Categoria: Saúde

  • Dor antes do movimento: por que o corpo reage ao que ainda nem aconteceu

    Cérebro pode antecipar perigo e ativar dor antes da ação, criando um ciclo silencioso que envolve medo, tensão e evitação.

    Saúde – Você já sentiu dor antes mesmo de se mexer? Aquela sensação de desconforto que surge só de pensar em realizar um movimento específico pode parecer estranha, mas é mais comum do que se imagina — e tem explicação científica.

    Durante muito tempo, a dor foi entendida como uma resposta direta a uma lesão física. No entanto, avanços na neurociência mostram que ela pode ir além: em muitos casos, a dor também é resultado da forma como o cérebro interpreta e antecipa possíveis ameaças.

    Esse fenômeno está relacionado ao conceito de Processamento preditivo, segundo o qual o cérebro funciona como uma espécie de “máquina de previsão”. Ele utiliza experiências passadas, memórias e emoções para antecipar situações futuras e preparar o corpo para reagir.

    Na prática, isso significa que, se uma pessoa já sentiu dor ao realizar determinado movimento, o cérebro pode associar aquela ação a um risco. Mesmo sem uma lesão ativa, ele passa a disparar sinais de alerta antes que o movimento aconteça. O corpo responde com tensão muscular, alterações na respiração e, em alguns casos, dor real.

    Esse mecanismo tem uma função importante: proteger o organismo. O problema surge quando ele se torna constante. O estado de alerta contínuo gera uma sobrecarga fisiológica conhecida como Carga alostática, que pode intensificar e prolongar a sensação de dor.

    É por isso que muitas pessoas relatam sintomas mesmo com exames normais. Nesses casos, a dor deixa de ser apenas um sinal de dano físico e passa a refletir uma resposta do sistema nervoso, que prioriza a segurança acima de tudo.

    Esse processo cria um ciclo difícil de quebrar: a pessoa antecipa a dor, o corpo se tensiona, o desconforto aparece, e o movimento passa a ser evitado. Com o tempo, essa evitação reforça ainda mais a percepção de ameaça.

    Romper esse padrão exige uma abordagem mais ampla. Não basta tratar apenas músculos ou articulações. É necessário reeducar o cérebro, reduzindo a sensação de perigo associada ao movimento. Estratégias como exposição gradual, compreensão sobre a dor e técnicas de regulação emocional ajudam nesse processo.

    Mais do que eliminar um sintoma, o desafio é reconstruir a confiança do corpo em se mover sem medo. Porque, em muitos casos, a dor não está apenas no que acontece — mas no que o cérebro acredita que pode acontecer.

  • Cochilos longos e frequentes podem aumentar risco de mortalidade; entenda relação

    Nem toda soneca vai necessariamente trazer consequências negativas, mas um estudo publicado na revista científica ‘Nature Medicine’ que a frequência e duração dos cochilos podem aumentar chance de morte por qualquer causa

    Saúde – Os cochilos são uma estratégia clássica para tentar rapidamente recuperar a energia em dias de muito cansaço – quem nunca tirou uma soneca reparadora, daquelas que a gente acorda sem saber onde está, que atire a primeira pedra.

    Mas uma nova pesquisa mostra que os inocentes cochilos durante o dia podem ser, no limite, mortais.

    O estudo, publicado na revista científica “JAMA Network Open” revelou que pessoas que tiram frequentemente sonecas longas, especialmente durante a manhã, têm maior risco de mortalidade por qualquer causa.

    O grupo analisou dados de mais de 1300 participantes, com 56 anos ou mais, em um acompanhamento que durou 19 anos. O objetivo era compreender se características como frequência e duração dos cochilos entre idosos poderiam estar associadas a uma chance maior de morte.

    Nas conclusões, os pesquisadores destacam que, uma vez que cochilar é um comportamento comum entre idosos, os achados levantam uma séria preocupação sobre o impacto desse hábito na longevidade.

    Além de poder perder a hora de acordar, algumas características dos cochilos são as responsáveis por aumentar o risco de mortalidade. Ou seja, nem toda soneca vai necessariamente trazer consequências negativas.

    Os pesquisadores observaram que os fatores que estiveram relacionados à maior mortalidade foram:

    • Cochilos de maior duração (acima de uma hora)
    • Maior frequência de cochilos
    • Cochilar pela manhã (em comparação a dormir no início da tarde)

    Assim, os dados mostram, em resumo, que cochilos mais longos, frequentes e durante a manhã podem levar a um aumento no risco de morte.

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    Cochilos longos e frequentes podem aumentar risco de mortalidade; entenda relação

    Nem toda soneca vai necessariamente trazer consequências negativas, mas um estudo publicado na revista científica ‘Nature Medicine’ que a frequência e duração dos cochilos podem aumentar chance de morte por qualquer causa.

    Por Júlia Carvalho, g1

    23/04/2026 05h04  Atualizado há 8 horas

    "Dormir bem é essencial para a sua saúde! — Foto: Banco de imagens

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    Os cochilos são uma estratégia clássica para tentar rapidamente recuperar a energia em dias de muito cansaço – quem nunca tirou uma soneca reparadora, daquelas que a gente acorda sem saber onde está, que atire a primeira pedra.

    Mas uma nova pesquisa mostra que os inocentes cochilos durante o dia podem ser, no limite, mortais.

    ➡️O estudo, publicado na revista científica “JAMA Network Open” revelou que pessoas que tiram frequentemente sonecas longas, especialmente durante a manhã, têm maior risco de mortalidade por qualquer causa.

    O grupo analisou dados de mais de 1300 participantes, com 56 anos ou mais, em um acompanhamento que durou 19 anos. O objetivo era compreender se características como frequência e duração dos cochilos entre idosos poderiam estar associadas a uma chance maior de morte.

    Nas conclusões, os pesquisadores destacam que, uma vez que cochilar é um comportamento comum entre idosos, os achados levantam uma séria preocupação sobre o impacto desse hábito na longevidade.

    O risco do cochilo

    Além de poder perder a hora de acordar, algumas características dos cochilos são as responsáveis por aumentar o risco de mortalidade. Ou seja, nem toda soneca vai necessariamente trazer consequências negativas.

    Os pesquisadores observaram que os fatores que estiveram relacionados à maior mortalidade foram:

    • Cochilos de maior duração (acima de uma hora)
    • Maior frequência de cochilos
    • Cochilar pela manhã (em comparação a dormir no início da tarde)

    Assim, os dados mostram, em resumo, que cochilos mais longos, frequentes e durante a manhã podem levar a um aumento no risco de morte.:

    O que torna a soneca mais mortal?

    Os pesquisadores ponderam que o estudo não analisou as causas específicas de morte nem é capaz, unicamente, de explicar por que os cochilos, com essas características já descritas, estão associados a maiores índices de mortalidade.

    Apesar disso, há alguns problemas de saúde que podem explicar essa relação:

    • Mecanismos cardiovasculares
    • Distúrbios do sono
    • Doenças crônicas (como doenças respiratórias crônicas, diabetes e neurodegeneração)
    • Inflamação sistêmica

    Em todas essas situações, há uma potencial influência no sono, o que pode fazer com que a pessoa se sinta menos disposta e mais sonolenta ao longo do dia e tire mais cochilos – ou seja, as sonecas seriam uma consequência direta de um problema de saúde já existente.

    Ainda que o estudo traga achados importantes, os pesquisadores reforçam que a pesquisa apresenta limitações.

    A análise foi composta majoritariamente por indivíduos brancos, o que impediu a observação de padrões entre outros grupos raciais e culturais.

    A pesquisa também não levou em consideração as demais faixas etárias ou trabalhadores em turnos, por exemplo.

    Eles ainda pontuam que estudos futuros devem incluir uma maior diversidade populacional, além de diferentes tipos de análise para poder captar melhor os efeitos da irregularidade dos cochilos.

    Fonte: G1

  • Trump reclassifica maconha como substância menos perigosa, em decisão que amplia acesso nos EUA

    Decisão é histórica na política de drogas dos EUA, e tira a maconha da categoria do LSD e da heroína, e a nivela a substâncias de uso controlado, como testosterona e anabolizantes. Medida não legaliza nacionalmente, mas flexibiliza regras e amplia pesquisas.

    Saúde – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reclassificou a maconha medicinal como uma droga menos perigosa, reduzindo restrições federais sobre a substância. A medida foi formalizada pelo procurador-geral interino, Todd Blanche, por meio do Departamento de Justiça.

    A decisão transfere a cannabis da chamada Lista I — categoria de drogas sem uso médico reconhecido — para a Lista III, considerada menos rigorosa.

    O enquadramento na Lista I colocava a cannabis no patamar de drogas como o LSD e a heroína. Agora, sob a classificação de Lista III, o entorpecente é nivelado a substâncias de uso controlado, como a testosterona e os anabolizantes.

    A medida também garante benefícios fiscais aos operadores de maconha medicinal licenciados e reduz entraves à realização de pesquisas sobre a cannabis.

    A ordem não legaliza o uso da maconha em nível federal, nem para fins medicinais nem recreativos.

    Segundo Blanche, a decisão cumpre uma promessa de Trump de ampliar o acesso a tratamentos médicos e facilitar pesquisas sobre a segurança e eficácia da substância.

    O que muda

    Com a nova classificação, a maconha medicinal passa a enfrentar menos barreiras regulatórias nos Estados Unidos.

    A medida:

    • legitima, na prática, os programas de maconha medicinal adotados por cerca de 40 estados;
    • cria um sistema acelerado para que produtores e distribuidores licenciados se registrem na Drug Enforcement Administration (DEA);
    • permite que pesquisadores utilizem cannabis autorizada pelos estados sem risco de punição;
    • autoriza, pela primeira vez, que empresas do setor deduzam despesas comerciais em impostos federais;
    • facilita pesquisas científicas sobre o uso medicinal da substância.

    A flexibilização das regras era uma demanda antiga de pesquisadores e pacientes, já que a classificação anterior dificultava estudos clínicos sobre a cannabis.

    Leis diferentes nos EUA

    Nos Estados Unidos, a legislação sobre maconha é dividida entre o nível federal e estadual.

    Pela lei federal, a droga continua proibida. Já nos estados, as regras variam: cerca de 40 permitem o uso medicinal, e mais de 20 já legalizaram o uso recreativo. Outros estados autorizam apenas produtos com baixo teor de THC ou derivados como o CBD, enquanto Idaho e Kansas proíbem completamente a substância.

    A nova regra reconhece, na prática, esses programas estaduais e cria um alinhamento parcial com a legislação federal.

    Produtos fora desses sistemas, porém, continuam enquadrados na categoria mais restritiva.

    Histórico da medida

    A reclassificação retoma um processo que já vinha sendo discutido desde o governo de Joe Biden.

    Em 2022, Biden solicitou a revisão da classificação da maconha, e o tema passou por análises técnicas e consultas públicas, que reuniram cerca de 43 mil contribuições, mas não avançou.

    Após assumir o novo mandato, Trump determinou que o processo fosse acelerado.

    A decisão atual contorna parte do trâmite tradicional ao usar um dispositivo legal que permite ao governo definir a classificação de substâncias com base em tratados internacionais

    Embora a reclassificação da maconha medicinal já tenha sido formalizada, o governo afirmou que a decisão não encerra o tema. A gestão Trump pretende avançar na discussão sobre a reclassificação da cannabis de forma mais ampla, incluindo outros usos além do medicinal, e por isso marcou o início de audiências públicas para junho. Essas sessões devem reunir especialistas, autoridades e representantes da sociedade para avaliar possíveis mudanças adicionais na política federal sobre a droga.

    Segundo a Associated Press, a medida representa uma das maiores mudanças na política federal sobre cannabis em décadas, apesar de críticas de opositores, que afirmam que a flexibilização pode beneficiar grandes empresas do setor e minimizar riscos associados ao uso da droga.

    Fonte: G1

  • Novo tratamento infantil contra malária começa a ser implantado no Amazonas

    Estratégia fortalece adesão ao tratamento e integra ações do Ministério da Saúde e FVS-RCP

    Saúde – Buscando ampliar o acesso a um tratamento mais curto e eficaz, a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP) participou nesta quarta-feira (22/04) da implantação da Tafenoquina Pediátrica para cura radical da malária vivax.

    O evento ocorreu na sede do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Manaus realizada em parceria com o Ministério da Saúde, da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) e de instituições parceiras.

    A diretora-presidente da FVS-RCP destaca o compromisso da instituição referente a eliminação da malária até 2035. “Em áreas de difícil acesso, o monitoramento e a conclusão do tratamento representam desafios importantes. Quando conseguimos reduzir o tempo de tratamento, aumentamos significativamente a adesão dos pacientes e, se isso já faz diferença em contextos urbanos, torna-se ainda mais relevante nessas regiões”, afirma.

    De acordo com o coordenador geral de Eliminação da Malária do Ministério da Saúde, Alexander Vargas, a ampliação do uso da tafenoquina representa um avanço estratégico na política nacional de controle da doença. “A incorporação de novas tecnologias fortalece as ações de vigilância e contribui diretamente para a redução dos casos, especialmente em regiões de maior vulnerabilidade”, destaca.

    O diretor de Vigilância Ambiental da FVS-RCP, Elder Figueira, ressalta que a experiência inicial com a tafenoquina trouxe aprendizados importantes para a implementação da estratégia. “Quando implantamos a tafenoquina para adultos, há algum tempo, fizemos uma avaliação posterior dos resultados e identificamos um cenário desafiador. Apesar disso, a tafenoquina representa a mais recente inovação disponível para o controle da malária”, afirma.

    A programação inclui orientações, treinamento para testagem de G6PD e algoritmo de tratamento da malária para os profissionais de saúde, além de atividades práticas.

    Para a gerente de Malária e Hemoparasitos da FVS-RCP, Myrna Barata, a atuação em campo é fundamental no atual cenário epidemiológico.

    “Precisamos incentivar cada vez mais o uso da tafenoquina, especialmente diante dos desafios no tratamento da malária em crianças. A baixa adesão ao tratamento nessa faixa etária ainda é um problema que acaba contribuindo para a manutenção da cadeia de transmissão da doença. Por isso, é fundamental ampliar o uso da tafenoquina de forma segura, como estratégia para fortalecer o controle da malária”, destaca.

    A malária é transmitida pela picada de mosquitos infectados do gênero Anopheles e segue como um importante desafio de saúde pública na região amazônica. A adoção de novas estratégias terapêuticas, aliada ao fortalecimento das ações de vigilância e assistência, é fundamental para avançar na eliminação da doença no Brasil.

    Fonte e Foto: Aline Reis/ FVS-RCP

  • O maior risco na medicina hoje não é a IA – é não usá-la

    Estudos mostram que a IA encontra tumores invisíveis ao olho humano. Para especialistas, rejeitar a tecnologia deixou de ser opção – e virou risco.

    Saúde – A presença da inteligência artificial na medicina deixou de ser promessa para se tornar realidade cotidiana. De algoritmos que analisam exames de imagem a sistemas capazes de sugerir condutas clínicas, a tecnologia avança rapidamente sobre um território historicamente dominado pelo julgamento humano. O desafio, agora, não é mais saber se a IA será utilizada, mas como ela será integrada à prática médica.

    Para o médico ortopedista e gestor de saúde pública Marcelo Itiro Takano, que também é Coordenador Geral da UCP (Unidade de Coordenação de Projetos) da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo, o debate não deve ser simplificado como uma disputa entre homem e máquina. “A IA em saúde não está limitada a uma só tecnologia. Há um conjunto cada vez mais amplo de ferramentas que pretendem entregar eficiência e segurança à prática clínica. Muitas delas já podem ser consideradas como uma segunda opinião qualificada”, afirma.

    Segundo ele, a inteligência artificial já demonstra uma capacidade superior em tarefas específicas, especialmente aquelas que envolvem análise de grandes volumes de dados. “Ela tem potencial de ser mais eficaz em identificar padrões e prever resultados em larga escala. Em um futuro próximo, provavelmente não conseguiremos competir em igualdade com a eficiência da IA em grande parte das jornadas assistenciais”, diz.

    Ainda assim, Takano faz questão de reforçar que a tecnologia não substitui o médico. “Sempre o médico deve ter a palavra final”, afirma.

    Resistência, cultura e o peso do ego

    Apesar dos avanços, a adoção da inteligência artificial ainda enfrenta resistência dentro da própria medicina. Para Takano, essa barreira é, em grande parte, cultural. “Há uma crença histórica de que o médico detém um saber superior. A chegada da tecnologia, que também oferece informação ao paciente, é percebida por alguns como uma ameaça”, explica.

    Ele também aponta o papel do ego nesse processo. “Ter acesso à IA e decidir não utilizá-la pode abrir espaço para questionamentos, inclusive nas esferas civil e criminal. Mas, ao mesmo tempo, contrariar uma ferramenta também pode expor o profissional. Estamos diante de um novo paradigma ético”, afirma.

    Essa tensão tende a se intensificar nos próximos anos, à medida que a tecnologia se torna mais presente e mais precisa.

    Quando a máquina vê o que o médico não viu

    Na prática clínica, situações em que a inteligência artificial identifica achados que passaram despercebidos pelo médico já são cada vez mais frequentes. Takano cita exemplos como fraturas não diagnosticadas, tumores em exames simples e alterações laboratoriais. “A IA faz revisões contínuas. O médico humano não. Essa é uma diferença importante”, afirma. Para ele, o maior risco hoje não está no uso da tecnologia, mas na sua rejeição. “Ignorar os avanços da tecnologia é, sem sombra de dúvida, o maior risco”, diz.

    Os números reforçam o argumento. Um estudo publicado na revista The Lancet em 2025, conduzido na Suécia com mais de 100 mil mulheres, mostrou que o uso de inteligência artificial no rastreamento de câncer de mama aumentou em 29% a detecção de tumores — especialmente os menores e sem metástases — e reduziu em 44% a carga de trabalho dos radiologistas.

    Em escala ainda maior, uma pesquisa prospectiva publicada na Nature Medicine, realizada em 12 centros na Alemanha com 463 mil pacientes, confirmou o aumento nas taxas de detecção sem elevar os índices de exames adicionais desnecessários. A literatura científica consolidada aponta que sistemas de IA detectam entre 20% e 40% dos cânceres que, em análise posterior, eram visíveis em exames anteriores — mas passaram despercebidos por radiologistas.

    Na neurocirurgia, uma das áreas mais sensíveis da medicina, a inteligência artificial já começa a demonstrar impacto concreto. O neurocirurgião Cesar Cimonari de Almeida afirma que algoritmos têm sido utilizados principalmente no diagnóstico por imagem e no planejamento cirúrgico, com níveis elevados de precisão. “Ferramentas baseadas em deep learning conseguem segmentar tumores e detectar lesões com alta acurácia, acelerando triagens e auxiliando na definição de abordagens”, explica.

    Mesmo assim, ele adota cautela. “A IA deve ser vista como co-piloto, não como comandante. A responsabilidade continua sendo humana”, afirma.

    Entre apoio e dependência

    Outro ponto de atenção é o risco de dependência excessiva da tecnologia. Para Takano, esse processo já está em curso, ainda que de forma pouco percebida. “Prontuário eletrônico, exames digitais, telemedicina. A tecnologia já é indispensável na medicina. A questão é entender o que seria, de fato, um uso excessivo”, afirma.

    O desafio, segundo ele, está no equilíbrio. “Errar é humano, e as ferramentas também erram. Precisamos aprender com os acertos e mitigar erros com o uso responsável da tecnologia”, resume.

    Essa visão é compartilhada em outras áreas. Na reprodução humana, o especialista Dani Ejzenberg destaca que a inteligência artificial já auxilia na seleção de embriões e na análise de óvulos e espermatozoides, contribuindo para decisões mais assertivas. “A IA consegue resultados semelhantes aos de embriologistas experientes e pode trazer informações que não são perceptíveis ao olho humano”, afirma.

    Ainda assim, ele reforça que a tecnologia não substitui o especialista. “Assim como em um avião, a IA não elimina a necessidade dos pilotos. Pode haver falhas”, diz.

    O futuro já começou

    A tendência, segundo os especialistas, é que a inteligência artificial se torne cada vez mais integrada à prática médica – a ponto de sua ausência passar a ser vista como uma limitação.

    Para Takano, essa mudança já está em curso. “Médicos que não utilizam IA já estão em desvantagem. O diferencial será a capacidade de usar a tecnologia como referência, e não como resposta final”, afirma.

    No fim, a discussão deixa de ser tecnológica e passa a ser humana. Não se trata apenas de confiar na máquina, mas de reconhecer quando ela pode ajudar – e quando deve ser questionada.

    Porque, na medicina do futuro, talvez o maior erro não seja confiar demais na inteligência artificial, mas ignorá-la.


    Fonte e Foto: CNN Brasil

  • Medicamento contra o Alzheimer deve chegar no Brasil em junho

    Lecanemabe é um remédio biológico que foi aprovado pela Anvisa em dezembro; seu preço pode chegar a R$ 11.075,62.

    Saúde – O lecanemabe, um novo medicamento contra o Alzheimer, deve chegar ao mercado brasileiro em junho. O remédio foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em dezembro.

    Para um mês de tratamento, o preço do medicamento, sem taxas e impostos, será de R$ 8.108,94. Com a aplicação de uma alíquota de 18%, comum na maioria dos Estados, o valor chega a R$ 11.075,62.

    O lecanemabe é um medicamento biológico. Esse tipo de produto é produzido a partir de organismos vivos, como células e tecidos, e atua para reconhecer alvos específicos dentro do organismo. Contra o Alzheimer, ele atua sobre as protofibrilas de beta-amiloide, formas tóxicas da proteína que se acumulam no cérebro e causam morte de neurônios.

    Segundo Tatiana Branco, diretora da área médica da Biogen no Brasil, farmacêutica responsável pelo produto, o principal diferencial do lecanemabe é seu duplo mecanismo de ação. O medicamento não só remove a porção tóxica da beta-amiloide já presente no cérebro, como reduz a formação de novas placas.

    “A gente também observou, no estudo clínico, uma redução de 27% no declínio e no comprometimento clínico dos pacientes que usaram o medicamento ao longo de 18 meses”, disse Tatiana.

    Os resultados do estudo foram publicados no periódico New England Journal of Medicine. Ao todo, 1.795 pessoas participaram da análise, realizada de forma multicêntrica em América do Norte, Europa e Ásia.

    Alerta

    Rodrigo Nascimento, diretor médico da Eisai no Brasil, empresa também responsável pelo produto, pondera que o lecanemabe é um medicamento para evitar a progressão da doença. “Ele não tem como finalidade reverter o que já aconteceu do ponto de vista cognitivo”, explica.

    O indicado, de acordo com ele, é que o remédio seja usado em fases iniciais da doença, como o comprometimento cognitivo leve e a demência leve ligada ao quadro. “Daí a necessidade do diagnóstico precoce para que os pacientes possam colher o melhor benefício que o medicamento pode proporcionar.”


    Fonte e Foto: Estadão

  • Pílula diária em estudo pode ampliar opções terapêuticas contra o HIV

    Pesquisa indica que combinação inédita de dois antirretrovirais, em dose única, mantém carga viral indetectável em maior proporção de pacientes.

    Saúde – O uso de um comprimido único contra o HIV (vírus da imunodeficiência humana) demonstrou resultados iguais ou superiores ao atual padrão terapêutico adotado para manter a infecção sob controle.

    A conclusão vem de um ensaio clínico internacional publicado em fevereiro na revista The Lancet.

    O regime experimental contra HIV é baseado na combinação de doravirina e islatravir em um único comprimido diário e, no estudo, foi mais eficaz para a manutenção do tratamento contra o HIV do que o regime de referência, composto por um a três comprimidos e usando a combinação de dois a três tipos de antirretrovirais, dependendo do estágio da infecção.

    Outro diferencial é o fato de o comprimido em dose única não utilizar INSTIs (inibidores da transferência de fita da integrase), classe considerada padrão global por impedir que o vírus se integre ao DNA das células humanas. Embora eficazes, há indícios de que esses medicamentos podem perder eficiência ao longo do tempo, o que torna relevante o desenvolvimento de alternativas.

    Para comparar os resultados com os dois regimes, 553 voluntários de oito países foram divididos em dois grupos. Todos eles já estavam em terapia contra o vírus havia pelo menos três meses e foram observados durante 48 semanas. Os resultados mostram que 98,6% dos 368 participantes que utilizaram o comprimido experimental mantiveram carga viral indetectável ao final do estudo. O status de indetectável significa que a doença é intransmissível e está controlada. No grupo que recebeu o tratamento padrão à base de INSTIs, esse índice foi de 95,1% após o período de uso da terapia.

    Para o infectologista Moacyr Silva Júnior, do Einstein Hospital Israelita, a boa notícia não é a substituição do modelo atual por um novo, mas sim a possibilidade de mais uma frente terapêutica contra o HIV. “São resultados muito importantes. Ela gera a supressão e, caso o paciente apresente resistência, você vai poder utilizar outras drogas, que atualmente fazem parte do tratamento padrão”, analisa.

    Além disso, a redução dos comprimidos para uma pílula diária permite maior adesão, eliminando o risco de o paciente tomar um e esquecer o outro remédio, por exemplo. Entretanto, no estudo foram observados mais efeitos adversos entre aqueles que usaram o esquema experimental em comparação aos usuários do padrão de INSTIs. Mas isso não levou a um aumento da necessidade de interromper a medicação.

    “Ainda é muito precoce para a gente analisar, porque somente quando se utiliza essas novas drogas em fase populacional ampla é que você vai ter a real forma de saber dos efeitos colaterais. Mas, a princípio, não se verificou tantos efeitos colaterais assim”, analisa Silva Júnior.

    HIV indetectável e a esperança pela cura

    Quando o HIV se mantém indetectável, significa que também deixa de ser transmissível e tampouco pode adoecer o organismo. Quanto menor for a carga viral inicial no momento do diagnóstico, mais rápido se chega ao nível indetectável. Segundo o Painel do HIV no Brasil, com dados atualizados em janeiro pelo Ministério da Saúde, 86% dos brasileiros em terapia contra o vírus estão no estágio indetectável.

    Para o infectologista do Einstein, esse resultado — o melhor da história — é consequência do trabalho do SUS (Sistema Único de Saúde) em diversificar as terapias ofertadas para a população.

    “O que este estudo está indicando é uma simplificação e uma diversificação dos esquemas terapêuticos que já temos no Brasil. A gente vive uma revolução em relação ao HIV usando menos drogas, menos medicações e criando alternativas para driblar a resistência viral, então esse avanço é mais um tijolinho das descobertas importantes do combate à doença nas últimas décadas”, observa Moacyr Silva.

    Apesar de avanços recentes, incluindo a aprovação da vacina que previne infecções do HIV durante seis meses em janeiro pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), ainda não dá para falar em cura do HIV.

    “Vivemos uma estabilidade e um controle da doença, com ótima qualidade de vida para a população e tratamentos que vão ficando tão simples. Isso não é a cura, mas é algo a ser muito comemorado”, conclui o médico.



    Fonte e Foto: CNN Brasil

  • Saúde decide não incluir vacina contra meningite B no SUS para bebês

    Imunizante protege contra o sorotipo mais comum da doença, mas seguirá restrito à rede privada; custo e impacto no orçamento pesaram na decisão.

    Saúde – O Ministério da Saúde decidiu não incorporar ao Sistema Único de Saúde (SUS) a vacina contra meningite do tipo B para crianças menores de 1 ano. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União desta sexta-feira (17).

    Com isso, o imunizante permanece fora do calendário público infantil, apesar de proteger contra o sorogrupo mais frequente da doença meningocócica no país.

    Vacina segue disponível apenas de forma paga

    Sem a incorporação, famílias que desejarem imunizar seus filhos contra a meningite B terão de recorrer à rede privada.

    Cada dose custa, em média, entre R$ 600 e R$ 750. Como o esquema inclui duas a três aplicações no primeiro ano de vida, além de reforço, o valor total pode ultrapassar R$ 2 mil.

    Hoje, o SUS oferece vacinas contra outros sorogrupos da bactéria —como o tipo C e o ACWY—, mas não contempla o tipo B.

    Decisão envolve cálculo entre impacto e orçamento

    A escolha segue recomendação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), que avalia a inclusão de novas vacinas com base em eficácia, segurança, impacto epidemiológico e custo.

    Segundo o infectologista Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), a análise vai além da importância da doença em si.

    Ele explica que entram na conta fatores como número de casos, gravidade, custo da vacina, capacidade de produção e até a logística de distribuição em um país com milhões de nascimentos por ano.

    Embora a meningite B seja causada pelo sorogrupo mais prevalente, explica Kfouri, a doença não é considerada frequente o suficiente para justificar, neste momento, a vacinação universal diante do alto custo do imunizante.

    Sistema precisa definir prioridades entre novas vacinas

    O orçamento do Programa Nacional de Imunizações (PNI) é limitado e disputa espaço com outras possíveis incorporações.

    Kfouri destaca que decisões desse tipo envolvem escolhas: ampliar a cobertura de vacinas já existentes ou incluir novos imunizantes com impacto potencial menor em termos populacionais.

    Ainda segundo o infectologista, diante desse cenário, o preço atual da vacina contra meningite B é um dos principais entraves para sua adoção no SUS.

    Espaço para uso em grupos específicos

    Apesar da negativa para uso universal, há avaliação de que a vacina poderia ter espaço em situações mais direcionadas.

    Entre as possibilidades citadas pelo infectologista estão o uso em pessoas imunossuprimidas ou em contextos de surtos localizados, onde o risco de transmissão e gravidade pode ser maior.

    Essa estratégia intermediária, segundo o especialista, permitiria ampliar a proteção sem gerar o mesmo impacto orçamentário de uma vacinação em massa.

    A portaria prevê que a vacina poderá ser reavaliada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) caso surjam novas evidências ou mudanças que alterem o cenário atual —como redução de preço ou novos dados de impacto.

    Doença rara, mas grave

    A meningite meningocócica é uma infecção que pode evoluir rapidamente e levar à morte ou deixar sequelas importantes, especialmente em crianças pequenas.

    A vacinação é a principal forma de prevenção. No caso do tipo B, no entanto, o acesso segue limitado a quem pode pagar.

    Fonte: G1

  • Jovem de 30 anos tem AVC após dor de cabeça fora do padrão; casos sobem entre os mais novos

    Casos da doença cresceram entre pessoas mais jovens no Brasil; incidência aumentou 66% em menores de 45 anos.

    Saúde – “Não é nada, você é jovem demais para isso.” Foi essa a resposta que Eduardo Guerra, de 30 anos, ouviu ao procurar atendimento por uma dor de cabeça diferente das enxaquecas que costumava ter. Pouco tempo depois, veio o diagnóstico: um acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico que o levou à Unidade de Terapia Intensiva (UTI) por cinco dias.

    O caso não é isolado e ajuda a ilustrar uma mudança no perfil da doença no Brasil. Historicamente associada ao envelhecimento, o AVC tem se tornado mais frequente entre adultos jovens.

    Hoje, o país registra uma morte pela condição a cada seis minutos e, na última década, a incidência do tipo isquêmico — causado pela obstrução de vasos sanguíneos — aumentou 66% entre pessoas com menos de 45 anos

    Dor de cabeça foi o primeiro sinal

    Eduardo conta que já tinha dores de cabeça, mas, dois dias antes do AVC, sentiu uma enxaqueca intensa e com aura, em que a pessoa vê pontos brancos e flashes de luz durante a crise. Como nunca tinha tido esse tipo de sintoma, decidiu procurar atendimento médico.

    Ele foi liberado com alguns remédios para a dor, mas, dois dias depois, teve uma nova crise — dessa vez acompanhada por perda temporária de visão, de audição e de força nos braços. Era um AVC.

    O caso dele foi de um AVC isquêmico, quando há a obstrução de uma artéria cerebral, interrompendo o fluxo de sangue. Esse é o tipo mais comum entre a população e o que mais tem sido registrado em pacientes mais jovens.

    Durante a internação, exames de imagem detalhados ajudaram a esclarecer o quadro. Os médicos identificaram uma síndrome da vasoconstrição cerebral reversa (SVCR), condição caracterizada por espasmos súbitos nas artérias do cérebro, que reduzem o fluxo sanguíneo.

    Além disso, os exames mostraram que ele já havia sofrido um AVC anteriormente, provavelmente ainda mais jovem, sem perceber.

    Por que o AVC está mais comum entre jovens?

    O médico neurocirurgião, Orlando Maia, explica que o aumento de casos em pessoas mais jovens tem relação direta com mudanças no estilo de vida, combinadas a fatores genéticos.

    Para além disso, ele cita que estresse crônico, alimentação inadequada e privação de sono têm antecipado o surgimento de doenças como hipertensão e diabetes — principais fatores de risco para o AVC.

    Tempo é fundamental em caso de AVC

    Quando o episódio acontece, a rapidez no atendimento é decisiva. A cada minuto sem oxigenação adequada, milhares de neurônios são perdidos — e o impacto pode ser permanente.

    Os sintomas costumam surgir de forma súbita. Entre os principais sinais, estão:

    • fraqueza ou dormência em um lado do corpo;
    • dificuldade para falar ou compreender;
    • dor de cabeça intensa e fora do padrão;
    • alterações na visão ou audição;
    • perda de equilíbrio ou coordenação.

    O neurocirurgião Orlando Maia explica que, a diferença entre uma dor de cabeça comum e a dor que pode preceder o AVC é que ela não é progressiva — começa em uma intensidade e fica mais forte.

    Para facilitar a identificação, médicos recomendam o uso do teste SAMU: observar o sorriso (assimetria facial), pedir para levantar os braços e avaliar a fala. Qualquer alteração exige atendimento imediato.

    Fonte: G1

  • Parto raro de trigêmeos é realizado em maternidade de Manaus

    Dona de casa Francis Dalva Braga, de 40 anos, estava na 33ª semana de gestação de duas meninas e um menino. Os bebês nasceram saudáveis, mas permanecem internados para ganhar peso.

    Saúde – Uma mulher de 40 anos deu à luz a trigêmeos na sexta-feira (17), na Maternidade Ana Braga, na Zona Leste de Manaus. A dona de casa Francis Dalva Braga, moradora de Tefé, estava na 33ª semana de gestação de duas meninas e um menino. Os bebês nasceram saudáveis, mas permanecem internados para ganhar peso.

    Partos de trigêmeos são estatisticamente raros e representam uma fração muito pequena do total de nascimentos anuais no país. Segundo o Ministério da Saúde, eles ocorrem em menos de 1% das gestações.

    A primeira a nascer foi Kiara, às 16h05, com 2,260 kg e 45 centímetros. Em seguida, Gustavo nasceu às 16h06, com 1,960 kg e 45 centímetros. Por último, Hanna veio ao mundo às 16h08, pesando 1,940 kg e medindo 44 centímetros.

    Os três recém-nascidos precisaram de suporte respiratório não invasivo e seguem em acompanhamento na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN).

    Mãe de seis filhos, Francis realizou o pré-natal em Tefé, mas foi encaminhada para Manaus por se tratar de uma gestação de alto risco. A gravidez foi descoberta durante uma internação, ainda no início da gestação.

    Segundo a paciente, o atendimento recebido na maternidade foi fundamental para trazer segurança durante o processo. “Mesmo com a ansiedade, todo esse cuidado me deixou mais confiante para o parto”, afirmou.

    O procedimento mobilizou uma equipe com 15 profissionais, entre obstetras, pediatras, neonatologistas, enfermeiros e anestesistas. De acordo com o médico responsável, casos como esse exigem estrutura especializada.

    Fonte: G1