Categoria: Saúde

  • IA na saúde avança, mas não substitui o olhar humano do geriatra

    Especialistas explicam que a inteligência artificial pode apoiar diagnósticos e gestão de dados, mas o cuidado com o idoso exige julgamento clínico, sensibilidade e relação médico-paciente.

    Saúde – A Inteligência Artificial (IA) deixou de ser apenas uma promessa tecnológica e passou a integrar o cotidiano de hospitais e clínicas em todo o mundo. Hoje, sistemas baseados em algoritmos ajudam na interpretação de exames de imagem, na análise de risco cardiovascular e até na previsão de deterioração clínica de pacientes.

    No Brasil, esse avanço ganhou recentemente um marco regulatório. O Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou a primeira resolução específica sobre o uso de inteligência artificial na prática médica, estabelecendo diretrizes para sua utilização de forma ética e segura.

    A norma deixa claro um princípio central: a IA deve funcionar como ferramenta de apoio à decisão clínica — e não como substituta do médico. A responsabilidade por diagnósticos, prognósticos e tratamentos continua sendo exclusivamente do profissional de saúde. O texto também proíbe que sistemas automatizados comuniquem diagnósticos diretamente ao paciente sem mediação médica.

    Desafio maior na geriatria

    Essa discussão ganha ainda mais relevância quando se trata da Geriatria. Diferentemente de áreas focadas em um órgão ou doença específica, o cuidado com o idoso exige uma avaliação ampla que envolve fatores físicos, cognitivos, emocionais e sociais.

    Pacientes idosos raramente apresentam apenas um problema de saúde. É comum que convivam com múltiplas doenças crônicas, uso simultâneo de vários medicamentos, fragilidade física, alterações cognitivas e diferentes níveis de autonomia.

    Nesse contexto, o médico precisa avaliar não apenas exames ou sintomas isolados, mas também aspectos como funcionalidade, suporte familiar, qualidade de vida e expectativas do próprio paciente.

    Limites dos algoritmos

    Estudos internacionais mostram que algoritmos podem alcançar desempenho semelhante ao de especialistas em tarefas muito específicas, como identificar nódulos pulmonares em tomografias ou detectar retinopatia diabética em exames oftalmológicos.

    O problema é que esses sistemas são treinados com grandes bancos de dados que muitas vezes não representam adequadamente pacientes idosos muito frágeis ou extremamente longevos — justamente os casos mais complexos da prática clínica.

    A inteligência artificial é extremamente eficiente para identificar padrões. Porém, o cuidado médico real frequentemente envolve exceções.

    Um algoritmo pode calcular o risco de queda com base em variáveis objetivas. Mas dificilmente consegue considerar fatores subjetivos, como o impacto emocional da perda de um cônjuge, a resistência de um paciente a um tratamento ou a dinâmica familiar que influencia decisões de saúde.

    Mais que diagnóstico: relação humana

    Na geriatria, a consulta não se limita a decisões técnicas. Muitas vezes envolve conversas delicadas sobre perda de autonomia, demência, doenças graves ou limitações funcionais permanentes.

    A forma como o médico comunica um diagnóstico, acolhe a ansiedade do paciente ou orienta familiares pode influenciar diretamente a adesão ao tratamento e os desfechos clínicos.

    Essa dimensão humana — feita de escuta, empatia, experiência e intuição clínica — não pode ser reproduzida por sistemas automatizados.

    Tecnologia como aliada

    Isso não significa que a inteligência artificial deva ser rejeitada. Pelo contrário. Na prática geriátrica, ela pode ajudar na análise de interações medicamentosas, na organização de prontuários extensos e na identificação de riscos de hospitalização.

    Com o envelhecimento acelerado da população, ferramentas que ampliem a capacidade assistencial e otimizem o tempo médico serão cada vez mais necessárias.

    O consenso entre especialistas é claro: a tecnologia pode transformar a medicina, mas não substituir o vínculo entre médico e paciente.

    Enquanto o envelhecimento continuar sendo uma experiência profundamente humana, o cuidado também precisará ser.

  • Diagnóstico precoce amplia qualidade de vida de meninas com síndrome de Turner

    Atendimento multidisciplinar e intervenções oportunas ampliam as possibilidades de desenvolvimento e bem-estar das pacientes

    Saúde – No mês em que se celebra o Dia Internacional da Mulher, o debate sobre saúde feminina também chama atenção para doenças raras ainda pouco conhecidas por essa população. A síndrome de Turner é uma delas. Considerada a condição genética mais comum entre meninas e mulheres, está associada à ausência total ou parcial de um dos dois cromossomos X e pode comprometer o desenvolvimento físico, reprodutivo e metabólico ao longo da vida.
    Segundo o Ministério da Saúde, a síndrome ocorre em 1 a cada 1.500 a 2.500 nascidas vivas. Os primeiros indícios costumam surgir ainda na infância ou adolescência. A geneticista e consultora médica do Sabin Diagnóstico e Saúde, Rosenelle Benício, explica que os sinais clínicos mais frequentes incluem “baixa estatura, excesso de pele na região do pescoço e inchaço em extremidades do corpo”.
    Outros achados podem incluir alterações cardíacas estruturais, anomalias renais, perda auditiva e ausência do desenvolvimento puberal, como a falta da primeira menstruação. “Esses achados costumam levar à solicitação de exames diagnósticos, passo fundamental para iniciar o tratamento e melhorar a qualidade de vida das pacientes”, afirma a médica.

    Diagnóstico
    A confirmação da síndrome de Turner é feita por meio do cariótipo, exame que analisa os cromossomos e identifica diferentes alterações no cromossomo X, inclusive o mosaicismo, quando há mais de uma linhagem celular. Além dele, podem ser utilizados testes de triagem genética, como o teste pré-natal não invasivo (NIPT) e o Teste Genético da Bochechinha, além de exames laboratoriais e de imagem para rastreamento de alterações hormonais e anomalias congênitas associadas à condição.
    A geneticista explica que, em alguns casos, a suspeita pode surgir ainda durante a gravidez. “Achados como aumento da translucência nucal (aumento de líquido na nuca do bebê), que pode decorrer da presença de higroma cístico (malformação caracterizada por ‘bolsas’ de líquido, geralmente próximo ao pescoço) e alterações cardíacas podem ser observados na ultrassonografia obstétrica”, comenta.
    Segundo a médica, o NIPT pode apontar alterações genéticas sugestivas da síndrome e indicar a necessidade de testes adicionais. No entanto, o cariótipo permanece essencial, devendo também ser realizado após o nascimento da criança. “O diagnóstico precoce permite que a família se prepare e inicie o acompanhamento o quanto antes, visando rastrear e identificar potenciais complicações”, explica a especialista.

    Tratamento
    Após a confirmação, o acompanhamento médico é fundamental, especialmente com um endocrinologista pediátrico e um geneticista. Esses profissionais avaliam a necessidade de exames adicionais para mapear riscos futuros e garantir a qualidade de vida da paciente.
    Podem ser solicitados exames como ecocardiograma, ultrassonografia dos rins e vias urinárias, radiografias e avaliação laboratorial. Entre eles, estão o lipidograma, que mede os níveis de colesterol e triglicerídeos, e a dosagem hormonal, que auxilia na avaliação do sistema endócrino. Outro exame importante e que pode estar indicado em alguns casos é a pesquisa de material do cromossomo Y, cuja presença pode indicar necessidade de avaliações e procedimentos adicionais.
    “Meninas com diagnóstico de síndrome de Turner podem receber tratamentos que incluem reposição de hormônio de crescimento, medida comprovadamente eficaz, bem como reposição de hormônios sexuais, que podem assegurar o desenvolvimento de caracteres sexuais secundários e evitar diversas complicações associadas à síndrome”, explica a médica, que complementa, “esses tratamentos hormonais devem ocorrer em momentos específicos da vida, sendo necessário o acompanhamento clínico para identificar o período ótimo para iniciá-los”.
    Além disso, o acompanhamento médico regular visa identificar outras possíveis alterações, como as relacionadas ao sistema cardiovascular, permitindo intervenções em momento precoce. Em conjunto, essas medidas contribuem para um desenvolvimento mais adequado e uma melhor qualidade de vida, reduzindo comorbidades associadas à síndrome.

    Foto: divulgação/IA

    Por Agência de Comunicação Repercussão

  • Secretária municipal de Saúde favorece detecção e diagnóstico precoce de cânceres de mama e do colo do útero com oferta de exames especializados

    Saúde –  A Prefeitura de Manaus tem fortalecido a prevenção e rastreio do câncer de mama e do colo do útero com a oferta de exames especializados para investigação dos agravos por meio de laboratório próprio da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa). A iniciativa permite maior rapidez no diagnóstico e favorece o tratamento precoce das doenças, com mais resolutividade e qualidade de vida para as usuárias.

    Os exames histopatológicos e imunohistoquímicos, empregados para identificar e definir subtipos de cânceres, são feitos a partir de amostras de biópsias enviadas pelas unidades do Serviço de Referência para Diagnóstico e Tratamento de Lesões Precursoras do Câncer do Colo de Útero (SRC) e do Serviço de Referência para Diagnóstico de Câncer de Mama (SDM), da Semsa.

    A secretária municipal de Saúde, Shádia Fraxe, ressalta que a oferta dos exames para detecção do câncer de mama e do colo do útero na rede municipal integra os esforços da gestão municipal para qualificar os serviços da Atenção Primária, com foco especial na saúde da mulher. A licitação do serviço, ela explica, foi realizada no final do ano passado, e os exames começaram a ser realizados no dia 2 de fevereiro.

    Tínhamos muita dificuldade em fazer a leitura das biópsias do colo do útero e da mama por meio do Sisreg. Por determinação do prefeito David Almeida, afinal, fizemos a licitação para esse serviço, que já beneficia as usuárias atendidas nos serviços de referência da Semsa”, informa a secretária.

    chefe da Divisão de Atenção à Saúde da Mulher, Lúcia Freitas, relata que o serviço vai agilizar a análise e entrega dos resultados de exames e, consequentemente, o encaminhamento de usuárias para tratamento na rede especializada. Até então, o material coletado na rede básica para biópsias da mama e do colo do útero seguia para análise na rede estadual, via Sistema de Regulação (Sisreg), com a entrega dos resultados em prazos de 30 a 45 dias

    Com os exames feitos por meio do nosso laboratório, as mulheres vão ter seus resultados em até dez dias, e vão seguir para o tratamento oncológico mais cedo, o que significa menor risco de sequelas graves e mais qualidade de vida”, enfatiza a servidora

    Conforme Lúcia, a oferta dos exames integra as ações da Semsa para a implementação das Ofertas de Cuidados Integrados (OCIs) na Atenção Primária. Ela relata que a saúde municipal pactuou duas OCIs oncológicas, voltadas às linhas de cuidado do câncer de mama e do colo do útero, com o objetivo de integrar os níveis de assistência e agilizar exames, procedimentos e serviços para as usuárias

    Por meio das ofertas, é definido um prazo máximo de até 30 dias para o diagnóstico e encaminhamento da usuária até o ponto de atenção na rede especializada de saúde. Isso fortalece a resolutividade dos casos e a continuidade do cuidado das pacientes”, pontua.

    Para a implementação das OCIs, a Semsa vem promovendo uma série de capacitações para médicos e enfermeiros, na área oncológica, e médicos, nas demais áreas. As turmas iniciaram no final de janeiro passado. “Essas formações devem se estender ao longo de todo o ano, para alcançar todos os profissionais da rede básica”, explica Lúcia

    De acordo com a gerente de Apoio Diagnóstico da Semsa, Ana Paula Neves, o contrato firmado pela gestão municipal abrange a realização de 12 mil exames histopatológicos por ano, sendo 6 mil de mama e 6 mil do colo do útero. Os exames imunohistoquímicos, realizados nos casos de diagnóstico positivo das biópsias de mama, devem totalizar até 3 mil por ano.

    Já ofertamos o preventivo, a colposcopia e a coleta de tecidos para biópsia, e agora vamos ofertar também o resultado desses exames, com total controle do serviço e da qualidade”, ressalta a gerente.

    Prevenção e rastreio

    A integração dos exames diagnósticos na Atenção Primária se soma às ações da Semsa para fortalecer a prevenção e o rastreio do câncer de mama e do colo do útero, que são os tipos da doença mais incidentes entre a população feminina em Manaus e no Norte do país.

    Entre essas ações, Lúcia Freitas destaca o aumento na oferta do exame preventivo do câncer do colo do útero, ou citopatológico na rede básica. Ela lembra ainda que a Semsa implementou a coleta do preventivo em meio líquido, em 2023, em 14 Unidades de Saúde da Família (USFs); a oferta da tecnologia, que qualifica a análise citológica, já alcançava 115 USFs, até o final do ano passado.

    Esse avanço se reflete na ampliação no número de exames realizados no município, que passou de 89,2 mil, em 2021, para 131 mil, no ano passado. Isso significa maior acesso ao rastreamento e fortalecimento da detecção precoce de lesões precursoras”, informa a gestora.

    Os exames de mamografia realizados em Manaus, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), somaram mais de 27 mil entre usuárias na faixa etária de rastreio, de 50 a 74 anos, e totalizaram mais de 40 mil, entre mulheres de todas as faixas etárias, de acordo com dados do Sistema de Informações de Câncer (Siscan), do Ministério da Saúde.

    As usuárias da rede municipal contam ainda com o SDM, que atende solicitações feitas via Sisreg para biópsia de usuárias com exames de rastreio da mama com indicação de achados suspeitos de malignidade. O serviço funciona nas policlínicas Castelo Branco e Djalma Batista, sendo que nesta última os atendimentos atualmente estão suspensos em virtude de reforma da unidade.

    O SRC da Semsa, por sua vez, é responsável por realizar colposcopias e biópsias do colo do útero de usuárias da rede de saúde. Os exames são solicitados nos casos em que são detectadas lesões suspeitas no preventivo, sendo realizados em duas unidades, na policlínica Castelo Branco e policlínica Antônio Comte Telles.

    Fonte: Jonny Clay Borges – Semsa

  • SUS passa a oferecer reconstrução dentária gratuita para mulheres vítimas de violência

    Nova iniciativa do Ministério da Saúde prevê próteses, implantes e restaurações como parte das ações de enfrentamento ao feminicídio no país.

    Saúde – Mulheres vítimas de agressão terão acesso a tratamento odontológico completo e gratuito na rede pública. A nova iniciativa do Ministério da Saúde prevê a oferta de reconstrução dentária pelo Sistema Único de Saúde (SUS), incluindo próteses, implantes, restaurações e outros procedimentos necessários para recuperar a saúde bucal e a autoestima das pacientes.

    O anúncio foi feito pelo governo federal como parte de um conjunto de medidas voltadas ao enfrentamento da violência de gênero e ao combate ao feminicídio no Brasil. A proposta integra o plano de trabalho apresentado recentemente pelo ministério para ampliar o atendimento às mulheres vítimas de agressões.

    De acordo com a pasta, a estratégia inclui a ampliação da estrutura de atendimento odontológico no país. O programa contará com o reforço de cerca de 500 impressoras 3D e scanners, equipamentos que permitirão produzir próteses e estruturas dentárias com maior rapidez e precisão.

    Esses equipamentos serão utilizados em unidades odontológicas móveis distribuídas em diversas regiões do país. Em 2025, o governo já entregou 400 novos veículos para ampliar o atendimento itinerante. A previsão é que, até o final deste ano, outras 800 unidades passem a operar, levando assistência a locais com menor acesso aos serviços de saúde.

    Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o combate à violência contra a mulher exige mobilização de toda a sociedade. Ele destacou que o envolvimento masculino também é fundamental para enfrentar o problema.

    “Se os homens não se engajarem no enfrentamento à violência contra as mulheres, não vamos vencer essa batalha. As mulheres lutam por isso há décadas. Está na hora de os homens entrarem com mais força nessa luta, especialmente nós da área da saúde”, afirmou.

    Além da ampliação do atendimento às vítimas, o Ministério da Saúde também informou que solicitou à Organização Mundial da Saúde a inclusão da categoria feminicídio na Classificação Internacional de Doenças (CID-11). A proposta busca dar maior visibilidade às mortes de mulheres motivadas por desigualdade de gênero, que atualmente são registradas de forma genérica como agressão.

    A expectativa do governo é que as novas medidas fortaleçam as políticas públicas de proteção às mulheres, ampliem o acesso a tratamentos de saúde e contribuam para melhorar o monitoramento dos casos de violência no país.

  • Autismo em mulheres: sinais discretos fazem diagnóstico demorar décadas

    Especialistas alertam que características mais sutis e a chamada “camuflagem social” fazem com que muitas mulheres recebam diagnóstico de transtorno do espectro autista apenas na vida adulta.

    Saúde – Durante muitos anos, o autismo foi estudado principalmente em meninos, o que ajudou a criar um padrão de diagnóstico baseado em comportamentos mais evidentes. Hoje, especialistas reconhecem que meninas e mulheres também apresentam o mesmo núcleo do transtorno, mas de forma muitas vezes mais sutil — o que contribui para diagnósticos tardios.

    O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é caracterizado por dificuldades na comunicação social e por padrões restritos ou repetitivos de comportamento. Entretanto, em mulheres, essas manifestações costumam aparecer de maneira menos visível, podendo ser confundidas com traços de personalidade, como timidez ou sensibilidade.

    Estudos apontam que cerca de um terço das mulheres recebe o diagnóstico apenas após os 20 anos de idade. Entre os homens, essa proporção é bem menor. Na primeira infância, por exemplo, o autismo é identificado em aproximadamente 61,6% dos meninos entre 0 e 4 anos, enquanto apenas 37,2% das meninas são diagnosticadas nesse período.

    Mesma base, manifestações diferentes

    Apesar de os critérios clínicos serem os mesmos para ambos os sexos, a forma como os sinais aparecem no cotidiano pode variar bastante. Muitas meninas com autismo demonstram desejo de fazer parte de grupos e manter amizades, o que pode mascarar dificuldades sociais.

    Para conseguir se integrar, elas costumam observar atentamente o comportamento de colegas, analisar expressões faciais e memorizar respostas sociais consideradas adequadas. Esse processo exige esforço constante e pode gerar cansaço emocional.

    Segundo o psiquiatra Adiel Rios, membro da Associação Brasileira de Psiquiatria, a própria história das pesquisas contribuiu para o atraso no reconhecimento do autismo feminino.

    “Durante décadas, a maioria dos estudos e critérios diagnósticos foi baseada principalmente em meninos. Isso criou um modelo clínico masculino do autismo. Quando a apresentação foge desse padrão, o diagnóstico se torna mais difícil”, explica.

    A camuflagem social

    Um dos fatores que mais dificultam o diagnóstico em mulheres é o chamado masking, ou camuflagem social. Trata-se de um conjunto de estratégias usadas para esconder ou compensar dificuldades de interação.

    Entre esses comportamentos estão copiar gestos e expressões dos outros, ensaiar conversas mentalmente, manter contato visual mesmo com desconforto e controlar movimentos repetitivos.

    A neuropsicóloga Leninha Wagner explica que muitas mulheres conseguem manter esse mecanismo por anos. O problema é que ele costuma gerar sobrecarga emocional.

    “Muitas só recebem diagnóstico quando esse mecanismo entra em colapso, geralmente em fases de grande exigência, como universidade, início da carreira ou maternidade”, afirma.

    Interesses intensos, mas socialmente aceitos

    Outro traço característico do autismo são os interesses restritos e intensos. Em meninas e mulheres, porém, esses interesses costumam envolver temas socialmente aceitos, como livros, animais, séries, música ou conteúdos escolares.

    Por isso, raramente despertam suspeita. O que diferencia esses interesses é a intensidade, a dedicação quase exclusiva ao tema e a dificuldade de mudar o foco.

    Além disso, comportamentos repetitivos tendem a ser mais discretos, como manipular pequenos objetos, contrair músculos ou realizar movimentos sutis com as mãos.

    Sinais ignorados na infância

    Na infância, diversos sinais podem passar despercebidos. Entre eles estão brincadeiras muito repetitivas, forte necessidade de organização, incômodo com sons ou texturas e dificuldade em lidar com mudanças.

    Frequentemente, esses comportamentos são interpretados apenas como timidez, sensibilidade ou maturidade precoce.

    Já na vida adulta, muitas dessas mulheres procuram atendimento médico por ansiedade, depressão ou dificuldades nos relacionamentos. Sem uma análise detalhada da história desde a infância, o diagnóstico costuma focar apenas nesses sintomas.

    O aumento recente de diagnósticos de autismo em mulheres reflete justamente uma maior atenção da medicina a essas manifestações que, por décadas, permaneceram invisíveis.

  • FVS-RCP intensifica programação da campanha de tuberculose no interior do Amazonas

    Capacitação realizada em Rio Preto da Eva reúne 150 profissionais e reforça diagnóstico precoce, manejo clínico e integração da rede de saúde.

    Saúde – Como parte da programação da campanha estadual de prevenção à tuberculose, a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP) realizou, nesta quarta-feira (04/03), um treinamento voltado à qualificação técnica de profissionais de saúde e agentes comunitários de Rio Preto da Eva, município localizado a cerca de 80 quilômetros de Manaus.

    Ao todo, 150 participantes estiveram envolvidos na atividade, que teve como foco atualizar protocolos, reforçar a identificação de casos suspeitos (sintomáticos ou assintomáticos) e aperfeiçoar o manejo clínico. A proposta é preparar os trabalhadores para uma atuação mais segura e alinhada às diretrizes estabelecidas.

    De acordo com a diretora-presidente da FVS-RCP, Tatyana Amorim, investir na qualificação das equipes que atuam diretamente na comunidade contribui para reduzir a transmissão da doença. “Ao fortalecer o conhecimento técnico, ampliamos também a orientação à população para que procure as UBS diante de sinais ou suspeitas. Isso potencializa a resposta da rede e favorece a prevenção de surtos e agravos”, destacou.

    Para a coordenadora do Programa Estadual de Controle da Tuberculose da FVS-RCP, Lara Bezerra, a atividade trouxe ganhos práticos para o cotidiano das equipes. “Foi um momento produtivo, que possibilitou atualização técnica e troca de experiências entre Atenção Primária e Vigilância em Saúde”, afirmou.

    Atuação integrada no enfrentamento

    A programação foi organizada de forma segmentada em dois espaços do município. Na Secretaria Municipal de Saúde, a oficina direcionada aos agentes comunitários enfatizou a busca ativa de sintomáticos respiratórios e a investigação de contatos como estratégias fundamentais para o diagnóstico precoce e a ampliação do tratamento preventivo.

    Já na Câmara Municipal, outra oficina reuniu profissionais de nível superior das Unidades Básicas de Saúde (UBS), como médicos, enfermeiros, farmacêuticos e bioquímicos, com foco no tratamento da tuberculose e da Infecção Latente da Tuberculose (ILTB). A atividade reforçou a integração entre Atenção Primária e Vigilância em Saúde, promovendo maior alinhamento das condutas assistenciais.

    A iniciativa contou com o apoio da Secretaria Municipal de Saúde de Rio Preto da Eva, do grupo de pesquisa da Fundação de Medicina Tropical, da Policlínica Cardoso Fontes e do Comitê Estadual de Tuberculose do Amazonas, representante da sociedade civil.

    Da descoberta à prevenção à Tuberculose

    Celebrado em 24 de março, o Dia Mundial de Combate à Tuberculose destaca a importância do diagnóstico precoce, do tratamento completo e da busca ativa de casos, além de medidas que contribuem para interromper a transmissão e reduzir o impacto da doença na saúde pública.

    No Amazonas, o enfrentamento à tuberculose mobiliza serviços da Atenção Primária, Vigilância em Saúde e representantes da sociedade civil. A atuação integrada envolve desde a identificação de sintomáticos respiratórios e investigação de contatos até o acompanhamento do tratamento e a ampliação da terapia preventiva, fortalecendo a resposta em todo o estado.

    Fonte: Beatriz Crispim – FVS-RPC

  • Receita sob Controle: FVS-RCP reúne empresa de gráficas para alinhamento técnico

    Saúde – A Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP) promove, nesta quarta-feira (04/03), reunião com representantes das gráficas credenciadas para a confecção da Notificação de Receita de medicamentos sujeitos a controle especial.

    A agenda ocorre em consonância com normativas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que atualizaram, em 2025, regras relacionadas à emissão e ao controle desses formulários. Desde então, as empresas habilitadas passaram a produzir novos modelos, fortalecendo o monitoramento da prescrição e da dispensação, com maior rastreabilidade e padronização.

    Para a diretora-presidente da FVS-RCP, Tatyana Amorim, o encontro integra o esforço contínuo de orientação técnica aos serviços regulados. “Sempre que há atualização normativa da Anvisa, promovemos o alinhamento necessário para que os procedimentos sejam executados corretamente, conforme a legislação vigente”, afirmou.

    De acordo com o diretor da Vigilância Sanitária da FVS-RCP, Jackson Alagoas, as mudanças aperfeiçoam o fluxo em todas as etapas, da prescrição pelo profissional habilitado à dispensação na farmácia, além de dialogarem com o avanço da prescrição eletrônica. “Aprimoramos a cadeia de controle, trazendo mais organização e eficiência ao processo”, destacou.

    A diretora da Grafitel, Danielle Andrade, destacou que a participação das gráficas no seminário reforça o controle e a rastreabilidade dos receituários de medicamentos sujeitos a controle especial. “O acesso das empresas credenciadas é fundamental para manter o rigor no processo e ampliar a segurança à sociedade”, avaliou.

    A reunião também reforça a aplicação de dispositivos como a Portaria nº 344/1998, a Lei nº 13.732/2018 e resoluções recentes da Anvisa, que disciplinam a numeração, a impressão e o registro das Notificações de Receita, contribuindo para a proteção da saúde pública no estado.

    Fonte: Aline Reis/ FVS-RCP

  • Reconhecimento acadêmico celebra contribuição de servidoras da FVS-RCP à saúde do Amazonas

    Saúde – Na colação de grau das residências em Infectologia e Enfermagem da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), duas servidoras da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP) receberam homenagem pelo trabalho desenvolvido na formação de novos especialistas.

    Foram reconhecidas Lara Bezerra, do Programa Estadual de Controle da Tuberculose, e Vaneli Cappellesso, do Programa Estadual de Hepatites Virais, pela orientação das residentes Gabriela Barros e Bruna Botelho, que realizaram campo de prática na Fundação entre 2024 e 2025.

    Durante a residência, as profissionais participaram de visitas técnicas, ações de testagem rápida extramuros, inquéritos de tuberculose e acompanhamento dos processos de notificação e vigilância. Também atuaram em estratégias de prevenção, como Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), Profilaxia Pós-Exposição (PEP), tratamento preventivo da tuberculose e monitoramento de casos de hepatites virais.

    A FVS-RCP destaca a importância da integração entre ensino e serviço como estratégia fundamental, contribuindo para a qualificação de profissionais e para o aprimoramento contínuo das ações de vigilância, prevenção e controle de doenças.

    Fonte: Cândido Miranda/ FVS-RC

  • Dia Mundial da Obesidade: tratar como doença é o primeiro passo contra o preconceito e as complicações

    Especialista explica que reconhecer a obesidade como condição crônica muda o tratamento, reduz o estigma e amplia o acesso a terapias eficazes.

    Saúde – Durante décadas, o excesso de peso foi associado à falta de disciplina ou força de vontade. Expressões como “é só fechar a boca” ainda ecoam no senso comum. No entanto, a ciência é clara: a obesidade é uma doença crônica, complexa e multifatorial. No Dia Mundial da Obesidade, especialistas reforçam que mudar essa percepção é essencial para transformar o cuidado e combater o preconceito.

    De acordo com o endocrinologista Dr. Maurício Yagui Hirata, reconhecer a obesidade como doença muda completamente a forma de abordar o problema. “Quando deixamos de tratar como falha de caráter e passamos a enxergar como condição de saúde, abrimos espaço para diagnóstico adequado, tratamento estruturado e acompanhamento contínuo”, explica.

    A própria Organização Mundial da Saúde classifica a obesidade como doença há décadas. Ainda assim, o estigma social persiste — e isso tem impacto direto na saúde física e emocional dos pacientes.

    Não é apenas uma questão de escolha

    A obesidade resulta da interação de múltiplos fatores: genética, alterações hormonais, metabolismo, ambiente alimentar, sedentarismo, qualidade do sono, estresse e aspectos psicológicos. Algumas pessoas apresentam maior predisposição biológica ao ganho de peso, com mecanismos que favorecem o aumento do apetite e o acúmulo de gordura.

    Além disso, o ambiente moderno contribui para o problema. A ampla oferta de alimentos ultraprocessados, a rotina acelerada e o sono insuficiente interferem diretamente nos hormônios que regulam fome e saciedade.

    Isso não significa que hábitos saudáveis não sejam importantes, mas reforça que a obesidade não pode ser simplificada ou reduzida a julgamento moral.

    Muito além da estética

    Os impactos da obesidade vão muito além da balança. O excesso de gordura corporal está associado a maior risco de diabetes tipo 2, hipertensão arterial, dislipidemia, apneia do sono, doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer.

    Estudos apontam que a obesidade é um dos principais fatores de risco para infarto e acidente vascular cerebral (AVC). A inflamação crônica provocada pelo excesso de tecido adiposo também contribui para alterações metabólicas complexas.

    A saúde mental é outra dimensão frequentemente afetada. O estigma, a discriminação e as frustrações com tentativas repetidas de emagrecimento podem levar à ansiedade, depressão e isolamento social.

    Tratamento é contínuo e individualizado

    Reconhecer a obesidade como doença crônica permite um plano terapêutico estruturado e de longo prazo. A base do tratamento continua sendo a mudança no estilo de vida — com reeducação alimentar, atividade física regular e melhora da qualidade do sono —, mas essas estratégias precisam ser individualizadas.

    O acompanhamento multiprofissional, com médico, nutricionista, psicólogo e educador físico, aumenta as chances de sucesso. Em determinados casos, medicamentos podem ser indicados para auxiliar no controle do apetite e do metabolismo, sempre com prescrição e monitoramento médico.

    Para pacientes com obesidade grave ou comorbidades associadas, a cirurgia bariátrica pode ser considerada dentro de critérios clínicos bem definidos, como ferramenta terapêutica e não como solução estética.

    O Dia Mundial da Obesidade reforça um convite à mudança de olhar. Ao substituir culpa por ciência e preconceito por cuidado, o tratamento se torna mais eficaz — e mais humano.

  • Até 31 de maio: Amazonas disponibiliza vacinação contra influenza para toda população

    Medida da FVS-RCP responde ao cenário de circulação de vírus respiratórios e reforça a proteção coletiva no estado.

    Saúde – A partir desta terça-feira, a vacina contra a influenza passa a ser oferecida a toda população não vacinada, a partir de 6 meses de idade, no Amazonas. A ampliação da imunização foi recomendada pela Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas- Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP), conforme a Nota Técnica nº006/2026, disponível em www.fvs.am.gov.br.

    A vacinação seguirá até 31 de maio de 2026. Cada município deve avaliar o estoque disponível e organizar as estratégias junto às equipes da Atenção Primária à Saúde (APS). Mesmo com a abertura ao público geral, a orientação é manter a prioridade para os grupos mais vulneráveis às complicações da doença.

    A diretora-presidente da FVS-RCP, Tatyana Amorim, ressalta que a decisão está alinhada ao monitoramento contínuo do cenário epidemiológico. “Estamos acompanhando de forma permanente os indicadores. Ao expandir a vacinação, ampliamos a proteção da população e fortalecemos a resposta do sistema de saúde durante a maior circulação viral”, afirmou.

    O diretor de Vigilância Epidemiológica, Alexsandro Melo, reforça que o imunizante é seguro e eficaz na prevenção de formas graves da influenza. “Quanto maior o número de pessoas imunizadas, menor a probabilidade de complicações e de impacto nos serviços de saúde. Trata-se de uma mobilização coletiva em favor da vida”, destacou.

    A FVS-RCP orienta que a população fique atenta ao cronograma divulgado pelas secretarias municipais de saúde, responsáveis pela execução da vacinação em cada território.

    Fonte: Maíra Pessoa/ FVS-RCP