, no Bloco E, térreo do hemocentro. Serão coletadas amostras biológicas para pesquisas de sequenciamento do DNA da população da Região Norte.

    O trabalho faz parte da Rede Genomas da Amazônia, coordenada pela Universidade Federal do Pará (UFPA). No Amazonas, também participam pesquisadores da Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD) e da Fundação Alfredo da Mata (Fuham).

    As informações vão integrar o programa Genomas Brasil, do Ministério da Saúde. O objetivo é ajudar o Sistema Único de Saúde (SUS) a oferecer diagnósticos mais rápidos, tratamentos personalizados e medicamentos mais precisos.

    Como participar?

    Podem participar pessoas maiores de 18 anos que não tenham doenças graves aparentes.

    A coleta é diferente da doação de sangue convencional. No Genoma SUS, os voluntários fornecem apenas 5 mililitros de sangue periférico ou um raspado bucal. Também precisam preencher um formulário com dados clínicos e histórico familiar.

    De acordo com o Hemoam, o material será processado em sistemas automatizados de extração de DNA e análise de bioinformática. A fundação afirma que a participação é voluntária, segura e sigilosa, seguindo protocolos éticos e de proteção de dados.

    Os dados genéticos ficarão em um banco protegido e serão usados apenas em pesquisas públicas e para apoiar a atenção básica de saúde.

    Fonte: G1

  • OMS eleva alerta de ebola ao nível máximo no Congo após avanço rápido da doença

    Organização Mundial da Saúde confirma dezenas de casos e mortes; conflito armado dificulta controle da epidemia e aumenta preocupação internacional.

    Saúde – A Organização Mundial da Saúde (OMS) elevou para “muito alto” o nível de risco da epidemia de ebola na República Democrática do Congo (RDC), o grau máximo de alerta dentro da escala da entidade. A decisão foi anunciada após o avanço acelerado da doença em regiões marcadas por conflitos armados e dificuldades no acesso à assistência médica.

    Segundo o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, a epidemia está se espalhando rapidamente pelo território congolês, especialmente nas províncias de Kivu do Norte e Kivu do Sul, áreas afetadas por confrontos entre forças do governo e grupos armados.

    Até o momento, foram confirmados 82 casos de ebola no país, incluindo sete mortes oficialmente registradas. Além disso, existem cerca de 750 casos suspeitos e 177 mortes em investigação relacionadas à doença.

    Apesar da gravidade no cenário nacional, a OMS manteve o risco classificado como “alto” na escala regional e “baixo” globalmente, afastando, por enquanto, a possibilidade de uma emergência sanitária internacional semelhante à vivida durante a pandemia de Covid-19.

    O ebola é uma doença viral grave que provoca febre hemorrágica e apresenta alta taxa de mortalidade. A transmissão ocorre por contato direto com sangue, secreções ou fluidos corporais de pessoas infectadas, além do contato com objetos contaminados.

    Entre os principais sintomas estão:

    febre alta;

    fraqueza intensa;

    dores musculares;

    vômitos;

    diarreia;

    sangramentos internos e externos.

    Especialistas alertam que o diagnóstico rápido é fundamental para conter a transmissão e aumentar as chances de sobrevivência.

    A atual epidemia envolve a cepa Bundibugyo do vírus ebola, para a qual ainda não existe vacina ou tratamento específico amplamente autorizado. Por isso, as autoridades de saúde concentram esforços em medidas de contenção, rastreamento de contatos e isolamento de pacientes suspeitos.

    A situação é agravada pela instabilidade política e militar no leste do Congo, onde equipes médicas enfrentam dificuldades para acessar áreas afetadas. Em algumas regiões, hospitais e estruturas de saúde operam em condições precárias, dificultando o controle da doença.

    A OMS informou que reforçou o envio de profissionais e recursos para o epicentro da epidemia, localizado na província de Ituri. A organização também monitora possíveis casos em países vizinhos.

    Em Uganda, país que faz fronteira com a RDC, dois casos confirmados e uma morte já foram registrados, embora a situação seja considerada estável até o momento.

    O ebola já causou mais de 15 mil mortes na África nas últimas décadas. Apesar de ser menos contagioso do que doenças respiratórias como Covid-19 ou sarampo, o vírus preocupa pela gravidade dos sintomas e pela rapidez com que pode se espalhar em regiões sem estrutura adequada de saúde.

  • Copa do Mundo 2026: FVS-RCP intensifica vigilância contra sarampo e doenças exantemáticas no Amazonas

    Encontros fortalecem resposta epidemiológica diante do cenário internacional e ampliam preparação das unidades hospitalares

    Saúde – Com a proximidade da Copa do Mundo de 2026, a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP) reforça as estratégias de monitoramento de doenças exantemáticas (enfermidades infecciosas, frequentemente virais, caracterizadas pelo surgimento de erupções cutâneas)  no estado. 

    Nesta quinta-feira (21/05), a instituição promove reunião técnica voltada aos Núcleos de Vigilância Epidemiológica Hospitalar (NVEH), com foco na detecção precoce, notificação e resposta rápida a casos suspeitos, especialmente de sarampo.

    A mobilização ocorre em um momento de atenção internacional. Países que sediarão jogos da Copa do Mundo de 2026, como Estados Unidos, México e Canadá, registram casos ativos de sarampo e surtos localizados da doença, cenário que mantém em alerta os sistemas de vigilância em diversos países. No Brasil, atualmente, não há registro de circulação sustentada do vírus do sarampo, resultado das ações de vacinação, monitoramento e resposta rápida desenvolvidas pelas autoridades de saúde.

    A diretora-presidente da FVS-RCP, Tatyana Amorim, alerta, porém, que o fortalecimento da vigilância hospitalar é uma medida fundamental para manter o Amazonas preparado diante de eventos internacionais e da circulação global de pessoas. “Mesmo sem circulação do sarampo no Brasil neste momento, o cenário internacional exige atenção permanente dos serviços de saúde. A qualificação contínua das equipes amplia a capacidade de identificar precocemente qualquer caso suspeito e fortalece a resposta oportuna da vigilância epidemiológica”, afirmou.

    O diretor de Vigilância Epidemiológica da FVS-RCP, Alexsandro Melo, reforça que os núcleos hospitalares exercem papel estratégico no monitoramento de doenças transmissíveis.

    “Os NVEH funcionam como uma importante linha de observação dentro das unidades hospitalares. O alinhamento técnico entre capital e interior promove respostas mais rápidas, melhora a qualidade das notificações e fortalece o monitoramento epidemiológico em todo o estado”, ressaltou.

    Educação Permanente

    A atividade integra a programação permanente de qualificação dos profissionais que atuam na vigilância epidemiológica hospitalar e reúne representantes dos 66 Núcleos de Vigilância Epidemiológica Hospitalar supervisionados pela Rede de Vigilância Epidemiológica Hospitalar do Amazonas (REVEH-AM), da diretoria da Vigilância Hospitalar de Qualidade (DVHAQ).

    O encontro ocorreu de forma presencial e virtual, com participação de unidades públicas e privadas da capital e do interior. A programação aborda fluxos de atendimento, investigação epidemiológica, coleta laboratorial, medidas de bloqueio, profilaxia pós-exposição ao HIV (PEP) e atualização do cenário nacional e internacional das doenças exantemáticas.

    Fonte: Maíra Pessoa/ FVS-RCP

  • Quatro em cada cinco idosos com demência no Brasil não têm diagnóstico, aponta estudo

    Pesquisa identificou taxas maiores entre analfabetos e moradores de regiões pobres; viver sozinho também elevou a chance de permanecer sem reconhecimento clínico

    Saúde – Mais de 80% dos brasileiros idosos que apresentam critérios para demência nunca receberam diagnóstico médico da condição, segundo um estudo nacional liderado por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). A pesquisa também identificou desigualdades regionais importantes: nas regiões mais pobres do país, a taxa de ausência de diagnóstico chegou a 90%.

    Segundo a análise, viver sozinho também aumentou significativamente a chance de permanecer sem diagnóstico. E idosos com mais anos de escolaridade tiveram menor probabilidade de permanecer sem diagnóstico.

    Segundo os pesquisadores, o cenário evidencia uma “lacuna substancial” no reconhecimento da demência no sistema de saúde brasileiro.

    O subdiagnóstico não é distribuído uniformemente, mas reflete desigualdades estruturais no acesso a oportunidades diagnósticas, letramento em saúde e resposta dos serviços, segundo os autores no estudo.

    Estudo encontrou 83% de casos sem diagnóstico

    Os pesquisadores identificaram 392 participantes que preenchiam critérios para demência. Desses, 83,1% não relataram diagnóstico médico prévio.

    A taxa foi ainda maior entre:

    • pessoas analfabetas: 93,9%;
    • moradores de regiões mais pobres: 90,2%;
    • idosos entre 60 e 69 anos: 87,9%.

    Já nas regiões consideradas mais ricas do país, o percentual de ausência de diagnóstico foi de 76%.

    Os autores classificaram as regiões Sudeste e Sul como as mais ricas, enquanto Norte, Nordeste e Centro-Oeste foram agrupados como regiões mais pobres, considerando indicadores econômicos nacionais.

    Diagnóstico tardio e desigualdades regionais

    De acordo com o estudo, o Brasil enfrenta obstáculos estruturais importantes para reconhecer precocemente casos de demência.

    Os pesquisadores destacam que ainda persiste, inclusive entre profissionais de saúde, a percepção de que o declínio cognitivo seria uma consequência “normal” do envelhecimento.

    Além disso, os autores citam fatores como:

    • baixa conscientização;
    • estigma em torno da demência;
    • dificuldade de acesso a serviços especializados;
    • falta de treinamento profissional;
    • fragmentação do cuidado.

    Segundo a análise, viver sozinho também aumentou significativamente a chance de permanecer sem diagnóstico

    Maior escolaridade aumentou chance de diagnóstico

    O estudo mostrou que idosos com mais anos de escolaridade tinham menor probabilidade de permanecer sem diagnóstico.

    Os autores sugerem que isso pode estar relacionado tanto à chamada “reserva cognitiva” quanto ao letramento em saúde. Ou seja, à capacidade de reconhecer alterações cognitivas e buscar atendimento adequado.

    Os pesquisadores também observaram que pessoas com múltiplas doenças crônicas apresentavam maior chance de receber diagnóstico, possivelmente porque mantêm contato mais frequente e contínuo com profissionais de saúde.

    Por outro lado, apenas utilizar serviços de saúde não garantiu maior probabilidade de diagnóstico.

    O contato com serviços sozinho é insuficiente para assegurar o diagnóstico, segundo os autores.

    País deve triplicar número de casos até 2050

    O artigo destaca que a demência representa um dos desafios de saúde pública que mais crescem no mundo.

    Segundo os pesquisadores, o Brasil tinha cerca de 2,5 milhões de pessoas vivendo com demência em 2025, número que pode triplicar até 2050 com o envelhecimento populacional.

    Diante dos resultados, os autores defendem:

    • fortalecimento de estratégias de detecção precoce;
    • capacitação de profissionais de saúde;
    • ampliação do rastreamento na atenção primária;
    • políticas adaptadas às desigualdades regionais.

    O estudo conclui que melhorar o reconhecimento da demência no sistema público de saúde brasileiro pode reduzir desigualdades e ampliar o acesso ao cuidado.

    Diante dos resultados, os autores defendem:

    • fortalecimento de estratégias de detecção precoce;
    • capacitação de profissionais de saúde;
    • ampliação do rastreamento na atenção primária;
    • políticas adaptadas às desigualdades regionais.

    O estudo conclui que melhorar o reconhecimento da demência no sistema público de saúde brasileiro pode reduzir desigualdades e ampliar o acesso ao cuidado.

    Fonte: G1

  • Barco Hospital inicia atendimentos de saúde em Borba, neste sábado

    Unidade atenderá na comunidade de Vila Caiçara até o dia 26 de maio, com oferta de cirurgias, exames, serviços médicos e odontológicos.

    Amazonas – O município de Borba (a 150 quilômetros de Manaus) recebe, a partir deste sábado (23/05), a 34ª expedição do Barco Hospital São João XXIII. A unidade hospitalar ficará ancorada na comunidade de Vila Caiçara até o dia 26 de maio, oferecendo cirurgias, atendimentos médicos e exames, além de serviços odontológicos.

    A ação é resultado da parceria entre a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) e a Associação e Fraternidade São Francisco de Assis na Providência de Deus.

    O barco está equipado para oferecer procedimentos cirúrgicos de pequena e média complexidades, incluindo cirurgias gerais (hérnia e vesícula), postectomia, mastologia, laqueadura e vasectomia; consultas médicas com clínico geral, pediatra, oftalmologista, anestesista e atendimento odontológico.

    Também serão oferecidos exames laboratoriais, raio-X, ultrassonografia, mamografia e eletrocardiograma, além de serviços de vacinação e dispensação de medicamentos.



    Para a realização de mamografia, mulheres a partir de 40 anos não necessitam de um encaminhamento. Os moradores da região devem apresentar documento de identidade, CPF e cartão do Sistema Único de Saúde (SUS).

    De acordo com a secretária de Estado de Saúde, Nayara Maksoud, o Barco Hospital representa uma estratégia essencial para ampliar a presença da rede estadual no interior, garantindo o acesso da população que mora em comunidades afastadas a serviços especializados e exames diagnósticos.

    “A iniciativa leva a assistência diretamente às comunidades ribeirinhas, reduzindo a necessidade de longos deslocamentos até os equipamentos de saúde que, no interior, estão mais concentrados nas áreas urbanas. Com isso, estamos promovendo a equidade, assegurando um atendimento mais ágil, resolutivo e próximo de quem mais precisa”, afirmou.

    O Barco São João XXIII é uma unidade hospitalar fluvial completa, com estrutura distribuída em quatro andares, contando com 14 leitos, sendo 10 de internação e quatro de recuperação pós-anestésica, centro cirúrgico, salas de procedimentos e suporte para exames diagnósticos, consultórios médico odontológicos, oftalmológicos, farmácia, áreas administrativas, cozinha, camarotes para as equipes de saúde, elevador, sistema próprio de tratamento de esgoto e duas ambulanchas de apoio.

    O diretor da embarcação hospitalar, frei Matias, enfatizou o compromisso das equipes com um atendimento humanizado e resolutivo durante as expedições. “Cada atendimento realizado aqui carrega um olhar de cuidado e respeito com a realidade de cada paciente. Nosso objetivo é oferecer um serviço de qualidade, que atenda às necessidades imediatas, mas que também deixe um impacto positivo e duradouro nas comunidades”, destacou.

    As ações itinerantes já percorreram 24 municípios, levando assistência médica, odontológica, de enfermagem e exames especializados a locais de difícil acesso, contribuindo diretamente para o fortalecimento da saúde pública no interior do estado.

    Os municípios atendidos foram: Iranduba, Manaquiri, Novo Airão, Manacapuru (duas vezes), Anori, Codajás, Caapiranga, Itacoatiara (duas vezes), Urucará, Urucurituba (duas vezes), Anamã (duas vezes), Parintins, Barreirinha, Nhamundá, Beruri (duas vezes), Boa Vista dos Ramos, Careiro da Várzea, Careiro Castanho, Silves (duas vezes), Itapiranga, São Sebastião do Uatumã, Novo Aripuanã, Tefé, Alvarães e Borba.

    Balanço de atendimentos

    Desde que começou a funcionar, em dezembro de 2024, o Barco Hospital realizou cerca de 236 mil atendimentos. Na última expedição, realizada no município de Alvarães (a 531 quilômetros de Manaus), entre os dias 05 e 10 de maio de 2026, foram realizados 11.049 atendimentos, entre eles 95 cirurgias de baixa e média complexidade.

    Também foram realizadas 997 consultas médicas, 2.343 atendimentos odontológicos, 1.377 atendimentos de enfermagem, 2.714 exames laboratoriais, 76 eletrocardiogramas, 18 ultrassonografias, 146 mamografias, 337 exames de raio-X e 33 internações. A expedição garantiu ainda a entrega de 867 kits de medicamentos, com orientação e assistência farmacêutica.

    Fotos: Divulgação / SES-AM

  • Vasos sanguíneos podem contribuir para regeneração óssea, diz pesquisa

    Descoberta abre caminho para aprimorar tratamento de doenças como osteoporose e diabetes.

    Saúde – Pesquisas conduzidas na Unesp (Universidade Estadual Paulista) demonstraram que células do vaso sanguíneo influenciam diretamente a formação e maturação dos ossos. A interação entre os vasos e a formação óssea é a mais ativa encontrada até então e pode contribuir com o aprimoramento de tratamentos de doenças como diabetes e osteoporose.

    Um dos trabalhos, liderado por cientistas do Laboratório de Bioensaios e Dinâmica Celular do Instituto de Biociências de Botucatu, foi publicado na revista Cell Biochemistry and Function e indica que as células que revestem internamente os vasos liberam sinais que tornam favorável a maturação das células ósseas. Sendo assim, essas células exercem papel instrutivo na formação e regeneração.

    Em entrevista à Agência Fapesp, o professor Willian Fernando Zambuzzi, coordenador do LaBio, explica que os estudos propõem uma visão integrada da formação óssea, capaz de alterar o entendimento dos vasos apenas como suporte para “elementos-guia” do tecido. “Esses resultados ajudam a desvendar por que alterações vasculares, comuns no envelhecimento, no diabetes e na hipertensão, frequentemente coexistem com fragilidade óssea”, explica.

    O especialista também fala sobre a ligação da descoberta com doenças endócrinas, como o diabetes: durante a remodelação óssea, proteínas são liberadas na circulação e exercem efeito sistêmico, capaz de alterar a quebra da glicose no pâncreas. “É possível compreender melhor a causa de diversas patologias e trazer pistas para o desenvolvimento de novos biofármacos e estratégias terapêuticas voltadas a doenças como diabetes”, explica Zambuzzi.


    Fonte e Foto: CNN Brasil