Categoria: Saúde

  • Ganho de peso acelerado em bebês eleva risco de obesidade infantil

    Estudo brasileiro aponta que o ritmo em que uma criança engorda até os 2 anos de idade pode indicar a propensão a problemas de ordem metabólica no futuro.

    Saúde – A velocidade com que uma criança ganha peso nos primeiros dois anos de vida pode indicar seu risco de desenvolver sobrepeso e obesidade mais tarde.

    É o que aponta um estudo brasileiro publicado na revista científica The Lancet Regional Health – Americas, que acompanhou a trajetória de crescimento de aproximadamente 1,7 milhão de crianças.

    A pesquisa observou que aquelas que ganharam peso de forma acelerada até os 2 anos apresentam trajetórias médias de IMC (Índice de Massa Corporal) mais elevadas dos 3 aos 9 anos. Entre elas, a prevalência de sobrepeso foi de 18,62% e a de obesidade, de 6,77%, em comparação a crianças sem esse padrão de crescimento.

    Já se sabe que os primeiros mil dias de vida, período que vai da gestação até os 2 anos de idade, são decisivos para a saúde infantil. Entre outros processos fundamentais de crescimento, é nessa fase que ocorre a chamada “programação metabólica fundamental”, que inclui o desenvolvimento do tecido adiposo (gordura), a formação dos padrões alimentares e a consolidação dos sistemas que regulam o apetite e o metabolismo.

    “Durante essa fase, o organismo é extremamente sensível a influências ambientais que podem ‘programar’ trajetórias metabólicas para toda a vida, estabelecendo o número e tamanho das células adiposas que persistirão na idade adulta”, explica a endocrinopediatra Jéssica França, do Hospital Municipal Iris Rezende Machado – Aparecida de Goiânia (HMAP), unidade pública em Goiás gerida pelo Einstein Hospital Israelita.

    Daí por que o crescimento acelerado nos primeiros anos pode desencadear alterações como resistência à insulina, mudanças no perfil lipídico e maior predisposição à síndrome metabólica. O tecido adiposo formado rapidamente tende a ser menos eficiente, contribuindo para um estado de inflamação crônica de baixo grau. “A longo prazo, essas crianças apresentam maior risco de diabetes tipo 2, hipertensão arterial, doenças cardiovasculares e obesidade persistente na adolescência e vida adulta”, alerta França.

    Além disso, crianças com IMC mais alto tendem a desenvolver preferências alimentares menos saudáveis, menor sensibilidade aos sinais de saciedade e padrões reduzidos de atividade física.

    Peso ao nascer importa

    Os dados do estudo também indicam que a associação entre ganho de peso rápido nos dois primeiros anos e IMC elevado no futuro ocorre independentemente do peso ao nascer. No entanto, o risco é ainda maior entre crianças que nasceram com macrossomia, ou seja, peso superior a 4 kg.

    “Bebês macrossômicos já nascem com maior número de células adiposas e possível resistência à insulina herdada do ambiente intrauterino. Quando esse perfil se combina com ganho rápido pós-natal, ocorre uma sobrecarga do sistema metabólico ainda imaturo, estabelecendo precocemente padrões de resistência à insulina, disfunção endotelial e alterações na regulação do apetite que predispõem fortemente a doenças cardiovasculares na vida adulta”, detalha a endocrinopediatra.

    Por outro lado, bebês que nascem com baixo peso também exigem atenção. A pressa para que a criança “recupere” peso pode trazer riscos. É desejável que essa recuperação seja gradual, ao longo de seis a 24 meses, respeitando o potencial genético individual e priorizando a qualidade nutricional.

    Prevenção desde cedo

    A cada 100 crianças brasileiras de 0 a 9 anos, 32 apresentam excesso de peso, incluindo sobrepeso, obesidade ou obesidade grave, de acordo com o Panorama da Obesidade em Crianças e Adolescentes, levantamento a partir de dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN) de 2015 a 2025. Mantida essa tendência, metade das crianças e dos adolescentes do país poderá estar acima do peso em 2035, segundo alerta a Sociedade Brasileira de Pediatria em documento divulgado em outubro.

    Para prevenir o ganho rápido de peso nos primeiros anos, políticas públicas de vigilância nutricional são importantes ferramentas. Entre elas estão o incentivo ao aleitamento materno exclusivo até os 6 meses e, depois desse período, uma introdução alimentar baseada em comida in natura, sem adição de açúcar, excesso de sódio ou produtos ultraprocessados.

    Rotinas adequadas de sono, estímulo à atividade física compatível com a idade e o respeito aos sinais de fome e saciedade do bebê também são essenciais. “Para famílias em vulnerabilidade social, programas de acompanhamento nutricional e educação alimentar, seja na escola ou na Unidade Básica de Saúde, podem ser fundamentais para quebrar ciclos que levam tanto à desnutrição quanto ao sobrepeso”, analisa a médica do HMAP. “Uma frase que faz muito sentido é: descasque mais e desembale menos.”

    Os cuidados, porém, não devem se restringir aos primeiros dois anos: o monitoramento rigoroso na atenção primária durante toda a primeira infância, dos 0 aos 6 anos, permite identificar precocemente trajetórias de risco e intervir em um momento de maior “plasticidade metabólica”, quando os quadros ainda são reversíveis. “Por meio do acompanhamento sistemático de curvas de crescimento, educação alimentar continuada e detecção precoce de desvios, é possível prevenir a instalação de padrões metabólicos adversos que só se manifestariam clinicamente décadas depois”, conclui a especialista.


    Fonte e Foto: CNN Brasil

  • Proteína do sangue ajuda cientistas a deixar cérebro temporariamente ‘transparente’; entenda a técnica

    Metódo desenvolvido em camundongos no Japão promete clarear tecido cerebral sem alterar sua função. Resultado, publicado na revista científica “Nature Methods”, é considerado inédito.

    Saúde- Tornar um cérebro vivo transparente e observar seus neurônios em funcionamento em tempo real: durante décadas, isso pareceu impossível.

    Agora, pesquisadores da Universidade de Kyushu, no Japão, dizem ter conseguido exatamente tal feito, usando como ingrediente principal uma proteína comum no sangue humano.

    O método foi descrito em um estudo publicado na revista científica “Nature Methods”.

    A técnica usa albumina, uma proteína abundante no sangue, para tornar temporariamente mais transparente o tecido cerebral, o que permite enxergar estruturas profundas do cérebro com mais clareza, sem interromper sua atividade normal.

    “Esta é a primeira vez que a transparência de tecidos é alcançada sem alterar sua biologia”, afirma Takeshi Imai, professor da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Kyushu e autor sênior do estudo.

    Por que o cérebro é difícil de observar

    Grande parte das funções do cérebro, como memória, percepção e tomada de decisões, depende da comunicação entre neurônios localizados em camadas profundas.

    ➡️O problema é que o tecido cerebral NÃO é transparente.

    A luz que entra nele se espalha ao atravessar diferentes estruturas celulares, o que dificulta enxergar o que acontece mais a fundo.

    Para entender esse motivo, os cientistas usam uma comparação simples: bolinhas de vidro são fáceis de ver no ar, mas quase desaparecem quando mergulhadas em óleo.

    Isso acontece porque, quando dois materiais têm índices de refração parecidos, a luz atravessa o meio com menos distorção.

    O mesmo princípio se aplica ao nosso cérebro. Se o ambiente ao redor das células tiver propriedades ópticas semelhantes às delas, a luz consegue penetrar mais profundamente.

    Para então resolver esse problema, os pesquisadores buscaram uma substância que pudesse ajustar essas propriedades ópticas sem prejudicar as células.

    Após testar dezenas de compostos, a equipe encontrou a solução em um material surpreendentemente simples: a albumina, proteína presente no sangue.

    Ao adicionar albumina ao meio onde o tecido cerebral está imerso, os cientistas conseguiram equilibrar a forma como a luz se comporta dentro das células e fora delas.

    O resultado foi um líquido especial, chamado SeeDB-Live, capaz de tornar o tecido cerebral temporariamente mais transparente.

    O que os testes mostraram

    Nos experimentos, fatias de cérebro de camundongos ficaram transparentes em cerca de uma hora após serem mergulhadas na solução.

    Isso permitiu aos cientistas observar a atividade de neurônios mais profundos, que antes estavam ocultos.

    Em cérebros de animais vivos, os sinais luminosos dessas células ficaram até três vezes mais brilhantes, facilitando a observação das conexões neuronais.

    Outro ponto importante é que o efeito é temporário. Depois de algumas horas, a solução é eliminada e o tecido volta ao estado original.

    Isso significa que o mesmo animal pode ser observado várias vezes ao longo do tempo para acompanhar mudanças na atividade cerebral.

    Os pesquisadores acreditam que o método pode abrir novas possibilidades para estudar como o cérebro funciona em tempo real.

    A técnica pode ajudar cientistas a entender melhor, por exemplo, como circuitos neurais processam informações e controlam o comportamento.

    Também há interesse em aplicar o método em organoides cerebrais — mini-cérebro cultivados em laboratório — usados em pesquisas sobre doenças e no desenvolvimento de medicamentos.

    Fonte: G1

  • Testagem rápida para ISTs fortalece ação do Governo Presente

    Ação da FVS-RCP amplia o acesso ao diagnóstico precoce e às orientações de prevenção ao HIV e outras ISTs.

    Saúde – Aproveitei o evento para atualizar meus testes rápidos de HIV, sífilis, hepatite B e C”, comemorou Fernanda Lima, 42 anos, autônoma, durante a 33ª edição do Programa Governo Presente. A ação contou com a participação da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP), que ofereceu serviços de prevenção combinada ao HIV e outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs).

    Ao longo da programação, a FVS-RCP realizou 438 testes rápidos para HIV, sífilis, hepatites B e C neste sábado (14/03), na Escola Estadual Ernesto Pinho, localizada no bairro Nova Cidade, zona norte de Manaus.

    De acordo com a diretora-presidente da FVS-RCP, Tatyana Amorim, a estratégia amplia o acesso ao diagnóstico e fortalece as ações preventivas.  “A oferta de testes rápidos faz parte das estratégias de prevenção e cuidado. O serviço está disponível para pessoas a partir de 13 anos, garantindo que mais cidadãos tenham acesso ao diagnóstico oportuno e às orientações de saúde”, destacou.

    Para Luiz Gabriel, 34 anos, mecânico e morador do bairro, a experiência foi positiva. “É a primeira vez que participo de um evento que reúne tantos serviços em um único lugar e, claro, não perdi a chance. Fiz a testagem porque sei que a prevenção começa por mim”, comentou.

    Com iniciativas que integram educação em saúde, mobilização social e ampliação do acesso ao diagnóstico, a FVS-RCP fortalece práticas preventivas, contribui para a redução de doenças evitáveis e amplia a proteção da população amazonense, consolidando a vigilância em saúde como instrumento estratégico de promoção da qualidade de vida.

    Fonte: Maíra Pessoa/ FVS-RCP

  • SUS libera antibiótico para prevenir sífilis e clamídia após exposição a ISTs

    Ministério da Saúde autoriza uso da Doxiciclina como profilaxia pós-exposição para reduzir risco de infecções sexualmente transmissíveis bacterianas.

    Saúde – O Ministério da Saúde do Brasil autorizou a ampliação do uso do antibiótico Doxiciclina no Sistema Único de Saúde (SUS). A partir de agora, o medicamento poderá ser utilizado também como medida preventiva após exposição a infecções sexualmente transmissíveis bacterianas, como Sífilis e Clamídia.

    A decisão foi oficializada por meio de portaria publicada no Diário Oficial da União e estabelece que o antibiótico, na dose de 100 mg, passe a ser adotado como profilaxia pós-exposição — estratégia utilizada para reduzir o risco de infecção após um possível contato com o agente causador da doença.

    A medida foi aprovada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), responsável por avaliar a inclusão de novos medicamentos e tecnologias na rede pública de saúde. As áreas técnicas do ministério terão até 180 dias para organizar a oferta do medicamento no sistema.

    Como funciona a prevenção

    A profilaxia pós-exposição consiste no uso de medicamentos logo após uma situação considerada de risco, com o objetivo de impedir que a infecção se estabeleça no organismo.

    Segundo o Ministério da Saúde, a estratégia busca reduzir a transmissão de infecções bacterianas sexualmente transmissíveis, que continuam sendo um desafio para a saúde pública.

    Entenda as infecções

    A Sífilis é uma infecção causada pela bactéria Treponema pallidum e pode evoluir em diferentes estágios clínicos — primário, secundário, latente e terciário. A transmissão ocorre principalmente durante relações sexuais sem proteção, por contato direto com lesões infectadas.

    A doença também pode ser transmitida da mãe para o bebê durante a gestação ou no momento do parto, condição conhecida como sífilis congênita.

    Já a Clamídia é uma infecção bacteriana comum que afeta principalmente os órgãos genitais, mas também pode atingir a garganta e os olhos. Muitas vezes, a doença não apresenta sintomas, o que facilita a transmissão entre pessoas sexualmente ativas.

    A infecção ocorre por meio de relações sexuais — vaginais, anais ou orais — ou pela transmissão da mãe para o bebê durante a gravidez.

    Estratégia de saúde pública

    Com a ampliação do uso da doxiciclina, o governo federal pretende fortalecer as ações de prevenção contra ISTs e reduzir a incidência dessas doenças na população.

    Especialistas ressaltam, no entanto, que o uso do antibiótico não substitui outras medidas de prevenção, como o uso de preservativos e a realização regular de exames para diagnóstico precoce.

    A expectativa do Ministério da Saúde é que a nova estratégia contribua para diminuir casos e complicações associadas às infecções sexualmente transmissíveis no país.

  • KPC: o que é a superbactéria resistente a antibióticos que levou hospital a esvaziar UTI

    Setor do Hospital Municipal Dr. Mário Gatti, em Campinas, foi fechado após sete pacientes apresentarem infecção por bactéria multirresistente; microrganismo é difícil de tratar e costuma circular em ambientes hospitalares.

    Saúde – A Unidade de Terapia Intensiva (UTI) adulta do Hospital Municipal Dr. Mário Gatti, em Campinas (SP), foi fechada temporariamente após sete pacientes apresentarem infecção pela chamada superbactéria KPC, um microrganismo conhecido por resistir a grande parte dos antibióticos.

    A medida foi adotada para conter a disseminação dentro do hospital. Quando um caso é identificado, equipes de controle de infecção costumam isolar pacientes e realizar uma desinfecção rigorosa do ambiente para evitar novos casos.

    O que é a bactéria KPC

    A KPC não é uma espécie totalmente nova de bactéria. Trata-se de uma variante da Klebsiella pneumoniae, um microrganismo que já existe naturalmente e pode causar infecções, mas que desenvolveu um mecanismo que dificulta o tratamento.

    Segundo o infectologista Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), a diferença está na capacidade da bactéria de produzir uma enzima que destrói os antibióticos

    A KPC é uma Klebsiella que desenvolveu, por mutações, a capacidade de produzir uma enzima que destrói boa parte dos antibióticos normalmente usados para combatê-la”, explica.

    Essa enzima, chamada carbapenemase, neutraliza medicamentos importantes usados no tratamento de infecções bacterianas. Por isso, a bactéria passa a responder a poucas opções terapêuticas

    Por que ela é chamada de “superbactéria”

    Bactérias com resistência a vários antibióticos são conhecidas como bactérias multirresistentes —popularmente chamadas de superbactérias.

    Nesses casos, as opções de tratamento ficam mais limitadas e muitas vezes é necessário usar combinações de antibióticos ou medicamentos menos utilizados.

    “A resistência antimicrobiana não é simples, não é tudo ou nada. Às vezes a bactéria tem resistência parcial e precisamos associar antibióticos para conseguir tratar”, diz Kfouri.

    Mesmo assim, os tratamentos costumam ser mais complexos e exigem acompanhamento médico cuidadoso

    Que doenças ela pode causar

    Assim como outras bactérias hospitalares, a KPC pode provocar diferentes tipos de infecção, dependendo do órgão afetado.

    Entre as principais estão:

    • pneumonia,
    • infecção urinária,
    • infecção na corrente sanguínea (sepse),
    • meningite.

    Em geral, essas infecções acontecem em pacientes já internados e com quadro clínico grave.

    Por que ela aparece mais em hospitais

    A KPC é considerada uma bactéria típica do ambiente hospitalar.

    Isso ocorre porque pacientes internados frequentemente passam por procedimentos invasivos, como sondas, cateteres, ventilação mecânica ou cirurgias —o que pode facilitar a entrada de microrganismos no organismo.

    Além disso, muitos pacientes já apresentam imunidade comprometida ou uso prévio de antibióticos, fatores que favorecem o surgimento de bactérias resistentes.

    “A grande maioria dos casos acontece em ambiente hospitalar, onde há pacientes mais vulneráveis e maior uso de antibióticos”, afirma Kfouri.

    Como a bactéria se espalha

    A transmissão ocorre principalmente por contato com superfícies ou materiais contaminados, além de secreções corporais.

    A bactéria pode ser transmitida por:

    • secreções respiratórias,
    • sangue,
    • fezes,
    • urina,
    • superfícies hospitalares contaminadas

    Por isso, medidas como higienização rigorosa das mãos e desinfecção do ambiente são fundamentais para evitar surtos.

    Por que hospitais isolam pacientes ou fecham setores

    Quando um caso é detectado, os hospitais adotam protocolos rígidos para impedir a disseminação.

    Entre as medidas estão:

    • isolamento do paciente infectado,
    • equipes exclusivas para atendimento,
    • limpeza e desinfecção completa do quarto e equipamentos,
    • monitoramento de outros pacientes.

    “Se você identifica um caso, é sinal de que a bactéria pode estar circulando naquele ambiente. Por isso são necessários cuidados rigorosos para evitar novos casos”, explica Kfouri.

    Em situações com vários pacientes infectados, pode ser necessário fechar temporariamente setores inteiros, como UTIs.

    O papel do uso excessivo de antibióticos

    O aumento das superbactérias está diretamente ligado ao uso inadequado de antibióticos.

    Isso inclui:

    • automedicação,
    • interrupção precoce do tratamento,
    • uso desnecessário em hospitais,
    • uso em criação de animais e agricultura.

    Segundo Kfouri, esse fenômeno —chamado resistência antimicrobiana— é considerado um dos grandes desafios da medicina atual.

    “O problema é que a resistência cresce no mundo inteiro, enquanto o desenvolvimento de novos antibióticos não acompanha esse ritmo”, afirma.

    Fonte: G1

  • Vacina da dengue do Butantan mantém 80,5% de eficácia contra casos graves e com sinais de alerta após cinco anos

    Estudo publicado na revista Nature Medicine confirma que a Butantan-DV também confere ampla proteção global contra a doença e protege de hospitalizações

    Saúde – Os resultados do ensaio clínico de fase 3 da vacina tetravalente Butantan-DV, produzida pelo Instituto Butantan, revelaram uma eficácia de 80,5% contra casos de dengue grave e dengue com sinais de alarme (desfecho combinado) ao longo de cinco anos. O estudo, publicado na prestigiada revista científica Nature Medicine, acompanhou quase 17 mil pessoas no Brasil e confirmou que a proteção se mantém sólida em longo prazo. 

    O ensaio clínico foi conduzido em 16 centros de pesquisa distribuídos pelas cinco regiões do Brasil. Entre fevereiro de 2016 e julho de 2019, foram recrutados 16.235 participantes com idades entre dois e 59 anos. Do total, 10.259 receberam a dose única da vacina e 5.976 receberam placebo.

    Além da alta proteção contra quadros severos, o estudo demonstrou que a Butantan-DV protegeu contra hospitalizações por dengue, já que não houve nenhum registro de internação no grupo vacinado, contra oito casos no grupo placebo. 

    No que diz respeito à eficácia geral para prevenir a dengue sintomática (causada por qualquer sorotipo), o imunizante atingiu a marca de 65% durante os cinco anos de monitoramento.

    “Os dados publicados recentemente na Nature confirmam a eficácia da Butantan-DV contra casos de dengue sintomática e, principalmente, contra casos de dengue grave e com sinais de alarme. Esta vacina se consolida como uma ferramenta de grande importância no combate à dengue no Brasil, com potencial para contribuir para diminuição da circulação do vírus, para além da proteção individual”, afirma a diretora médica de Ensaios Clínicos do Butantan, Fernanda Boulos.

    A vacina Butantan-DV foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 26/11/2025, para ser utilizada pela população brasileira de 12 a 59 anos. Desde então, o Instituto Butantan já enviou 1,3 milhão de doses para o Programa Nacional de Imunizações (PNI), que as distribui ao Sistema Único de Saúde (SUS).

    O Ministério da Saúde começou a vacinação em janeiro deste ano em Nova Lima (MG), Maranguape (CE) e Botucatu (SP), por meio de um projeto piloto que visa imunizar 90% do público-alvo destas cidades. Em 9 de fevereiro, deu início à vacinação de profissionais de saúde da Atenção Básica em evento realizado no Instituto Butantan.

    Perfil de segurança

    vacina demonstrou um perfil de segurança sólido em todas as idades. Não foram observadas preocupações de segurança a longo prazo mesmo no grupo mais jovem (2 a 6 anos), o que diferencia a Butantan-DV de outras tecnologias.

    Após a aplicação da vacina, a maioria dos eventos adversos registrados entre os participantes foram de intensidade leve a moderada, como dor de cabeça (36,7%), fadiga (19,4%), erupção na pele (22,7%), dor muscular (17,7%) e prurido (19,3%).

    Um ponto fundamental destacado no estudo é a segurança da Butantan-DV para quem nunca contraiu dengue. Ao contrário de outras vacinas licenciadas, que apresentaram um aumento no risco de hospitalização ou dengue grave em crianças que nunca tinham tido contato com o vírus, a Butantan-DV não apresentou preocupações de segurança nem desequilíbrio de casos graves entre os participantes soronegativos durante os cinco anos de monitoramento.

    Não houve registro de nenhum caso de dengue grave entre os participantes que receberam a vacina Butantan-DV durante os cinco anos de acompanhamento, e apenas seis casos de dengue com sinais de alarme. Esta proteção total contra a forma mais severa da doença reflete a alta eficácia do imunizante para evitar complicações críticas.

    Eficácia por sorotipo e histórico de exposição

    A vacina Butantan-DV demonstrou ser eficaz independentemente de a pessoa já ter tido dengue ou não antes da vacinação. Para quem já havia sido exposto ao vírus (soropositivo), a eficácia contra qualquer sorotipo foi de 77,1%, enquanto para aqueles sem exposição prévia (soronegativo), o índice foi de 58,9%. Essa diferença se deve à forma como o sistema imunológico reage ao imunizante após uma exposição prévia ao vírus.

    Em relação aos sorotipos específicos, para DENV-1 a eficácia foi de 79,4% para quem já teve dengue e 71,4% para quem nunca teve; para o DENV-2, a eficácia de 75,2% para os soropositivos e 36,7% para os soronegativos. 

    Apesar de a estimativa pontual para o DENV-2 em indivíduos sem exposição prévia ser numericamente inferior, os pesquisadores destacam que ela permaneceu positiva em todos os grupos. Além disso, a vacina atingiu os objetivos primários (dado geral) e secundários (doença grave) de eficácia, independentemente do histórico de cada voluntário com a dengue.

    Como durante o período da pesquisa, os sorotipos DENV-3 e DENV-4 não circularam de forma significativa no Brasil, não foi possível medir estatisticamente a eficácia contra eles. No entanto, o estudo ressalta que a vacina contém componentes quase completos desses sorotipos e induz anticorpos neutralizantes específicos, o que deve garantir proteção contra as quatro cepas do vírus. 

    Eficácia de diferentes faixas etárias 

    A eficácia da Butantan-DV variou entre as faixas etárias, apresentando uma tendência de maior proteção conforme aumentava a idade dos participantes. Ainda assim, as estimativas permaneceram positivas em todas as idades após cinco anos de acompanhamento.

    A eficácia contra a dengue sintomática (causada por qualquer sorotipo) em adultos de 18 a 59 anos foi de 74,8%; em adolescentes de 7 a 17 anos, de 69,5%; e em crianças de dois a 6 anos, de 60,6%.

    Essa variação está relacionada ao perfil imunológico de cada grupo. O estudo mostra que a proporção de pessoas que nunca tiveram dengue (soronegativas) diminui drasticamente com o passar da idade. Isto é, enquanto 80,7% das crianças de 2 a 6 anos eram soronegativas no início do estudo, esse número caía para 36% entre adolescentes e para apenas 26,8% entre os adultos. 

    Como a eficácia da vacina tende a ser maior em indivíduos que já tiveram exposição prévia ao vírus, os grupos mais velhos acabam apresentando índices de proteção mais elevados.

    Eficácia a longo prazo

    Ao final dos cinco anos de acompanhamento, a eficácia geral da vacina contra a dengue sintomática (causada por qualquer sorotipo) consolidou-se em 65,0%. Isso indica que a proteção se manteve sólida e dentro da margem esperada, não representando queda drástica na imunidade.

    A vacina atingiu todos os objetivos primários e secundários de eficácia estabelecidos no protocolo, confirmando sua capacidade de proteção em longo prazo.

    “Os dados de seguimento de longo prazo confirmam que a eficácia gerada pela vacinação em dose única foi duradoura e que o perfil de segurança da vacina é positivo em todos os grupos avaliados. Esta avaliação solidifica a robustez nos dados de segurança, confirmando que a Butantan-DV pode ser utilizada em pessoas sem exposição prévia à dengue”, ressalta Fernanda Boulos.

    Sobre a Butantan-DV

    A vacina da dengue do Instituto Butantan protege contra os diferentes tipos de vírus da dengue por meio de sua composição tetravalente, o que significa que ela contém componentes específicos para combater os quatro sorotipos conhecidos: DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4.

    O imunizante utiliza vírus vivos, mas “enfraquecidos” (atenuados) em laboratório, para que não causem a doença enquanto são capazes de estimular uma resposta imune. As cepas utilizadas são baseadas em uma tecnologia originalmente desenvolvida pelos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH, na sigla em inglês).

    Para os sorotipos DENV-1, DENV-3 e DENV-4, a vacina utiliza genomas quase completos dos respectivos vírus. Já para o DENV-2, a proteção é construída utilizando-se de vírus quimérico, que consiste nas proteínas de superfície do DENV-2 montadas sobre a estrutura (“esqueleto”) atenuada do vírus DENV-4.

    Uma vez aplicada, a vacina gera uma viremia vacinal, que é a replicação controlada desses vírus atenuados no corpo. Isso induz o sistema imunológico a produzir anticorpos neutralizantes específicos para cada um dos quatro sorotipos. O objetivo é criar uma imunidade específica para cada um deles, para que o organismo reconheça e neutralize as variantes de forma individualizada.

    A vantagem da dose única 

    Um dos grandes diferenciais da vacina Butantan-DV é o seu esquema de dose única, o que facilita a logística de vacinação, melhora a adesão da população e promove uma cobertura vacinal mais rápida. 

    A razão pela qual apenas uma dose é necessária reside na alta capacidade de replicação inicial do vírus vacinal, que induz uma resposta imune suficiente para prevenir a replicação de doses subsequentes. 

    Estudos demonstraram que uma segunda dose não produzia nova viremia vacinal nem reforçava a resposta de anticorpos, o que indica que a primeira dose já atinge o patamar de proteção necessário. Esta é uma característica comum em outras vacinas de vírus vivos atenuados que apresentam sucesso em dose única.

    Diferentemente de vacinas que exigem duas ou três doses, a tecnologia do Butantan permite que a proteção contra a dengue sintomática e casos graves seja estabelecida com apenas uma aplicação, independentemente de a pessoa já ter tido a doença anteriormente. 

    O ensaio clínico de fase 3 da Butantan-DV contou com financiamento do Ministério da Saúde, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e da Fundação Butantan.

    Fonte: Camila Neuman – Instituto Butantan

  • Prevenção que protege: FVS-RCP reforça testagem e acesso a estratégias contra ISTs no Amazonas

    Com a distribuição de insumos, orientação e ampliação da testagem, fundação destaca a importância da prevenção combinada  

    Saúde – A Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP) reforçou, nesta quarta-feira (11/03), a importância da prevenção combinada e da realização regular de testes para infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). A orientação é que a população procure a unidade básica de saúde (UBS) para ter acesso gratuito a preservativos internos e externos, autotestes e gel lubrificante, além de receber orientações de profissionais de saúde.

    A testagem periódica é uma das principais estratégias para conhecer a condição sorológica e iniciar o tratamento de forma oportuna, quando necessário. Durante ações realizadas em janeiro e fevereiro, foram distribuídos insumos de prevenção à população, incluindo 107 mil preservativos externos, 600 preservativos internos e 37,3 mil unidades de gel lubrificante.

    A diretora-presidente da FVS-RCP, Tatyana Amorim, destaca que as estratégias de prevenção fazem parte de um trabalho permanente de fortalecimento da saúde pública no estado.

     “A prevenção combinada é uma estratégia essencial porque reúne diferentes ferramentas de proteção. Quando ampliamos o acesso à testagem, aos preservativos e aos serviços de saúde, fortalecemos a capacidade das pessoas de se protegerem e também de interromper cadeias de transmissão”, salienta Tatyana Amorim. 

    Além disso, em caso de diagnóstico de ISTs, como hepatites virais, sífilis ou HIV, é fundamental buscar atendimento nas unidades de saúde para acolhimento e início do tratamento adequado, com encaminhamento para outros serviços quando necessário.

    O coordenador do Programa Estadual de HIV/Aids e outras IST da FVS-RCP, Rodrigo Predoza, reforça que a informação e o acesso aos métodos preventivos são decisivos para a proteção individual e coletiva.

    “Estamos falando de um conjunto de ações que inclui preservativos, testagem regular, tratamento adequado e também estratégias biomédicas, como PrEP e PEP. Quanto mais informação e acesso a esses serviços, maior é a capacidade da população de se proteger”, destacou Rodrigo Predoza.

    Medidas de Prevenção

    Os métodos de prevenção são eficazes, gratuitos e disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A FVS-RCP é responsável pela distribuição desses insumos às unidades de saúde dos 62 municípios do Amazonas, que também orientam a população sobre as estratégias de prevenção combinada.

    Da mesma forma, alguns serviços oferecem profilaxia pré-exposição (PrEP) e profilaxia pós-exposição (PEP) ao HIV. Em caso de dúvidas, o profissional de saúde pode fornecer orientações sobre a condição clínica e sorológica, bem como sobre a importância da adesão ao tratamento.

    A educação em saúde, associada ao acesso aos serviços e às estratégias de prevenção, é fundamental para promover qualidade de vida e fortalecer a proteção individual e coletiva.

    Fonte:  Divulgação/ FVS-RCP

  • “Andaime” de grafeno acelera regeneração óssea e recupera até 90% de fraturas em testes científicos

    Tecnologia desenvolvida por pesquisadores da USP e do Einstein utiliza biomaterial que estimula células a reconstruírem ossos danificados.

    Saúde – Pesquisadores brasileiros desenvolveram uma estrutura inovadora à base de grafeno capaz de estimular a regeneração óssea e acelerar a recuperação de fraturas. Nos testes realizados com animais, o biomaterial conseguiu reparar cerca de 90% dos danos no osso apenas um mês após a lesão.

    O estudo foi conduzido por cientistas da Universidade de São Paulo e da Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein e teve seus resultados publicados na revista científica Scientific Reports.

    A pesquisa foi coordenada pelas cientistas Daniela Franco Bueno e Guilherme Lenz e Silva, que investigaram o potencial de estruturas microscópicas feitas com grafeno para ajudar na reconstrução de ossos danificados.

    Como funciona o “andaime” biológico

    O grafeno é uma forma ultrafina de carbono composta por uma camada de apenas um átomo de espessura. Quando combinado com outros materiais orgânicos, ele pode formar estruturas tridimensionais conhecidas como scaffolds — ou “andaimes biológicos”.

    Esses biomateriais não funcionam como próteses permanentes, mas como estruturas temporárias que orientam o crescimento de novas células. Elas criam um ambiente favorável para que o próprio organismo reconstrua o tecido ósseo de forma natural.

    De acordo com os pesquisadores, o material funciona como um guia para células importantes do processo de regeneração, como macrófagos, osteoclastos e células-tronco, estimulando a formação de novos vasos sanguíneos e o crescimento organizado do osso.

    “O objetivo desses biomateriais é estimular o corpo a se regenerar. Com o tempo, o material deixa de ser protagonista e dá lugar ao tecido ósseo formado pelo próprio organismo”, explica Daniela Bueno.

    Combinação de materiais potencializa resultados

    Para criar o biomaterial, os cientistas utilizaram carbono extraído do chamado “licor negro”, um subproduto da indústria de papel e celulose. Esse material foi combinado com diferentes nanomateriais, como grafeno, óxido de grafeno e nanografite.

    A estrutura também incorpora polímeros orgânicos derivados de substâncias naturais, como a quitosana — obtida de crustáceos — e a xantana, produzida por bactérias.

    Essa combinação cria uma matriz tridimensional que favorece a adesão das células, melhora a vascularização e estimula a diferenciação das células ósseas responsáveis pela reconstrução do tecido.

    Testes mostraram alta taxa de recuperação

    Nos experimentos realizados em laboratório, os pesquisadores induziram fraturas na tíbia de 16 ratos e aplicaram diferentes versões do biomaterial para avaliar sua eficácia.

    Todos os modelos apresentaram resultados positivos na regeneração do osso, mas as estruturas contendo grafeno registraram o melhor desempenho, alcançando quase 90% de recuperação do tecido lesionado em apenas quatro semanas.

    Próximos passos da pesquisa

    A tecnologia ainda está em fase pré-clínica, mas os pesquisadores acreditam que ela tem potencial para ser testada em humanos no futuro.

    Além do tratamento de fraturas, o biomaterial pode ajudar na reconstrução de perdas ósseas causadas por traumas, doenças ou malformações congênitas.

    A próxima etapa da pesquisa envolve combinar essas estruturas com células-tronco — inclusive células extraídas da polpa de dentes de leite — para acelerar ainda mais o processo de regeneração.

    Segundo os cientistas, a proposta da tecnologia não é substituir o tecido humano, mas ensinar o próprio organismo a reconstruí-lo.

    “Estamos desenvolvendo uma estratégia que estimula o corpo a regenerar o osso de forma mais rápida, organizada e biologicamente eficiente”, conclui a pesquisadora.

  • Ficar muito tempo sem ereções pode levar ao encolhimento do pênis, alerta especialista

    Ausência prolongada de estímulo reduz fluxo sanguíneo no órgão e pode provocar atrofia do tecido peniano, segundo especialista em saúde masculina.

    Saúde – A falta prolongada de ereções — seja por ausência de relações sexuais ou outros fatores — pode afetar a saúde do pênis e até provocar diminuição no tamanho do órgão. O alerta é do biomédico Vitor Mello, que explica que o tecido peniano precisa de estímulos frequentes para manter sua estrutura e funcionamento adequados.

    Segundo o especialista, ereções involuntárias, especialmente as que ocorrem durante o sono, desempenham um papel fundamental na oxigenação dos tecidos. Quando elas deixam de ocorrer por longos períodos, o fluxo sanguíneo diminui, reduzindo a chegada de oxigênio e nutrientes às células.

    “O pênis funciona de forma semelhante a outros tecidos do corpo: a falta de estímulo pode levar à atrofia. Sem circulação adequada, parte da musculatura lisa pode ser substituída por colágeno, um tecido mais rígido e menos elástico”, explica.

    Redução pode chegar a alguns centímetros

    Estudos realizados pela Universidade do Estado da Califórnia apontam que a ausência prolongada de atividade erétil pode provocar atrofia peniana e reduzir o tamanho do órgão em até dois centímetros em alguns casos.

    Além disso, dados da Sociedade Brasileira de Urologia indicam que cerca de 50% dos homens brasileiros acima de 40 anos relatam algum tipo de dificuldade relacionada à ereção.

    Especialistas ressaltam que o problema não está necessariamente em passar algumas semanas sem atividade sexual. O que preocupa é quando o organismo deixa de apresentar ereções por períodos mais longos.

    “Se um homem passa três, quatro ou até seis meses sem ereções — involuntárias ou provocadas — o tecido começa a receber menos estímulo vascular, o que pode comprometer a elasticidade e a firmeza”, afirma Mello.

    Masturbação também ajuda na saúde peniana

    O biomédico destaca que a manutenção da saúde do pênis não depende exclusivamente de relações sexuais com parceiros.

    Segundo ele, qualquer forma de ereção que estimule a circulação sanguínea na região pode contribuir para preservar a função erétil.

    “A masturbação também promove oxigenação do tecido peniano e ajuda a manter a função erétil. Trata-se de um processo fisiológico do corpo”, afirma.

    Ele ressalta que fatores como estresse, excesso de trabalho, término de relacionamentos ou escolhas pessoais podem levar a períodos sem atividade sexual, mas o organismo continua respondendo biologicamente à falta de estímulos.

    Prevenção e tratamento

    Na maioria das situações, os efeitos podem ser revertidos com estímulos adequados, acompanhamento médico e melhora da saúde vascular e hormonal.

    De acordo com o especialista, avanços na medicina também permitem tratamentos que ajudam a recuperar firmeza, volume e função do órgão quando necessário.

    Ainda assim, ele destaca que a melhor estratégia continua sendo a prevenção.

    “Hoje existem recursos terapêuticos eficazes, mas manter a circulação ativa e o órgão em funcionamento continua sendo a forma mais simples de preservar a saúde peniana”, conclui.

  • Secretaria Municipal de Saúde alerta sobre imunização de recém-nascidos e bebês contra o VSR

    Saúde – A Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), alerta pais e responsáveis sobre a importância de imunizar bebês nascidos prematuros (até 36 semanas e seis dias de gestação) a partir de setembro de 2025 e que ainda não completaram seis meses de vida. A orientação é que essas crianças recebam o Nirsevimabe, um anticorpo monoclonal indicado para proteção contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR).

    Nas maternidades públicas, a proteção está sendo administrada desde a última quinta-feira, 5/3, para o público interno. A Maternidade Municipal Moura Tapajóz imunizou o primeiro bebê prematuro na capital nesse dia.   

    Nas unidades de saúde, a estratégia de prevenção teve início nessa segunda-feira, 9/3. Os endereços e horários de funcionamento podem ser conferidos por meio do link: http://bit.ly/4bki1CX

    A gerente de Imunização da Semsa, Isabel Hernandes, explica que o Nirsevimabe é um anticorpo monoclonal que uma vez administrado, atua no organismo assegurando proteção contra o Vírus Sincicial Respiratório, infecção que, ao afetar bebês, pode evoluir e comprometer seriamente a saúde, requerendo, inclusive, internações em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs).

    “A OMS reforça que a imunização é a estratégia mais eficaz para diminuir o impacto do Vírus Sincicial Respiratório (VSR) em populações vulneráveis, por isso é importante que os responsáveis priorizem a proteção desse segmento. Nos bebês, essa infecção pode evoluir para bronquiolite ou pneumonia, por isso é importante que mães, pais e demais responsáveis priorizem a proteção das crianças”, ressalta.

    Para receber o anticorpo monoclonal específico contra o Vírus Sincicial Respiratório, os pais ou responsáveis precisam apresentar documento de identificação do bebê, a caderneta da criança ou a declaração de nascido vivo para comprovar a idade gestacional no momento do nascimento.

    Os pais de crianças acima de cinco quilos, que se enquadram nas indicações, devem procurar o Centro de Referência Imunobiológicos (Crie), localizado no bairro Dom Pedro, na zona Oeste, para ter acesso à estratégia de proteção contra o VSR.

    Indicações

    Os recém-nascidos prematuros, com idade gestacional de até 36 semanas e seis dias, assim como as crianças com até 23 meses de idade com comorbidades formam o grupo que deve receber o Nirsevimabe, uma vez que estão mais vulneráveis ao vírus e infecções graves pelo VSR, o principal causador de bronquiolite e pneumonia em bebês.

    Conforme as diretrizes do Ministério da Saúde, as crianças com doença cardiovascular, pneumopatias crônicas graves, imunocomprometidas, doença neurológica crônica, anomalias das vias aéreas e síndrome de Down precisam receber o anticorpo monoclonal. “É importante assinalar que os responsáveis pelos bebês com indicação de comorbidades precisam apresentar encaminhamento médico ou laudo”, informa Isabel Hernandes.

    Embora ofereça proteção, o Nirsevimabe tecnicamente não é uma vacina, pois não estimula o sistema imunológico do bebê a criar defesas, mas introduz anticorpos prontos, fornecendo proteção imediata contra o VSR.

    Fonte:  Tânia Brandão/Semsa